"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 16 de março de 2025

Camilo e Saramago - o Mestre e o Aprendiz

Casa de Camilo - S. Miguel de Seide

A 28 de Fevereiro de 1999, poucos meses depois de ter recebido o Nobel, Saramago deslocou-se a S. Miguel de Seide, acompanhado de Pilar, depositou sobre a mesa de Camilo um magnífico ramo de rosas e escreveu no Livro de Honra: "Na casa onde Camilo saiu da vida para entrar na eternidade do génio, venho trazer rosas. Venho também trazer o prémio que me deram, o seu valor simbólico, que Camilo merece, como provavelmente nenhum outro escritor português. Eu, aprendiz, deixo rosas ao Mestre".




domingo, 8 de outubro de 2023

Os portugueses cresceram 3 cm

O Prémio Nobel da Literatura para José Saramago foi há 25 anos.

 

«O Prémio Nobel não tem nenhuma espécie de caderno de responsabilidades. Trata-se apenas de ir lá, receber a medalha, o diploma, o dinheiro, e se quiser fica-se por aí. A academia sueca não nos pede explicações sobre como estamos a viver esse prémio. Mas pensei que as minhas obrigações iam muito para além do literário. O prémio era para um escritor, para a literatura, para um certo modo de fazê-la, pensá-la, criá-la. Mas também era um prémio para Portugal. Quando disse então que "os portugueses tinham crescido três centímetros" - todos nós nos sentimos mais altos, mais fortes, mais formosos até. Só havia uma coisa a fazer: era viver e fazer viver o mais intensamente possível as consequências do prémio. (...) Não quer dizer que tenha andado por aí como embaixador da cultura portuguesa, há pessoas muito mais responsáveis e com mais razões que podiam assumir-se como tal. Mas fiz tudo aquilo que podia. Cansei-me, pois cansei-me. Viagens longuíssimas, cerimónias, recepções, muitos apertos de mão, muitos sorrisos, e eu sou todo ao contrário, mas compreendia que havia de engolir até ao fim. (...) Felizmente para mim, nada disso me subiu à cabeça.»

José Saramago em entrevista à revista Visão, em 2008.



sábado, 11 de setembro de 2021

O homem sóbrio, inteligente, sensível

«Gostei de o ver. É o mesmo homem, sóbrio, inteligente, sensível. Há vinte anos estivemos juntos na campanha para as eleições autárquicas que então se iam celebrar e que ganhámos, ele para o exercício inovador e competente da sua função de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, eu para o desempenho pouco afortunado do cargo de presidente de uma Assembleia Municipal de má memória. Calcorreámos corajosamente ruas, praças e mercados de Lisboa pedindo votos, mesmo quando, creio que por pudor, não o fazíamos explicitamente. Como já ficou dito, ganhámos, mas quem ganhou realmente foi a cidade de Lisboa que pôde rever-se com orgulho no seu máximo representante na Câmara. Tivemo-lo depois como presidente da República durante dois mandatos em que deixou a marca de uma personalidade nascida para o diálogo civilizado, para a procura livre de consensos, sem nunca esquecer que a política, ou é serviço da comunidade, serviço leal e coerente, ou acaba por tornar-se em mero instrumento de interesses pessoais e partidários nem sempre limpos. Ficámos de ver-nos com tempo e vagar, promessa mútua que espero ver cabalmente cumprida no futuro, apesar da intensa actividade no projecto da Aliança de Civilizações, de que é Alto Representante. Com Jorge Sampaio não há palavras falsas, podemos fiar-nos no que diz porque é o retrato do que pensa.»

José Saramago (2009)

Jorge Sampaio e José Saramago em campanha, 
no "meu" (à época) Mercado de Benfica

quarta-feira, 18 de março de 2020

Life, life

«Claro que estamos em guerra, e é uma guerra de cerco, cada um de nós cerca o outro e está cercado, queremos derrubar as muralhas do outro e manter as nossas, o amor virá quando não houver mais barreiras, o amor é o fim do cerco»
José Saramago, O Cerco de Lisboa




sábado, 16 de novembro de 2019

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Black Friday - A ideologia do consumidor

 

«Ideologia, já temos. É a ideologia do consumidor. A facilidade de consumir forma ou deforma a consciência da pessoa. Isso acaba com tudo! Porque preencheu o espaço de uma determinada ideologia, fosse ela qual fosse. Já não és um cidadão, és um consumidor, um cliente. A partir daí, a pessoa vai cumprir as obrigações inerentes a esse facto: vai comprar e comprar e comprar. Isso acaba por ocupar todo o espaço mental na sua vida.»
José Saramago, entrevista à revista Visão, 6 de Novembro de 2008



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Procissão do Corpo de Deus

«Em Lisboa ninguém dormiu. Acabaram os outeiros, as damas voltaram dentro a compor a pintura esmaecida ou esborratada, daqui a pouco regressarão à janela, outra vez gloriosas de carmim e alvaiade. O povo miúdo de brancos, pretos e mulatos de todas as cores, estes, aqueles e os outros, estende-se ao longo das ruas ainda turvas do primeiro amanhecer, só o Terreiro do Paço, aberto para o rio e para o céu, é azul nas sombras, e depois subitamente rubro do lado do paço e da igreja patriarcal, quando o sol rompe sobre as terras de além e desfaz a bruma com um sopro luminoso. É então que começa a sair a procissão.



Vêm à frente as bandeiras dos ofícios da Casa dos Vinte e Quatro, primeiro que todas as dos carpinteiros, representando S. José, que desse ofício foi oficial, (...) Atrás vem a imagem de S. Jorge, com todo o seu estado, os tambores a pé, os trombeteiros a cavalo, rufando uns, outros soprando, rataplã, rataplã, tataratará, tá, tatá, não assiste Baltasar no Terreiro do Paço, mas ouve as trombetas ao longe e arrepia-se como se estivesse no campo de batalha, (...)




Passaram as bandeiras, afasta-se o alarido das trombetas e dos tambores, agora vem o alferes de S. Jorge, o rei-de-armas, o homem-de-ferro, de ferro vestido e calçado, com plumas no elmo e viseira derrubada, ajudante-de-santo nas batalhas, para lhe segurar a bandeira e a lança, para ir à frente a ver se saiu o dragão ou dorme, escusada prudência hoje, que não saiu e estará dormindo, suspiroso sim de nunca mais poder vir à procissão do Corpo de Deus, não são coisas que se façam a dragões, nem a serpentes, nem a gigantes, triste mundo este, que assim vai consentindo que lhe roubem as belezas, enfim, algumas se terão preservado, ou são de beleza tanta que não se atrevem os reformadores das procissões a deixar, para só falar destes, os cavalos nas cavalariças, ou a abandoná-los (...)


e eis que aí vêm quarenta e seis, pretos e cinzentos, de formosos xairéis, condene-me Deus se não declarar que melhor vestem as bestas do que os homens que as vêem passar, e isto é sendo o Corpo de Deus, trouxe cada um no seu próprio corpo o que de melhor tinha em casa, a roupinha de ver ao Senhor (...)»
José Saramago, Memorial do Convento



As fotografias são da exposição Corpus Christi. A procissão do Corpo de Deus, na Sala do Capítulo do Convento da Graça, até dia 1 de Outubro.

«A mostra reconstitui a exposição original apresentando as 1587 miniaturas, em barro não cozido, que retratam a procissão do Corpo de Deus como seria no século XVIII, concebidas e moldadas à mão, entre 1944 e 1948, pelo empresário Diamantino Tojal.»

Este conjunto de peças, que faz parte do acervo do Museu de Lisboa, apenas tinha sido apresentado na sua totalidade em 1948, no Palácio Galveias.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

José Saramago


«Na verdade, nasci no dia 16 de Novembro de 1922, às duas horas da tarde, e não no dia 18, como afirma a Conservatória do Registo Civil. Foi o caso que meu pai andava nessa altura a trabalhar fora da terra, longe, e, além de não ter estado presente no nascimento do filho, só pôde regressar a casa depois de 16 de Dezembro, o mais provável no dia 17, que foi domingo. É que então, e suponho que ainda hoje, a declaração de um nascimento deveria ser feita no prazo de trinta dias, sob pena de multa em caso de infracção. Uma vez que naqueles tempos patriarcais, tratando-se de um filho legítimo, não passaria pela cabeça de ninguém que a participação fosse feita pela mãe ou por um parente qualquer (...).
Em relação à data de nascimento que tenho no bilhete de identidade morrerei dois dias mais velho, mas espero que a diferença não se note demasiado.»
José Saramago, As Pequenas Memórias



sexta-feira, 17 de junho de 2016

Marvão

Há terras fotogénicas...









«É verdade. De Marvão vê-se a terra quase toda (...) Compreende-se que neste lugar, do alto da torre de menagem do Castelo de Marvão, o viajante murmure respeitosamente "Que grande é o mundo."»
(José Saramago)


domingo, 5 de junho de 2016

Os irmãos Montgolfier, Bartolomeu de Gusmão, José Saramago, Domenico Scarlatti e Marta Argerich

A 5 de Junho de 1783, os irmãos Montgolfier fizeram um balão de ar quente subir cerca de 300 metros e percorrer uma distância aproximada de 3 quilómetros.
Poucos meses depois (Setembro ou Outubro) haveria um voo tripulado.

Em Portugal, o padre Bartolomeu de Gusmão, já no início do mesmo século, havia dedicado parte do seu tempo à arte de criar aeróstatos.
Depois de pedir ao rei D. João V uma "petição de privilégio" para o seu "instrumento para andar pelo ar", a qual foi concedida, financiando o rei o projecto de desenvolvimento e a construção do aparelho, o padre voador, em Agosto de 1709, apresentou o seu balão em vários voos experimentais, um dos quais (o último?) teria sido na Casa da Índia, perante elementos da Corte (incluindo rei e rainha) e do Corpo Diplomático.

Que voo "livre" terá feito, a mítica Passarola sobre o Terreiro do Paço?
Fantástico ou fantasioso?

«Ao fim de uma hora levantou-se Scarlatti do cravo, cobriu-o com um pano de vela, e depois disse para Baltasar e Blimunda, que tinham interrompido o trabalho, Se a passarola do padre Bartolomeu de Gusmão chegar a voar um dia, gostaria de ir nela e tocar no céu, e Blimunda respondeu, Voando a máquina, todo o céu será música (...)»
José Saramago, Memorial do Convento


(chamo, outra vez, Marta Argerich ao palco)

A perseguição que a Inquisição moveu a Bartolomeu de Gusmão, que viria a morrer em Toledo, terá contribuído para o esquecimento e desvalorização da sua criação aeronáutica.

Tinha mais piada um aeroporto em Lisboa com o nome de Bartolomeu de Gusmão.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Texto de homenagem ao recém-condecorado Sousa Lara

«O nevoeiro voltou a avançar, alguma coisa estava para acontecer ainda, outra revelação, outra dor, outro remorso. Mas foi Pastor quem falou, Tenho uma proposta a fazer-te, disse, dirigindo-se a Deus, e Deus, surpreendido, Uma proposta, tu, e que proposta vem a ser essa, o tom era irónico, superior, capaz de reduzir ao silêncio qualquer que não fosse o Diabo, conhecido e familiar de longa data. Pastor fez um silêncio, como se procurasse as melhores palavras, e explicou, Ouvi com grande atenção tudo quanto foi dito nesta barca, e embora já tivesse, por minha conta, entrevisto uns clarões e umas sombras no futuro, não cuidei que os clarões fossem de fogueiras e as sombras de tanta gente morta, E isso incomoda-te, Não devia incomodar-me, uma vez que sou o Diabo, e o Diabo sempre alguma coisa aproveita da morte, e mesmo mais do que tu, pois não precisa de demonstração que o inferno sempre será mais povoado do que o céu, Então de que te queixas, Não me queixo, proponho, Propõe lá, mas depressa, que não posso ficar aqui eternamente, Tu sabes, ninguém melhor do que tu o sabe, que o Diabo também tem coração, Sim, mas fazes mau uso dele, Quero hoje fazer bom uso do coração que tenho, aceito e quero que o teu poder se alargue a todos os extremos da terra, sem que tenha de morrer tanta gente, e pois que de tudo aquilo que te desobedece e nega, dizes tu que é fruto do Mal que eu sou e ando a governar no mundo, a minha proposta é que tornes a receber-me no teu céu, perdoado dos males passados pelos que no futuro não terei de cometer, que aceites e guardes a minha obediência, como nos tempos felizes em que fui um dos teus anjos predilectos, Lúcifer me chamavas, o que a luz levava, antes que uma ambição de ser igual a ti me devorasse a alma e me fizesse rebelar contra a tua autoridade, E por que haveria eu de receber-te e perdoar-te, não me dirás, Porque se o fizeres, se usares comigo, agora, daquele mesmo perdão que no futuro prometerás tão facilmente à esquerda e à direita, então acaba-se aqui hoje o Mal, teu filho não precisará morrer, o teu reino será, não apenas esta terra de hebreus, mas o mundo inteiro, conhecido e por conhecer, e mais do que o mundo, o universo, por toda a parte o Bem governará, e eu cantarei, na última e humilde fila dos anjos que te permanecem fiéis, mais fiel então do que todos, porque arrependido, eu cantarei os teus louvores, tudo terminará como se não tivesse sido, tudo começará a ser como se dessa maneira devesse ser sempre, Lá que tens talento para enredar as almas e perdê-las, isso sabia eu, mas um discurso assim nunca te tinha ouvido, um talento oratório, uma lábia, não há dúvida, quase me convencias, Não me aceitas, não me perdoas, Não te aceito, não te perdoo, quero-te como és, e, se possível, ainda pior do que és agora, Porquê, Porque este Bem que eu sou não existiria sem esse Mal que tu és, um Bem que tivesse de existir sem ti seria inconcebível, a um tal ponto que nem eu posso imaginá-lo, enfim, se tu acabas, eu acabo, para que eu seja o Bem, é necessário que tu continues a ser o Mal, se o Diabo não vive como Diabo, Deus não vive como Deus, a morte de um seria a morte do outro, É a tua última palavra, A primeira e a última, a primeira porque foi a primeira vez que a disse, a última porque não a repetirei. Pastor encolheu os ombros e falou para Jesus, Que não se diga que o Diabo não tentou um dia a Deus,»
José Saramago, O Evangelho segundo Jesus Cristo


Sousa Lara foi um dos últimos condecorados por Cavaco Silva. A Ordem do Infante D. Henrique distingue quem presta serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro.
O homenageado foi subsecretário de Estado da Cultura entre 1991 e 1992, durante um dos governos de Cavaco Silva, coisa de que ninguém se lembraria se não tivesse vetado, então, a candidatura de José Saramago ao Prémio Literário Europeu. 
Saramago é um "velho ódio de estimação" do voluntário de Belém.

Recorde-se, ainda, que Sousa Lara foi um dos envolvidos no polémico caso da Universidade Moderna, tendo chegado a ser condenado, em Novembro de 2003, por gestão danosa, falsificação de documentos e corrupção activa. Viria a ser absolvido pelo Tribunal da Relação de Lisboa, em Junho de 2004.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Por que razões surgiu o Convento de Mafra

Motivado pelas notícias do seu aniversário e pelas iniciativas "anexas", parti, no Domingo, à revisitação do Museu Arqueológico de S. Miguel de Odrinhas.


Burro! Não consultei o horário de funcionamento do museu.
Fecha ao Domingo.
Isto de museus e outros espaços culturais fecharem ao Domingo!... Quando a maioria da população tem o tempo disponível para usufruir desses bens...

A família propôs Mafra.
Lá fomos ao convento prometido por D. João V, porque o frade "sabia-a toda"!

«Mas vem agora entrando D. Nuno da Cunha, que é o bispo inquisidor, e traz agora consigo um franciscano velho. Entre passar adiante e dizer o recado há vénias complicadas, floreios de aproximação, pausas e recuos, que são as fórmulas de acesso à vizinhança do rei, e a tudo isto teremos de dar por feito e explicado, visto a pressa que traz o bispo e considerando o tremor inspirado do frade. Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor, e este diz, Aquele que além está é frei António de S. José, a quem falando-lhe eu sobre a tristeza de vossa majestade por lhe não dar filhos a rainha nossa senhora, pedi que encomendasse vossa majestade a Deus para que lhe desse sucessão, e ele me respondeu que vossa majestade terá filhos se quiser, e então perguntei-lhe que queria ele significar com tão obscuras palavras, porquanto é sabido que filhos quer vossa majestade ter, e ele respondeu-me, palavras enfim muito claras, que se vossa majestade prometesse levantar um convento na vila de Mafra, Deus lhe daria sucessão, e tendo declarado isto, calou-se D. Nuno e fez um aceno ao arrábido.
Perguntou el-rei, É verdade o que acaba de dizer-me sua eminência, que se eu prometer levantar um convento em Mafra terei filhos, e o frade respondeu, Verdade é, senhor, porém só se o convento for franciscano, e tornou el-rei, Como sabeis, e frei António disse, Sei, não sei como vim a saber, eu sou apenas a boca de que a verdade se serve para falar, a fé não tem mais que responder, construa vossa majestade o convento e terá brevemente sucessão, não o construa e Deus decidirá. Com um gesto mandou el-rei ao arrábido que se retirasse, e depois perguntou a D. Nuno da Cunha, É virtuoso este frade, e o bispo respondeu, Não há outro que mais o seja na sua ordem. Então D. João, o quinto do seu nome, assim assegurado sobre o mérito do empenho, levantou a voz para que claramente o ouvisse quem estava e o soubessem amanhã cidade e reino. Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos (...)»
José Saramago, Memorial do Convento

Vimos o palácio, espreitámos a noiva na basílica (foi mais o padre, que a noiva estava atrasada - mas depois despachou-se depressa) e demos uma vista de olhos num cantinho do convento propriamente dito, que a soldadesca alambazou-se com o resto.
Foi no convento que, em 1981, me apresentei para não fazer a tropa.


No geral, muita falta de informação sobre os espaços e os objectos expostos. Inclusive, alguns painéis temporários retiravam visibilidade a uma ou outra pintura.
Pobreza (num espaço daquela riqueza!), descuido... E não se paga tão pouco assim.



Reparo positivo: a funcionária da biblioteca prestava informações sobre o espaço, a colecção de livros, a sua conservação, os morcegos que lá habitam, etc. E sabia de que falava.



sábado, 4 de janeiro de 2014

Subir a ver o rio


«Animado pelo ar frio, confortado pelo cachecol e pela ausência de pessoas na rua, Ricardo Reis subiu a ver o rio, os montes da outra margem, daqui tão baixos, a esteira do sol sobre as águas, aparecendo e desaparecendo conforme o correr das nuvens baixas.»
José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis


sábado, 16 de novembro de 2013

José Saramago

«Não são os políticos os que governam o mundo. Os lugares de poder, além de serem supranacionais, multinacionais, são invisíveis.»
José Saramago, entrevista ao Expresso, 7 de Agosto de 1993

Se fez essa afirmação em 1993, imagino o que não diria agora!...

José Saramago, prémio Nobel da literatura (1998), nasceu a 16 de Novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga.



quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Subir na carreira

«Agora vamo-nos arranjar, não tardamos nada, disseram. Esperem, cortou o chefe, e depois, dirigindo-se ao primeiro auxiliar. Serve-te da minha casa de banho, se não nunca mais sairemos daqui. O agraciado corou de satisfação, a sua carreira tinha acabado de dar um grande passo em frente, ia mijar na retrete do chefe.»
José Saramago, Ensaio sobre a lucidez


Ensaio sobre a lucidez

É(-me) impossível ler Ensaio sobre a cegueira e não associar a personagem do Presidente a Cavaco Silva e a personagem do Primeiro-Ministro a Passos Coelho. Embora tenha sido editado em 2004.
Premunições?

Fez bem o meu vizinho do 12.º em lembrar-me o livro de Saramago, a propósito da crise governativa de Julho passado.
Conversas raras com a vizinhança.