Álvaro Guerra, Café Central
"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
Salazar morreu há 56 anos
domingo, 24 de julho de 2016
Lisboa, 24 de Julho de 1833
«Christine,
Escrevo-vos de Lisboa liberta da tirania. Aqui cheguei (...) depois de ter ajudado a derrotar as forças inimigas à beira do Tejo que revejo após quatro anos e meio de ausência. Fomos recebidos com cortejos e aclamações, muitas bandeiras azuis e brancas, as cores da liberdade, e gente que nos cantava hinos de alegria, com perpétuas ao peito, fitas nos chapéus e flâmulas colgadas nas janelas. Houve excessos reprováveis, que a guerra está longe do fim e a lembrança do muito sangue que correu adubou os ressentimentos e os ódios. (...) Há ano e meio que deixei Paris, que calei a esperança de vos ver, de vos estreitar nos braços. Agora, que a liberdade está ao alcance de um derradeiro esforço, todas as grilhetas que me tinham prisioneiro do mundo velho eu as despedaço, com o vigor redobrado da minha razão e com todas as fibras do meu coração que, livre também, pulsa por vós.»
Escrevo-vos de Lisboa liberta da tirania. Aqui cheguei (...) depois de ter ajudado a derrotar as forças inimigas à beira do Tejo que revejo após quatro anos e meio de ausência. Fomos recebidos com cortejos e aclamações, muitas bandeiras azuis e brancas, as cores da liberdade, e gente que nos cantava hinos de alegria, com perpétuas ao peito, fitas nos chapéus e flâmulas colgadas nas janelas. Houve excessos reprováveis, que a guerra está longe do fim e a lembrança do muito sangue que correu adubou os ressentimentos e os ódios. (...) Há ano e meio que deixei Paris, que calei a esperança de vos ver, de vos estreitar nos braços. Agora, que a liberdade está ao alcance de um derradeiro esforço, todas as grilhetas que me tinham prisioneiro do mundo velho eu as despedaço, com o vigor redobrado da minha razão e com todas as fibras do meu coração que, livre também, pulsa por vós.»
Álvaro Guerra, A guerra civil
quarta-feira, 24 de julho de 2013
24 de Julho de 1833
«Ao romper do dia 24 de Julho, tendo começado a fuga vergonhosa duma divisão de seis mil infantes, seiscentos lanceiros e duas baterias, comandados pelo duque do Cadaval, e ainda antes dos primeiros destacamentos liberais terem atravessado o Tejo, o povo de Lisboa aclamara a rainha e a Carta e içara bandeiras azuis e brancas. O primeiro acto foi o de arrombar as cadeias, o Limoeiro, o Aljube, o Castelo, e soltar milhares de presos, os políticos à mistura com os criminosos comuns. O rio enchera-se de embarcações de todos os calados, embandeiradas e muito guarnecidas de gente que queria ver os vencedores, vitoriá-los, trazê-los depressa para a capital livre de despotismo.»
Álvaro Guerra, A guerra civil (romance)
| Cais do Sodré (Pr. Duque da Terceira) Estátua do Duque, que comandou as tropas liberais que tomaram Lisboa há 180 anos |
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