«Assim fiz. (...)
E eis como ficou este post...
«Assim fiz. (...)
E eis como ficou este post...
Entrei no Café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
- a concebê-las
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
a melodia sem contorno
deste acaso de existir
- onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
José Gomes Ferreira, Poesia III
Penguin Cafe Orchestra
«Lisboa é uma cidade sem passado visível nas pedras. Ou melhor: o passado de Lisboa resume-se a esta luz que, de olhos em olhos, de pele em pele, de caliça em caliça, chega diariamente até nós, lá do fundo dos tempos, sempre com o mesmo peso de espuma voada.
Depois, ao anoitecer, dá-se uma
espécie de terramoto e a cidade afunda-se na escuridão. Desaba, desmantela-se,
rui (às vezes ajudada pelo clarão explosivo do luar), para surgir reconstruída
na manhã seguinte com a fluidez suspensa de pedras de céu azul e o habitual
ouro contente das fachadas.
Eis a razão, ou pelo menos uma das razões, por que os habitantes desta cidade não se inibem de deitar abaixo seja o que for (os Jerónimos e a Torre de Belém escaparam até hoje à demolição por milagre), todos, no fundo - repito -, com a convicção de que o nosso único testemunho de passado comum reside nesta bendita luminosidade que, através de mil catástrofes e tormentas, purifica incansavelmente as ruas e os prédios.»
José Gomes Ferreira, nascido a 9 de Junho de 1900, na cidade do Porto, teve épocas de vagabundagens por Lisboa, a "horas desertas da noite, quando o silêncio crepita mais vivo na solidão", de que "resultou o adensamento (...) da lenda que me atribui o conhecimento a palmos de Lisboa e respectivos alçapões".
Citações de José Gomes Ferreira, O irreal quotidiano
| A imagem que conservo há anos "para abertura" do meu PC |
Considerava JGF como derrotista, mas Lisboa parece-me hoje uma cidade que vai perdendo a memória ao mesmo ritmo que vai sendo ocupada pelos alienígenas.
Fica-nos a luz...
José Gomes Ferreira, Poeta Militante (3.º volume)
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| Miradouro do Monte Agudo (ali perto da antiga Calçada do Sol) |
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| Família Gomes Ferreira Estudo e painel de azulejos da autoria de Maria Keil, amiga da família. |
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| A Casa de Albarraque (1961?), com José Gomes Ferreira ao cimo das escadas |
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| A Casa de Albarraque (2013), com a presença de Raúl Hestnes Ferreira. Na parede, o painel de azulejos de Maria Keil |
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| Escola Secundária José Gomes Ferreira (Benfica) Maqueta e fotografia tirada do morro fronteiro |
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| Fotografia de Eduardo Gageiro |
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| Capa da 1.ª edição (1971) |
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| José Gomes Ferreira |