Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
domingo, 16 de março de 2025
Camilo e Saramago - o Mestre e o Aprendiz
domingo, 8 de outubro de 2023
Os portugueses cresceram 3 cm
sábado, 11 de setembro de 2021
O homem sóbrio, inteligente, sensível
«Gostei de o ver. É o mesmo homem, sóbrio, inteligente, sensível. Há vinte anos estivemos juntos na campanha para as eleições autárquicas que então se iam celebrar e que ganhámos, ele para o exercício inovador e competente da sua função de presidente da Câmara Municipal de Lisboa, eu para o desempenho pouco afortunado do cargo de presidente de uma Assembleia Municipal de má memória. Calcorreámos corajosamente ruas, praças e mercados de Lisboa pedindo votos, mesmo quando, creio que por pudor, não o fazíamos explicitamente. Como já ficou dito, ganhámos, mas quem ganhou realmente foi a cidade de Lisboa que pôde rever-se com orgulho no seu máximo representante na Câmara. Tivemo-lo depois como presidente da República durante dois mandatos em que deixou a marca de uma personalidade nascida para o diálogo civilizado, para a procura livre de consensos, sem nunca esquecer que a política, ou é serviço da comunidade, serviço leal e coerente, ou acaba por tornar-se em mero instrumento de interesses pessoais e partidários nem sempre limpos. Ficámos de ver-nos com tempo e vagar, promessa mútua que espero ver cabalmente cumprida no futuro, apesar da intensa actividade no projecto da Aliança de Civilizações, de que é Alto Representante. Com Jorge Sampaio não há palavras falsas, podemos fiar-nos no que diz porque é o retrato do que pensa.»
José Saramago (2009)
quarta-feira, 18 de março de 2020
Life, life
sábado, 16 de novembro de 2019
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Black Friday - A ideologia do consumidor
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Procissão do Corpo de Deus
Vêm à frente as bandeiras dos ofícios da Casa dos Vinte e Quatro, primeiro que todas as dos carpinteiros, representando S. José, que desse ofício foi oficial, (...) Atrás vem a imagem de S. Jorge, com todo o seu estado, os tambores a pé, os trombeteiros a cavalo, rufando uns, outros soprando, rataplã, rataplã, tataratará, tá, tatá, não assiste Baltasar no Terreiro do Paço, mas ouve as trombetas ao longe e arrepia-se como se estivesse no campo de batalha, (...)
Passaram as bandeiras, afasta-se o alarido das trombetas e dos tambores, agora vem o alferes de S. Jorge, o rei-de-armas, o homem-de-ferro, de ferro vestido e calçado, com plumas no elmo e viseira derrubada, ajudante-de-santo nas batalhas, para lhe segurar a bandeira e a lança, para ir à frente a ver se saiu o dragão ou dorme, escusada prudência hoje, que não saiu e estará dormindo, suspiroso sim de nunca mais poder vir à procissão do Corpo de Deus, não são coisas que se façam a dragões, nem a serpentes, nem a gigantes, triste mundo este, que assim vai consentindo que lhe roubem as belezas, enfim, algumas se terão preservado, ou são de beleza tanta que não se atrevem os reformadores das procissões a deixar, para só falar destes, os cavalos nas cavalariças, ou a abandoná-los (...)
e eis que aí vêm quarenta e seis, pretos e cinzentos, de formosos xairéis, condene-me Deus se não declarar que melhor vestem as bestas do que os homens que as vêem passar, e isto é sendo o Corpo de Deus, trouxe cada um no seu próprio corpo o que de melhor tinha em casa, a roupinha de ver ao Senhor (...)»
As fotografias são da exposição Corpus Christi. A procissão do Corpo de Deus, na Sala do Capítulo do Convento da Graça, até dia 1 de Outubro.
«A mostra reconstitui a exposição original apresentando as 1587 miniaturas, em barro não cozido, que retratam a procissão do Corpo de Deus como seria no século XVIII, concebidas e moldadas à mão, entre 1944 e 1948, pelo empresário Diamantino Tojal.»
Este conjunto de peças, que faz parte do acervo do Museu de Lisboa, apenas tinha sido apresentado na sua totalidade em 1948, no Palácio Galveias.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
José Saramago
«Na verdade, nasci no dia 16 de Novembro de 1922, às duas horas da tarde, e não no dia 18, como afirma a Conservatória do Registo Civil. Foi o caso que meu pai andava nessa altura a trabalhar fora da terra, longe, e, além de não ter estado presente no nascimento do filho, só pôde regressar a casa depois de 16 de Dezembro, o mais provável no dia 17, que foi domingo. É que então, e suponho que ainda hoje, a declaração de um nascimento deveria ser feita no prazo de trinta dias, sob pena de multa em caso de infracção. Uma vez que naqueles tempos patriarcais, tratando-se de um filho legítimo, não passaria pela cabeça de ninguém que a participação fosse feita pela mãe ou por um parente qualquer (...).
Em relação à data de nascimento que tenho no bilhete de identidade morrerei dois dias mais velho, mas espero que a diferença não se note demasiado.»
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Marvão
«É verdade. De Marvão vê-se a terra quase toda (...) Compreende-se que neste lugar, do alto da torre de menagem do Castelo de Marvão, o viajante murmure respeitosamente "Que grande é o mundo."»
(José Saramago)
domingo, 5 de junho de 2016
Os irmãos Montgolfier, Bartolomeu de Gusmão, José Saramago, Domenico Scarlatti e Marta Argerich
Poucos meses depois (Setembro ou Outubro) haveria um voo tripulado.
Em Portugal, o padre Bartolomeu de Gusmão, já no início do mesmo século, havia dedicado parte do seu tempo à arte de criar aeróstatos.
Depois de pedir ao rei D. João V uma "petição de privilégio" para o seu "instrumento para andar pelo ar", a qual foi concedida, financiando o rei o projecto de desenvolvimento e a construção do aparelho, o padre voador, em Agosto de 1709, apresentou o seu balão em vários voos experimentais, um dos quais (o último?) teria sido na Casa da Índia, perante elementos da Corte (incluindo rei e rainha) e do Corpo Diplomático.
Que voo "livre" terá feito, a mítica Passarola sobre o Terreiro do Paço?
Fantástico ou fantasioso?
«Ao fim de uma hora levantou-se Scarlatti do cravo, cobriu-o com um pano de vela, e depois disse para Baltasar e Blimunda, que tinham interrompido o trabalho, Se a passarola do padre Bartolomeu de Gusmão chegar a voar um dia, gostaria de ir nela e tocar no céu, e Blimunda respondeu, Voando a máquina, todo o céu será música (...)»
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Texto de homenagem ao recém-condecorado Sousa Lara
domingo, 31 de janeiro de 2016
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Por que razões surgiu o Convento de Mafra
Burro! Não consultei o horário de funcionamento do museu.
Fecha ao Domingo.
Isto de museus e outros espaços culturais fecharem ao Domingo!... Quando a maioria da população tem o tempo disponível para usufruir desses bens...
A família propôs Mafra.
Lá fomos ao convento prometido por D. João V, porque o frade "sabia-a toda"!
«Mas vem agora entrando D. Nuno da Cunha, que é o bispo inquisidor, e traz agora consigo um franciscano velho. Entre passar adiante e dizer o recado há vénias complicadas, floreios de aproximação, pausas e recuos, que são as fórmulas de acesso à vizinhança do rei, e a tudo isto teremos de dar por feito e explicado, visto a pressa que traz o bispo e considerando o tremor inspirado do frade. Retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor, e este diz, Aquele que além está é frei António de S. José, a quem falando-lhe eu sobre a tristeza de vossa majestade por lhe não dar filhos a rainha nossa senhora, pedi que encomendasse vossa majestade a Deus para que lhe desse sucessão, e ele me respondeu que vossa majestade terá filhos se quiser, e então perguntei-lhe que queria ele significar com tão obscuras palavras, porquanto é sabido que filhos quer vossa majestade ter, e ele respondeu-me, palavras enfim muito claras, que se vossa majestade prometesse levantar um convento na vila de Mafra, Deus lhe daria sucessão, e tendo declarado isto, calou-se D. Nuno e fez um aceno ao arrábido.
Perguntou el-rei, É verdade o que acaba de dizer-me sua eminência, que se eu prometer levantar um convento em Mafra terei filhos, e o frade respondeu, Verdade é, senhor, porém só se o convento for franciscano, e tornou el-rei, Como sabeis, e frei António disse, Sei, não sei como vim a saber, eu sou apenas a boca de que a verdade se serve para falar, a fé não tem mais que responder, construa vossa majestade o convento e terá brevemente sucessão, não o construa e Deus decidirá. Com um gesto mandou el-rei ao arrábido que se retirasse, e depois perguntou a D. Nuno da Cunha, É virtuoso este frade, e o bispo respondeu, Não há outro que mais o seja na sua ordem. Então D. João, o quinto do seu nome, assim assegurado sobre o mérito do empenho, levantou a voz para que claramente o ouvisse quem estava e o soubessem amanhã cidade e reino. Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos (...)»
Vimos o palácio, espreitámos a noiva na basílica (foi mais o padre, que a noiva estava atrasada - mas depois despachou-se depressa) e demos uma vista de olhos num cantinho do convento propriamente dito, que a soldadesca alambazou-se com o resto.
Foi no convento que, em 1981, me apresentei para não fazer a tropa.
No geral, muita falta de informação sobre os espaços e os objectos expostos. Inclusive, alguns painéis temporários retiravam visibilidade a uma ou outra pintura.
Pobreza (num espaço daquela riqueza!), descuido... E não se paga tão pouco assim.
Reparo positivo: a funcionária da biblioteca prestava informações sobre o espaço, a colecção de livros, a sua conservação, os morcegos que lá habitam, etc. E sabia de que falava.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
Subir a ver o rio
«Animado pelo ar frio, confortado pelo cachecol e pela ausência de pessoas na rua, Ricardo Reis subiu a ver o rio, os montes da outra margem, daqui tão baixos, a esteira do sol sobre as águas, aparecendo e desaparecendo conforme o correr das nuvens baixas.»
sábado, 16 de novembro de 2013
José Saramago
José Saramago, prémio Nobel da literatura (1998), nasceu a 16 de Novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Subir na carreira
Ensaio sobre a lucidez
Premunições?
Fez bem o meu vizinho do 12.º em lembrar-me o livro de Saramago, a propósito da crise governativa de Julho passado.
Conversas raras com a vizinhança.






























