"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 21 de março de 2019

J. S. Bach e Poesia

Juntar poesia à música de J. S. Bach, nascido (ao que parece) a 21 de Março.

I
Como se modulando neste espaço-tempo
que se desenha espaço em mero som contínuo
de um tempo trespassado,
a fina imarcescível
dor
é timbre e andamento,
e proporção de altura
a desdobrar-se na serena angústia
de um nada preenchido.

Intensamente.
Quietação.
Vácuo.
Tudo.

II
Canta o impossível.
Que voz humana
sustentaria
esta pressa alegre
ou a tensão suspensa
do lento sonho?

III
Madeiras, cordas, gestos, sopros, tudo
avança imóvel, sem parar, quieto,
a passo irresistível.
Não há que os contenha
senão o inaudível.

IV
Neste silêncio, que ficou, flutua?
O quê?
Nós?
Como tão pouco restaria?

Jorge de Sena, Concerto "Brandenburguês" n.º 1, em Fá maior, de J. S. Bach



Gravação dos idos de 1964, ano próximo ao da escrita do poema (1963).


domingo, 24 de abril de 2016

Dias da Música 2016 - Mendelssohn

A volta ao mundo...
Antes da orquestra e da última sinfonia de Mendelssohn.
(a ordem de numeração das sinfonias é um mistério!)
Em dia dos 400 anos da morte de Shakespeare, podia ter sido o Sonho de uma Noite de Verão.





domingo, 13 de março de 2016

Mozart e as suas 3 últimas sinfonias

Dia de barrigada de Mozart.
No CCB, com a Orquestra de Câmara Portuguesa, de Pedro Carneiro, as 3 últimas sinfonias (n.ºs 39, 40 e 41).

O verão de 1788 foi sinfonicamente produtivo para Mozart. O tempo não estaria bom para a praia, Viena já não teria encantos para o compositor ou foi mesmo o problema da falta de "cobres" na sua algibeira.
No espaço de 3 meses - de Junho a Agosto - escreveu aquelas que seriam as suas últimas sinfonias. Saberia Mozart?

Não há certeza de que tenham sido executadas em vida do seu autor.
Nikolaus Harnoncourt, falecido há dias, falava, a propósito destas sinfonias, das mais representativas da obra de Mozart, num "tríptico indissociável", "um ciclo fechado" de "oratória sem palavras".

Deixo aqui um Harnoncourt expressivamente maravilhado com Mozart.

Sinfonia n.º 41, Júpiter

«Sabendo que Mozart era um homem não podemos perder a esperança na Humanidade.»
(Albert Einstein)


domingo, 6 de dezembro de 2015

Nikolaus Harnoncourt

Glückwünsche (será assim?), Nikolaus Harnoncourt.
Parabéns pelo 86.º aniversário.
Foi um dos maestros com quem fui entrando na música clássica.