"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Escola Paulo da Gama. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escola Paulo da Gama. Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de agosto de 2026

A educação a afundar

«Os professores são hoje uma das últimas reservas estratégicas de Humanidade. Enquanto os sistemas digitais reduzem pessoas a dados e probabilidades, eles continuam a olhar para cada aluno como uma singularidade irrepetível. Enquanto os algoritmos aprendem pela repetição, os professores continuam a acreditar na transformação, no espanto, no inesperado e no milagre discreto da aprendizagem.
(...)
Continuam a guardar aquilo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir: a capacidade de despertar consciência.»
José Paulo Santos, Visão, 23 de Julho de 2026


Um grupo de alunos do 7.º ano entrevistando
o Prof. Cláudio Torres, em Mértola, 1995


sábado, 27 de setembro de 2025

Quando o mar explodiu no Faial

 27 de Setembro de 1957

«Momentos após o movimento estranho das águas ser detectado, começam a ser observados fumos de progressiva intensidade a sair do mar. Ao fim do dia, o vapor de água e as cinzas negras atingiam 4000 metros de altitude e eram visíveis de todas as ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores. Eram as primeiras manifestações de um vulcão submarino, que se começava a erguer de uma profundidade de cerca de 70 metros.»


«O vulcão dos Capelinhos é ainda hoje um dos mais bem conhecidos e estudados em todo o mundo. Apresenta particularidades únicas. Foi um vulcão observado desde a fase do seu aparecimento como vulcão submarino, para evoluir, posteriormente, para um vulcão terrestre. Com uma actividade invulgarmente longa, cerca de treze meses, o vulcão dos Capelinhos conta-nos a história de como se formaram as ilhas açorianas e também um pouco da história da Terra.»

«Entretanto, ficaram milhares de fotografias da época que nos mostram uma realidade agora distante (...)
O que mais me fascina nessas imagens é a presença das pessoas, a forma como observam o vulcão, como ousam aproximar-se dele; ou os habitantes da área sinistrada, que assistem ao desmoronamento das suas casas e à destruição dos campos agrícolas. Vemos a altura das cinzas a crescer com o passar do tempo. Vemos a violência das explosões do vulcão, sem sentirmos o medo e o pânico dessa ameaça. E esta talvez seja a memória que fica de um vulcão que não matou ninguém, mas que gerou a desordem e o caos e que mudou para sempre a vida de milhares de pessoas.


O vulcão tem a nossa idade, há um pedaço de terra que aparece em 1957 e que cinquenta anos depois já perdeu cerca de quatro quintos da sua massa. A actual fase de erosão intensa é como o dissecar de um cadáver que vai mostrando a sua génese, a matéria do seu ser, a forma como o víramos crescer e agora a transformar-se de novo em pó, a contribuir para a formação de outras rochas, num processo activo e incessante de transformação do solo.
Os processos erosivos, provocados pela acção do mar, do vento e da chuva, vão consumindo o vulcão naquele que continua a ser um invulgar documento vivo da história da Terra.»

Duarte Belo, FOGO FRIO - O vulcão dos Capelinhos





As fotografias do vulcão em actividade são da National Geographic Portugal.
As duas seguintes são do vulcão em 1994-96.
As duas últimas são da Viagem de Finalistas do 9.º 8 da Escola Básica Paulo da Gama (Amora), em 1997.


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

domingo, 15 de junho de 2025

Ensino - (o meu) fim de linha

Depois de mais de 42 anos de ensino, com o aproximar do fim do último ano lectivo, pensava como iriam ser as minhas últimas aulas na escola que conheço há quase 40 anos.

Procurava antecipar o que iria sentir quando, depois dos alunos terem saído, fechasse a porta da sala de aulas pela última vez.

Ficou tudo pelo pensamento!
Uma virose - covid de quarta ou quinta categoria! - obrigou-me a faltar nos últimos dias do ano lectivo.

Fernando Henrique Cardoso, antigo Presidente do Brasil, sociólogo, dizia que "Na História, quando se pensa que acontecerá o inevitável, ocorre o imprevisto."

Sobre o dia em que a vontade dos miúdos é, fundamentalmente, entrar no modo de férias - e a dos professores não lhes é contrária! -, tenho a vantagem de poder continuar a conjecturar ad aeternum todas as formas possíveis dos actos de encerramento da aventura docente. Sem que a natural agitação juvenil prejudique as "cerimónias"...

Não que isso figure nas minhas preocupações - o caminho está feito!
Estou no final do prazo de validade!



quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Já posso ser Secretário de Estado!

«Tenho por hábito antigo cumprimentar os meus alunos em Setembro e também os professores, dizendo "Feliz Ano Novo". Faço-o por saber e sentir, enquanto professor que também sou, que, em cada Setembro, vivemos aquele misto entre a ansiedade e o entusiasmo por um ano que começa com novas caras, novos alunos e com muitas sementes de conhecimento por cultivar.»

João Costa (Sec. Estado da Educação)

Assino por baixo
(embora o entusiasmo já tenha conhecido melhores dias, 
consumido pelos anos e por desencantos vários...)



sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Cláudio Torres - 80.º aniversário

Parabéns, Professor!


Já uns bons anos depois de ter conhecido Cláudio Torres na faculdade e do professor a ter abandonado, dedicando-se ao projecto que o ligaria "eternamente" a Mértola, tive a oportunidade de o reencontrar, quando de uma visita com os meus alunos do 7.º 8 (1994-95). 
Acertámos no momento a realização de uma entrevista por parte de um pequeno grupo dos alunos - era impossível introduzir toda a turma no seu gabinete de trabalho.
Fomos comprar à pressa um pequeno gravador e micro-cassetes.
Escolhidos os alunos, a entrevista decorreu durante uns largos minutos (os outros tiveram de aguardar...). 

Eram miúdos, as respostas podiam ter sido breves, a entrevista podia ter sido "despachada". Mas não! O gosto em falar do seu trabalho, do projecto do Campo Arqueológico de Mértola, de Arqueologia, de História, ficou patente na forma como a entrevista foi decorrendo, como o diálogo se foi soltando. E os outros alunos à espera...



Acho que foi uma óptima entrevista, editada pelo jornal da escola - a Gazeta Paulo da Gama -, desenvolvida e profunda como poderia ser uma entrevista a um conceituado órgão de comunicação social. 
Para nós - professor e alunos presentes (sortudos!) - foi inesquecível.
Lamento que a maioria dos alunos tenha ficado à espera. Tiveram que se contentar com as fotografias e a audição da entrevista (mais tarde, a leitura).

É interessante que na parte final da conversa foi aflorada a necessidade e a ameaça do turismo. Muito actual...

O Campo Arqueológico de Mértola comemorou 40 anos em 2018.
Cláudio Torres comemora o dobro dos anos.
Agora, tal como escrevemos no fim da edição da entrevista na Gazeta, "Um abraço e felicidades para o vosso projecto".



sábado, 8 de julho de 2017

O mau estado da vedação

No meu primeiro ano na Escola Paulo da Gama, longínquo ano lectivo de 1985-86, estreei-me como Director de Turma.
A escola tinha, então, uma vedação em mau estado, a que o Ministério da Educação não acudia.

Um dia fui avisado que alunos da minha direcção de turma tinham saltado a rede para sair da escola.
Zeloso dos meus deveres, na primeira oportunidade inquiri a turma: "Quem se atreveu a saltar a rede?"
Os alunos foram honestos e tornaram difícil contar os braços que se puseram no ar.
Desconcertado, fiz a pergunta alternativa: "Quem é que não saltou a rede?"
Do conjunto de 27 alunos, só o David e o Luís Miguel puseram o braço no ar.
Nessa altura, alguém disse: "Não saltaram porque passaram por baixo!"

Ao contrário dos meus alunos, no recente caso de Tancos, as armas saíram pelo portão.


domingo, 29 de maio de 2016

Sons de Abril

O que conseguimos fazer no Clube de Jornalismo...
O próximo trabalho será passar de um "programa de rádio" para um "filme fotográfico". Não sei se me faço entender...
Prometo dar conta...