"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sábado, 27 de setembro de 2025

Quando o mar explodiu no Faial

 27 de Setembro de 1957

«Momentos após o movimento estranho das águas ser detectado, começam a ser observados fumos de progressiva intensidade a sair do mar. Ao fim do dia, o vapor de água e as cinzas negras atingiam 4000 metros de altitude e eram visíveis de todas as ilhas do grupo central do arquipélago dos Açores. Eram as primeiras manifestações de um vulcão submarino, que se começava a erguer de uma profundidade de cerca de 70 metros.»


«O vulcão dos Capelinhos é ainda hoje um dos mais bem conhecidos e estudados em todo o mundo. Apresenta particularidades únicas. Foi um vulcão observado desde a fase do seu aparecimento como vulcão submarino, para evoluir, posteriormente, para um vulcão terrestre. Com uma actividade invulgarmente longa, cerca de treze meses, o vulcão dos Capelinhos conta-nos a história de como se formaram as ilhas açorianas e também um pouco da história da Terra.»

«Entretanto, ficaram milhares de fotografias da época que nos mostram uma realidade agora distante (...)
O que mais me fascina nessas imagens é a presença das pessoas, a forma como observam o vulcão, como ousam aproximar-se dele; ou os habitantes da área sinistrada, que assistem ao desmoronamento das suas casas e à destruição dos campos agrícolas. Vemos a altura das cinzas a crescer com o passar do tempo. Vemos a violência das explosões do vulcão, sem sentirmos o medo e o pânico dessa ameaça. E esta talvez seja a memória que fica de um vulcão que não matou ninguém, mas que gerou a desordem e o caos e que mudou para sempre a vida de milhares de pessoas.


O vulcão tem a nossa idade, há um pedaço de terra que aparece em 1957 e que cinquenta anos depois já perdeu cerca de quatro quintos da sua massa. A actual fase de erosão intensa é como o dissecar de um cadáver que vai mostrando a sua génese, a matéria do seu ser, a forma como o víramos crescer e agora a transformar-se de novo em pó, a contribuir para a formação de outras rochas, num processo activo e incessante de transformação do solo.
Os processos erosivos, provocados pela acção do mar, do vento e da chuva, vão consumindo o vulcão naquele que continua a ser um invulgar documento vivo da história da Terra.»

Duarte Belo, FOGO FRIO - O vulcão dos Capelinhos





As fotografias do vulcão em actividade são da National Geographic Portugal.
As duas seguintes são do vulcão em 1994-96.
As duas últimas são da Viagem de Finalistas do 9.º 8 da Escola Básica Paulo da Gama (Amora), em 1997.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Candidata a Árvore Europeia do Ano 2025

 


A mesma árvore, com 28 anos a menos e o peso de uns jovens a mais...

A Figueira da Austrália, plantada no século XIX, na Quinta das Lágrimas (Coimbra), eleita Árvore do Ano em Portugal (2024) e que agora concorre a Árvore Europeia do Ano 2025.
A votação decorre até ao próximo dia 24 de Fevereiro, no site www.treeoftheyear.org/. 

Em 1997, antes da viagem aos Açores, o 9.º 8 visitou a Quinta das Lágrimas, na pista dos amores de Pedro e Inês. Antes, passáramos por Alcobaça... 
Os jovens "assentaram-se" nas raízes que brotam e se espalham pelo chão para sustentar o tronco e os ramos.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Cláudio Torres - 80.º aniversário

Parabéns, Professor!


Já uns bons anos depois de ter conhecido Cláudio Torres na faculdade e do professor a ter abandonado, dedicando-se ao projecto que o ligaria "eternamente" a Mértola, tive a oportunidade de o reencontrar, quando de uma visita com os meus alunos do 7.º 8 (1994-95). 
Acertámos no momento a realização de uma entrevista por parte de um pequeno grupo dos alunos - era impossível introduzir toda a turma no seu gabinete de trabalho.
Fomos comprar à pressa um pequeno gravador e micro-cassetes.
Escolhidos os alunos, a entrevista decorreu durante uns largos minutos (os outros tiveram de aguardar...). 

Eram miúdos, as respostas podiam ter sido breves, a entrevista podia ter sido "despachada". Mas não! O gosto em falar do seu trabalho, do projecto do Campo Arqueológico de Mértola, de Arqueologia, de História, ficou patente na forma como a entrevista foi decorrendo, como o diálogo se foi soltando. E os outros alunos à espera...



Acho que foi uma óptima entrevista, editada pelo jornal da escola - a Gazeta Paulo da Gama -, desenvolvida e profunda como poderia ser uma entrevista a um conceituado órgão de comunicação social. 
Para nós - professor e alunos presentes (sortudos!) - foi inesquecível.
Lamento que a maioria dos alunos tenha ficado à espera. Tiveram que se contentar com as fotografias e a audição da entrevista (mais tarde, a leitura).

É interessante que na parte final da conversa foi aflorada a necessidade e a ameaça do turismo. Muito actual...

O Campo Arqueológico de Mértola comemorou 40 anos em 2018.
Cláudio Torres comemora o dobro dos anos.
Agora, tal como escrevemos no fim da edição da entrevista na Gazeta, "Um abraço e felicidades para o vosso projecto".



terça-feira, 8 de abril de 2014

Saudavelmente irrequietos

Em tempos de avaliação de alunos, recordei-me do António pela necessidade de atribuição de uma classificação ao comportamento global das turmas.
É preciso o rótulo, porque esta avaliação é séria, segue modelos científicos solidamente comprovados e estamos no período do Homo Avaliadus - tudo medível, quantificável, objectivável, comparável, vel, vel e vel.

Em relação ao comportamento de uma das minhas turmas, discutia o Conselho de Turma a atribuição da classificação - Satisfatório, nem pensar! Não satisfatório, demasiado rigoroso! Pouco satisfatório (essa coisa híbrida, um negativo suave ou positivo depreciado)...
Uma colega (que até deprecia a turma em causa) usou o termo buliçosa para a caracterizar. Eu (que até aprecio a turma, embora lhe reconheça defeitos no funcionamento e procure ensaboar o juízo aos alunos) considero que esse era o adjectivo adequado para classificar a turma. Mas buliçoso não encaixa na terminologia oficial.
Lá ficou o pouco satisfatório, minimamente satisfatório para o objectivo em questão.

Em 1995/96, Director de Turma do 8.º 8, orientava um Conselho de Turma em que as opiniões se dividiam - extremavam mesmo - para classificar o comportamento dos "meus meninos".
"Cobras e lagartos", "frescos", nada disso, antes pelo contrário, que os pequenos sabem bem (?) o que fazem e com quem fazem... Não saíamos dali, até o António propor a novel classificação de "Saudavelmente irrequietos"!
Gerou-se o consenso, tácito pelo menos - não sei até que ponto todos achavam que aquela irrequietude reconhecida era mesmo saudável.
Como a avaliação não era, àquela época, uma coisa séria, muito séria, crucialmente estratégica para o sistema de ensino pelo seu rigor e cientificidade, como hoje se pretende (fazer crer), a classificação registada foi mesmo essa.
Faz agora 19 anos que ficou lavrado em documentos oficiais que os alunos do 8.º 8 da EB 2/3 Paulo da Gama eram, do ponto de vista comportamental, "saudavelmente irrequietos".
Eu revia-me nessa original classificação atribuída.

18 anos depois, até acredito, porque de vez em quando eles (já pais e mães) passam por aqui, que alguns desses irrequietos saudáveis leiam este post. E se revejam, também, recordando o professor que sugeriu tal classificação, fora dos cânones, completamente desformatada para os dias de hoje.

Os "irrequietos saudáveis" em repouso;
o António está deitado no banco.
(Angra do Heroísmo - 1997)


sábado, 29 de março de 2014

Fausto

É uma flor.
Uma presença pura.
                                           
Ontem nasceu um Fausto.
           


"Em Março, onde quero eu passo"


sábado, 28 de dezembro de 2013

Jantar de Natal - 9.º 8

É um lugar já comum: sempre que nos encontramos é como se fosse Dia de Natal.

É estranho diferente o reencontro, pela quantidade de crianças que já se sentam à volta da mesa.
E de fora ficaram a Juliana, a Lara, o Jaime, os Davides, a Maria...
Para o ano haverá um Fausto.


domingo, 17 de novembro de 2013

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Postal de férias

Durante uns anos, a partir das férias de 1996, quando nos Açores andei a preparar a viagem de finalistas do 9.º 8, costumava escrever postais para os alunos dessa turma, dando notícias das férias.
Com o crescimento dos "meninos", a saída da casa dos "papás" (e não actualização das moradas) e o uso da net e das redes sociais, os postais foram ultrapassados.
Mas aqui fica um postal colectivo, que também é dirigido a outros ex-alunos que passem por aqui.

Meus queridos amigos
Espero que estejam todos bem e que também possam estar a gozar (ter gozado ou ir gozar) umas merecidas férias.
A crisezinha reduz o alcance das viagens.
Andei pelo Porto (e arredores) e por Bragança. Coisas de interesse para ver não faltam - o Património (incluindo o gastronómico) é rico - e fazer fotografias, hoje, tornou-se barato, o que me dá um grande gozo, como vocês (que são do tempo da minha velha Yashica com rolos de 36 fotografias reveladas em papel) podem imaginar. Se antes fazia muitas, e vocês eram modelos "à força", calculem o que não seria agora.
Tive notícias de que a Susana C. teve uma Inês e que a Ana Sofia aguarda pela cegonha. Conheci a Lara (do Ricardo João) ainda no final do ano lectivo passado, no dia em que o Diogo, da Tânia, fazia anos. A Susana C. já me mandou fotografia da filha e outras em que estou com os gémeos da Tânia P. ao colo. Isto de ser "avô" tem que se lhe diga!
Por aqui se vê como a vossa vida está diferente.
A cusquice facebookiana permite saber mais umas coisas, mas isso também vocês podem fazer sem ser preciso qualquer postal.
Desejo-vos muitas felicidades e deixo-vos um abraço do tamanho do mundo.
Com muitas saudades vossas
Carlos C.

Porto (visto da Ponte D. Luís)

terça-feira, 23 de abril de 2013

No "fogo frio" dos Capelinhos

Olhando o horizonte
sentindo o vulcão
(o tempo suficiente para mudarem os outros fotografados)
Gosto da serenidade que transmites numa paisagem de dimensão telúrica.
Um abraço

A 2.ª fotografia é do prof. António Jesus

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Pelo vento

«Sinto-me como se vivesse dentro de uma nuvem. Branca. Fecho os olhos e deixo-me arrastar. Pelo vento.»»
Jorge Sousa Braga, Os pés luminosos

Rosa e Tânia, junto-vos neste final de tarde ao vento.

Angra do Heroísmo - Forte de S. João Batista _ Maio de 1997
Um abraço para vocês.

terça-feira, 19 de março de 2013

Um novo pai

Um novo pai babado telefonou-me.
A Lara está com 6 meses e o Ricardo João comprou, pela primeira vez, uma prenda para o pai que é hoje.


Um abraço, amigo Ricardo.
Continua a usufruir do teu privilégio.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O olhar dos Açores que me faltava

Obrigado, Almerinda, pelo "facilitar" das fotografias. Há muito que pensava nelas e foi tão casual...
Elas completam uma memória da nossa viagem ao paraíso. E, às vezes, até se completam e dão a ver os dois lados...


Junto à Escola Manuel de Arriaga (Horta) - Maio de 1997

... os fotógrafos fotografados.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

domingo, 9 de dezembro de 2012

Encontrei a fotografia!

Mensagem com um destinatário (colectivo) bem definido, mas aberta a quem queira.

A fotografia era esta.


Tirada na escola, em 1996, estavam vocês no 8.º ano. Está a turma toda, incluindo o "cometa" Faizal, que passou por nós durante um ano, nem me lembro se completo.

Tirando três dos elementos - Lara, Pedro e Soraia, para além do Faizal - conhecemo-nos há... 20 anos.
Já é muita coisa: 2/3 da vossa vida.

Para a posteridade.

Já comiam com pauzinhos

À procura de uma fotografia vossa, que não cheguei a encontrar, achei esta.


A curiosidade, em relação ao jantar de 6.ª feira, é a de se poder verificar que já comiam com pauzinhos (eu não!). A diferença é que se tratavam de pauzinhos chineses.

Um beijinho especial à jovem do cantintinho direito, tão direitinha, que hoje é aniversariante.
Que tenhas mais sorte e sejas mais feliz no ano em que agora entras.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Encontrámo-nos para jantar

Dá-me sempre uma enorme satisfação ter a vossa companhia.

Quem esteve no jantar sabe do que se trata
É difícil juntar a família toda.
Entre maridos/maridas, filharada, lonjuras e deveres, foi pena termos sido poucos.

Sobre alguma conversa, recomendo esta leitura - desculpem a falta de modéstia.
Em relação a vocês... sou vaidoso!


P.S. - Acrescento, com um dia de atraso, que nos encontrámos por uma razão muito mais forte. Mas jantar não faz mal, certo?

sábado, 17 de novembro de 2012

Mais de 20 anos

Ana Sofia, só fiquei na dúvida se a mensagem devia ser colocada hoje ou se devia ser deixada para amanhã. "Ontem de manhã, quando acordei...", canta a Elis.


 
Elis vai bem contigo.
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Para substituir a foto repetida

Com o tempo e a quantidade de imagens já usadas arriscamo-nos a repetir.

Vanessa, para que a foto não seja sempre a mesma.

Caldeira (Ilha do Faial - 1997)