"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 21 de março de 2025

Dia da Poesia e da velha Primavera

O Dia da Poesia, a 21, coincidia com a entrada na Primavera. Devia ser por causa das flores, dos passarinhos, das borboletas e das outras coisas assim. 

Agora, a Primavera antecipa-se e o Dia da Poesia chega atrasado. Está mal feito! 

Devia ser automático, como os relógios modernos quando da mudança da hora...

Quando vier a primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada. 
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria 
E a primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro


domingo, 31 de março de 2024

Primavera falhada

Esta Primavera está ao nível da Primavera Marcelista - tão frustrante uma como a outra.


Amanhã chega Abril...


quarta-feira, 20 de março de 2024

Agora

Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.

Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado.
Miguel Torga, Diário X, (S. Martinho de Anta, 31 de Março de 1968)



domingo, 21 de junho de 2020

Em saldo

Foi uma Primavera muito confinada.
Não devia contar...


Fim de Primavera, princípio de Verão...



sexta-feira, 20 de março de 2020

Uma Primavera despercebida

Ocorreu às 3:50 horas o equinócio da Primavera, no hemisfério Norte.
A essa hora, o Sol, no seu movimento aparente no céu, passa "para cima" do equador celeste, dando início à Primavera. Assim, ao amanhecer, o Sol nasceu no ponto cardeal Este (imagem acima), e pôs-se no ponto cardeal Oeste (imagem de baixo).


Até ao início do outono, o comprimento do dia passa a ser maior do que a duração da noite, devido ao facto do Sol percorrer um arco mais longo e mais alto no céu todos os dias, atingindo uma altura máxima no início do Solstício de Verão.



segunda-feira, 21 de março de 2016

Sinto que me falta...

Tríptico
«(...)
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.»
Herberto Helder, A colher na boca


domingo, 20 de março de 2016

Lisbo'agora


Praça de S. Paulo (Lisboa), quase no momento...


You can never hold back Spring




No equinócio da Primavera

- Vem!
grita ela mergulhando
nas águas claras

sentindo na sua nudez
o frio inclemente dos lagos
a subir do seu âmago mais fundo

Mas ele fica calado
como se a interrogasse
juntando o seu silêncio à beira-face

no côncavo das mãos

Enquanto os animais
começam a sair, ainda indecisos
dos covis, das cavernas e das grutas

dos esconderijos das matas

farejando o ar gelado
das florestas, dos bosques
com as línguas ásperas-ávidas

a tentarem degustar o tempo

- Equinócio da Primavera
afirma a deusa das árvores
com os seus cabelos fulvos

enquanto o bronze
dos seus galhos se enchama
de pequeníssimas corolas e folhas

Equador celeste! - clama

Só então começa a despontar
a luz mais ampla


Maria Teresa Horta