"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sábado, 20 de julho de 2024

E um T2 na Arrentela com vista para o Lidl?

«Há uns anos, durante uma conversa sobre planos para férias e respetivos preços, um amigo cunhou uma expressão que ainda hoje utilizamos: “Se tudo falhar, podemos sempre alugar um T2 na Arrentela com vista para o Lidl.”

(...)

À boleia dos hóspedes estrangeiros e do aumento de preços, os proveitos totais do aposento turístico atingiram 1,6 mil milhões de euros (mais 11,9% face ao período homólogo). Pelo andar da carruagem, qualquer dia, ao residente nacional que queira (e possa) fazer férias no país já nem a Arrentela servirá de plano B.»

Pedro Sequeira, DN, 19 de Julho de 2024

A Arrentela vista a partir da outra margem do rio Judeu (da Amora)

Zona ribeirinha da Arrentela
Destaque para o Núcleo Naval do Ecomuseu Municipal
Ao fundo, na parte superior da foto, Lisboa

Arrentela - Quinta da Fidalga

Fotografias de Agostinho Russo "Fotografia con Alma" (fb)

P.S. - Não encontrei fotografias com vista para o Lidl (penso que o Lidl mais próximo é o do Seixal).


terça-feira, 15 de setembro de 2020

A Democracia apanhou-me de surpresa!

Tão surpreendente como a fosfina, também não sabia que existia um Dia Internacional da Democracia.

Descobri-o, por mero acaso, a escassos minutos de acabar...

«DEMOCRACIA. Tomando como pretexto um dos sublimes frescos de Piero della Francesca na Basílica de San Francesco em Arezzo (meados do século XV), onde a harmonia do Renascimento reside em todo o seu esplendor, recordo que hoje se celebra o Dia Internacional da Democracia. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas em 2007 para destacar, justamente, aquela que é conquista fundamental: o sistema que permite aos cidadãos o pleno exercício de seus direitos, assegurando conquistas sociais, laborais, culturais e políticas, com a sua carta inalienável de direitos e deveres. Luta difícil: recordo os muitos que já sofreram, e que continuam a sofrer, pela sua implementação e desenvolvimento. O dia 15 de Setembro é, por todas estas razões, um acontecimento a assinalar. Com um aviso: a Cidadania democrática, tão aviltada nos nossos dias pelos populismos mais ultramontanos, precisa de ser desenvolvida, melhorada e, como tal, preservada. Não a estraguem: aprofundem-na!»

Vítor Serrão (na sua conta do fb)


Não me parece que muita gente saiba (ou se tenha lembrado) deste dia...


quinta-feira, 9 de abril de 2020

A Última Ceia

Nos modernos tempos de isolamento social.


Não deixa de ser uma forma de lembrar um momento icónico do Cristianismo, da sua história - uma memória - a memória que se quer afirmar a partir do Evangelho de S. Lucas ("Façam isto em memória de mim."), como lembra hoje o Professor Frederico Lourenço, na sua conta do fb.

«Recordamos, hoje, uma ceia que teve lugar em Jerusalém, há dois mil anos, onde um homem que muitos de nós consideramos o Mestre cujos ensinamentos orientam as nossas vidas tomou a sua última refeição na terra, acompanhado por doze discípulos ou apóstolos. O que aconteceu nesse jantar? O que disse Jesus? De que modo os primeiros séculos do cristianismo transmitiram as suas palavras e os seus gestos?»
Frederico Lourenço

E este foi o quadro que escolheu para ilustrar o seu texto. 



quarta-feira, 26 de junho de 2019

Corrupção

Corrupção, sim, é preocupante, mas...
A Matemática é uma ciência, sim, mas... os mesmos números passam a ser outros - permitem diferentes leituras, mais ou menos ínvias, conclusões várias, umas mais iguais do que as outras.
E os jornais adoptam ou adaptam leituras e alinham conclusões que nos deixam dúvidas.

Observador


Expresso
Se os países que integram o Greco (Grupo de Estados Contra a Corrupção) são 49, por que razão o gráfico só traz 35?
A República Checa, onde se prolongam as manifestações contra a corrupção no Governo e se pede a sua demissão, e a Hungria, onde os relatórios sobre o assunto nem têm divulgação pública, não fazem parte dos 49?
Qual é o grau de não concretização para se considerar que pertencem ao grupo dos que não cumprem (neste caso 16 países)?
A nossa vizinha Espanha nem uma medida tem implementada, mas essa leitura não é feita. Realça-se a maior percentagem de medidas por implementar em Portugal.
Quanto ao que diz respeito aos deputados, a TSF afirma que 60% dessas recomendações não estão cumpridas de todo, o Expresso diz 75%. Em ambos os casos será muito, mas como se podem recolher números diferentes para a mesma questão?
Mark Twain (acho que era ele) dizia que há as grandes mentiras, as pequenas mentiras e... a estatística.
A corrupção de uns pode ser melhor do que a corrupção de outros?
Seria bom que os meios de comunicação fossem mais rigorosos nos títulos e no desenvolvimento da informação - muitas vezes parece haver, apenas, um copy and paste de um texto inicial.

Mas, sim, a corrupção é preocupante.
Não sabemos se tem aumentado ou se tem diminuído.
Temos a percepção de que há mais corrupção, mas tal poderá acontecer porque mais casos são tornados públicos.
Antes não existia (ou só existia à boca pequena) porque não havia a sua divulgação. Agora, ao menos, fala-se. Água mole...

O estudo da corrupção abrangida pelo Greco diz respeito à acção dos deputados, dos juízes e dos magistrados do Ministério Público.
No caso de Portugal, é relativamente aos juízes que não foi aplicada nenhuma das recomendações do Conselho da Europa - talvez porque o respeitinho seja bonito e não se queira ofender a corporação. Pela medida aprovada, por maioria, em Maio, os juízes conselheiros vão poder auferir de uma remuneração mensal superior à do primeiro-ministro. O tecto salarial será o salário do Presidente da República. Falta encontrar uma maioria para aplicar as ditas recomendações.

Os magistrados, neste momento, estão em greve, mobilizados contra as propostas de alteração do Estatuto do Ministério Público (MP), acordado pelo PS e pelo PSD. Pode ser que acordem mais qualquer coisa. Os magistrados temem o controlo político do MP. O Presidente da República, no meio destas notícias e de vários discursos troantes sobre corrupção, declarou o seu apoio à Procuradora-Geral. Os deputados, a tratar da revisão do Estatuto do Ministério Público, procuram resolver a questão do paralelismo remuneratório entre magistrados do MP e juízes, impondo unicamente como tecto salarial a remuneração do Presidente da República.

Quanto aos deputados, dizem que estes estão a andar muito devagarinho no que diz respeito ao seu próprio controlo. Há uma Comissão a tratar da transparência e coiso e tal... Há poucos dias ficámos a saber que o Parlamento, embora tenha acabado com as subvenções vitalícias em 2005, deixou “um enredo legislativo” que permite aos antigos titulares de cargos públicos e políticos acumularem, sem limite, pensões mensais vitalícias com pensões de reforma ou aposentação. Quem chama a atenção para o imbróglio são os juízes.

Neste caldinho contexto, e porque já só faltam 3 meses para as eleições legislativas, não parece haver oportunidade para tratar da aplicação das recomendações do Conselho da Europa.
O relatório do Greco relativo a 2019 não será diferente no que diz respeito a Portugal.


A Mosca, de Luís Afonso, no fb da Antena1


«Quando meus olhos estão sujos da civilização, cresce por dentro deles um desejo de árvores e pássaros»
Manoel de Barros




Ou, voltando à nossa frase iniciadora:

«Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros.»
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano 

ou para o sorriso das vacas...


sábado, 22 de junho de 2019

Medalha a medalha...

Não que o sucesso desportivo se prove, apenas, pela contagem de medalhas.
Há bons resultados e progressos assinaláveis sem que tal se concretize na obtenção das ditas.
Há poucos anos atrás, ninguém (ou pouca gente) pensaria na conquista de medalhas em modalidades como a ginástica (qualquer das suas variantes ou especialidades).

De Telma Monteiro há que enaltecer a longa carreira de sucessos: 13 campeonatos europeus - 13 medalhas.



O desporto, em geral, vai melhor em Portugal, pese a importância desproporcionada que é dada aos milhões do futebol, em detrimento de outras modalidades.

A propósito dos milhões do futebol...



domingo, 17 de março de 2019

As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores

O Facebook divulgou que removeu 1,5 milhão de vídeos que mostravam os ataques às mesquitas, na Nova Zelândia, após a transmissão em directo do atentado, e 1,2 milhão terão sido bloqueados ainda antes de serem publicados. 


O "sucesso" e a reprodução dos atentados terroristas passa pela sua divulgação através dos meios de comunicação social (sobretudo as televisões, pelo poder da imagem) das comunidades visadas ou daquelas que são mais sensíveis a esses actos de violência.

E as televisões, salvo excepções, insistem e repetem e repetem e exploram emocional e sadicamente os sentimentos das pessoas.
E fazem o favor de valorizar os atentados e quem os comete - dão-lhes toda a publicidade. Ajudam o terrorismo!

Mas, educadamente, avisam:
"As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores...", perdão, dos "espetadores".


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A ver-nos ao espelho


Quanto mais notícias leio/vejo do acidente do viaduto em Génova, mais vou vendo ao espelho determinadas situações já vividas em Portugal. A vários níveis, desde a (não) assunção de responsabilidades à reacção e aos comportamentos das diferentes entidades.
Mais populismo, menos populismo...

Mas quando pensamos que já vimos tudo e...

... chegamos às selfies com o Vice-Presidente do Conselho 
de Ministros/Ministro do Interior nos funerais "de Estado"!...

Mais baixo é difícil!


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Contrastes no acesso à informação


Milhões de utilizadores do fb afectados pelo acesso indevido a dados por parte da Cambridge Analytica.

Em Itália, foram muitas as pessoas que não tiveram acesso à informação que lhes era devida.



sábado, 8 de julho de 2017

Telma Monteiro campeã de judo

Venho do fb, onde, há poucas horas atrás, uma amiga saudou Telma Monteiro pela conquista de mais um campeonato europeu de judo.
O título conquistado é... o de 2015.

Apesar da notícia não ser nova, continua a recolher muitas reacções positivas - já tem umas dezenas de likes - e há quem lamente que a notícia não esteja a ser mais divulgada (neste momento, penso mesmo que a minha amiga é a única que o está a fazer!).


quinta-feira, 2 de junho de 2016

A espantosa irrealidade das coisas


Vai um grande entusiasmo no fb pelo prémio atribuído ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles!...

O prémio foi-lhe atribuído em 2013, mas o entusiasmo perdura...


A espantosa irrealidade das coisas
É a minha redescoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que não é,
(...)
e por aí fora...
Alberto Caeiro (revisitado no fb)


sábado, 9 de abril de 2016

Vítima do quarto F


Fado, Futebol, Fátima e Facebook!

Se fosse o Papa... era outra coisa!...
«Es verdad que no se puede reaccionar violentamente, pero si Gasbarri, gran amigo, dice una mala palabra de mi mamá, puede esperarse un puñetazo. Es normal!»
Papa Francisco, Janeiro de 2015


domingo, 10 de janeiro de 2016

Distracções fúnebres

Os "distraídos" do facebook conseguem dar novidades com anos de atraso.

A notícia da morte de Pedro Osório (ocorrida há 3 anos), dada por um amigo, há pouco, ainda é partilhada e recolhe vários "likes" (como?) e lamentos.
Pelo meio, sempre há um que chama a atenção.
Mas a velocidade dos RIPanços é tal, que nem reparam nisso.



domingo, 22 de novembro de 2015

Proximidades - as bandeiras francesas e o pé da Luisinha Carneiro

Várias pessoas, nas redes sociais (e falo do fb), acusam outras de hipocrisia, porque estas últimas coloriram a sua foto com as cores da bandeira francesa em sinal de solidariedade com os franceses, após os atentados do passado dia 13.
Para sustentar essa acusação, lembram os atentados noutros territórios, nomeadamente em vários pontos de África.
Pintar uma bandeira ou colocar uma foto de Paris ou outra imagem alusiva... vale o que vale. Para alguns pode servir de lenitivo. Outros participam, apenas, do momento.
Sentir o que acontece em Paris mais do que aquilo que acontece em África (Mali, Nigéria, Camarões...) parece-me natural. Em África, se for em alguma das nossas antigas colónias, certamente que a reacção será mais emotiva. Há uma proximidade geográfica e afectiva em relação a quem tem mais afinidades connosco, está mais perto, pertence ao "nosso mundo" nesse outro mundo mais vasto.
Quando li a tal acusação de hipocrisia por parte de um ex-aluno já crescidinho (e não foi feita a mim, que não "partilhei" aí o momento), lembrei-me de um texto de Eça de Queirós que eu costumava trabalhar nas turmas a quem leccionava Português.

O texto é este:
(pode estar com algumas adaptações em relação ao original)

Bem recordo uma noite em que, numa vila de Portugal, uma senhora lia, à luz de um candeeiro, que dourava mais radiantemente os seus cabelos já dourados, um jornal da tarde. Em torno da mesa outras senhoras costuravam.
Espalhados pelos sofás e no divã, três ou quatro homens fumavam, na doce indolência do tépido serão de Maio. E pelas janelas abertas sobre o jardim entrava, com o sussurro das fontes, o aroma das roseiras. No jornal que o criado trouxera e ela nos lia, abundavam as calamidades. Era uma dessas semanas também em que pela violência da natureza e pela cólera dos homens se desencadeia o mal sobre a Terra.
Ela lia as catástrofes lentamente, com a serenidade que tão bem convinha ao seu sereno e puro perfil latino. “Na ilha de Java um terramoto destruíra vinte aldeias, matara duas mil pessoas…”. As agulhas atentas picavam os estofos ligeiros; o fumo dos cigarros rolava docemente na aragem mansa; e ninguém comentou, sequer se interessou pela imensa desventura de Java. Java é tão remota, tão vaga no mapa! Depois, mais perto, a Hungria, “um rio transbordara, destruindo vilas, searas, os homens e os gados…”. Alguém murmurou, através de um lânguido bocejo: “Que desgraça!”. A delicada senhora continuava, sem curiosidade, muito calma, aureolada de ouro pela luz. Na Bélgica, numa greve desesperada de operários que as tropas tinham atacado, houvera entre os mortos quatro mulheres, duas criancinhas… Então, aqui e além, na aconchegada sala, vozes já mais interessadas, exclamaram brandamente: “Que horror!... Estas greves!... Pobre gente!...”. De novo o bafo suave, vindo de entre as rosas, nos envolveu, enquanto a nossa amiga percorria o jornal atulhado de males. E ela mesmo teve um oh de dorida surpresa. No sul de França, “junto à fronteira, um trem descarrilando causara três mortos, onze ferimentos…”. Uma curta emoção, já sentida, já sincera, passou através de nós com aquela desgraça quase próxima, na fronteira da nossa península, num comboio que desce a Portugal, onde viajam portugueses… Todos lamentámos, com expressões já vivas, estendidos nas poltronas, gozando a nossa segurança.
A leitora, tão cheia de graça, virou a página do jornal doloroso e procurava noutra coluna, com um sorriso que lhe voltara, claro e sereno… E, de repente, solta um grito, leva as mãos à cabeça:
- Santo Deus!...
Todos nos erguemos num sobressalto. E ela, no seu espanto e terror, balbuciando:
- Foi a Luísa Carneiro, da Bela Vista… esta manhã! Desmanchou um pé!
Então a sala inteira se alvorotou num tumulto de surpresa e desgosto.
As senhoras arremessaram a costura; os homens esqueceram charutos e poltronas; e todos se debruçavam, reliam a notícia no jornal amargo, se repastavam da dor que ela exalava!... A Luisinha Carneiro! Desmanchara um pé! Já o criado correra, furiosamente, para a Bela Vista, buscar notícias por que ansiávamos. Sobre a mesa, aberto, batido da larga luz, o jornal parecia todo negro, com aquela notícia que o enchia todo, o enegrecia.

Eça de Queirós, Cartas Familiares



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Facebook, 10 anos


Reconheço-lhe utilidade... e o carácter cusco...
Permitiu-me reencontrar antigos colegas de liceu e antigos alunos, ter contacto regular com amigos reais que estão um pouco afastados fisicamente...
Uso com alguma frequência o sistema das mensagens pela "porta das traseiras".
Dá-me algum gozo editar as imagens da capa e da foto de perfil...

Hoje, em ambiente festivo, uma amiga "obrigou-me" a um facebookiano comentário, o primeiro do ano, quando planeava deixar a minha página num perpétuo branco. Mas foi um daqueles gostosos encontros casuais.

A verdade é que para comentar/mensajar/postar prefiro a frequência de tascas como esta, o beneplácito bovino das minhas tutelares vaquinhas.
Não "imponho" a minha presença, visita-me quem quer.
É outro sossego, a tranquilidade necessária, palavras mais perenes - um doce infinito particular.


Eis o melhor e o pior de mim
(...)
Só não se perca ao entrar 
No meu infinito particular
(...)


sexta-feira, 5 de julho de 2013