"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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terça-feira, 9 de junho de 2026

Angra do Heroísmo recebe António José Seguro



Vaquinhas sorridentes para celebrar Camões


Esperamos que o actual Presidente da República possa reparar no sorriso das vacas, na ilha Terceira, como Cavaco Silva o fez, há 15 anos, na ilha Graciosa.

Quanto a Camões, podemos continuar a conjecturar que passou pela Terceira quando do regresso do Oriente. 
Não seria estranho...



segunda-feira, 8 de junho de 2026

De Lisboa ao Corvo

«8 de Junho, 1924

A bordo do São Miguel

Enquanto a gente vê terra, não tira os olhos - não pode - dum resto de areal, dum ponto de violeta que desmaia e acaba por desaparecer na crista duma vaga. Um ponto e acabou o mundo. O nosso mundo agora é outro. Durante um momento calamo-nos todos a bordo. A abóbada esbranquiçada fecha-se e encerra o disco azul onde espumas afloram nos redemoinhos que nos cercam: só uma gaivota teima em nos acompanhar descrevendo círculos por cima do navio.»

Raul Brandão, As ilhas desconhecidas



quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jorge Barros (1944 - 2026)

«Jorge correu Portugal fotografando os seus mistérios telúricos, os seus abismos, os rostos e o espanto dos que, neste chão, continuam peregrinando uma espécie de destino ou de penitência»", disse Fernando Alves, no seu programa Sinais de hoje, na TSF.

Correu Portugal e apaixonou-se pelos Açores. 

«O amor para com os outros é o melhor de nós. E é o melhor de nós que encontro no meio deste mar imenso.» 

Foi por causa dos Açores que conheci as suas fotografias.

São elas que acompanham os poemas de Manuel Alegre em Escrito no mar Livro dos Açores (2007). 

Em 2012, editou o texto clássico de Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas, com fotografias suas - falei aqui desse livro, numa magnífica edição. 

O levantamento fotográfico foi feito entre 1988 e 2011.

Ainda sobre os Açores, publicou Romeiros da Fraternidade, sobre os ranchos de romeiros que, na ilha de São Miguel, percorrem trilhos, caminhos e estradas à volta da ilha durante a época da Quaresma. 


Efectuou várias exposições e tem outros trabalhos publicados, nomeadamente em livros da colecção dos CTT.

Jorge Barros, nascido em Alcobaça, faleceu ontem, em Lisboa.

Em breve estará nas livrarias o seu último livro, Espantalhos e Campos, cuja edição especial o autor ainda teve o gosto de ver impressa. 


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Dá-nos, Senhor, a coragem dos recomeços

Dá-nos, Senhor, a coragem dos recomeços.
Mesmo nos dias quebrados,
faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido,
do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados, como quem precisa,
e deseja e antecipa um amanhã.
Torna-nos confiantes,
como os que se atrevem a olhar tudo,
e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade
de uma primeira vez.
José Tolentino de Mendonça

Ilha das Flores - Foto de Manuel Menezes de Sequeira


domingo, 21 de dezembro de 2025

Linda fetugrafia

Não está de acordo com a época, muito menos com o tempo que faz hoje, mas foi publicada há poucas horas no fb e apresenta, um pouco longe mas bem enquadrada na paisagem, a minha praia favorita: Praia Formosa, na ilha de Santa Maria.

Como alguém escreveu nos comentários, "Linda fetugrafia"!


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Raquel Soeiro de Brito - o assombro dos 100 anos

Há cinco dias, a geógrafa Raquel Soeiro de Brito - a primeira mulher a doutorar-se em Geografia (1955) e a 12.ª a doutorar-se em Portugal - cumpriu 100 anos de idade.

Tem uma longa e brilhante carreira, mantendo-se activa.

«A pessoa envelhece quando deixa de gostar da vida. Isso é muito mau, porque uma pessoa pode ser velha aos 100 anos, como pode ser velha aos 20. É muito complicada essa coisa de dizer “eu sou velha”.

Ao Público revelou um sonho não concretizado: “Gostava de ter ido à Lua.”


Destacou-se no acompanhamento que fez da erupção do vulcão dos Capelinhos, para além de outras "expedições" geográficas, sempre com o Prof. Orlando Ribeiro. 
«Porque o meu interesse era conhecer o mundo e as pessoas. E só se conhece o mundo e as pessoas com investigação. Conhecer o mundo através dos outros já é qualquer coisa, mas não é o nosso mundo. Um geógrafo precisa de ver o mundo pelos seus olhos. É preciso ter a capacidade - que nem toda a gente tem - de ver e de ouvir, para poder ser investigador.»


Considera que o estudo no terreno da erupção do vulcão dos Capelinhos, que filmou apaixonadamente, foi o momento mais espantoso da sua vida científica.
Do vulcão diz que “É um filhote, um filhote violento.”

«Tenho visto muitas coisas, mas com perigo iminente à minha frente, a uma distância como estou de si, foi só com este vulcão. É como um toureiro diante de um touro, que passa com a capinha e está mesmo nos cornos do touro. É uma sensação absolutamente de fascínio. Estava com a câmara virada e houve uma explosão lindíssima. Espantosa. Com aquela impetuosidade, houve uma quantidade de explosões que duraram quatro horas seguidas. Eu não tirava os olhos. Não podia sair, a ponto de os bombeiros pegarem em mim debaixo dos braços e me levarem.»



Regressou aos Capelinhos em 2021.


Abençoada vida!


sábado, 27 de setembro de 2025

Quando o mar explodiu no Faial

 27 de Setembro de 1957

«Momentos após o movimento estranho das águas ser detectado, começam a ser observados fumos de progressiva intensidade a sair do mar. Ao fim do dia, o vapor de água e as cinzas negras atingiam 4000 metros de altitude e eram visíveis de todas as ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores. Eram as primeiras manifestações de um vulcão submarino, que se começava a erguer de uma profundidade de cerca de 70 metros.»


«O vulcão dos Capelinhos é ainda hoje um dos mais bem conhecidos e estudados em todo o mundo. Apresenta particularidades únicas. Foi um vulcão observado desde a fase do seu aparecimento como vulcão submarino, para evoluir, posteriormente, para um vulcão terrestre. Com uma actividade invulgarmente longa, cerca de treze meses, o vulcão dos Capelinhos conta-nos a história de como se formaram as ilhas açorianas e também um pouco da história da Terra.»

«Entretanto, ficaram milhares de fotografias da época que nos mostram uma realidade agora distante (...)
O que mais me fascina nessas imagens é a presença das pessoas, a forma como observam o vulcão, como ousam aproximar-se dele; ou os habitantes da área sinistrada, que assistem ao desmoronamento das suas casas e à destruição dos campos agrícolas. Vemos a altura das cinzas a crescer com o passar do tempo. Vemos a violência das explosões do vulcão, sem sentirmos o medo e o pânico dessa ameaça. E esta talvez seja a memória que fica de um vulcão que não matou ninguém, mas que gerou a desordem e o caos e que mudou para sempre a vida de milhares de pessoas.


O vulcão tem a nossa idade, há um pedaço de terra que aparece em 1957 e que cinquenta anos depois já perdeu cerca de quatro quintos da sua massa. A actual fase de erosão intensa é como o dissecar de um cadáver que vai mostrando a sua génese, a matéria do seu ser, a forma como o víramos crescer e agora a transformar-se de novo em pó, a contribuir para a formação de outras rochas, num processo activo e incessante de transformação do solo.
Os processos erosivos, provocados pela acção do mar, do vento e da chuva, vão consumindo o vulcão naquele que continua a ser um invulgar documento vivo da história da Terra.»

Duarte Belo, FOGO FRIO - O vulcão dos Capelinhos





As fotografias do vulcão em actividade são da National Geographic Portugal.
As duas seguintes são do vulcão em 1994-96.
As duas últimas são da Viagem de Finalistas do 9.º 8 da Escola Básica Paulo da Gama (Amora), em 1997.


sábado, 2 de agosto de 2025

Tudo acontece na Graciosa!

A visita de um PR à Graciosa dá sempre direito a notícia extra.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa sentiu a terra tremer onde o Prof. Cavaco Silva viu o sorriso das vacas.


Eu prefiro o sorriso das vacas!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Pronúncias dos Açores

Com conhecimento, inteligência e bom humor.

Pelo Professor Victor Rui Dores, natural de Santa Cruz da Graciosa.



segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Resposta a quê?

 

As vaquinhas em diálogo:
"Estes tipos do cõtenente são cá uns caguinchas!"

Não há nada como um bom sismo para acordar!


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Deve ser difícil ir beber um gin ao Peter's!

 
Marginal da cidade da Horta (Faial) no dia de ontem
(foto de Luís Campos)

Numa situação destas, como será viver na Marginal da Horta?


sábado, 22 de abril de 2023

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Dia da Autonomia dos Açores

Dia da terra das minhas vaquinhas...


«Antes morrer livres que em paz sujeitos», a divisa dos Açores, é uma expressão retirada de uma carta escrita por Ciprião de Figueiredo, Corregedor dos Açores, a Filipe II de Espanha, no dia 13 de Fevereiro de 1582. 

Na carta, recusava a sujeição da ilha Terceira em troca de mercês várias, afirmando: «... As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho... porque um morrer bem é viver perpétuamente...».

Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, nomeado 1.º e único conde da vila de São Sebastião, por D. António, Prior do Crato, exilou-se em França, tal como D. António, e é o patrono do Regimento de Guarnição n.º 1, aquartelado na Fortaleza de São João Baptista do Monte Brasil, em Angra do Heroísmo (onde jantei com os meus alunos, durante os dias em que estivemos de visita à ilha Terceira - 1997).


quinta-feira, 19 de maio de 2022

Praia Formosa (Ilha de Santa Maria)

A minha praia favorita...
(eu, que nem vou à praia!)

O último mergulho de mar terá sido em 2008 


E no filme está com muita gente!


terça-feira, 29 de março de 2022

É um... Mistério!

 Parece uma daquelas anedotas... mas não é!



"E a terra treme
E a terra treme
Mas de nada o meu primo se apercebe"

José Afonso, Tenho um primo convexo


segunda-feira, 28 de março de 2022

A tranquilidade açoreana

 

Nada melhor do que os Açores para ganharmos tranquilidade e nos passar a irritabilidade.

Mesmo em tempos de convulsão sísmica.
Os açoreanos já estão habituados...


S. Jorge, o sáurio que dorme

«Não sabem como são as fajãs? Imagine-se uma linha de falésias em sucessão ao longo de toda a costa, a norte e a sul da ilha. Para melhor o imaginar, é preciso "ver" a grande muralha verdejante: não inteiramente a pique, antes em declive e em erosão; sobre ela, como um manto de lã tinturada a verde de urze e faia, toda uma coberta vegetal de rara unidade e harmonia. Quando a falésia abate, ou se do alto ela se despenha, formam-se sobre o mar uns terreiros desabados que as forças da natureza moldam e afeiçoam à sua maneira (...). Fajãs são breves territórios postados como esfinges deitadas sobre a linha do mar. Tangidas pela ilha-mãe, vogam como crias ao lado de quem as pariu. As fajãs fazem a pura e inocente beleza de S. Jorge. Sob nomes que tanto lembram Deus como o Diabo: Além, Ouvidor, Cubres, Santo Cristo, a norte; Almas, Vimes, Bodes, Labaçal, ao sul.»

João de Melo, Açores - o segredo das ilhas


Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Fajã do Ouvidor

Fajã dos Cubres