"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Dia do Trabalhador

Entretém-te filho, entretém-te!
Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva

José Mário Branco, FMI


Sem drone!...


1.º de Maio de 1974
(Foto de Carlos Gil)


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Júlio de Castilho, olisipógrafo

A 30 de Abril de 1840 nasceu Júlio de Castilho, considerado o fundador dos estudos olisipográficos. 

São relevantes os seus volumes de Lisboa Antiga: Bairros Orientais e O Bairro Alto, bem como A Ribeira de LisboaDescrição Histórica da Margem do Tejo desde a Madre de Deus até Santos-o-Velho.

Última fotografia conhecida de Júlio de Castilho, 
Quinta de Sant'Anna (Ameixoeira), Setembro de 1916

«Lisboa é uma cidade especial. Sem que se saiba ao certo, nem porquê, a sua história personalizada criou um género próprio para a contar, com bem vincada autonomia no seio da historiografia portuguesa.»

José Sarmento de Matos (1994)


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Nuno Júdice - Enigma ornitológico

Enigma ornitológico

Um pássaro entrou numa nuvem.
Uma nuvem entrou num pássaro.
"Qual a verdade?", perguntou
o homem. "Está no pássaro? Ou
está numa nuvem?" E enquanto
o homem procurava a resposta,
o pássaro saiu da nuvem, fazendo
com que a verdade saísse do homem.
Nuno Júdice

Nuno Júdice faria hoje 77 anos.


Lá me convenceram a comprar mais um livro!...

A sinopse do livro reza assim:

«Uma ode à alegria de colecionar livros. Para todos os que sabem que nunca se tem livros a mais.

Estas páginas reúnem uma verdadeira celebração do fascínio de viver rodeado de livros: lidos, por ler, começados e recomeçados. Inspirado no termo japonês tsundoku, que descreve o ato de acumular livros com a melhor das intenções, o típico «depois leio…», este livro transforma aquilo que muitos chamam desordem ou culpa numa filosofia de vida reconfortante e profundamente humana. Entre pilhas instáveis, estantes cheias até ao limite e o ritual de folhear páginas, descobrimos que os livros não são só objetos de leitura: são promessas, companheiros, refúgios. Aqui fala-se da felicidade de escolher e comprar livros, da rebeldia contra listas de leitura, das estratégias para organizar bibliotecas impossíveis, das desculpas engenhosas para justificar mais uma aquisição e do prazer de reler.

Mas, acima de tudo, esta filosofia lembra-nos que não é obrigatório termos lido todos os livros que possuímos para os amarmos incondicionalmente. Os livros não lidos também nos falam, também nos levam em viagem, também cuidam da nossa alma. Basta tocá-los, cheirá-los, abri-los ao acaso ou simplesmente saber que estão ali.»

Deixo-me convencer muito facilmente!

Depois leio...


Tramp(olinices)


It's a joke(r)!...


segunda-feira, 27 de abril de 2026

É ler a legenda...


Da prisão negra em que estavas
a porta abriu-se p'ra rua.
Já sem algemas escravas,
igual à cor que sonhavas,
vais vestida de estar nua.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

(...)
Jorge de Sena, Cantiga de Maio (4-06-1974)


Graça Morais - Painel de homenagem aos presos políticos da Prisão de Caxias

Brevemente, num cinema perto de si


Um grande actor!
Uma sequência de sucessos!
Cada um a fazer esquecer o anterior...

Fique atento às exibições nas salas locais e escolha o próximo filme da sua lista.

domingo, 26 de abril de 2026

Dia 26 - Exílio!


Desta forma sucinta, o último Presidente da ditadura encerrou o caderno Efemérides ligadas à ida para a Presidência da República e à estadia nela, iniciado em 1958.

Afastado do cargo pelo golpe militar de 25 de Abril de 1974, que descreve como «golpe militar-comunista do movimento dos capitães que a ausência de resistência tornou triunfante.», foi levado para a Madeira, de onde seguiria para o Brasil, com a família.

Fim de regime.


26 de Abril de 1974 - A certeza da vitória

26 - Abril (Sexta). Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente I


Foto de Alfredo Cunha



sexta-feira, 24 de abril de 2026

Elogio do livro


«Entre os anos 3500 e 3000 a. C., sob o sol abrasador da Mesopotâmia, alguns génios sumérios anónimos traçaram sobre o barro os primeiros sinais que, ultrapassando as barreiras temporais e espaciais da voz, conseguiram deixar uma marca duradoura da linguagem. Só no século XX, mais de cinco milénios depois, é que a escrita se converteu numa habilidade estendida, ao alcance da maioria da população — um longo percurso; uma aquisição muito recente.

(...)

A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionaram multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos.»

Irene Vallejo, O infinito num junco

O Infinito num Junco é um detalhado e fascinante elogio do(s) livro(s).


terça-feira, 21 de abril de 2026

Sandy Denny, Fotheringay

Fotheringay foi a primeira canção que Sandy Denny gravou com os Fairport Convention, para o álbum What We Did On Our Holidays, lançado em Dezembro de 1968. Tinha 21 anos. 

A sua filha produziu este vídeo sobre Fotheringay, a canção e o castelo em que Maria Stuart sofreu o seu último cativeiro, foi julgada, condenada e executada.

Sandy Denny morreu há 48 anos.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Desculpas esfarrapadas...

Assim são as razões apresentadas para evitar a divulgação dos nomes dos doadores dos partidos e das campanhas eleitorais, o que já se faz há mais de 20 anos em nome da transparência.



57 anos de diferença



O mesmo Alberto Martins e o mesmo dia... com 57 anos de diferença.

No dia 17 de abril de 1969, Alberto Martins, presidente da Associação Académica de Coimbra, na cerimónia de inauguração do Edifício das Matemáticas da Faculdade de Ciências, pediu a palavra, em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra, depois do discurso do Presidente da República, Américo Tomás.
A palavra não lhe foi dada e, nessa noite, Alberto Martins foi preso pela PIDE.

Hoje, dia 17 de abril de 2026, Alberto Martins tomou posse como Conselheiro de Estado.
Terá usado da palavra na reunião de Conselho de Estado e não será preso.

A evolução foi muito positiva.
O mundo dá muitas voltas!


terça-feira, 14 de abril de 2026

Morreu Moya Brennan, a voz dos Clannad

Máire (ou Moya) Brennan, vocalista dos Clannad, faleceu ontem, aos 73 anos.

Máire Philomena Ní Bhraonáin, nascida em 1952, era a mais velha de nove irmãos, entre eles Enya, mais reconhecida pela sua carreira a solo.

Na década de 1970, com os seus irmãos Pól e Ciarán, e dois tios gémeos, Noel e Pádraig Ó Dúgáin, formou os Clannad, de que Máire Brennan era a vocalista principal e também compositora e harpista.

O grupo começou por actuar no pub da família, o Leo's Tavern, na aldeia de Meenaleck, antes de alcançar sucesso. 

Os Clannad viriam a divulgar a sua música, com origem na tradição irlandesa, a um público mais global e ganharam renome internacional.

A voz de Máire tornou-se um símbolo da música celta. Gravou 17 álbuns com os Clannad e teve, igualmente, uma carreira a solo. 


"Ela caminhou por este mundo como um anjo." (Bono) 


Não lhe perdoeis, Senhor!


Apesar dele não ter noção do que faz!...

 

É o mesmo que lutar com um porco

«Este debate entre a razão histórica e a arrogância emproada, fruto do atrevimento ignorante e institucionalizado no senso comum, tinha tudo para dar errado. Quando Pacheco Pereira acedeu a confrontar a verdade (do pensamento metódico e construído por milhares de páginas de vida e de história escrita que lhe reconhecemos) contra o arrivismo do tal jovem de "46 anos", formado na escola do senso comum favorável à crítica mal fundamentada e arruaceira, estava a admitir (sem o querer) a sua derrota.»

(Luís Farinha)


Como escreveu Miguel Carvalho, "Não se joga xadrez com quem não respeita sequer o lugar das peças e vira o tabuleiro a cada segundo." (Por dentro do Chega)


sábado, 11 de abril de 2026

Maria Emília Brederode dos Santos (1942 - 2026)

 


Helena Almeida - Razões de um azul

«Uso o azul porque é uma cor espacial. (…) Tem de ser azul. Às vezes ponho vermelho; é uma tinta que tem outros significados, é o peso. Uso-o quando não estou a querer fazer o espaço. Uso o azul para mostrar o espaço; ou quando abro a aboca, aí ponho o azul. É mesmo o espaço, é engolir a pintura. É agarrar na pintura… Tem de ser o azul.»
Helena Almeida


Helena Almeida nasceu a 11 de Abril de 1934.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Descoberta da Missão Artemis II

Missão Artemis II: NASA mostrou "pôr da Terra" visto da Lua, captou um eclipse total do sol e...





domingo, 5 de abril de 2026

Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa

«Três cousas há na Índia que são escápulas [esteios] de todo o comércio das mercadorias daquelas partes e chaves principais dela.

A primeira, Malaca (...). A segunda, Adem, que está em vinte e um grau de altura, e na entrada e saída do estreito do mar Roxo (...). A terceira é Ormuz, a qual está em quinze graus, e na entrada e saída do estreito do mar da Pérsia. Esta Ormuz a meu ver é a principal de todas. E se el-Rei de Portugal tivera senhoreado Adem com uma boa fortaleza, como tem Ormuz e Malaca, senhoreando estes três estreitos que tenho dito, pudera-se chamar senhor de todo o Mundo (como fez Alexandre, quando chegou ao Ganges), porque com estas três chaves fechava as portas a tudo.

(...)

Ormuz cousa muito antiga é e por razão do seu comércio e navegação é muito nomeada por todo Mundo (...). Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa, que dizem que o anel é o Mundo, e a pedra Ormuz, e assim deve ser, porque ali vêm todas as mercadorias da Pérsia, Tartária, Turquemana, do reino do Gilan, de Bagdad, Cairo e de todas as partes da Índia; e todas as mercadorias que se podem cuidar se acham em Ormuz. É a mais abastada terra de mantimentos que há naquela parte.»

Comentários do Grande Afonso de Albuquerque Capitão Geral que foi das índias Orientais em tempo do muito poderoso Rei D. Manuel o primeiro deste nome


De Ormuz falava quem sabia. 

O rei local foi tributário do rei de Portugal, no século XVI. Aí foi construído o Forte de Nossa Senhora da Vitória ou da Conceição.

 

Tartária - vasta região da Ásia Central e setentrional
Turquemana - terra dos turquemanos: Anatólia e partes do Azerbaijão
Reino do Gilan - no Norte do actual Irão, na região costeira do mar Cáspio


Easter Sunday


quinta-feira, 2 de abril de 2026

50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa


Celebram-se os 50 anos da aprovação e promulgação da Constituição da República Portuguesa.
Verdade que nem todos celebram, há quem vocifere, mas esse é um direito conferido pela própria Constituição.

Algumas dezenas de deputados constituintes marcaram a sua presença na sessão solene da Assembleia da República.
E podemos aferir que o nível e a dignidade desses deputados eram superiores ao dos actuais, alguns dos quais se quedam pelo nível da estrebaria.
Que uma possível (e oportunista) revisão da Constituição esteja nas mãos destes últimos é bem preocupante.


Celebremos hoje, amanhã não sabemos se o poderemos fazer.

  

segunda-feira, 30 de março de 2026

Querem a factura com número de contribuinte?

E quando pensamos que já ouvimos tudo...


«O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está interessado em apelar aos países árabes para que assumam os custos da guerra contra o Irão, afirmou esta segunda-feira a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas.

Questionada em conferência de imprensa sobre se os países árabes estariam disponíveis em contribuir para o pagamento dos custos da guerra, Leavitt disse não querer antecipar-se ao Presidente norte-americano, mas confirmou que é uma ideia assumida por Trump.

"Acho que é algo que o Presidente estaria bastante interessado em pedir-lhes [aos países árabes]", disse a assessora.»

Público, 30 de Março de 2026

Será de levar a questão ao Conselho da Paz...


quinta-feira, 19 de março de 2026

Arquivo de José Mário Branco acessível online

José Mário Branco constituiu um arquivo documental, composto de partituras, ficheiros áudio, espectáculos, correspondência profissional, etc. 
Este arquivo, conservado na própria residência do músico, foi temporariamente disponibilizado ao Centro de Estudos em Música (CESEM - unidade de investigação sediada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa), para a sua categorização, digitalização, higienização e reacondicionamento. 

No final do processo, foi acordado que estes materiais digitais, coerentemente organizados, seriam inseridos numa base de dados própria, para consulta livre online, concebida como instrumento auxiliar para o estudo, divulgação e reapropriação social da obra do músico. 
A base de dados foi apresentada publicamente em Junho de 2018, com a presença do próprio José Mário Branco.

Aos materiais constantes do arquivo têm sido adicionadas imagens e outros dados relevantes para a documentação e contextualização do percurso do artista. 
A gestão do Arquivo Musical José Mário Branco é feita pelo CESEM, em articulação com o Centro de Estudos e Documentação José Mário Branco - Música e Liberdade (CEDJMB-ML), criado pela família do cantor após a sua morte, em 2019.



Até postumamente se evidencia o sentido de organização de José Mário Branco...
... e o facto de ser ML. :)



quarta-feira, 18 de março de 2026

Augusto Abelaira - centenário do nascimento

«Uma vez, o meu pai apareceu-me em casa com um livro de versos, que tinha acabado de sair, de um poeta de certo modo desconhecido, tinha já morrido, abriu o livro e leu-me uma poesia que terminava assim:

"Com que ânsia tão raiva quero aquele outrora
Eu era feliz? Não sei. Fui-o outrora agora."

O poeta em questão chamava-se Fernando Pessoa. Foi a maior revolução literária da minha vida, sobretudo estas últimas palavras: "Eu era feliz? Não sei. Fui-o outrora agora." Mas que história é esta do "Fui-o outrora agora."? O que é certo é que a partir desse dia percebi que a literatura era outra coisa. Acabaram-se os sonetos, acabou-se o Guerra Junqueiro, com injustiça ou não, acho que há alguma injustiça, mas enfim, a grande revolução literária fez-se. 

Dois outros nomes muito importantes apareceram depois, a facilitar este fenómeno de perceber que a literatura era outra coisa. Um foi o Tchecov, com a leitura de um livro que se chama Uma História Vulgar, e outro foi o livro de contos de Katherine Mansfield, o Garden Party. Foi no contacto com estas obras que eu descobri que a literatura era uma coisa diferente de tudo aquilo que eu conhecia até então.»

Excerto de uma entrevista a Mário Ventura (finais da década de 70, início da de 80)


Augusto Abelaira nasceu em Ançã (Cantanhede), a 18 de Março de 1926.


terça-feira, 17 de março de 2026

“Graça Morais: Uma Antologia”

Desde o princípio da semana que podemos ver, no Palácio Anjos, em Algés, uma exposição de 170 obras de desenho e pintura de Graça Morais, que proporciona uma visão ampla da obra desta artista desde a década de 1970 até ao presente.


«Isto é uma antologia, mas não reúne todos os períodos da minha pintura. É uma pequena antologia, mas com grandes obras, a meu ver, e com algumas pequenas. Tem pinturas de grandes dimensões e tem pequenos desenhos, que gosto muito de fazer.

São desenhos que acho que faziam falta nesta exposição para revelar aspetos diferentes da minha criatividade.

Também apresento várias fotografias. Não é costumo dar esse valor às fotografias como obras em si, mas esta exposição tem fotografias que vão ser surpreendentes para muitas pessoas.

Ao longo da minha vida, desde os anos 80, sempre fotografei muito, não com pretensões de fazer fotografias de muita qualidade, mas como uma base de trabalho. Estas ultrapassam essa base de trabalho.»

Destaca-se um painel de grandes dimensões em homenagem aos presos políticos da prisão de Caxias, "um gesto artístico e ético de evocação da resistência e da luta pela liberdade".

Uma boa forma de comemorar o seu 78.º aniversário, cumprido hoje.


Aqui quem fala é da Terra...

 

Elis, o mundo não está diferente...

No dia em que Elis faria 81 anos.


Humor britânico


segunda-feira, 16 de março de 2026

Camilo Castelo Branco, fim do centenário

«Camilo nasceu, em Lisboa, a 16 de Março de 1825, conforme os registos oficiais, e também por ironia do Destino. É como se Maomé tivesse nascido na Gronelândia. Mas Alá não brincou com o seu Profeta; é um deus muito sério ou criado no deserto.»

Teixeira de Pascoaes, O Penitente


Do bi-centenário... mal se deu por ele!


sexta-feira, 13 de março de 2026

Mário Zambujal (1936 - 2026)

«Um baralho de jornais, rádio e televisão. Calça 39. Duas dioptrias. Fuma e faz desporto. Apreciador de serões, de boa conversa, de bacalhau com grão, da paz, da intranquilidade, de morangos, de Woody Allen, de golos de cabeça, da amizade, do convívio, da tolerância, da manga curta, do banho de mar, e de pão com manteiga.»
Apresentação de Mário Zambujal em Pão com Manteiga.


«Tu és realmente o melhor bom malandro do mundo. Gosto tanto de ti.» (Nicolau Breyner)

Mário Zambujal caricaturado por seu irmão,
Francisco Zambujal


Mural de homenagem a Mário Zambujal, 
da autoria de Mariana Duarte Silva, em 
S. Domingos de Benfica (Est. de Benfica)


domingo, 8 de março de 2026

Pop alentejano da moda

"Já não aguento mais o pop alentejano da moda. Já não consigo ouvir mais musiquinhas alentejanas ou pseudo alentejanas feitas num algoritmo que tem o seguinte código: Pá, mete aí um sotaquezinho alentejano pra agradar aos lisboetas."

"(...) construção artificial pensada para o mercado urbano".

Henrique Raposo, Expresso, 4 de Março de 2026

Pois, mas foi assim que os Bandidos ganharam o Festival da Canção!...


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Ruy Belo, em data do seu aniversário

«Aqui eu fui feliz aqui fui terra
aqui fui tudo quanto em mim se encerra
aqui me senti bem aqui o vento veio
aqui gostei de gente e tive mãe
em cada árvore e até em cada folha
aqui enchi o peito e mesmo até desfeito
eu fui aquele que da vida vil se orgulha
Aqui fiquei em tudo aquilo em que passei
um avião um riso uns olhos uma luz
eu fui aqui aquilo tudo até a que me opus»

Ruy Belo

Excerto do poema Meditação anciã, escolhido pelo seu filho para assinalar a data de aniversário.

Fotografia de Manuela Louro


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

David Sylvian - Colheita 58

David Alan Batt, mais conhecido por David Sylvian, nasceu a 23 de fevereiro de 1958.

Cantor, compositor e músico inglês, ganhou destaque no final da década de 1970 como vocalista e compositor do grupo Japan. 

O trabalho que posteriormente produziu a solo ou em parcerias sai dos cânones mais óbvios ou populares/comerciais. Há quem o classifique de esotérico. 

Influenciado por uma variedade de estilos e géneros musicais, incluindo jazz, vanguarda, ambiental, música electrónica e rock progressivo, colaborou com outros grandes nomes, como Robert Fripp e Ryuichi Sakamoto. Foi por aí que o encontrei, com o inevitável Gone To Earth.

Tive oportunidade de o ver e ouvir no Coliseu, em Setembro de 2001.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Carole King, 84

Nunca aqui a tinha referido. 

Reparo essa falha, no dia em que cumpre 84 anos.


Tapestry, do disco do mesmo nome, um dos monumentos de 1971.


António José Seguro, "O Improvável"

Se há dois meses alguém me tivesse dito que António José Seguro iria ser o Presidente da República agora eleito... desmanchar-me-ia a rir!

A confluência de uma série de causas criou o "aqui e agora" que possibilitou essa eleição e por números que lhe conferem uma legitimidade acrescida. 

Nesta segunda volta não se me colocava outra opção de voto. Como definia um amigo, era entre uma postura de Estado e uma postura de Estábulo. 

Haja decência!

P.S.: Procurava uma foto de A. J. Seguro e encontrei um antigo aluno...