"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sábado, 8 de junho de 2024

Marguerite Yourcenar - 121 anos do seu nascimento

«Nada é mais lento que o verdadeiro nascimento de um homem.»
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano


Marguerite Yourcenar de visita à Villa Adriana,
no dia do seu 21.º aniversário, 8 de Junho de 1924. 
Há 100 anos


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Fundar bibliotecas

«Fundar bibliotecas era também construir celeiros públicos, armazenar reservas contra um inverno do espírito que, por certos indícios e infelizmente, vejo que se aproxima.»

Marguerite Yourcenar nasceu a 8 de Junho de 1903.


sábado, 8 de junho de 2019

Marguerite Yourcenar

Marguerite Yourcenar nasceu a 8 de Junho de 1903.






Em dia da Noite da Literatura Europeia, organização da EUNIC (rede constituída pelos Institutos Nacionais de Cultura e pelas Embaixadas da União Europeia), em parceria com a EGEAC e com o apoio da Representação da Comissão Europeia em Portugal, o maior evento literário das Festas de Lisboa.

Ler Marguerite Yourcenar faz sempre bem!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Adriano, o Imperador

«Meu pai, Élio Afer Adriano, era um homem sobrecarregado de virtudes. A sua vida passou-se em administrações sem glória; a sua voz nunca foi tomada em conta no Senado. Ao contrário do que costuma acontecer, o seu governo de África não o enriqueceu. No nosso município espanhol de Itálica esgotava-se a resolver conflitos locais. Não tinha ambições, nem alegria, e, como muitos homens que assim se apagam cada vez mais de ano para ano, acabou por dedicar uma atenção maníaca às pequenas coisas a que se restringia. Eu próprio conheci essas respeitáveis tentações da minúcia e do escrúpulo. A experiência tinha desenvolvido no meu pai, relativamente aos seres, um extraordinário cepticismo em que me incluía, era eu ainda criança. Os meus êxitos, se tivesse assistido a eles, não o teriam deslumbrado absolutamente nada; o orgulho familiar era tão forte que se não reconheceria que eu pudesse acrescentar-lhe qualquer coisa. Tinha doze anos quando este homem extenuado nos deixou. A minha mãe instalou-se para o resto da vida numa austera viuvez; não a tornei a ver depois do dia em que, chamado pelo meu tutor, parti para Roma.»
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano

Dizem que Adriano nasceu a 24 de Janeiro de 76.
Para mim é espantoso como convertem no nosso o calendário romano!



sábado, 11 de agosto de 2018

O que lemos e o que a leitura nos transforma

O Adriano que eu leio...

«Em geral, as pessoas não vêem o todo, vêem a saliência, o ângulo que se aproxima delas. As pessoas olham sempre, num livro, para a faceta que reflecte a sua própria vida.»
Marguerite Yourcenar


«A literatura pode ser transformadora, mas não necessariamente. Uma pessoa pode ler a Divina Comédia e não sentir nada, entediar-se. Porque o livro que o leitor cria lendo-o é o produto da troca entre essas palavras que estão na página e a experiência íntima do leitor. (...)
A Comédia que eu leio responde a dúvidas secretas, desejos ocultos, paixões não confessadas que estão diante de mim. Então eu respondo à leitura da Comédia que me dá a possibilidade de transformação. Eu me sinto transformado depois da leitura de certos livros. Mas essa transformação ocorre porque, nos elementos que o texto me dá, eu encontrei a matéria para estimular a minha transformação. É um verbo activo o verbo "ler". É um verbo que preciso de um sujeito que quer transformar-se, que busca transformar-se.»

Alberto Manguel


Imperador Adriano


Admiro a capacidade de quem sabe fazer as devidas correspondências no calendário e afirma peremptoriamente que essa foi a data.

«-Considera Adriano um génio?
- Certamente. (...) Porque ele inova continuamente, ou reforma sem cessar, com uma inteligência rara. (...) Foi inteligentíssimo em tudo. Se olhou muito para o passado, isso não o levou a negligenciar o futuro. Está muito mais próximo de nós do que o típico imperador romano de Suetónio, ou dos filmes e dos romances de grande espectáculo. Num certo sentido, é um homem do Renascimento. (...) Adriano não é fulgurante. É uma das coisas que gosto nele. É sobretudo lúcido, com grande abertura a mundos que não os seus... (...) Um pequeno poeta latino, Floro, dizia, troçando: "O imperador adora passear-se nos países frios, sob a neve cita e a chuva bretã." E Adriano respondia-lhe mais ou menos assim: "Ficai em Roma, nas tabernas, deixando-vos picar pelos mosquitos e falando de literatura."»
Marguerite Yourcenar, De Olhos Abertos - Conversas com Matthieu Galey

Admiro o génio de Marguerite Yourcenar.
Através dele admiro Adriano.


sábado, 9 de junho de 2018

Uma presença serena



«- Vejo aqui livros da Yourcenar com dedicatórias - conhece-a?
- Sim, conheço-a há muitos anos e gosto muito dela. É uma mulher admirável. Na autora das Memórias de Adriano, a sagesse alia-se à simplicidade , e a elegância não se distingue da naturalidade. É uma presença serena, próxima e distante ao mesmo tempo, como se a fraternidade e a reserva fossem inseparáveis - esquecida da sua grandeza ou demasiado consciente da precariedade dela, passando leve sobre a terra, mas sem contudo perder o contacto com a sua rugosidade.
- Foi ela que aproximou a sua poesia da música de Bach?
- Do Cravo bem Temperado, e dos desenhos de Matisse, sim, foi ela. São imagens que apontam para um rigor que não sufoca o instinto, ou se prefere, imagens de "limpidez no ardor", de que Yourcenar diz conhecer poucos exemplos.»
Do Silêncio à Palavra, 
entrevista concedida por Eugénio de Andrade a Helena Vaz da Silva
(Expresso, 27 de Maio de 1978)




sexta-feira, 8 de junho de 2018

Marguerite Yourcenar - 115 velas

«O ser a que chamo eu veio ao mundo numa segunda-feira, dia 8 de junho de 1903, pelas 8 horas da manhã, em Bruxelas, de um pai francês, pertencente a uma antiga família do norte, e de uma belga cujos ascendentes se tinham há muito implantado em Liège..»



sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rembrandt

«Rembrandt, mais talvez do que qualquer outro pintor, teve a sua visão, o seu sonho, se quisermos, do mundo que trazia dentro dele e do mundo onde viveu. Depressa sentimos que cada quadro, cada desenho, é um fragmento de um universo rembrandtesco a que pertencemos, mas secretamente e, na maioria dos casos, inconscientemente, como aos nervos, às artérias, aos glóbulos brancos e vermelhos que circulam na noite do corpo.»
Marguerite Yourcenar


Rembrandt nasceu a 15 de Julho de 1606


domingo, 24 de janeiro de 2016

Publius Aelius Hadrianus Augustus

«A minha mãe instalou-se para o resto da vida numa austera viuvez; não a tornei a ver depois do dia em que, chamado pelo meu tutor, parti para Roma. Conservo do seu rosto alongado de espanhola, marcado por uma doçura um pouco melancólica, uma lembrança que o busto de cera da parede dos antepassados confirma. (...)
A ficção oficial quer que um imperador romano nasça em Roma, mas foi em Italica que eu nasci; foi a esse país seco e no entanto fértil que sobrepus mais tarde muitas regiões do mundo. A ficção tem coisas boas: prova que as decisões do espírito e da vontade transcendem as circunstâncias. O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo: as minhas primeiras pátrias foram os livros.»
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano

Bustos de Adriano, em bronze

Adriano, imperador romano entre 117 e 138, terá nascido a 24 de Janeiro de 76, em Italica (Hispânia).


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O voo de um pássaro

«Creio que a vida dos homens na Terra, quando comparada aos vastos espaços de tempo de que nada sabemos, se assemelha ao voo de um pássaro que entrou pela janela de uma grande sala onde arde ao centro uma lareira como aquela onde tomas as refeições com os teus conselheiros e vassalos, enquanto lá fora reina a invernia, com as sua chuvas e neves. O pássaro atravessa a sala num ápice e sai pelo lado oposto; vindo do Inverno, a ele regressa, perdendo-se aos teus olhos. Assim também a efémera vida dos homens de que não sabemos o que havia antes e o que vem depois.»
Marguerite Yourcenar, A propósito de algumas linhas de Beda, o Venerável
in O Tempo esse grande escultor




quinta-feira, 10 de julho de 2014

de olhos abertos...

«Felicito-me por o mal me ter deixado a minha lucidez até ao fim; alegro-me por não ter que fazer a experiência da idade avançada, não estar destinado a conhecer esse endurecimento, essa rigidez, essa secura, essa atroz ausência de desejos. (...) Tudo está pronto: a águia encarregada de levar aos deuses a alma do imperador está de reserva para a cerimónia fúnebre. O meu mausoléu, no alto do qual se plantam neste momento os ciprestes destinados a formar em pleno céu uma pirâmide negra, ficará concluído pouco mais ou menos a tempo de se fazer para lá a trasladação das minhas cinzas ainda quentes. (...)
Almazinha, alma terna e flutuante, companheira do meu corpo, de que foste hóspede, vais descer àqueles lugares pálidos, duros e nus onde terás que renunciar aos jogos de outrora. Contemplemos juntos, um instante ainda, as praias familiares, os objectos que certamente nunca mais veremos... Procuremos entrar na morte de olhos abertos...»
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano


Adriano terá morrido na data correspondente a 10 de Julho de 138.


domingo, 8 de junho de 2014

A imobilização da vida

«Querer imobilizar a vida é a danação do escultor. É talvez nesse sentido que toda a minha obra é contra a natureza. O mármore em que julgamos fixar uma forma efémera de vida retoma a cada instante o seu lugar na natureza, pela erosão, pela pátina, pelos jogos de luz e de sombra em planos que pareciam abstractos mas que são afinal a superfície de uma pedra. Assim, a eterna mobilidade do universo suscita sem dúvida a admiração ou o espanto do criador.»
Miguel Ângelo através de Marguerite Yourcenar (O Tempo Esse Grande Escultor)

MY pensaria na (mesma) danação no caso do escritor?


Marguerite Yourcenar nasceu a 8 de Junho de 1903.


sábado, 22 de março de 2014

O nosso nascimento


Diário de Notícias, 17 de Março de 2014

«O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos.»
Marguerite Yourcenar


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Porque a ideia de Adriano de Marguerite Yourcenar me toca

No CCB...
Multiplex - criação de Rui Horta



«É o mundo interior de Adriano que me interessa. O mesmo mundo que fascinou Yourcenar, ela que nos lembrava que refazia por dentro o que os arqueólogos do século XIX haviam feito de fora, ou ainda, que a melhor maneira de recriar o pensamento de um homem era reconstituir a sua biblioteca. Trabalhar sobre o tempo, sobre a memória. Como se os odores de Ítaca, das amendoeiras e das figueiras, estivessem sempre presentes. Como se todo um Sul permanentemente adiado, iluminasse uma vida de combates e negociações, longos invernos na lama fria do Norte ou intermináveis campanhas nos desertos da Ásia Menor.
Adriano, homem cultíssimo e complexo, foi o mais genial dos imperadores que Roma gerou, não um conquistador, mas um pacificador e administrador sábio, determinado a legar um império forte e organizado. O magnífico texto de Marguerite Yourcenar conduz a obra, não como relato cronológico, mas como experiência emersiva e sensorial.»
Rui Horta

Informações sobre Multiplex


sábado, 8 de junho de 2013

Marguerite Yourcenar - O ser a quem chamava EU

«O ser a quem chamo eu veio ao mundo numa certa segunda-feira, 8 de Junho de 1903, pelas oito horas da manhã, em Bruxelas, e nascia de um francês descendente de uma velha família do Norte e de uma belga cujos ascendentes se tinham estabelecido em Liège há alguns séculos atrás, tendo depois vindo a fixar-se no Hainaut. A casa onde se dava este acontecimento, visto que todo o nascimento o é para o pai e a mãe e algumas pessoas que lhe são próximas, situava-se no número 193 da Avenida Louise, e desapareceu há uns quinze anos devorada por um prédio de apartamentos.»
Marguerite Yourcenar, Memórias - Souvenirs Pieux



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Yourcenar e Bach em Eugénio de Andrade

Perto dos deuses...

«- (...) conheço-a há muitos anos e gosto muito dela. É uma mulher admirável. Na autora das Memórias de Adriano, a sagesse alia-se à simplicidade, e a elegância não se distingue da naturalidade. É uma presença serena, próxima e distante ao mesmo tempo, como se a fraternidade e a reserva fossem inseparáveis - esquecida da sua grandeza ou demasiado consciente da precaridade dela, passando leve sobre a terra, mas sem contudo perder o contacto com a sua rugosidade.

- Foi ela que aproximou a sua poesia da música de Bach?
- Do Cravo bem Temperado, e dos desenhos de Matisse, sim, foi ela. São imagens que apontam para um rigor que não sufoca o instinto, ou se prefere, imagens de "limpidez no ardor", de que Yourcenar diz conhecer poucos exemplos.»
Eugénio Andrade, Rosto precário
(Entrevista concedida a Helena Vaz da Silva - Expresso, 27/05/1978)