"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Rapidamente e em força!


No actual estado da arte, quando nada se conhece do que vai (vai?) pela cabeça dos nossos governantes - a não ser os anúncios generalistas - e tudo está tão turvo, parece ser daquelas medidas que se tomam para parecer que o Ministério está atento e actuante. É preciso apresentar serviço!

Nada me parece (bem) pensado. 

Uma mudança que mexe com tanta coisa, a começar na necessidade de rever a Lei de Bases do Sistema Educativo, a estrutura curricular, organizacional (até no tocante às instalações escolares, depois os manuais actualizados), diferentes corpos de professores (com diferentes formações)... 

E o assunto é apresentado com uma ligeireza...

Se a intenção for levada para diante a curto prazo, cheira-me que vai haver um remake da digitalização dos exames.

Mais grave, porque vai mexer a sério com as aprendizagens dos alunos.


Quando os governantes têm dificuldades de aprendizagem...

A forma habitual de abordar aquilo que importa: com os pés!...


O que esperamos de melhor? Nada!


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Não é a Torre de Pisa, mas também sofre de inclinação...

Não há como um rankingzinho ou uns resultados PISA para que se fale de Educação.

Ao menos, esquecem-se os tanques e as piscinas, o atrelado, o amigo empreiteiro ou a digitalização dos exames, o que de educativo pouco tem, e fala-se de algo realmente importante.

Há algumas opiniões pertinentes, mas também se dizem tantas banalidades, generalidades, dislates, disparates, lapalissadas, patacoadas, tolices e outras sandices...
Apontam-se culpados, não demora que estes estejam em prisão preventiva.
Resta a fraca consolação de que os estudantes portugueses estão acompanhados pelos de outros países na descida dos resultados. E haverá causas comuns (o que pode ajudar ao diagnóstico e à medicação adequada)...

A sangue quente, ameaça-se começar as obras pelo telhado ou deitar abaixo todo o edifício.




É preciso andar muito distraído para não enxergar o que nos advertiam vários indicadores, nomeadamente os níveis de (i)literacia.
E nesse aspecto, o relatório PISA foi divulgado numa data apropriada:


Não fazer um diagnóstico sério da situação é mais de meio caminho para continuarmos no plano descendente.
Mais:
O diagnóstico que não se esqueça do ecossistema social.
E o Ministério que deixe de trabalhar em circuito fechado!

P.S.: O meu último ano de trabalho foi com turmas do 5.º ano constituídas por alunos que sofreram o confinamento quando estavam no 1.º ano de escolaridade. 
Assustador!... 
Para esses alunos qualquer medida já vem tarde.
Preparem-se para os resultados PISA daqui a três anos!...


domingo, 9 de agosto de 2026

O nó górdio da Educação em Portugal

«Este é o nó górdio da Educação em Portugal: o conhecimento que os alunos têm ou não à entrada do Superior. Ninguém diz o óbvio: os alunos em Portugal nada lêem. Escrevem mal. Pensam mal. Têm pouca linguagem. A ignorância quanto a factos histórico-culturais é profundíssima; não dominam verbos, não entendem o que lhes é pedido que façam em situação de exames. Quem fala disto?

(...)

Todo o estudante, na verdade, sabe que já não é preciso ler-se seja o que for para "entrar" na faculdade. Saber escrever de forma analítica e crítica, aplicar técnicas de análise textual, relacionar conceitos com factos históricos, considerar problemas abstractos com observação de problemas concretos, colocar hipóteses de sentido, comprovar essas hipóteses, citar com propriedade, construir um argumento válido e verdadeiro - tudo isso é o passado e este é o tempo do ChatGPT, do sucesso e da fama nas redes sociais, da IA que tudo resolverá.»

António Carlos Cortez, Visão, 16 de Julho de 2026


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Sucesso na Educação!

 

Parece que foi atingido o supremo objectivo de saber onde se encontram todas as provas realizadas, tê-las classificadas e ter as pautas afixadas.
Quanto às reapreciações, ainda não está tudo resolvido, mas promete-se brevidade.

Os níveis dos resultados dos exames são uma questão secundária, já não se discute o que avaliam os exames e como avaliam.
Várias vozes falam de "indigência absoluta", de "exercícios idiotas de cruzinhas e de verdadeiros e falsos, de associação de respostas, de correspondências".     

Por agora, estamos felizes com o sucesso atingido nesta fase do processo de distribuição, digitalização e classificação dos exames nacionais do 12.º ano. 


domingo, 2 de agosto de 2026

A educação a afundar

«Os professores são hoje uma das últimas reservas estratégicas de Humanidade. Enquanto os sistemas digitais reduzem pessoas a dados e probabilidades, eles continuam a olhar para cada aluno como uma singularidade irrepetível. Enquanto os algoritmos aprendem pela repetição, os professores continuam a acreditar na transformação, no espanto, no inesperado e no milagre discreto da aprendizagem.
(...)
Continuam a guardar aquilo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir: a capacidade de despertar consciência.»
José Paulo Santos, Visão, 23 de Julho de 2026


Um grupo de alunos do 7.º ano entrevistando
o Prof. Cláudio Torres, em Mértola, 1995


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Sobre a nudez forte da verdade...

... o manto diáfano da fantasia. (Eça de Queiroz)

«Não há um caos nos exames nacionais. (...)

A classificação dos exames nunca foi tão transparente e o rigor nunca esteve tão assegurado.»

(Luís Montenegro)


quarta-feira, 15 de julho de 2026

"Uma no cravo, outra na ferradura"... e ainda outra na espelunca

Diferentes visões dos professores e do seu papel no processo de correcção/classificação digital dos exames.




O Eng. Miguel Barbosa é vice-presidente do CDS

Todos têm direito à sua opinião, incluindo cabrões e parasitas!

P.S. - Gostaria de saber se a posição do CDS é concordante com a do seu vice-presidente.


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Os exames estão todos aqui!


Por aqui se pode perceber, rapidamente, o conceito de "transição digital".

O facto de os exames estarem todos ali, num armazém em Mem Martins, sob vídeo vigilância, tranquiliza-nos. 

Consigo imaginar a emoção que atravessa aquele espaço quando é reportado um problema com a digitalização de uma prova que seja... O sorriso daquele que irá carregar o escadote para procurar a prova na prateleira de cima da estante mais longínqua... 

Quanta felicidade transparecerá no rosto daqueles que ali mourejam...

Atente-se na senhora que está de gatas na estante 5: 
deve estar à procura de uma prova. 
Ela sabe que a prova está ali, por isso está tranquila!


Afinal é simples!

É a isto que se dá o nome de transição digital: os exames transitam para serem digitalizados.


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Para quê tudo isto?


O novo-riquismo de uma estirpe de unicórnios parida em summits de paróquia.

Complica-se o que devia ser simples, desperdiça-se tempo, meios, dinheiro (serão centenas de milhões de euros em computadores, scanners, digitalizadores contratados)... 

O título é uma pergunta que sempre acompanhava Manuel António Pina.


domingo, 14 de setembro de 2025

17 anos para o PS começar a renegar a "Milú"!

O PS deu entrada a «um conjunto de iniciativas no Parlamento que mudam as regras de eleição das direcções escolares e fomentam a participação no associativismo estudantil.»

O deputado Porfírio Silva assegurou ao Público tratar-se de uma mudança para uma “escola mais colaborativa e participativa”. Destaca o facto de a direcção evoluir para um modelo colegial, “deixando de ser eleita pelo conselho geral e passando a ser eleita por assembleia eleitoral pelo conjunto da escola”. 

Maria de Lurdes Rodrigues, em Fevereiro de 2008, considerava que o [actual] decreto de gestão iria "reforçar as lideranças das escolas, através da afirmação de uma direcção unipessoal", permitindo responsabilizar os directores das escolas. O reforço das lideranças seria também concretizado com a escolha ou designação dos coordenadores dos órgãos intermédios de gestão escolar.* 

Passaram 17 anos, mas... o mesmo partido, duas filosofias opostas. 

De Maria de Lurdes Rodrigues não guardo saudades, pelo contrário!

Eu prefiro a escola mais colaborativa e participativa.

Agora, para Porfírio Silva, um dos motivos para esta alteração está relacionado com o facto de, “em muitos sítios”, existir “uma contaminação político-partidária local no conselho geral”, que é o órgão que, actualmente, elege o director dos agrupamentos ou das escolas não agrupadas.

Se a contaminação político-partidária existe será apenas a partir da presença dos representantes das autarquias no Conselho Geral ou também das interferências permitidas no âmbito da transferência de competências para os municípios na área da educação?

O PS também irá renegar a municipalização das escolas do 2.º e do 3.º ciclo, que se desenhou, igualmente, no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues?

O PS até tem - irá continuar a ter? - a maioria das câmaras. Reconhece erros próprios? 


* Este último ponto não sabemos como está pensado, se está, nas novas propostas do PS.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

À atenção dos nossos liberais na educação

Da entrevista a Johan Pehrson, Ministro da Educação da Suécia até ao passado mês de Junho, publicada hoje no Público: "Fomos ingénuos": a Suécia, pioneira na digitalização da Educação, está "a voltar ao papel e à caneta"

«Público - Que são escolas independentes, que podem ser geridas por empresas privadas [ou fundações, ou cooperativas de pais] financiadas pelo Estado, para que os pais tenham liberdade total de escolha da escola para os seus filhos, seja pública ou privada.

Johan Pehrson (ex-Ministro da Educação da Suécia) - O meu partido era muito favorável a isto, era a forma de permitir o desenvolvimento de diferentes estilos de aprendizagem, e também de fazer com que pequenas escolas no interior subsistissem. Mas depois ficou demasiado desregulado e acabámos por ter um sistema escolar em que as grandes empresas ganham dinheiro com a educação, o que não é aceitável. A tendência é para reduzirem as bibliotecas, para reduzirem o equipamento necessário para fazer experiências…
Cabe aos pais candidatarem-se a uma escola que considerem boa para os seus filhos. Mas houve [com as escolas independentes] uma inflação das notas. Passou a ser um argumento para “vender” a escola: “Venham, porque aqui temos boas notas! Damos notas altas!” Mas será que se aprende mesmo ali?

P - E aprende-se?
JP - Algumas destas escolas tendem a concentrar-se muito na questão da disciplina e da ordem, o que é bom, mas não houve um controlo suficiente sobre as notas [na Suécia há uma grande autonomia das escolas para decidirem os modelos de avaliação e progressão dos alunos]. Por isso, nomeou-se uma comissão para trabalhar na forma como devemos controlar as notas, porque é injusto, porque isso tem impacto no acesso à universidade, porque uma escolas cumprem e são exigentes e outras dão notas altas…»


Quando a manta é curta...


Primeiro, é requerido que nas comissões alargadas da CPCJ exista "Um representante dos serviços do Ministério da Educação, de preferência professor com especial interesse e conhecimentos na área das crianças e dos jovens em perigo;" (legislação revista há 10 anos, na fase final do Governo de Passos Coelho - Lei n.º 142/2015, de 8 de setembro, Art.º 17.º).

Agora, devido à falta de professores nas escolas, as comissões são esvaziadas.

Tapa-se a cabeça ou tapam-se os pés!