Bacalhau escapa ao 21.º pacote de sanções.
Escapará ao 22.º?
A surpresa e a tristeza da notícia da morte de Luís Represas.
Vi-o no passado 21 de Março, na Meo Arena, Viver tudo numa noite. Os colegas saberiam que era a despedida. Não sabíamos nós, na alegria do reencontro.
A voz não podia ser a de há 30 ou 40 atrás, mas era... "aquela voz" e parecia estar bem.
«Tínhamos começado há dois meses, aquilo era ainda muito imberbe, mas tocámos umas quatro ou cinco músicas no palco 1, com 5 mil pessoas à frente. Foi o prenúncio de alguma coisa que estava para vir.» (Luís Represas)
Revi-os, já mais crescidos - a sair da adolescência -, em 13 de Dezembro de 1977, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, num espectáculo promovido pelas Associações de Letras, Medicina e ISCTE.
Foi a época da minha entrada na Faculdade, o meu primeiro acto académico, quase diria, num ano lectivo em que as aulas, com a enchente de alunos, só começaram em Fevereiro-Março.
Depois foi o seguir a carreira, as várias festas do Avante, concertos outros, os discos (vinil e CD).
Em 1989, qual coroa de glória (porque eu estava lá e tive alguma coisa a ver com isso...), o Trovante actuou no campo de jogos da então Escola Preparatória Paulo da Gama (Amora), espectáculo integrado na Semana da Música.
O Trovante (no singular) foi um grupo charneira entre gerações e a música portuguesa seria muito mais pobre sem eles, no colectivo, a solo ou em colaboração com outros.
Sempre valorizei mais a sua actividade artística (tal como a dos outros elementos) no seio do Trovante.
Agora, mais do que nunca, é ouvir e recordar.
Obrigado, Luís!
«A entrada gratuita em museus,
monumentos e palácios passou a ser possível durante 52 dias por ano para
portugueses e residentes em Portugal, em qualquer dia da semana, a partir de
agosto de 2024. Até então, e desde setembro de 2023, a gratuitidade era restringida
aos domingos e feriados.
“A média é de 1,4 utilizações, ou
seja, mais de 60% das pessoas só vai uma vez. Não estamos a consolidar nem a
criar hábitos culturais regulares. A mim preocupa-me. […] A medida não está a
ter o impacto que queríamos que tivesse. Não é para acabar com a medida. Tenho
de investir, além da questão do acesso”, sublinhou.
Tendo em conta que dos 37 museus, monumentos e palácios 18 estão ou estiveram encerrados ou parcialmente condicionados por causa de obras no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, a ministra revelou que este regime de gratuitidade teve “custos, com uma perda de receita associada à medida de 10 milhões de euros”.»
Notícia da Lusa
Tão poucas entradas, tanta perda de receita?
... o manto diáfano da fantasia. (Eça de Queiroz)
«Não há um caos nos exames nacionais. (...)
A classificação dos exames nunca foi tão transparente e o rigor nunca esteve tão assegurado.»
(Luís Montenegro)
O Decreto-Lei nº 40 690, de 18 de Julho de 1956, oficializava
os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 –
1955), magnata e filantropo de origem arménia, visava o apoio à Arte, à Ciência,
à Educação e à Beneficência.
Calouste Gulbenkian acumulou uma fortuna colossal com base nos negócios de exploração de petróleo no Médio Oriente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo na primeira metade do século XX. Construiu, também, uma fabulosa colecção de arte, constituída por mais de 6 mil obras.
Refugiou-se em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial (vindo
de França, em 1942, com a ideia de aqui “fazer escala” para seguir para os EUA)
e aqui acabou por viver até ao final da sua vida, no Hotel Aviz, à época o mais
luxuoso hotel da capital (demolido em 1962).
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| Hotel Aviz - sala de estar |
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| Vista aérea do Parque de Santa Gertrudes (ao centro), ainda com equipamentos da Feira Popular. |
Esse complexo, a que foi acrescentado, em 1983, o Centro de Arte Moderna (CAM), foi inaugurado a 2 de Outubro de 1969. Mas nessa data já funcionavam serviços de atividades na área da educação, saúde, música, belas-artes e bibliotecas, tinham sido criados o Instituto de Investigação Científica Gulbenkian, o Plano de Edições de obras estrangeiras traduzidas, a Orquestra Gulbenkian, o Grupo Gulbenkian de Bailado e o Coro Gulbenkian. Em 1965 patrocinara a primeira Campanha Nacional de Vacinação.
O projecto da sede, do museu e do jardim foi uma obra marcante em termos arquitectónicos, tendo sido classificada como Monumento Nacional. Os edifícios são da autoria de Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e os jardins de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.
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| A sede, o museu e os jardins em construção (final da década de 60) |
Com 70 anos, a FCG continua a ser uma referência global em todas as suas áreas de actuação.
José Carlos Vasconcelos, na revista Visão de 16 de Junho,
escreve:
«(…) a Fundação Calouste Gulbenkian mudou Portugal. Ou
ajudou decisivamente a mudar Portugal. Para melhor. Sempre. Numas fases mais do
que noutras, com picos e menos altos, dependendo também de factores externos.
E, creio, sobretudo, ou de forma mais nítida, nos seus primeiros quase 20 anos,
durante a ditadura.
Nesse tempo a Fundação foi, quanto possível, uma espécie de Ministério da Cultura e de Ministério da Ciência que não existiam. Além, quanto as circunstâncias o permitiam, um exemplo de autonomia perante o totalitário poder vigente, no sentido de não condicionar aos seus, desse poder, interesses e critérios políticos os apoios nas suas áreas de intervenção (artes/cultura, social/desenvolvimento humano, educação, ciência).»
Depois foram muitos dias passados na Biblioteca - final do liceu (pós-25 de Abril) e faculdade. Seguiram-se as temporadas de concertos, alguns espectáculos do Ballet Gulbenkian e as visitas ao Museu. Regularmente as exposições e, sempre, os espaços dos jardins, recentemente ampliados.
Ainda teremos uma Fundação Gulbenkian septuagenária a ser, novamente, o Ministério da Cultura em Portugal?
P.S. - Gostaria de saber se a posição do CDS é concordante com a do seu vice-presidente.
«Em jeito de reconhecimento [sic] do esforço de todos os professores que estão neste momento, numa manhã de sábado, a corrigir as provas dos exames nacionais, foi decidido pelo senhor ministro da Educação que o Governo vai pagar horas extraordinárias a todos os professores que estão a corrigir essas provas, em reconhecimento pelo seu esforço extraordinário.»
Não foi ninguém do Governo que o afirmou, foi o nóvel porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, certamente enfadado pela falta de protagonismo, de visibilidade, como deputado europeu. A politiquice dá muito mais pica!
Uma medida governativa anunciada por uma estrutura partidária (mesmo sendo do partido maioritário do Governo), em conferência de imprensa.
E logo "em jeito de reconhecimento" - uma gorjeta!
Falta de jeito!
O facto de os exames estarem todos ali, num armazém em Mem Martins, sob vídeo vigilância, tranquiliza-nos.
Consigo imaginar a emoção que atravessa aquele espaço quando é reportado um problema com a digitalização de uma prova que seja... O sorriso daquele que irá carregar o escadote para procurar a prova na prateleira de cima da estante mais longínqua...
Quanta felicidade transparecerá no rosto daqueles que ali mourejam...
Miguel Szymanski
Complica-se o que devia ser simples, desperdiça-se tempo, meios, dinheiro (serão centenas de milhões de euros em computadores, scanners, digitalizadores contratados)...
O título é uma pergunta que sempre acompanhava Manuel António Pina.