"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Vitorino Nemésio - 123 anos do nascimento

Também Vitorino Nemésio nasceu a 19 de Dezembro, em Santa Cruz (Praia da Vitória), no primeiro ano do século XX.

«Pois eu sou ao mesmo tempo e acima de tudo português açoriano europeu, americano brasileiro, e por tudo isto românico hispânico e ocidental, e gostava de ser homem de todo o mundo.»



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Nomeio o mundo

Com medo de o perder nomeio o mundo,
Seus quantos e qualidades, seus objectos,
E assim durmo sonoro no profundo
Poço de astros anónimos e quietos.

Nomeei as coisas e fiquei contente:
Prendi a frase ao texto do universo.
Quem escuta ao meu peito ainda lá sente,
Em cada pausa e pulsação, um verso.
Vitorino Nemésio

Vitorino Nemésio nasceu a 19 de Dezembro de 1901.



Sobre Vitorino Nemésio afirmou Manuel Nemésio, seu filho: «O meu pai era um amante da vida. Era uma espécie de Internet antes de tempo, com tudo o que tinha lá dentro, embora nunca deixasse de usar o seu lápis e a sua agenda.»


sábado, 12 de março de 2016

Raul Brandão, esquecido

«Uma literatura faz-se com vivos e mortos. Não só a ficção os junta na sua comunidade milagrosa, como têm prazo dado na imaginação do leitor, que sente a sombra do escritor morto, de ontem ou de há seis séculos, na inspiração e no estilo do escritor contemporâneo. (...)
Um esquecimento negro caiu sobre Raul Brandão, por exemplo, e quase o sepultou pela segunda vez. As últimas edições dos seus livros, paradas no mercado há mais de dez anos, nem quase se vêem já nos mostradores, onde no entanto abunda tanta farfalha impressa. Porquê? Perdeu o grande escritor a actualidade dos seus temas, o timbre da sua voz sincera e humana como poucas, a impressividade das suas páginas? Quanto aos temas, o fundo populista de Os Pobres, de Húmus, de A Farsa, tão vivo e pungente (e falo de populismo por ser uma tendência que parece estar na moda em ficção novelística), lá está a atestar que não é por falta de uma relação forte entre a obra de um morto e os seus sobreviventes e pósteros imediatos que os seus livros não são lidos e cotados nos recontares dos letrados.»
Vitorino Nemésio, Raul Brandão, esquecido, in Diário Popular, 7 de Dezembro de 1949

Raul Brandão nasceu a 12 de Março de 1867, na Foz do Douro.



Foz do Douro

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Bom tempo na televisão

Assisti há pouco, na RTP 2, a um documentário sobre Mau Tempo no Canal.
Realizado em 2009, já terá passado antes. Quero lá saber. Foi excelente (no meio do esterco que é a maioria dos programas da televisão).
E até passou a horas decentes.

É bom ouvir pessoas que falam com conhecimento, sensibilidade e simplicidade de um livro, do seu autor, da realidade que originou a obra.