"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Guernica na Exposição Internacional de Paris de 1937

A 12 de Julho de 1937, na Exposição Internacional de Paris, a pintura Guernica foi apresentada ao público pela primeira vez.

Delegação espanhola na Exposição, com Guernica por fundo

Em Espanha decorria a Guerra Civil. Foi ainda o Governo da II República que se responsabilizou pelo Pavilhão de Espanha na Exposição. E era uma delegação cultural de peso: filmes de Buñuel, versos de García Lorca, Guernica, de Picasso, obra inspirada nos bombardeamentos efectuados pela aviação alemã sobre a cidade basca de Guernica.

Nessa Exposição, Portugal afirmava propagandisticamente o regime do Estado Novo, os seus líderes - figuravam no Pavilhão de Portugal as estátuas do Marechal Carmona e de Salazar - e as suas realizações.
É significativa a forma de saudação presente em fotos que preencheram algumas das salas e o próprio nome destas (Sala do Estado, Sala das Realizações...).
Tendo António Ferro como comissário da representação portuguesa, parece o ensaio da Exposição do Mundo Português.

Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Paris

Pavilhão de Portugal - Sala das Realizações

Fotografia para a Sala do Estado do Pavilhão de Portugal


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Guernica

Cidade de Guernica, bombardeada a 26 de Abril de 1937.



«O ataque da Legião Condor, com uma pequena ajuda da Aviazione Legionaria italiana, designado como Operação Rügen, iniciou-se às 16.30 de 26 de Abril, com a cidade cheia de gente e animais, pois era dia de mercado, a que se somavam também refugiados, pelo que se estima que a cidade de 5.000 habitantes albergasse naquele dia mais alguns milhares. Quando os sinos tocaram a rebate, a população buscou refúgio nas caves, mas surgiu apenas um bombardeiro solitário, que lançou as suas bombas e partiu. A população saiu dos abrigos e foi então que chegou uma vaga de bombardeiros Heinkel He 111, a que se seguiu uma vaga de Junkers Ju 52. Enquanto os bombardeiros largavam uma combinação de bombas explosivas, incendiárias e de fragmentação, num total de 40 toneladas, os caças Heinkel He 51 e Messerschmitt Bf 109 metralhavam as pessoas que, em pânico, fugiam da zona urbana e procuravam abrigo nos campos em redor.»
Observador, 8 de Abril de 2017

Esboço da obra de Picasso, Guernica


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Arte antes da arte

O caos?
O toque do artista...

Miró
Matthias Schaller, um fotógrafo alemão com projectos na área do património, fotografou paletas de dezenas de grandes pintores dos séculos XIX e XX.
Algumas dessas fotografias estão em exposição no Museu Árpád Szenes - Vieira da Silva.

Matisse
Giorgio de Chirico
Matthias Schaller considera "cada paleta uma revelação e um retrato indirecto do artista, reveladora da sua técnica pictórica".
Van Gogh
Picasso
Cézanne
"A paleta é a paisagem abstracta da produção artística de cada pintor."


Gauguin

Monet
Vieira da Silva

"Uma janela de acesso ao seu génio criativo"


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Guernica - 80 anos

26 de Abril de 1937 -  Aviões nazis, às ordens do general Franco, atacaram a cidade basca de Guernica, no seu dia de feira. Numa população de 7 mil pessoas, 1654 mortos e 889 feridos.
O quadro foi exposto na Exposição Internacional de Paris de 1937.

Guernica
Picasso pintando Guernica, no seu atelier

Pormenor de Guernica

Pormenor de Os Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Goya
O mesmo grito contra a desumanidade


sábado, 17 de maio de 2014

Para sempre


Picasso, Mother and child (1921)

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo - 
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas