"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Arte antes da arte

O caos?
O toque do artista...

Miró
Matthias Schaller, um fotógrafo alemão com projectos na área do património, fotografou paletas de dezenas de grandes pintores dos séculos XIX e XX.
Algumas dessas fotografias estão em exposição no Museu Árpád Szenes - Vieira da Silva.

Matisse
Giorgio de Chirico
Matthias Schaller considera "cada paleta uma revelação e um retrato indirecto do artista, reveladora da sua técnica pictórica".
Van Gogh
Picasso
Cézanne
"A paleta é a paisagem abstracta da produção artística de cada pintor."


Gauguin

Monet
Vieira da Silva

"Uma janela de acesso ao seu génio criativo"


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Obras de arte adquiridas pelo Estado - Vieira da Silva

Recentemente falou-se muito na aquisição, pelo Estado Português, de um quadro de Álvaro Pires de Évora, a expor no Museu Nacional de Arte Antiga.

No Verão passado (e, talvez por ser Verão, passou mais despercebida) foi a aquisição de seis obras da autoria de Maria Helena Vieira da Silva, após vários anos de negociações entre o Estado, a Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva e os herdeiros do coleccionador Jorge de Brito (anterior proprietário das obras, falecido em 2006), para a compra e impedimento de saída das obras do país.

Existe, felizmente, uma lógica diferente na política cultural. Dos valores não sei falar - não sei se são justos ou se se justificam. Parecem-me elevados (cerca de 5 milhões e meio de euros, no caso dos "Vieiras da Silva"), mas eu não sou avaliador nem contabilista, embora, como contribuinte, tenha ajudado à compra.
Como se costuma dizer, "antes aqui do que na farmácia!".
Sempre temos a possibilidade de usufruir as obras e esperar que, pelo seu valor artístico, elas possam atrair visitantes e justificar os investimentos na perspectiva financeira. Na perspectiva cultural estão mais do que justificados. 



O Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, onde os quadros integrarão a colecção permanente, celebra agora essa aquisição pelo Estado Português, facultando entrada gratuita no museu até 9 de Fevereiro. 

São seis quadros pintados por Maria Helena Vieira da Silva num período de maturidade artística, entre 1958 e 1970.

Novembre (1958)

La Mer (1961)

Au fur et a mesure (1965)

Esplanade (1967)

New Amsterdam I (1970)
New Amsterdam II (1970)


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dia das Bibliotecas

«Durante o jantar, dissertámos sobre a felicidade e maldição a que estamos condenados: os livros são caros no acto da compra, não valem nada na revenda, assumem preços incomportáveis depois de esgotarem, são pesados, acumulam pó, sofrem com a humidade e os ratos, a partir de uma certa quantidade tornam-se quase impossíveis de transportar de uma casa para outra, necessitam de uma classificação precisa para poderem ser utilizados e, sobretudo, devoram espaço.»
Jacques Bonnet, Bibliotecas cheias de fantasmas

Vieira da Silva, La bibliothèque humoristique


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

De Portalegre, a lã como obra de arte

As tapeçarias de Portalegre são "a mais bela homenagem à rainha de todas as fibras - a lã.", nas palavras de Guy Fino, um dos fundadores das Manufacturas de Tapeçarias de Portalegre (1947).


A tapeçaria de Portalegre tem como imagem de marca a reprodução de trabalhos concebidos por grandes pintores.
São tapeçarias murais decorativas, com um ponto de nó criado por Manuel do Carmo Peixeiro, pai do outro fundador das Manufacturas, Manuel Celestino Peixeiro.


«Partindo sempre do original de um artista, uma tapeçaria de Portalegre é a transposição para um outro suporte, a uma outra dimensão dessa obra. Mas, mais que uma simples reprodução, a tapeçaria é, por si, uma verdadeira obra de arte, pelas suas propriedades intrínsecas e pelos métodos usados na sua criação.» (Vera Fino)



É um trabalho de paciência, de habilidade (5 anos dura a formação das tecedeiras), de atenção ao pormenor da cor e do desenho, seguindo uma técnica totalmente manual.
E estas tapeçarias são editadas em séries de 1, 4 ou 8 exemplares (no máximo), autenticados pela assinatura do artista. As obras atingem, assim, preços muito elevados.


Na técnica dos tapetes de Portalegre, a teia é vertical, a tapeçaria é tecida no sentido da altura, com o envolvimento do fio da urdidura feito por uma única passagem, de baixo para cima, à média de 3 cm por dia.


As Manufacturas de Tapeçarias de Portalegre poderão estar numa situação de fragilidade pela escassez de recursos humanos e financeiros, mas continuam a provar a sua originalidade como manufactura de tapeçaria contemporânea e em "fazer vibrar a lã", expressão feliz de Eduardo Nery.

Rogério Ribeiro - Aula de pintura
 No Museu da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, só até 25 de Outubro, é apresentada a exposição Tapeçarias de Portalegre na obra de Vieira da Silva. São perto de duas dezenas de obras que resultaram da colaboração daquela artista com a Manufactura a partir da década de 1960.

Vieira da Silva - Bibliothèque
A Fundação Portuguesa das Comunicações - Museu das Comunicações inaugurou uma exposição de tapeçarias de Portalegre, no mesmo dia em que foi lançado um conjunto de selos representando obras de arte que foram transformadas em tapeçarias (9 de Outubro).
A exposição está patente até 14 de Dezembro.

A colecção de selos


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Vieira da Silva homenageada

E por cultura...
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa esteve em Paris, ontem, tendo descerrado uma placa que assinala a casa onde a pintora Maria Helena Vieira da Silva viveu e trabalhou - Rua l'Abbé Carton, n.º 34.
Vieira da Silva e Arpad Szenes
na casa da rua l'Abbé Carton (1983)


Registe-se que Helena Vieira da Silva, nascida em 1908 na cidade de Lisboa, passou a ter a nacionalidade francesa em 1956. Por cá governava outro homem culturalmente limitado...
A pintora viria a ser galardoada com o Grande Prémio Nacional das Artes, atribuído pelo Governo francês. Morreu em Paris, em 1992.

Vieira da Silva, A partida de xadrez