"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 28 de outubro de 2018

Manta 90/40


Exposição que celebra os 90 anos de idade de João Abel Manta e os 40 anos da publicação do conjunto de desenhos Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar.
A exposição inclui, também, trabalhos em que o autor reflecte sobre Portugal e a sua História, abrangendo o período pós-Salazar e o PREC.

«Nascido em Lisboa em 1928, João Abel Manta alinhou desde cedo pela oposição ao Estado Novo enquanto dividiu a sua vida profissional e artística pela arquitectura, a gravura, o desenho, o cartoon, a cenografia, a ilustração e o design gráfico. Premiado no país e no estrangeiro, os seus desenhos e colagens para a imprensa durante o marcelismo e o período revolucionário de 1974-75 deram-lhe fama duradoura. Deixou-nos uma obra-prima chamada Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978).»







«Um individualista assim, de tamanhas ferocidades contra o fácil e o demagógico; um artista tão trabalhado e paciente como uma pétala de mil nervuras; e sempre que necessário tão directo (às vezes em perfil grosso, sublinhado). A recusa de João Abel às seduções do habitat dos artistas contentados vem daí, do traço natural da sua exigência.»

«(...) em vez da galeria foi-se ao jornal e ao cartaz, em vez do investimento plástico do cheque e da glória à vista, empenhou-se na crítica imediata da nossa realidade de todos (...)»
José Cardoso Pires

Salazar 1926-1968



terça-feira, 26 de abril de 2016

Epígrafe

A sala do castelo é deserta e espelhada.

Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu - e até o ar é uma ruína...
Vem de Outro tempo a luz que me ilumina -
Um som opaco me dilui em Rei...

Mário de Sá-Carneiro por João Abel Manta
Mário de Sá-Carneiro suicidou-se, em Paris, a 26 de Abril de 1916.

"Morro à míngua, de excesso"


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pranto pelo dia de hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas


Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)