Ontem, eu reparava no sorriso das vacas...
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
sexta-feira, 29 de maio de 2026
28 de Maio de 1926
quarta-feira, 27 de maio de 2026
Jorge Barros (1944 - 2026)
«Jorge correu Portugal fotografando os seus mistérios telúricos, os seus abismos, os rostos e o espanto dos que, neste chão, continuam peregrinando uma espécie de destino ou de penitência»", disse Fernando Alves, no seu programa Sinais de hoje, na TSF.
Correu Portugal e apaixonou-se pelos Açores.
«O amor para com os outros é o melhor de nós. E é o melhor de nós que encontro no meio deste mar imenso.»
Foi por causa dos Açores que conheci as suas fotografias.
São elas que acompanham os poemas de Manuel Alegre em Escrito no mar Livro dos Açores (2007).
Em 2012, editou o texto clássico de Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas, com fotografias suas - falei aqui desse livro, numa magnífica edição.
O levantamento fotográfico foi feito entre 1988 e 2011.
Ainda sobre os Açores, publicou Romeiros da Fraternidade, sobre os ranchos de romeiros que, na ilha de São Miguel, percorrem trilhos, caminhos e estradas à volta da ilha durante a época da Quaresma.
Jorge Barros, nascido em Alcobaça, faleceu ontem, em Lisboa.
Em breve estará nas livrarias o seu último livro, Espantalhos e Campos, cuja edição especial o autor ainda teve o gosto de ver impressa.
terça-feira, 26 de maio de 2026
E Sonny Rollins não assistiu à festa do centenário
Na véspera do centenário do nascimento de Miles Davis, Sonny Rollins passou para a existência seguinte em que acreditava.
"Acredito que, quando a pessoa criativa termina a sua viagem, continua na existência seguinte. Sou uma pessoa que acredita que esta vida não é o objectivo final de tudo."
O jazz continua no paraíso...
Miles Davis, o "mago da trompete", nasceu há 100 anos
Dizem os entendidos que Miles Davis foi o músico de jazz que mais vezes se reinventou, embora as polémicas não estejam ausentes dessas mudanças.
Mas, como aconselhava um crítico musical, "Tentem concentrar-se exclusivamente na voz do trompete. Talvez consigam momentos óptimos."
Nome incontornável do jazz, apresentou-se várias vezes em Portugal, a última das quais em 1991, ano em que faleceu, com concertos no Porto e em Lisboa.
A primeira vez tinha sido no 1.º Cascais Jazz, em Novembro de 1971.
Foi o músico que abriu esse Festival, quando estava previsto que fosse Ornette Coleman. João Braga, um dos organizadores, recorda a forma como a exigência foi feita: "Este é o primeiro festival de jazz em Portugal e quero ser eu a abri-lo. Os outros só podem tocar a seguir a mim".
Luís Villas-Boas apresentou-o em palco: “Eu nem acredito no que vou dizer, eis Miles Davis!”
sábado, 23 de maio de 2026
Calou-se o saxofone dos Pink Floyd
Não integrava os Pink Floyd, mas músicas como Money ou Us and Them (de The Dark Side of the Moon) ou Shine on You Crazy Diamond (de Wish You Were Here) não teriam sido as mesmas sem o seu saxofone, numa longa parceria iniciada com o primeiro daqueles discos.
Faleceu esta 6.ª feira o saxofonista Richard (Dick) Parry.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Em Gaza não há microfones
«Por estes dias, cientistas da School of the Plant Sciences, da Universidade de Telavive, anunciaram que gravaram com microfones especiais, sensíveis a ultra-sons, os gritos de dor que as plantas emitem quando são cortadas ou quando lhes falta a água.
Em Gaza não há microfones.»
Giorgio Agamben
quarta-feira, 20 de maio de 2026
domingo, 17 de maio de 2026
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Dia Mundial do Silêncio
José Tolentino Mendonça
segunda-feira, 4 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
A problemática da apanha da ameixa no rio Tejo
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Dia do Trabalhador
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Júlio de Castilho, olisipógrafo
A 30 de Abril de 1840 nasceu Júlio de Castilho, considerado o fundador dos estudos olisipográficos.
São relevantes os seus volumes de Lisboa Antiga: Bairros Orientais e O Bairro Alto, bem como A Ribeira de Lisboa. Descrição Histórica da Margem do Tejo desde a Madre de Deus até Santos-o-Velho.
«Lisboa é uma cidade especial. Sem que se saiba ao certo, nem porquê, a sua história personalizada criou um género próprio para a contar, com bem vincada autonomia no seio da historiografia portuguesa.»
José Sarmento de Matos (1994)
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Nuno Júdice - Enigma ornitológico
Lá me convenceram a comprar mais um livro!...
A sinopse do livro reza assim:
«Uma ode à alegria de colecionar livros. Para todos os que
sabem que nunca se tem livros a mais.
Estas páginas reúnem uma verdadeira celebração do fascínio de viver rodeado de
livros: lidos, por ler, começados e recomeçados. Inspirado no termo japonês
tsundoku, que descreve o ato de acumular livros com a melhor das intenções, o
típico «depois leio…», este livro transforma aquilo que muitos chamam desordem
ou culpa numa filosofia de vida reconfortante e profundamente humana. Entre
pilhas instáveis, estantes cheias até ao limite e o ritual de folhear páginas,
descobrimos que os livros não são só objetos de leitura: são promessas,
companheiros, refúgios. Aqui fala-se da felicidade de escolher e comprar
livros, da rebeldia contra listas de leitura, das estratégias para organizar
bibliotecas impossíveis, das desculpas engenhosas para justificar mais uma
aquisição e do prazer de reler.
Mas, acima de tudo, esta filosofia lembra-nos que não é obrigatório termos lido
todos os livros que possuímos para os amarmos incondicionalmente. Os livros não
lidos também nos falam, também nos levam em viagem, também cuidam da nossa
alma. Basta tocá-los, cheirá-los, abri-los ao acaso ou simplesmente saber que
estão ali.»
Deixo-me convencer muito facilmente!
Depois leio...
terça-feira, 28 de abril de 2026
segunda-feira, 27 de abril de 2026
É ler a legenda...
Brevemente, num cinema perto de si
Fique atento às exibições nas salas locais e escolha o próximo filme da sua lista.
domingo, 26 de abril de 2026
Dia 26 - Exílio!
Desta forma sucinta, o último Presidente da ditadura encerrou o caderno Efemérides ligadas à ida para a Presidência da República e à estadia nela, iniciado em 1958.
Afastado do cargo pelo golpe militar de 25 de Abril de 1974, que descreve como «golpe militar-comunista do movimento dos capitães que a ausência de resistência tornou triunfante.», foi levado para a Madeira, de onde seguiria para o Brasil, com a família.
Fim de regime.
26 de Abril de 1974 - A certeza da vitória
Foto de Alfredo Cunha
sábado, 25 de abril de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Elogio do livro
(...)
A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionaram multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos.»
Irene Vallejo, O infinito num junco
O Infinito num Junco é um detalhado e fascinante elogio do(s) livro(s).
quinta-feira, 23 de abril de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
Sandy Denny, Fotheringay
Fotheringay foi a primeira canção que Sandy Denny gravou com os Fairport Convention, para o álbum What We Did On Our Holidays, lançado em Dezembro de 1968. Tinha 21 anos.
A sua filha produziu este vídeo sobre Fotheringay, a canção e o castelo em que Maria Stuart sofreu o seu último cativeiro, foi julgada, condenada e executada.
Sandy Denny morreu há 48 anos.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Desculpas esfarrapadas...
Assim são as
razões apresentadas para evitar a divulgação dos nomes dos doadores dos
partidos e das campanhas eleitorais, o que já se faz há mais de 20 anos em nome
da transparência.
57 anos de diferença
terça-feira, 14 de abril de 2026
Morreu Moya Brennan, a voz dos Clannad
Máire (ou Moya) Brennan, vocalista dos Clannad, faleceu ontem, aos 73 anos.
Máire Philomena Ní Bhraonáin, nascida em 1952, era a mais velha de nove irmãos, entre eles Enya, mais reconhecida pela sua carreira a solo.
Na década de 1970, com os seus irmãos Pól e Ciarán, e dois tios gémeos, Noel e Pádraig Ó Dúgáin, formou os Clannad, de que Máire Brennan era a vocalista principal e também compositora e harpista.
O grupo começou por actuar no pub da família, o Leo's Tavern, na aldeia de Meenaleck, antes de alcançar sucesso.
Os Clannad viriam a divulgar a sua música, com origem na tradição irlandesa, a um público mais global e ganharam renome internacional.
A voz de Máire tornou-se um símbolo da música celta. Gravou 17 álbuns com os Clannad e teve, igualmente, uma carreira a solo.
É o mesmo que lutar com um porco
«Este debate entre a razão histórica e a arrogância emproada, fruto do atrevimento ignorante e institucionalizado no senso comum, tinha tudo para dar errado. Quando Pacheco Pereira acedeu a confrontar a verdade (do pensamento metódico e construído por milhares de páginas de vida e de história escrita que lhe reconhecemos) contra o arrivismo do tal jovem de "46 anos", formado na escola do senso comum favorável à crítica mal fundamentada e arruaceira, estava a admitir (sem o querer) a sua derrota.»
(Luís Farinha)
sábado, 11 de abril de 2026
Helena Almeida - Razões de um azul
quinta-feira, 9 de abril de 2026
terça-feira, 7 de abril de 2026
Descoberta da Missão Artemis II
domingo, 5 de abril de 2026
Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa
«Três cousas há na Índia que são escápulas [esteios] de todo o comércio das mercadorias daquelas partes e chaves principais dela.
A primeira, Malaca (...). A segunda, Adem, que está em vinte e um grau de altura, e na entrada e saída do estreito do mar Roxo (...). A terceira é Ormuz, a qual está em quinze graus, e na entrada e saída do estreito do mar da Pérsia. Esta Ormuz a meu ver é a principal de todas. E se el-Rei de Portugal tivera senhoreado Adem com uma boa fortaleza, como tem Ormuz e Malaca, senhoreando estes três estreitos que tenho dito, pudera-se chamar senhor de todo o Mundo (como fez Alexandre, quando chegou ao Ganges), porque com estas três chaves fechava as portas a tudo.
(...)
Ormuz cousa muito antiga é e por razão do seu comércio e navegação é muito nomeada por todo Mundo (...). Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa, que dizem que o anel é o Mundo, e a pedra Ormuz, e assim deve ser, porque ali vêm todas as mercadorias da Pérsia, Tartária, Turquemana, do reino do Gilan, de Bagdad, Cairo e de todas as partes da Índia; e todas as mercadorias que se podem cuidar se acham em Ormuz. É a mais abastada terra de mantimentos que há naquela parte.»
Comentários do Grande Afonso de Albuquerque Capitão Geral que foi das índias Orientais em tempo do muito poderoso Rei D. Manuel o primeiro deste nome
O rei local foi tributário do rei de Portugal, no século XVI. Aí foi construído o Forte de Nossa Senhora da Vitória ou da Conceição.
Turquemana - terra dos turquemanos: Anatólia e partes do Azerbaijão
Reino do Gilan - no Norte do actual Irão, na região costeira do mar Cáspio
sexta-feira, 3 de abril de 2026
quinta-feira, 2 de abril de 2026
50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa
segunda-feira, 30 de março de 2026
Querem a factura com número de contribuinte?
E quando pensamos que já ouvimos tudo...
«O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está interessado em apelar aos países árabes para que assumam os custos da guerra contra o Irão, afirmou esta segunda-feira a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas.
Questionada em conferência de imprensa sobre se os países
árabes estariam disponíveis em contribuir para o pagamento dos custos da
guerra, Leavitt disse não querer antecipar-se ao Presidente
norte-americano, mas confirmou que é uma ideia assumida por Trump.
"Acho que é algo que o Presidente estaria bastante
interessado em pedir-lhes [aos países árabes]", disse a assessora.»
Público, 30 de Março de 2026
Será de levar a questão ao Conselho da Paz...
quinta-feira, 19 de março de 2026
Arquivo de José Mário Branco acessível online
quarta-feira, 18 de março de 2026
Augusto Abelaira - centenário do nascimento
«Uma vez, o meu pai apareceu-me em casa com um livro de versos, que tinha acabado de sair, de um poeta de certo modo desconhecido, tinha já morrido, abriu o livro e leu-me uma poesia que terminava assim:
O poeta em questão chamava-se Fernando Pessoa. Foi a maior revolução literária da minha vida, sobretudo estas últimas palavras: "Eu era feliz? Não sei. Fui-o outrora agora." Mas que história é esta do "Fui-o outrora agora."? O que é certo é que a partir desse dia percebi que a literatura era outra coisa. Acabaram-se os sonetos, acabou-se o Guerra Junqueiro, com injustiça ou não, acho que há alguma injustiça, mas enfim, a grande revolução literária fez-se.
Dois outros nomes muito importantes apareceram depois, a facilitar este fenómeno de perceber que a literatura era outra coisa. Um foi o Tchecov, com a leitura de um livro que se chama Uma História Vulgar, e outro foi o livro de contos de Katherine Mansfield, o Garden Party. Foi no contacto com estas obras que eu descobri que a literatura era uma coisa diferente de tudo aquilo que eu conhecia até então.»
Excerto de uma entrevista a Mário Ventura (finais da década de 70, início da de 80)
terça-feira, 17 de março de 2026
“Graça Morais: Uma Antologia”
Desde o princípio da semana que podemos ver, no Palácio Anjos, em Algés, uma exposição de 170 obras de desenho e pintura de Graça Morais, que proporciona uma visão ampla da obra desta artista desde a década de 1970 até ao presente.
São desenhos que acho que faziam falta nesta exposição para revelar aspetos diferentes da minha criatividade.
Também apresento várias fotografias. Não é costumo dar esse valor às fotografias como obras em si, mas esta exposição tem fotografias que vão ser surpreendentes para muitas pessoas.
Ao longo da minha vida, desde os anos 80, sempre fotografei muito, não com pretensões de fazer fotografias de muita qualidade, mas como uma base de trabalho. Estas ultrapassam essa base de trabalho.»
Destaca-se um painel de grandes dimensões em homenagem aos presos políticos da prisão de Caxias, "um gesto artístico e ético de evocação da resistência e da luta pela liberdade".
Uma boa forma de comemorar o seu 78.º aniversário, cumprido hoje.













































