"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 26 de abril de 2026

26 de Abril de 1974 - A certeza da vitória

26 - Abril (Sexta). Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente I


Foto de Alfredo Cunha



terça-feira, 26 de abril de 2022

Embrulha-se-me o pensar

«26 de Abril (Sexta) - Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.»

Vergílio Ferreira, Conta-Corrente



segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vergílio Ferreira

«Descer da escrita realista à escrita psicológica, e desta à escrita metafísica, e desta ao levedar original do símbolo, e deste ao silêncio.»
Vergílio Ferreira

Auto-retrato do escritor?



Vergílio Ferreira nasceu a 28 de Janeiro de 1916.


domingo, 19 de junho de 2016

Não penses. Está um dia enorme de sol

"Não penses. Que raio de mania essa de estares sempre a querer pensar. Pensar é trocar uma flor por um silogismo, um vivo por um morto. Pensar é não ver. Olha apenas, vê. Está um dia enorme de sol. Talvez que de noite, acabou-se, como diz o filósofo da ave de Minerva. Mas não agora. Há alegria bastante para se não pensar, que é coisa sempre triste. Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso de «pare, escute, olhe» com vistas ao atropelo dos comboios. É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros. Não penses, que é sacrilégio".
Vergílio Ferreira



sábado, 30 de janeiro de 2016

Évora - Vergílio Ferreira



«Évora é uma cidade branca como uma ermida. Convergem para ela os caminhos da planície como o rasto da esperança dos homens. E como uma ermida, o que a habita é o silêncio dos séculos, do descampado em redor.»
Vergílio Ferreira, Carta ao futuro

Escrito no ano e no mês em que nasci: Setembro de 1958.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vergílio Ferreira escreveu


«Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.»
Vergílio Ferreira


Vergílio Ferreira faria hoje 100 anos.