Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
terça-feira, 25 de agosto de 2026
sábado, 18 de julho de 2026
Fundação Calouste Gulbenkian - 70.º aniversário
O Decreto-Lei nº 40 690, de 18 de Julho de 1956, oficializava
os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 –
1955), magnata e filantropo de origem arménia, visava o apoio à Arte, à Ciência,
à Educação e à Beneficência.
Calouste Gulbenkian acumulou uma fortuna colossal com base nos negócios de exploração de petróleo no Médio Oriente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo na primeira metade do século XX. Construiu, também, uma fabulosa colecção de arte, constituída por mais de 6 mil obras.
Refugiou-se em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial (vindo
de França, em 1942, com a ideia de aqui “fazer escala” para seguir para os EUA)
e aqui acabou por viver até ao final da sua vida, no Hotel Aviz, à época o mais
luxuoso hotel da capital (demolido em 1962).
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| Hotel Aviz - sala de estar |
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| Vista aérea do Parque de Santa Gertrudes (ao centro), ainda com equipamentos da Feira Popular. |
Esse complexo, a que foi acrescentado, em 1983, o Centro de Arte Moderna (CAM), foi inaugurado a 2 de Outubro de 1969. Mas nessa data já funcionavam serviços de atividades na área da educação, saúde, música, belas-artes e bibliotecas, tinham sido criados o Instituto de Investigação Científica Gulbenkian, o Plano de Edições de obras estrangeiras traduzidas, a Orquestra Gulbenkian, o Grupo Gulbenkian de Bailado e o Coro Gulbenkian. Em 1965 patrocinara a primeira Campanha Nacional de Vacinação.
O projecto da sede, do museu e do jardim foi uma obra marcante em termos arquitectónicos, tendo sido classificada como Monumento Nacional. Os edifícios são da autoria de Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e os jardins de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.
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| A sede, o museu e os jardins em construção (final da década de 60) |
Com 70 anos, a FCG continua a ser uma referência global em todas as suas áreas de actuação.
José Carlos Vasconcelos, na revista Visão de 16 de Junho,
escreve:
«(…) a Fundação Calouste Gulbenkian mudou Portugal. Ou
ajudou decisivamente a mudar Portugal. Para melhor. Sempre. Numas fases mais do
que noutras, com picos e menos altos, dependendo também de factores externos.
E, creio, sobretudo, ou de forma mais nítida, nos seus primeiros quase 20 anos,
durante a ditadura.
Nesse tempo a Fundação foi, quanto possível, uma espécie de Ministério da Cultura e de Ministério da Ciência que não existiam. Além, quanto as circunstâncias o permitiam, um exemplo de autonomia perante o totalitário poder vigente, no sentido de não condicionar aos seus, desse poder, interesses e critérios políticos os apoios nas suas áreas de intervenção (artes/cultura, social/desenvolvimento humano, educação, ciência).»
Depois foram muitos dias passados na Biblioteca - final do liceu (pós-25 de Abril) e faculdade. Seguiram-se as temporadas de concertos, alguns espectáculos do Ballet Gulbenkian e as visitas ao Museu. Regularmente as exposições e, sempre, os espaços dos jardins, recentemente ampliados.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
sábado, 13 de junho de 2026
Letra da marcha de Alfama 2026
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
José Rodrigues Miguéis - Uma placa para assinalar prédio em que nasceu
Foi hoje descerrada uma placa a assinalar o prédio em que nasceu o escritor José Rodrigues Miguéis, sobre cuja morte passaram, exactamente, 45 anos.
Recordo o que já escrevi há uns anos.
Depois de uma história rocambolesca - mas parece-me que não tanto como a dos direitos de autor sobre a sua obra... - em que Teresa Martins Marques e Eduardo Cintra Torres tiveram um papel central, uma placa metálica lá está, finalmente!, junto à entrada dos números 12 e 14 da Rua da Saudade (uma entrada para dois prédios), freguesia de Santa Maria Maior, Lisboa, para assinalar que naquela casa nasceu José Rodrigues Miguéis.
Devia ser dito: nas águas-furtadas do n.º 12.
Uma frase de A Escola do Paraíso acompanha a informação básica.
domingo, 28 de setembro de 2025
A 28 de Setembro de 1966, o Metro chegou aos Anjos
No dia 28 de setembro de 1966, foi oficialmente inaugurado o troço Rossio - Anjos do Metropolitano de Lisboa, um prolongamento de forte impacto na rede urbana.
Com cerca de 1,5 km, o novo troço acrescentou três estações: Socorro (actual Martim Moniz), Intendente e Anjos. As linhas do Metro perfaziam um total de 8,6 km, ligando 15 estações.
O revestimento azulejar da estação dos Anjos é da autoria de
Maria Keil. Conjuntamente com o da estação Restauradores, constituem os únicos
casos onde a autora incluiu elementos figurativos, afastando-se um pouco da
orientação dada pelo Conselho de Administração, que obedecia à norma imposta pelo gabinete de Salazar.
Rogério Ribeiro foi o artista convidado para criar os revestimentos necessários quando da ampliação da estação e abertura do átrio Norte, em 1982, inovando a composição a partir do padrão base de Maria Keil que enquadra o átrio Sul.
Rogério Ribeiro já havia sido encarregue do revestimento da
estação Avenida, por sugestão de Maria Keil.
A criatividade de Maria Keil, aliada à possibilidade de desenvolvimento de uma proposta barata e eficaz de colorir e caracterizar as estações, quando as verbas do Metropolitano estavam no vermelho, "animou", desde o princípio da construção do Metro, o projecto arquitectónico de Francisco Keil do Amaral, seu marido.
Até 1972-73, a decoração de todas as estações, à excepção da Avenida (já referida), foi da responsabilidade de Maria Keil.
Essas obras foram realizadas em parceria com a Fábrica Viúva Lamego, que passaria dificuldades.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
De preferência, com elas...
O que adianta ser uma "Loja com História"?
quarta-feira, 26 de março de 2025
Os amados jacarandás e os sobreiros esquecidos
Gosto de ver como dezenas de milhares de lisboetas se mobilizam para defender 25 jacarandás ameaçados de corte pela CML, por atrapalharem a construção de um parque de estacionamento.
São curiosos estes fenómenos.
Desconheço que haja uma mobilização assim pela criação de condições para um bom funcionamento do Serviço Nacional de Saúde ou para um ensino de qualidade nas escolas públicas.
Uma Petição Pública contra o abate de sobreiros no parque eólico de Morgavel (1070 sobreiros) teve, até ao momento, 14010 assinaturas.
O sobreiro, consignado como Árvore Nacional de Portugal desde 2011, está a conseguir aqui 13 assinaturas por exemplar.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Hotel a hotel, enche a cidade o papo
«Viajar
é (…) deixar um sítio onde se estava comendo num hotel triste, um boeuf-à-la-mode
triste, para ir, através de poeira, confusão e bagagem, comer a outro hotel
mais triste, outro boeuf-à-la-mode mais triste; e as igrejas, as lojas, os
homens, sendo por toda a parte iguais, não vale a pena partir para ir apenas e
em definitivo, sentir a melancolia infinita que inspiram as multidões
estranhas.»
Eça
de Queirós, Correspondência (Carta à condessa de Ficalho, 21 de outubro de
1885)
Há cidades que vão ficando iguais às outras que se vão parecendo com as primeiras.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
Mais um hotel de luxo, acabam-se as lendas
«Há neste bairro, que os transeuntes não suspeitavam tão interessante, um casarão, sobre que pairam lendas há já séculos. Todos as mencionam, e ninguém as sabe ao certo; todos prestam ouvidos para as escutar, e ninguém as ouve; todos as perguntam, e ninguém as explica. Falo do palácio chamado do Cunhal das Bolas, nas ruas do Carvalho e da Rosa. É um prédio enigmático, e, há poucos anos ainda, que quase lúgubre aspecto, hoje porém, desde 1866, convertido num alegre pombal de beneficência francesa, e portanto perfumado de benquerença pelas bondosas irmãs. É hospital, e escola; o corpo e a alma aí encontram o seu remédio.»
Júlio de Castilho, Lisboa Antiga - O Bairro Alto (vol. I), (1879)
O palácio fora vendido ao "Governo Imperial Francês", tendo-se nele estabelecido, «sob a inspecção do Ministro plenipotenciário de França, e direcção do Superior dos Lazaristas de S. Luís, o Asile Saint-Louis, onde se ensinam, com um carinho notável, as disciplinas da instrução primária. Faz gosto entrar aí; há um bem estar comunicativo, que só se poderia encontrar numa escola bafejada, como aquela, pela Religião.»
Ex-Palácio do Cunhal das Bolas a caminho de um bem estar bafejado pelo dinheiro de quem vem ver uma Lisboa convertida pervertida ao turismo.
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
Terramotos, ermida e escadinhas
Com o terramoto de 1 de Novembro de 1755, caiu o Carmo e a Trindade, mas Campo de Ourique escapou à justa, res-vés.
E uma ermida foi construída na actual rua do Arco do Carvalhão, mandada erigir pelo proprietário daquelas terras, pela graça de se ter salvo.
Serve atualmente como Capela, embora só abra uma vez por ano (dizem), exactamente em 1 de Novembro, para comemorar o facto desta zona ter escapado ao terramoto. Mas o interior estará ao abandono (dizem). No princípio de 2018, o Público desenvolvia uma notícia sobre desaparecimento de arte sacra , a que estaria ligado o próprio padre da paróquia de Santo Condestável, responsável pela capela (um conhecido do Presidente Marcelo...).
Junto a ela as Escadinhas dos Terramotos, que ligam a Rua Maria Pia e a Rua do Arco do Carvalhão (nome relacionado com família Carvalho, do Sebastião José - Marquês de Pombal - proprietária de largas propriedades por estas bandas).
Hoje, o aspecto é bem diferente...
Pesquisem no Google Maps.
1 de Novembro de 1755 - Lisboa pulou e balançou
«[…] no primeiro dia de novembro, em um sábado, quasi às 10 horas estando o céu sereno e quieto o mar, precedendo um ruído subterrâneo muito horroroso que acompanhou o tremor começou o território de Lisboa a tremer de sorte que dentro de pouco tempo se sentiu abalar a terra por vários modos. Porque não somente se movia pulando para cima, mas também dava uns balanços como que a modo de Embarcação umas vezes se inclinava de Nascente para Poente; outras de Norte para o Sul…»
Padre António Pereira
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
Proposta de novos percursos por Lisboa
domingo, 25 de fevereiro de 2024
Lisboa Frágil - uma Lisboa em extinção
Exposição no Museu da Cidade [de Lisboa] - Lisboa Frágil, fotografias de Luís Pavão.
Costumes, ambientes e momentos da cidade, dos anos 70 a 2000.
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Seriam abrigos de renda acessível?
Era mais correcto escrever "loteamento da Av. das Forças Armadas". Lotear as Forças Armadas, no mínimo, será polémico...
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
Em veneração e com cânticos de louvor a Deus
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| Iluminura do século XIV |
As relíquias, transportadas numa embarcação e, segundo a tradição, protegidas por corvos, teriam vindo a mando de D. Afonso Henriques, da costa algarvia do agora chamado Cabo de S. Vicente, onde se encontrava o corpo. Foram depois depositadas na Sé.
Nos Paços do Concelho, foi hoje proferida uma conferência sobre o tema, por Tolentino de Mendonça (se preferirem, pelo Cardeal D. Tolentino de Mendonça), dando início a uma programação cultural que se destina a divulgar a figura de São Vicente, o padroeiro de Lisboa, e que se prologa até Janeiro.

Ao fundo, o Mosteiro de S. Vicente de Fora
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
quinta-feira, 15 de junho de 2023
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
terça-feira, 13 de junho de 2023
Desenrasque à portuguesa
Pelo Público de hoje, ficamos a saber que, apesar do André e da Telma já não viverem juntos (e nenhum deles viver na casa em questão), é possível que o sofá que ambos adquiriram há cerca de 10 anos, e que um grupo de imprescindíveis vizinhos ajudou a entrar pela varanda do prédio sito na Mouraria, permaneça no interior da casa. Porque sair é difícil e vá-se lá saber se ainda existe a solidariedade necessária na vizinhança para o retirar... por onde entrou.
As fotos, recordadas pelo jornal, são um expoente do “desenrasque à portuguesa”.
O recurso à canadiana é um achado fabuloso!
Há anos assisti à entrada de um colchão de casal e do respetivo estrado numa habitação de uma vila na Graça.
O esforço que foi!...
sexta-feira, 9 de junho de 2023
O passado de Lisboa resume-se a esta luz
«Lisboa é uma cidade sem passado visível nas pedras. Ou melhor: o passado de Lisboa resume-se a esta luz que, de olhos em olhos, de pele em pele, de caliça em caliça, chega diariamente até nós, lá do fundo dos tempos, sempre com o mesmo peso de espuma voada.
Depois, ao anoitecer, dá-se uma
espécie de terramoto e a cidade afunda-se na escuridão. Desaba, desmantela-se,
rui (às vezes ajudada pelo clarão explosivo do luar), para surgir reconstruída
na manhã seguinte com a fluidez suspensa de pedras de céu azul e o habitual
ouro contente das fachadas.
Eis a razão, ou pelo menos uma das razões, por que os habitantes desta cidade não se inibem de deitar abaixo seja o que for (os Jerónimos e a Torre de Belém escaparam até hoje à demolição por milagre), todos, no fundo - repito -, com a convicção de que o nosso único testemunho de passado comum reside nesta bendita luminosidade que, através de mil catástrofes e tormentas, purifica incansavelmente as ruas e os prédios.»
José Gomes Ferreira, nascido a 9 de Junho de 1900, na cidade do Porto, teve épocas de vagabundagens por Lisboa, a "horas desertas da noite, quando o silêncio crepita mais vivo na solidão", de que "resultou o adensamento (...) da lenda que me atribui o conhecimento a palmos de Lisboa e respectivos alçapões".
Citações de José Gomes Ferreira, O irreal quotidiano
| A imagem que conservo há anos "para abertura" do meu PC |
Considerava JGF como derrotista, mas Lisboa parece-me hoje uma cidade que vai perdendo a memória ao mesmo ritmo que vai sendo ocupada pelos alienígenas.
Fica-nos a luz...










































