Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Enquanto quis Fortuna que tivesse
terça-feira, 9 de junho de 2026
Vaquinhas sorridentes para celebrar Camões
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Atribulações de um Dia de Portugal
Em Dia de Portugal, há quem deite os corninhos ao sol (e não é por bom motivo).
Um grupo associado à extrema-direita agrediu o actor Adérito Lopes, do grupo teatral A Barraca.
Confesso que, para mim, foi um choque! Um sinal que "as coisas" estão a andar muito depressa.
Do que li (Público online de hoje), esse grupo pertencerá a uma organização internacional com representação em Portugal e pelo menos um dos autores do ataque aos actores d’A Barraca esteve envolvido na morte de Alcindo Monteiro, um português de origem caboverdiana, agredido no dia 10 de Junho de 1995 e que viria a falecer dois dias depois.
A referência a esse grupo - "Sangue e Honra" - faria parte do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2024, relatório esse que foi truncado pelo menos em sete páginas, nas quais se tratava dos problemas de segurança pública provocados por estes grupos de extrema-direita e pelo terrorismo (há quem refira o grupo "Reconquista").
Vários partidos querem o debate sobre o RASI, continuando à espera da explicação para o apagamento desse capítulo - por que razão não aparece na versão oficial que chegou ao Parlamento.
Entretanto, Xeque David Munir, o imã da mesquita de Lisboa, foi insultado no Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes, em Belém, para o qual foi convidado oficialmente, o que acontece desde 1995.
Os insultos partiram de um grupo que fazia a saudação nazi.
À margem das ideologias políticas, mas fruto da época, da banalização da violência, um grupo de cinco adeptos do F.C. Porto foi atacado no interior de uma viatura em que foram introduzidos engenhos incendiários, por um grupo de adeptos(?) do Sporting, após o jogo de hóquei em patins entre as duas equipas.
Resultaram dois feridos graves e três ligeiros.
Entretanto, em relação ao discurso de Lídia Jorge nas comemorações oficiais em Lagos, há uma clara divisão nos poucos locais que frequento nas redes sociais: altamente elogiado por uns, deitado abaixo por outros (geralmente em mau Português e por muita gente que não compreendeu literalmente o discurso, pelo que os dislates são muitos). Sobretudo, não entenderam a menção à inexistência de "portugueses puros" - se os bisavós são de Freixo de Espada à Cinta, que é lá isso de não ser um português puro?...
Alegra-me que nos sítios que frequento o apreço pelo discurso saia largamente vencedor. Mas esse não será o registo em todos os lados. Não verifiquei: há locais a que não me chego, sobretudo por uma questão de sanidade mental. Campeia por aí uma grande indigência mental.
Citando Lídia Jorge: «A cultura digital subverteu a regra de exemplaridade, o escolhido passou a ser o menos exemplar, o menos preparado, o menos moderado, o que mais ofende.
Um Chefe de Estado de uma grande potência, durante um comício, pôde dizer: "Adoro-vos! Adoro os pouco instruídos." E os pouco instruídos aplaudiram.»
Desejo-vos melhores dias.
terça-feira, 10 de junho de 2025
Seguidores de ídolos fantasmas
«Nos dias que correm, trata-se do surgimento de um novo tempo que está a acontecerá escala global. Porque nós, agora, somos outros.
Deslocamo-nos à velocidade dos meteoros e estamos cercados de fios invisíveis que nos ligam para o espaço. (...) O poder demente aliado ao triunfalismo tecnológico faz que a cada dia, a cada manhã, ao irmos ao encontro das notícias da noite, sintamos como a Terra redonda é disputada por vários pescoços em competição, como se, mais uma vez, se tratasse de um berloque.
E os cidadãos são apenas público que assiste a espectáculos em écrans de bolso. Por alguma razão, os cidadãos hoje regrediram à subtil designação de seguidores e os seus ídolos são fantasmas.»
Sem cor de virtude
A bordo de "Os Lusíadas", por 40 apeadeiros
Em Dia de Camões, no Ano em que comemoram os 500 anos do seu nascimento (a ter sido, de facto, em 1525!), o Público edita uma "proveitosa travessia" que sintetiza Os Lusíadas em 40 episódios - os 40 apeadeiros - com cativantes recursos gráficos* e transcrição de passagens.
Os Lusíadas com paragem em 40 apeadeiros
Trabalho de Luís Miguel Queirós, Francisco Lopes e José Alves
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
A má cara...
segunda-feira, 10 de junho de 2024
Hoje é dia de chatear o Camões!
"Camões é uma espécie de ídolo de todas as gerações." A frase é do jornalista da RTP 1 que apresentou o noticiário da hora de almoço.
Será o ídolo malandro e subversivo, como defende Hélder Macedo, que dedicou muitos anos da sua vida ao estudo de Camões?
Ler a entrevista - Público 2024-06-09
terça-feira, 14 de maio de 2024
quarta-feira, 24 de janeiro de 2024
Mísera sorte! Estranha condição!
Não sei se os candidatos a deputados do PS são os mesmos ou se há muitas entradas novas.
Mas quando vejo os principais eventos da AD só vejo velhos rostos. E não são os dos últimos 10 anos, são os de há muitos mais anos.
Quando é de Santana Lopes, um ex-PPD-PSD que já rivalizou por outro partido, o discurso mais aplaudido na Convenção (dizem, que eu não segui, e devemos duvidar de muito do que dizem)...
Quando é de Leonor Beleza (ministra na década de 80) uma das intervenções que mais apela ao bom senso das propostas a apresentar (li-as), devendo ter em consideração as incertezas do mundo de hoje...
Quando é de Paulo Portas outro dos discursos "de estratégia política" mais inflamados (sabe muito!...)...
Quando são as mensagens ou os recados de Cavaco nos jornais, "coisa" que ele não lia nos tempos em que governava, que galvanizam as "bases" (as velhas bases)...
Não sei quem são os mais esgotados...
Novas formas de estar na política, precisa-se!
terça-feira, 23 de janeiro de 2024
Manuscrever tem outro encanto
Por coincidência (ou não - o mais certo!) com a possível data do aniversário de Camões, hoje é Dia da Escrita à Mão.
Sendo um processo mais lento, é mais tranquilo e reflexivo.
Penso eu que tenho ganhos... Pretensão, pelo menos, não falta!
O uso de uma caneta de tinta permanente com bico suave é fetiche para textos mais exigentes.
Não sei se fui suficientemente claro - este texto não foi manuscrito!
Fado Camões
Agora o fado fado...
Camões meteu-se (ou foi metido) cedo no fado. Amália que o diga, tão criticada foi por, em 1965, ter tido a ousadia de o cantar (ao Camões, que não o fado em si!...).
Um disco dedicado a Camões, nos seus 500 anos, é o novo projecto da cantora Lina.
Os 500 anos de Camões e os 499 anos de um eclipse solar
Já Jorge de Sena tem o fabuloso poema Camões dirige-se aos seus contemporâneos.
sábado, 10 de junho de 2023
Camões - o seu dia e o estado da língua portuguesa
«(...) o que parece preocupante é o facto de cada vez menos haver em Portugal qualquer espécie de interesse por Camões e por aquilo que ele representa. O nome do autor de Os Lusíadas tende a ser apenas a marca distintiva de um feriado, ambíguo luxo nos tempos que correm, e pouco mais. As questões da identidade começam por estar relacionadas com a língua materna e esta deve a Camões a sua dimensão moderna. Mas estão à vista as consequências que, para a identidade, decorrem do actual estado de coisas: a língua materna está cada vez mais deteriorada (…). Nem sabemos pronunciá-la, nem sabemos escrevê-la ou falá-la com um mínimo de correcção. E nem vale a pena falar da situação catastrófica que virá a ser gerada pelo Acordo Ortográfico se este algum dia se aplicar (...). Vivemos numa época de apoucamento da língua, de empobrecimento do vocabulário, de aviltamento de todas as regras de gramática. (…) Vêmo-la subordinar-se servilmente ao facilitismo e à tecnologia, quando devia contribuir para uma estabilização dos seus paradigmas próprios, procurando equilíbrios permanentes com as tendências que são sinal dos tempos. (...) A língua de Camões está irreconhecível. Se ele voltasse ao mundo, decerto pensaria em rasgar a sua obra. Deixámos de ser dignos dela.»
Vasco Graça Moura, A língua de Camões (DN, 9 de Junho de 2010)
sexta-feira, 15 de abril de 2022
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Camões e Jorge de Sena
Jorge de Sena era um notável especialista em Camões.
Comemora-se este ano o centenário do nascimento de Jorge de Sena, a 2 de Novembro, o mesmo mês em que a sua muito amiga Sophia de Mello Breyner Andresen também comemora o seu (6 de Novembro).
De Sophia muito se tem falado, de Jorge de Sena nem tanto. A dar-lhe razão de não ser um intelectual bem quisto em Portugal.
Exilado no Brasil e nos Estados Unidos nos tempos da ditadura do Estado Novo, Jorge de Sena nunca se fixaria em Portugal, mesmo depois de 25 de Abril de 1974, falecendo em Santa Bárbara (EUA), a 4 de Junho de 1978.
«Sim, Jorge de Sena não era uma presença confortável para o Portugal de então. O que só lhe fica bem. Mas continuou a não ser uma presença confortável depois do 25 de Abril. O que só nos fica mal.. Na verdade, é uma vergonha nacional que não tenham sido dadas a este homem condições necessárias para regressar ao seu país quando, quero crer, o teria desejado se as necessárias condições lhe tivessem sido dadas.»
O feriado republicano de Camões
O génio da pátria, que Luís Vaz de Camões representava para os republicanos – foi em torno das comemorações camonianas de 1880 que os republicanos se guindaram politicamente –, passou a ser celebrado a partir de 1912, mas apenas como feriado municipal, em Lisboa.
Tendo reformado o calendário dos feriados, o Estado Novo manteve o de 10 de Junho, elevando-o à categoria de feriado nacional, exaltado num sentido nacionalista e como elemento da propaganda política do novo regime.
Foi a 10 de Junho de 1944 que o Estádio Nacional foi inaugurado e, durante a cerimónia, Salazar proferiu o discurso que viria a rebaptizar o feriado como o Dia da Raça, associando a data à celebração do "Mundo Português" e dos valores do regime.
Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho ficou conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça.
Com a Guerra Colonial, transformou-se numa data de homenagem às Forças Armadas e numa exaltação do poder colonial.
Após o 25 de Abril de 1974, foi instituído, já em 1977, que o Dia de Camões passasse a ser dedicado também às comunidades portuguesas no estrangeiro, sendo celebrado em Portugal e no estrangeiro "com vista a levar a presença do nosso país às diferentes comunidades e a tornar estas mais conhecidas na sua nação de origem".
O primeiro Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (1977) foi comemorado oficialmente na cidade da Guarda.
Jorge de Sena fez, então, um discurso em defesa de Camões, sentindo necessidade de explicar, num Portugal pós-revolucionário ainda com traumas da ditadura, que não se poderia apelidar Camões de… “fascista”.
(...)
Pensarão alguns, acreditando no que se fez do pobre Camões durante séculos, que celebrá-lo, ou meditá-lo e lê-lo, é prestar homenagem a um reaccionário horrível, um cantor de imperialismos nefandos, a um espírito preso à estreiteza mais tradicionalista da religião católica. Camões não tem culpa de ter vivido quando a Inquisição e a censura se instituíam todas poderosas: se o condenamos por isso, condenamo-nos nós todos a que, escrevendo ou não-escrevendo, e ainda vivos ou já mortos, resistimos durante décadas a uma censura opressiva, e a uma repressão implacável e insidiosa, escrevendo nas entrelinhas como ele escreveu.»






















