O Decreto-Lei nº 40 690, de 18 de Julho de 1956, oficializava
os estatutos da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
Criada por testamento de Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 –
1955), magnata e filantropo de origem arménia, visava o apoio à Arte, à Ciência,
à Educação e à Beneficência.
Calouste Gulbenkian acumulou uma fortuna colossal com base nos negócios de exploração de petróleo no Médio Oriente, tornando-se um dos homens mais ricos do mundo na primeira metade do século XX. Construiu, também, uma fabulosa colecção de arte, constituída por mais de 6 mil obras.
Refugiou-se em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial (vindo
de França, em 1942, com a ideia de aqui “fazer escala” para seguir para os EUA)
e aqui acabou por viver até ao final da sua vida, no Hotel Aviz, à época o mais
luxuoso hotel da capital (demolido em 1962).
![]() |
| Hotel Aviz - sala de estar |
![]() |
| Vista aérea do Parque de Santa Gertrudes (ao centro), ainda com equipamentos da Feira Popular. |
Esse complexo, a que foi acrescentado, em 1983, o Centro de Arte Moderna (CAM), foi inaugurado a 2 de Outubro de 1969. Mas nessa data já funcionavam serviços de atividades na área da educação, saúde, música, belas-artes e bibliotecas, tinham sido criados o Instituto de Investigação Científica Gulbenkian, o Plano de Edições de obras estrangeiras traduzidas, a Orquestra Gulbenkian, o Grupo Gulbenkian de Bailado e o Coro Gulbenkian. Em 1965 patrocinara a primeira Campanha Nacional de Vacinação.
O projecto da sede, do museu e do jardim foi uma obra marcante em termos arquitectónicos, tendo sido classificada como Monumento Nacional. Os edifícios são da autoria de Ruy d’Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa, e os jardins de Gonçalo Ribeiro Telles e António Viana Barreto.
![]() |
| A sede, o museu e os jardins em construção (final da década de 60) |
Com 70 anos, a FCG continua a ser uma referência global em todas as suas áreas de actuação.
José Carlos Vasconcelos, na revista Visão de 16 de Junho,
escreve:
«(…) a Fundação Calouste Gulbenkian mudou Portugal. Ou
ajudou decisivamente a mudar Portugal. Para melhor. Sempre. Numas fases mais do
que noutras, com picos e menos altos, dependendo também de factores externos.
E, creio, sobretudo, ou de forma mais nítida, nos seus primeiros quase 20 anos,
durante a ditadura.
Nesse tempo a Fundação foi, quanto possível, uma espécie de Ministério da Cultura e de Ministério da Ciência que não existiam. Além, quanto as circunstâncias o permitiam, um exemplo de autonomia perante o totalitário poder vigente, no sentido de não condicionar aos seus, desse poder, interesses e critérios políticos os apoios nas suas áreas de intervenção (artes/cultura, social/desenvolvimento humano, educação, ciência).»
Depois foram muitos dias passados na Biblioteca - final do liceu (pós-25 de Abril) e faculdade. Seguiram-se as temporadas de concertos, alguns espectáculos do Ballet Gulbenkian e as visitas ao Museu. Regularmente as exposições e, sempre, os espaços dos jardins, recentemente ampliados.

















































