"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Terra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Terra. Mostrar todas as mensagens

sábado, 22 de abril de 2023

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A Terra




Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
Miguel Torga



segunda-feira, 22 de abril de 2019

À Terra


Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
Miguel Torga, Odes



Capitalism is destroying the Earth

Hoje, dito de Dia da Terra, Lembrei-me deste artigo de George Monbiot (The Guardian)



Será melhor não celebrar?

22 de Abril - Dia da Terra

«Cinco décadas passadas desde o primeiro “Dia da Terra”, nos EUA, a humanidade mais do que triplicou a extracção de recursos naturais do planeta, em actividades que só por si contribuem em 90% para a perda de biodiversidade e são responsáveis por quase metade das emissões de CO2.»




sábado, 12 de dezembro de 2015

Acordo histórico de aplicação duvidosa


Não contesto os cientistas que vêem na acção humana desregrada uma causa do aquecimento global (como o faria?). Mas... será a causa determinante?
Ciclicamente, nos períodos interglaciais, em resultado da variação das radiações solares, verificam-se alterações climáticas, com um aquecimento natural. A acção humana poderá ajudar.

Não sou simpatizante do CO2 ou do metano e penso que será necessário encontrar o caminho de uma vivência ecologicamente sustentável.

Da acção do Homem, por histórica que possa ter sido a assinatura do acordo - tantas assinaturas! - tenho muitas dúvidas.
Quando é o dinheiro que está em causa... ui, ui!
É ver o que passou recentemente no rio Doce, no Brasil, a qualidade do ar que se respira em cidades como Pequim, a história da Volkswagen com a manipulação dos dados das emissões de gases poluentes...  Palavras...





É melhor falarem com o aquecimento global...

... para ele saber!
Tanta contenção!...


diz quem sabe que o calor vai aumentar
diz quem pode que os impostos vão subir
e a gente a duvidar
se foi isto que Deus quis
(...)



sábado, 1 de junho de 2013

Primaveras, Terra e deuses (3)

Os Açores são outra história, outras Primaveras.
A energia da matéria primeira - terrafogo -, que deu origem às ilhas e teimosamente as abala, mistura-se aqui com a energia do mar.
Não conheço outro sítio onde essa mistura seja tão intensa, mar e terra se desafiem e se complementem de forma perfeita.

S. Miguel

Capelinhos - Faial



























«Sei que cheguei a um lugar
para ser novamente nomeado
como se este fosse o mar
nunca dantes navegado.

Como se um vulcão rompesse
de súbito na palavra
e o poema se escrevesse
a fogo e lava.

(...)»
Manuel Alegre, Escrito no mar - Livro dos Açores



domingo, 22 de abril de 2012

Dia da Terra

«Tudo o que existe em nós existe também na natureza.»
Picasso

E o contrário também é verdadeiro
digo eu


O senhor deus é espectador desse homem
Encheu-lhe o regaço de dias e soprou-lhe
nos olhos o tempo suave das árvores
Deu-lhe e tirou-lhe uma por uma
cada uma das quatro estações
A primavera veio e ele árvore singular
à beira do tempo plantada
vestiu-se de palavras
E foi a folha verde que deus passou
pela terra desolada e ressequida
Quando as palavras o deixaram de cobrir
ficaram-lhe dois dos olhos por onde
o senhor olha finitamente a sua obra
Até que as chuvas lhe molharam os olhos
e deles saíram rios que foram desaguar
ao grande mar do princípio

Ruy Belo, A multiplicação do cedro - Aquele grande rio Eufrates