"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Para quê tudo isto?


O novo-riquismo de uma estirpe de unicórnios parida em summits de paróquia.

Complica-se o que devia ser simples, desperdiça-se tempo, meios, dinheiro (serão centenas de milhões de euros em computadores, scanners, digitalizadores contratados)... 

O título é uma pergunta que sempre acompanhava Manuel António Pina.


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Manuel António Pina - As palavras adoravam-no

 «Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido
às alturas do teu sorriso.»
Manuel António Pina

"O Pina" nasceu a 18 de Novembro e até deu nome a árvores.


Jardim Botânico de Coimbra

«Para ele, as palavras eram bem mais do que signos, eram "seres deste mundo, insubstanciais seres, incapazes também eles de compreender, falando desamparadamente diante do mundo". (...) E as palavras, todas as palavras, adoravam-no - e voavam, deslumbradas, para ele.»

Álvaro Magalhães, Para quê tudo isto? Biografia de Manuel António Pina


segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

O regresso

Como quem, vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.
 
Entra então pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.
Manuel António Pina

sábado, 18 de novembro de 2023

Manuel António Pina faria hoje 80 anos

«Quando eu me calar sabei que estarei diante de uma coisa imensa. E que esta é a minha voz, o que no fundo de isto se escuta.»

Manuel António Pina



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Matéria de estrelas

Porque é tudo para sempre, mesmo a 
            efémera morte,
encontrar-nos-emos eternamente
e nunca mais nos veremos.
O impossível volta a ser impossível. 
            Para sempre.

Impossível é cada manhã aberta,
um deus sonha consigo através de nós.
Às vezes quase posso tocá-lo, ao deus,
surpreendê-lo no seu sono, também ele real e efémero.

Matéria, alma do nada,
os mortos ouvem a tua música sólida
pela primeira vez, como uma respiração de estrelas.
A sua intranquilidade transforma-se em si mesma, música.
Manuel António Pina

Manuel António Pina nasceu a 18 de Novembro de 1943.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

As coisas

Há em todas as coisas uma mais-que-coisa
fitando-nos como se dissesse: "Sou eu",
algo que já lá não está ou se perdeu
antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.

Em certas tardes altas, absolutas,
quando o mundo por fim nos recebe
como se também nós fossemos mundo,
a nossa própria ausência é uma coisa.

Então acorda a casa e os livros imaginam-nos
do tamanho da sua solidão.
Também nós tivemos um nome
mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Olhar ao contrário...

Como diria Manuel António Pina, que hoje faria 70 anos...

«Que bom é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição.
As coisas sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão.»