"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

À memória da M.ª João, que faria hoje 68 anos


No final do 1.º ano da faculdade (1977-78), à chegada de uma visita de estudo - a única de todo o curso! - ao Castro do Zambujal (Torres Vedras).

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Preferia a minha turma do Secundário

O nosso país, os outros países ou os países dos outros doidos...

Como o Mundo está, preferia a minha turma do Secundário em todo o lado!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

À Lena

O que dizer quando morre uma amiga?

Recordamos os momentos que vivemos juntos, os mais marcantes, os que nos ficam na memória, que sentimos como nossos. E foram bons!...

O liceu onde nos conhecemos numa das primeiras turmas mistas pré-25 de Abril. O D. Pedro V tinha este raro privilégio no início dos anos 70.


Termos vivido os tempos pós-25 de Abril, com todas as vivências que decorreram da abertura e que marcaram a nossa adolescência. Fomos felizes em termos passado por essa época. 

As músicas que ouvíamos, que continuávamos a ouvir e que ficaram para sempre.

Os reencontros mais ou menos regulares, reatados após um largo período de tempo em que trilhámos diferentes caminhos. E, nesse sentido, abençoado facebook que facilitou os nossos contactos. Até agora, em que serve para despedidas emocionadas, repletas de memórias.

Há pouco, o baque da certeza de um vazio (que já se tinha aberto,) que já era esperado...


How I wish, how I wish you were here
(de um disco que não te fartavas de ouvir)



domingo, 13 de dezembro de 2015

Já posso dizer a verdade?

Hoje fui ao lançamento do livro de um amigo dos tempos do Liceu.


Fui com a satisfação de reencontrar vários colegas desses "tempos áureos do D. Pedro V!" (expressão do autor do livro), sobretudo de reencontrar o agora feliz contador de uma história verdadeira de dois gémeos portugueses que, a exemplo do cinematograficamente conhecido Schindler e do cônsul Aristides de Sousa Pereira (tardiamente reconhecido), salvaram centenas ou milhares de pessoas do Holocausto.

Quando recebi o convite do Henrique e li as informações da capa, mesmo sabendo as origens judaicas da família, pensei que fosse uma história ficcionada, um romance que seguisse as linhas dos dois casos acima indicados. E ele foi inventar uns gémeos? Não será um exagero?
Mas a história é verdadeira e familiar. Os dois heróis anónimos (pelo menos, até agora), portugueses, envolveram-se "em perigosas missões clandestinas no olho do furacão nazi".

«Ao longo da vida, os irmãos gémeos Samuel e Joel Sequerra cobriram com um manto de silêncio as suas actividades humanitárias em prol dos refugiados do pesadelo nazi. Os familiares mais próximos lamentam, ainda hoje, não saberem grande coisa sobre essa odisseia que lhes ocupou a maior parte da década de quarenta do século passado. Fez-se o que tinha que ser feito, argumentavam sempre, e ponto final.
Dar aos outros sem querer nada em troca é apanágio dos heróis. E foi isso que os gémeos fizeram enquanto arriscaram as próprias vidas na Catalunha franquista, desafiando os poderes instalados e, muitas vezes, contornando a legalidade para proporcionar uma réstia de esperança aos desesperados que cruzavam os Pirenéus em busca de paz.
Sete décadas passadas sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, é tempo desta história ser reconhecida e aprofundada. Nunca é tarde para retomarmos a estrada do reconhecimento público e cumprir a viagem da memória.»

Parabéns, Henrique, pela tua obra.
É bom vermos os amigos concluírem com êxito as aventuras e os trabalhos em que se metem.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Memória...

... do dia, de um ano...
Grato pela gratidão.


Mergulhar as mãos nas ondas escuras
Até que elas fossem essas mãos
Solitárias e puras
Que eu sonhei ter
Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar

Hoje mais solidárias do que solitárias (a Sophia que me desculpe).
Num mundo cada vez mais desmemoriado, des-solidário e desgrato, ainda bem que há mãos solidárias que podemos apertar.
Obrigado a quem sabe liderar.


domingo, 6 de julho de 2014

Always the Sun (mesmo em dias de nevoeiro)

Da poesia que posso

Há uma certa maré nas coisas humanas
Espero pelo verão como por outra vida
(...)
Manhã ou tarde? primavera ou outono?
Não sei pouco me importa
Pouco me importa o quê? Não sei
(o resto vem no pessoa
Pessoa é o poeta vivo que me interessa mais)
Basta a cada dia a sua própria alegria
e é grande a alegria quando iguala o dia
Ruy Belo, Homem de palavra(s)






sexta-feira, 27 de junho de 2014

Regresso

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!

Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.
Miguel Torga

A quem está de regresso à terra...
(à minha amiga Cristina, que mata saudades)


«(...) deram-lhe o maior bem que se pode ter:
O nome de transmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.»


terça-feira, 24 de junho de 2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Um reencontro todo em bom

Foi um bom (re)encontro, como sempre.
Pusemos algumas conversas em dia, exercitámos a memória, falámos de alguns ausentes (que assim estiveram presentes)... almoçámos tranquilamente e ao fresco, com o rio tão perto.

Não lembra ao careca esquecer o cartão da máquina!
Aguardo as fotos do Tó (para minha memória futura).

Fátima, Henrique, Tó... é sempre um prazer.
Até um dia destes.


quarta-feira, 12 de março de 2014

37 anos depois

5 horas e algumas Guinnesses para "recuperarmos" o que tem sido a vida.



Lamego (1975)
Tão novos que nós éramos!... 

Ontem, foi bom o abraço!


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Facebook, 10 anos


Reconheço-lhe utilidade... e o carácter cusco...
Permitiu-me reencontrar antigos colegas de liceu e antigos alunos, ter contacto regular com amigos reais que estão um pouco afastados fisicamente...
Uso com alguma frequência o sistema das mensagens pela "porta das traseiras".
Dá-me algum gozo editar as imagens da capa e da foto de perfil...

Hoje, em ambiente festivo, uma amiga "obrigou-me" a um facebookiano comentário, o primeiro do ano, quando planeava deixar a minha página num perpétuo branco. Mas foi um daqueles gostosos encontros casuais.

A verdade é que para comentar/mensajar/postar prefiro a frequência de tascas como esta, o beneplácito bovino das minhas tutelares vaquinhas.
Não "imponho" a minha presença, visita-me quem quer.
É outro sossego, a tranquilidade necessária, palavras mais perenes - um doce infinito particular.


Eis o melhor e o pior de mim
(...)
Só não se perca ao entrar 
No meu infinito particular
(...)


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O vazio da falta de um café e de dois dedos de conversa

José Rodrigues Miguéis queixava-se da sua pouca sorte com barbeiros, o primeiro dos quais - o que lhe cortou o cabelo aos 6 anos - morreu no Terreiro do Paço, na sequência de uma bala perdida no atentado ao rei D. Carlos, quando gritava um "Viva o Rei".*

Eu ando com pouca sorte aos cafés.
No terminal fluvial do Seixal, a D. Amélia fechou em Abril o cafezinho que tinha no quiosque.
Reaberto no Verão com o nome de Cantinho da Tina, fechou na semana passada, na 6.ª feira, dia 13 (dia que parece de azar).
Há o bar nos barcos, há o bar no interior da estação, mas que não tem as mesmas valências - é de passagem.
No quiosque era um 2 em 1 3 em 1: um café e dois dedos de conversa, com direito a cadeira e mesa ao Sol, quando ele queria aparecer.
Em ambos os casos - Sol ou céu nublado - seguia mais quentinho no caminho para a escola. Mais quentinho e desperto, no corpo e na alma.
Agora há um vazio - a margem Sul parece-me um deserto à chegada -, já nem apetece tanto a caminhada até ao centro do Seixal.

Também a partir de Janeiro, aquilo que ganhamos mal vai dar para estes excessos, como beber um café fora de casa.
Nada de vivermos acima das possibilidades que "eles" nos impõem!...

Para a Cristina C. (e para o Miguel) felicidades na nova fase da vida que se lhes abre.

* Pouca sorte com barbeiros, em Léah e outras histórias


domingo, 17 de novembro de 2013

Os amigos que perdoem a minha indolência

Meu caro Lopes Graça

Perdoe-me a demora com que lhe remeto os seus papéis. Trazia na mala tanta papelada, e toda ela tão baralhada, que a minha indolência tem vindo adiando até hoje o trabalho de remexer aquilo... Bem sei que Você não tem que ter consideração alguma pela minha indolência, nem a mim me cabe o direito de o fazer vítima dela. Enfim... perdoe-me. Estimo que Você passe as suas férias o melhor possível. Eu por cá me vou entretendo com o mar, o rio, o sol, o vento e outras maravilhas da Mãe Natureza.

Até Coimbra, um abraço do José Régio 


O meu estado de indolência dominical leva-me a aproveitar o pedido de desculpas de José Régio e a fazê-lo meu.
Eu não diria melhor.



sábado, 6 de julho de 2013

6 de Julho

Estes dias têm destes exercícios de memória.

Julho de 1976
37 é um número de que gosto. 
Beijinho

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma nova Orquídea na família

Orquídea,
nunca seria possível, doutra maneira, festejares o 28 de Maio.

Já lá vai este tempo... 8.º 2 na Expo 98
Ana S., Vanda, Lívia, Sara, Cláudia e Pedro (ou Nuno?)
As orquídeas, cá em casa, também estão a florir
















quarta-feira, 24 de abril de 2013

O último cafezinho na D. Amélia

Foi, durante uns aninhos e até hoje, o lugar do cafezinho de quem chegava ou de quem deixava o Seixal via Tejo.
O café tinha o calor e o aroma da boa disposição, de um sorriso de simpatia e de dois dedos de conversa, os possíveis para quem não podia perder o barco ou a camioneta.
Fechou hoje - opção de vida. Que a opção seja feliz (mas que vai sentir a falta... estou convencido).
Foi com a minha amiga Cristina que me habituei a parar no quiosque da D. Amélia, mas foi com a minha amiga Helena que tomei ali, hoje de manhã, o meu último cafezinho. 
Nos próximos tempos, à saída do barco, como animal de hábitos, ainda imbicarei, de certeza, para o quiosque antes de me lembrar que ali já não servem um café caloroso e com aroma.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O olhar dos Açores que me faltava

Obrigado, Almerinda, pelo "facilitar" das fotografias. Há muito que pensava nelas e foi tão casual...
Elas completam uma memória da nossa viagem ao paraíso. E, às vezes, até se completam e dão a ver os dois lados...


Junto à Escola Manuel de Arriaga (Horta) - Maio de 1997

... os fotógrafos fotografados.

Amigo é coisa para se guardar

«Amigo é coisa para se guardar
debaixo de sete chaves
dentro do coração»


«Pois seja o que vier, venha o que vier
qualquer dia, amigo, eu volto
a te encontrar
qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar»

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Há encontros felizes

O de Sábado, na manifestação, foi um deles.

A posteriori tornou-se óbvio que estava escrito nas estrelas. Doutra forma era impossível uma memória tão viva do António durante o percurso até Lisboa.


A partilha do que nos angustia com quem compreende o que está verdadeiramente em jogo – qual a essência das questões – e faz uma leitura ampla das situações ajuda-nos a repor os níveis de sanidade mental.
Falar da vida recupera-nos a alma.
É que às vezes penso que ando “totó”!


P.S. - O respeito pelo direito das pessoas a não aparecerem "forçadamente" em fotografias tornadas públicas, levou-me a criar o... "cantinho" superior esquerdo. Já basta o fb...