"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Damião de Góis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Damião de Góis. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Joyeuse Entrée

O Museu Nacional de Arte Antiga mostra-nos Joyeuse Entrée, uma pintura que retrata a (futura) entrada triunfal de Filipe II em Lisboa, em 1619.
Futura porque a pintura é de 1613... mas descreve a primeira visita de Filipe II (Filipe III de Espanha) a Portugal, realizada 6 anos depois.

A pintura é apresentada pela 1.ª vez em Portugal, proveniente do Castelo de Weilburg (Alemanha)

O rei teve esta viagem prevista 5 vezes, antes de a concretizar em 1619.
Miguel Soromenho, historiador de arte, pensa que o quadro corresponde ao que de facto se fez quando da vinda do rei e que o mesmo terá sido levado a Madrid para apresentar a Filipe II aquilo que iria ser a sua entrada em Lisboa.
O rei chegaria pelo Tejo, entrando na cidade pela zona do actual Cais das Colunas.
A vista panorâmica da cidade engalanada é "tirada" do rio - como tantas vezes o foi - embora tenha uma perspectiva fora do comum. Quase diria que foi "tirada" do morro de Cacilhas.

Dá para lembrar o que Damião de Góis escreveu, em 1554:
«E assim a cidade abrange em semelhante espaço cinco colinas e outros tantos vales muito férteis e agradáveis (...).
Não considero, porém, que seja fácil delinear-lhe a configuração e descrevê-la, já que assenta em solo acidentado e desigual. Contudo, se alguém, com olhar firme e desanuviado, quiser atentar na sua implantação e forma, a partir da povoação de Almada, que, como assinalámos, se encontra na parte de além do estuário, verificará com certeza que, sobretudo na parte que se desenrola pela cidade, ela apresenta uma verdadeira configuração de bexiga de peixe.» 
Elogio da cidade de Lisboa


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Damião de Góis

«(...) quem deseja escrever uma história imparcial e completa precisa, em primeiro lugar, de tempo livre e longo; em seguida, carece de paz de espírito e de isenção de todos os empregos; deve ter, por fim, o favor e o auxílio dos príncipes que fomentem e remunerem a diligência e o trabalho das investigações.»

Descrição da Cidade de Lisboa pelo Cavaleiro Português Damião de Góis ao Ínclito Príncipe, Dom Henrique (1554)



Damião de Góis, o grande humanista português, nasceu a 2 de Fevereiro de 1502, em Alenquer.

P.S. - O que Damião de Góis já sabia do apoio ao "trabalho das investigações"!