"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Dia da Música com direito a Banda

No Dia Mundial da Música, recordo o primeiro álbum da Banda do Casaco, onde participou Helena Afonso, hoje desaparecida. 



domingo, 14 de dezembro de 2025

Nuno Rodrigues (1949 - 2025) - O Homem da Banda do Casaco

Nuno Rodrigues e António Avelar Pinho

Morreu hoje Nuno Rodrigues, nome importante da música popular portuguesa, umbilicalmente ligado à criação e desenvolvimento da Banda do Casaco, um dos seus grupos mais originais (até me apetecia escrever "o mais original").

«Nasci em Lisboa* a 14 de Fevereiro de 1949. Dia dos Namorados. Fiz alguma coisa, sonhei muito e ainda não sou o que vou ser. Enamorado por muitas ideias e poucas coisas: de muita música e de algumas mulheres. Os meus pais ainda hoje continuam a ser o meu chão e o meu tecto.» (Nuno Rodrigues, 2013)

Depois de algumas curtas experiências musicais, fundou a Banda do Casaco com António Avelar Pinho (andaríamos por 1972-73). Este escrevia as letras e Nuno Rodrigues construía as músicas, para além de ser, no início... o único músico! O primeiro disco, Dos Benefícios De Um Vendido No Reino Dos Bonifácios, foi concebido em 1973 (quando o que seria a banda ainda nem nome tinha... nem existia propriamente!), gravado em 1974 e editado em 1975, período difícil para um grupo desalinhado, numa onda diferente, com características experimentalistas.  

«A história da Banda do Casaco nunca foi bem entendida, nem pelos media, nem mesmo por muitos que estiveram ou passaram por ela. A Banda do Casaco, mais do que um grupo, sempre foi um projecto. Um conjunto de projectos.» (Nuno Rodrigues, 2013)

Segundo Nuno Rodrigues, passaram pela Banda 56 elementos. Foram editados 7 LPs de originais, entre 1975 e 1984. Os concertos dados foram muito poucos - os dedos das mãos chegarão para contá-los.

Vi a Banda do Casaco ao vivo, em Dezembro de 1977, fez ontem 48 anos. Foi um concerto organizado por associações de estudantes, entre elas a de Letras, para onde eu tinha acabado de entrar como aluno. Quase diria que foi o meu primeiro acto académico! As aulas, nesse ano lectivo, começaram em Fevereiro. Acabaram quando o 2.º ano já devia estar a começar!...

Os outros grupos seriam igualmente importantes
no panorama da música popular portuguesa. 

Nuno Rodrigues foi também produtor e editor musical (esteve ligado à Valentim de Carvalho e viria depois a editar nomes fundamentais da música portuguesa, como José Afonso, Júlio Pereira, Fernando Tordo, Luís Cília, Né Ladeiras...), tendo fundado a Companhia Nacional da Música, na década de 1990. Aí conjugava edição e distribuição, com loja própria (Rua Nova do Almada, onde antes fora a Sassetti), um catálogo nacional que incluía Amália Rodrigues e Júlio Pereira e representação de editoras estrangeiras, sobretudo da área da música clássica.


A criatividade e sentido de humor do Nuno Rodrigues, com a dos diferentes músicos que integraram o projecto, deu origem a uma música inspirada e inspiradora que bem se pode continuar a ouvir nos dias de hoje - libertem-na do esquecimento! 

Como escreveu uma amiga aqui há uns anos, "A Banda do Casaco é assim: o sítio onde o eterno e o que é de hoje se encontraram, onde o povo e Deus tomaram lugar. E eu não conheço outro som assim.»


* Meu conterrâneo: também nasceu em Benfica.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Geringonça


Estávamos nós a contar
Ai as patas às ovelhas,
A ver se faltava alguma,
Quando aquela geringonça
Ai desceu lá do alto
E poisou entre molhos de caruma.
Ai aquilo era coisa
Do outro mundo, era.

Estávamos nós a contar
Ai as patas às ovelhas,
Quando aquela geringonça
Poisou na beira da eira
Aquilo era coisa,
Aquilo era coisa
Do outro mundo.

Ao sair da geringonça
"Aquilo" entrou em nossa casa,
Atravessando as paredes
E eu sei lá, ó minha mãe.
Tudo aquilo foi assim
Sem água vai nem água vem.
Aquilo era coisa,
Aquilo era coisa
Do outro mundo.

As ovelhas assustadas
Entretanto debandando,
Debandaram pelo campo afora.
Quando aquela geringonça,
Ai subiu lá no alto,
Fez-se uma luz no céu,
Indo-se embora.

E vieram os falsos,
Cada falso trouxe um falso,
E assim o mundo se fez falso.
Políticos (cegos, surdos mudos).
Banqueiros (cegos, surdos mudos).
Filósofos (cegos, surdos mudos).
Profetas (cegos, surdos mudos).
Sábios (cegos, surdos mudos).
Deuses (cegos, surdos mudos).


(António Avelar Pinho / Nuno Rodrigues)


sexta-feira, 7 de março de 2014

Um homenzinho pequenino

Há algum tempo que tenho esta na cabeça...
Não foi a pensar nos nossos governantes...
... mas também podia ser, porque são "pequeninos", tacanhos...




segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Banda do Casaco - O enterro do tostão

Porque estamos sem pilim ou porque este jardim anda ao deus-dará.

"É fartar, ó vilanagem,
É comer até mais não,
Vamos todos em romagem
Ao enterro do tostão."



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Banda do Casaco - Grande edição

Foram hoje lançadas duas caixas de luxo onde se pode encontrar a discografia integral da Banda do Casaco.
São sete álbuns remasterizados, desde Dos benefícios dum vendido no Reino dos Bonifácios (1975) a Banda do Casaco com Ti Chitas (1984).
As caixas incluem, ainda, gravações nunca editadas de projectos musicais que antecederam a Banda, um DVD com telediscos, excertos de actuções ao vivo (raras) e na televisão e 4 pequenos livros com textos vários sobre a Banda, as letras das canções e fichas técnicas.

Pela sua produção, podemos seguir "a história de uma banda que alguns viram como coisa estranha. Que juntava ideias sonoras de várias fontes rumo a um patamar que tanto reflectia sobre o real como nos transportava por caminhos mais surrealistas. Que comentava e criticava o presente do mundo ao seu redor, mas que ao mesmo tempo nos libertava pelas sensações do som." (Nuno Galopim)

Uma barrigada de Banda do Casaco.
Um desfrute de óptima música, do melhor que já se fez em Portugal e com raízes portuguesas.



E eu, finalmente, consegui ter os Contos da Barbearia, o disco que me faltava.