Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
terça-feira, 23 de maio de 2023
domingo, 19 de setembro de 2021
José-Augusto França (a morte já anunciada)
A comunicação social já anunciara o seu falecimento em 2018.
Uma das maiores referências do panorama cultural português.
«O França não é uma pessoa, é um mundo (...)» (Rogério de Moura, antigo editor dos Livros Horizonte).
«Se a minha avó o tivesse conhecido, diria apenas: "É um homem que tem tudo muito bem explicado e que nunca deixa nada por dizer."» (José Jorge Letria)
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| Eduardo Lourenço e José-Augusto França, figuras maiores da nossa cultura nas últimas décadas. Dois intelectuais exilados no Estado Novo, dois afrancesados. |
Abandonar o país para poder pensar e criar livremente.
«(...) já tinham estudado Histórico-Filosóficas, agitado o meio cultural, interrogado o mundo. Pouco depois sairiam do país para perceber que “não estávamos tão orgulhosamente sós” (...)»
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Eduardo Lourenço (1923 - 2020)
«Pensar, pensamos todos. Não só os humanos mas, segundo os antropólogos, todos os seres viventes. Pensar é ser um eco do que o Cosmos tem para nos dizer. É saber o que somos como tempo passado, como História; termos uma imagem mais ou menos objectiva do nosso percurso - o que é absolutamente inviável, mas uma pretensão como outra qualquer. Pensar é um diálogo que temos connosco próprios.»
Eduardo Lourenço
Como Marcelo Rebelo de Sousa observou, parece haver uma "coincidência simbólica" no facto de o maior pensador sobre Portugal nos ter deixado no dia da Restauração da Independência.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Gonçalo Ribeiro Telles
Era óptimo que pudesse comemorar como o Professor Eduardo Lourenço.
sábado, 23 de maio de 2020
Parabéns, Prof. Eduardo Lourenço
quinta-feira, 23 de maio de 2019
Eduardo Lourenço
«S. Pedro do Rio Seco é uma aldeia, do distrito da Guarda, entre outras aldeias que estão ali ao lado uma das outras, a cinco quilómetros. Não há praticamente comunicação entre elas, porque realmente não têm nada que trocar entre si. Naquele tempo eram economias de pura subsistência.
(...) E foi nesse mundo que eu vivi uma infância relativamente protegida e aberta também. Aquilo era o último estádio da civilização que já era uma civilização capitalista na sua franja mais rudimentar. Praticamente quase só se vivia do que se produzia na aldeia e não havia trocas. Apenas uma pequena troca que permitia às pessoas comprarem qualquer coisa, vestirem-se, calçarem-se, etc. Muitos daqueles lavradores desse tempo não mandavam os filhos à escola porque não estava na perspectiva deles. Também não teriam dinheiro. Ninguém pensava mandá-los para a Guarda para fazer o Liceu, o quinto ano, e muito menos para a Universidade.
(...) Era um mundo muito arcaico que eu chamo Piccolo Mondo Antico, título de uma novela célebre de Antonio Fogazzaro, que é um título que eu acho admirável. Se algum dia escrevesse memórias sobre S. Pedro, teria um título parecido. Um pequeno mundo morto, ou coisa parecida.»
quarta-feira, 23 de maio de 2018
O (nosso) Labirinto da Saudade
Os 95 anos de Eduardo Lourenço.
40 anos de O Labirinto da Saudade, psicanálise mítica do destino português, o problema da imagem de Portugal ou da imagem que os portugueses têm de Portugal - como nos vemos.
«O nosso caso é outro: tivemos sempre uma vértebra supranumerária, vivemos sempre acima das nossas posses, mas sem problemas de identidade nacional propriamente ditos. A nossa questão é a da nossa imagem enquanto produto e reflexo da nossa existência e projecto históricos ao longo dos séculos e em particular na época moderna em que essa existência foi submetida a duras e temíveis privações.»
A RTP 1 passa um filme sobre Eduardo Lourenço, com o próprio no seu papel de filósofo, e centrado n' O Labirinto da Saudade.
É curta a atenção dada pelos grandes meios de comunicação social (mesmo os públicos - os do serviço público) a pensadores e ensaístas, num "horário nobre".
É bom ouvir quem privilegia o pensamento e o conhecimento como fim, não apenas como um meio.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Vasco Graça Moura - poesia e prémio
já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida,
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.
a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.
há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurei, a ver fugir a escala
do clarinete: - morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
Vasco Graça Moura faria hoje 74 anos.
Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural, na sua 1.ª edição.
O professor sentiu-se honrado e feliz com o prémio que tem o nome de alguém por quem tinha admiração. "Fui amigo dele, devo-lhe imenso. Admiro-o por ele ser o grande poeta que é, ficcionista, homem de acção - coisa rara - e também um grande tradutor, cosmopolita, um homem do renascimento, um espírito muito corajoso, um verdadeiro mosqueteiro das letras portuguesas."
sexta-feira, 23 de maio de 2014
No reino do misticismo e do disparate
Passos, o bom cristão.
Dar a cara pelo Governo?
Mas os deputados europeus são mandatados pelo Governo? São os seus representantes?
Eduardo Lourenço, 91 anos
Como dizia José-Augusto França de si mesmo: "Estou nonagenariamente bem, muito obrigado."
Tão perto das eleições europeias, aproveito a boleia de uma afirmação de EL, já datada de 2004:
«A Europa real é uma colecção de identidades que já não têm a capacidade de se viver plenamente como nações, nem a força de querer e de imaginar a futura Europa como uma nova espécie de nação.»
Ou como dizia Garrett, citado por EL em O Labirinto da Saudade:
«(...) os povos têm o entendimento difícil e a memória curta: hão-de ir-se educando à sua custa.»










