"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Feliz... pela derrota!



P.S.: Que tal um samba? é uma canção de esperança, composta na que seria a fase final da presidência de Jair Bolsonaro.
 
Recordo o discurso de Chico Buarque ao receber, no Palácio de Queluz, o Prémio Camões de Literatura de 2019, no dia 24 de abril de 2023.
Chico Buarque referiu os “quatro anos de um governo funesto [que] duraram uma eternidade”.
Quatro anos de atraso na entrega do prémio, porque o então Presidente da República, Jair Bolsonaro, recusou-se a assinar o diploma, o que só seria feito pelo presidente do Brasil recém-eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.


domingo, 16 de agosto de 2026

Ormuz, os iranianos e os clássicos


O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão usou um clássico para responder.
«O homem que mente para si mesmo e dá ouvidos à sua própria mentira chega a tal ponto que não consegue distinguir a verdade dentro de si, nem ao seu redor, e assim perde todo o respeito por si mesmo e pelos outros.»

Fiodor Dostoievski, Os Irmãos Karamazov

Os clássicos vão sempre bem!
É possível que Trump não tenha atingido...


Trump gostaria de ser Afonso de Albuquerque!...


«Está claro - dizia o conde [de Gouvarinho] - que não temos nem os milhões, nem a marinha dos Ingleses. Mas temos grandes glórias; o infante D. Henrique é de primeira ordem; e a tomada de Ormuz é um primor...»

«(...) Alencar, já desanuviado, foi acompanhá-los pelo Aterro. E falou sempre, contando o plano de um romance histórico, em que ele queria pintar a grande figura de Afonso de Albuquerque, mas por um lado mais humano, mais íntimo: Afonso de Albuquerque namorado; Afonso de Albuquerque, só, de noite, na popa do seu galeão, diante de Ormuz incendiada, beijando uma flor seca, entre soluços. Alencar achava isto sublime.»

Eça de Queiroz, Os Maias - Episódios da vida romântica

Eça de Queiroz faleceu a 16 de Agosto de 1900.

domingo, 2 de agosto de 2026

Ceuta foi guerra híbrida

«Ceuta não foi uma crise migratória. Foi guerra híbrida. Marrocos abriu a fronteira para pressionar Madrid por causa da lei de nacionalidade saharaui. (...)
E encaixa na doutrina do Grande Marrocos, que reclama o Sara, Ceuta e Melilha. Não é a primeira vez: a ilha de Perejil em 2002, a Marcha Verde em 1975, o assalto a Ceuta em 2021 com cerca de dez mil pessoas. A fronteira acende sempre que convém a Rabat.
É a mesma arma que a Bielorrússia usa contra a Polónia e a Turquia contra a UE: a migração como pressão sobre a Europa.»
(Jorge Silva Carvalho, na CNN)

O facto de Pedro Sánchez ter visitado a Argélia (apoiante da Frente Polisário pela independência do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola ocupada por Marrocos em 1975) com o intuito de melhorar as relações entre Espanha e Argélia (e de ter acesso ao seu gás natural, importante no actual contexto), foi visto por Marrocos como algo negativo.

E Marrocos está com as costas quentinhas pelo apoio de Donald Trump, cujo nome deverá ser dado à auto-estrada a construir entre Tiznit, em Marrocos, e a península de Dakhla, no território do Saara Ocidental.
Será uma via com mais de 1.000 km de extensão, percorrendo cerca de um terço da costa marroquina.

"Obrigado ao muito respeitado Mohammed VI, rei de Marrocos. Uma tremenda honra! Estou ansioso por percorrer toda a extensão desta Grande Autoestrada um dia, espero que em breve!", são as palavras de Donald Trump publicadas num vídeo promocional do projeto marroquino.

Na Europa, do centro à direita mais extrema, fervilha uma excitação de pôr os corninhos de fora. O Sanchez é um perigoso esquerdista, caraças! Parece que é o único Abencerragem na UE...

O Chega, que nos seus gabinetes da AR tem uma política de portas abertas, defendeu a suspensão do acordo de Schengen.
O nosso Primeiro, a exercitar a coordenação do Governo em período de férias e num exercício de moderação, não foi tão longe, mas já decidiu o reforço da presença das forças de autoridade no controlo de fronteiras, nomeadamente no sul do país, de um modo particular a fronteira marítima... não vão os marroquinos continuar a nadar de Ceuta para o Algarve.  

Gostaria de ter ouvido Nuno Melo dizer: "Se Ceuta, em 1640, não tivesse decidido continuar sob domínio espanhol, isto nunca teria acontecido sob o nosso governo!".
Tomada de Ceuta pelos portugueses, em 1415

Os "influencers" portugueses em Israel

Está com muita piada...



domingo, 26 de julho de 2026

Vivemos numa época de notável cegueira espiritual e cultural

«Vivemos numa época de notável cegueira espiritual e cultural. Um falso pragmatismo convida-nos a cortar as raízes da memória, como se fosse possível inaugurar uma espécie de “nova criação” desligada do passado; mesmo quem invoca grandes princípios morais pode cair neste niilismo histórico, iludindo-se com a ideia de que as atrocidades do século XX não se podem repetir. Na realidade, as mesmas dinâmicas ressurgem sob novas formas. Parece voltar a impor-se a lógica do equilíbrio armado e da dissuasão. Mas, ao contrário do cenário bipolar da Guerra Fria, hoje a multiplicação dos protagonistas e das frentes de conflito torna esta lógica cada vez mais frágil. A conflitualidade exacerbada conduz a guerras assimétricas e “híbridas”, travadas também em âmbito económico, financeiro e informático, com o recurso à desinformação e a campanhas que alimentam o medo para influenciar a opinião pública. Em muitos países, também no Sul Global, o aumento das despesas militares é apresentado como a única resposta a um futuro incerto ou a ameaças pressentidas, enquanto o custo real recai sobre os mais pobres, que assistem à redução dos recursos destinados à saúde, à instrução e aos serviços sociais.»

Carta encíclica Magnifica Humanitas, Padre Leão XIV 


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Em Gaza não há microfones

«Por estes dias, cientistas da School of the Plant Sciences, da Universidade de Telavive, anunciaram que gravaram com microfones especiais, sensíveis a ultra-sons, os gritos de dor que as plantas emitem quando são cortadas ou quando lhes falta a água.

Em Gaza não há microfones.»

Giorgio Agamben

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Brevemente, num cinema perto de si


Um grande actor!
Uma sequência de sucessos!
Cada um a fazer esquecer o anterior...

Fique atento às exibições nas salas locais e escolha o próximo filme da sua lista.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Querem a factura com número de contribuinte?

E quando pensamos que já ouvimos tudo...


«O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está interessado em apelar aos países árabes para que assumam os custos da guerra contra o Irão, afirmou esta segunda-feira a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas.

Questionada em conferência de imprensa sobre se os países árabes estariam disponíveis em contribuir para o pagamento dos custos da guerra, Leavitt disse não querer antecipar-se ao Presidente norte-americano, mas confirmou que é uma ideia assumida por Trump.

"Acho que é algo que o Presidente estaria bastante interessado em pedir-lhes [aos países árabes]", disse a assessora.»

Público, 30 de Março de 2026

Será de levar a questão ao Conselho da Paz...


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A Gronelândia, a Dinamarca, os EUA e a UE

Fala quem sabe...



Poderia ser o representante português no "Board of Peace"


Confirmo que Trump também me convidou para o “Board of Peace”.
Não aceitei, apenas por uma questão de modéstia.
Os 800 e tal milhões de euros necessários não eram entrave, mas prefiro não ostentar a minha riqueza.