"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Artistas em livro(s)

Helena Almeida e José de Guimarães

Foi hoje apresentado um livro póstumo de Helena Almeida, que traça um percurso retrospectivo da obra da artista plástica, que foi pioneira, nos anos de 1960, no uso da imagem fotográfica no universo da arte contemporânea portuguesa.
É o terceiro volume da série de livros referenciais de fotografia Ph., editados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. 



Volta ao Mundo - obra gráfica de José de Guimarães será apresentado no próximo dia 12, coeditado pela Imprensa Nacional e pela Biblioteca Nacional, instituição à qual José de Guimarães doou a totalidade da sua obra gráfica, para estudo e divulgação.
Trata-se de um catálogo, associado à exposição que pode ser vista na BN até ao fim do mês de Março.



sábado, 2 de junho de 2018

Um museu do outro mundo

Um "outro mundo" concebido por José de Guimarães para o Museu do Oriente.

Pontos de partida: o espólio do museu e as peças de arte chinesa da colecção do artista.
Oportunidade: a de criar um diálogo, incluindo obras da autoria do próprio José de Guimarães - um multiálogo.

A entrada na "sala branca" é um deslumbramento!... 


«José de Guimarães, no seu trabalho, procurou territórios, investigou realidades, confrontou-se com culturas, coleccionou memórias, apaixonou-se por artefactos, relacionou perspectivas emocionais, numa longa viagem de vida à volta do mundo, de Oriente a Ocidente, sem esquecer a África e a América Latina. Através da sua viagem, o seu trabalho fez o mapeamento de um território íntimo, quase ritualista e místico e ao mesmo tempo universal.»


«A sua pesquisa fala do local versus o global, fala do artesão e da arte, fala do profano e do religioso, fala do lugar e do genérico. A generosidade da obra de José de Guimarães é um respiro humano que nos leva nessa viagem pelos territórios e pelas culturas, às profundidades da nossa existência e das nossas emoções.»



A primeira sala, negra e escura, é construída numa sucessão de espaços oblíquos e intrincados. (…)



«A segunda sala é branca e sem limites. Um mundo que se prolonga pela eternidade ou, mais prosaicamente, pela cidade de forma contínua. (…) As personagens colocadas nesta cidade sem sombras confrontam-se como se tratasse de um diálogo através do vidro, dos reflexos e das transparências. Estão todos ali na sala a olharem para um infinito qualquer, sem um tempo ou um lugar específico.»




«Dentro deste espaço, o visitante perde os seus pontos de referência, a segurança da estabilidade retiniana. No arcano deste labirinto, qual Dédalo, José de Guimarães repensa as relações, as tensões, as forças de atracção e repulsa, os choques, entre objectos de diferentes tempos e diferentes culturas.»



Somos estranhos num lugar distante, “perdidos no labirinto do museu e da história”.