Mel Collins chega hoje aos 79!
Passou por tantos projectos musicais...
Fica aqui nos King Crimson, onde os sopros lhe pertencem.
Mel Collins chega hoje aos 79!
Passou por tantos projectos musicais...
Fica aqui nos King Crimson, onde os sopros lhe pertencem.
Apesar de ser uma festa anual, nos 50 anos da sua 1.ª edição, será a 49.ª Festa do Avante! Em 1987, por diferendo em relação ao terreno do Alto da Ajuda, não se pôde realizar.
Num país saído havia pouco da ditadura, o evento foi algo
novo e original na vida política e cultural. O espírito era de um
cosmopolitismo aberto, sobretudo, ao mundo antes interdito da Europa de Leste,
com as suas bancas de artesanato e produtos culturais, em alguns casos de
gastronomia (lembro-me do goulash húngaro). As “Cubas livres” circulavam a
grande velocidade.
Mas os artistas – aquilo
que mais me interessava – eram de geografias muito variadas, a começar pelos
naturais, os que se destacaram a cantar a liberdade antes e depois do 25 de
Abril.
O espaço da FIL era muito limitado para tanta festa. Na bancada frente ao palco principal, quando os mais jovens se instalavam para assistir a uma das principais atracções musicais, os Area, instalavam-se também os “velhos” militantes comunistas, alguns vindos de longe, para assistir ao discurso que Álvaro Cunhal iria fazer no mesmo palco logo após o grupo de jazz-rock italiano.
Os diferentes interesses em jogo manifestaram-se logo no início do concerto, quando os “camaradas” começaram a reclamar contra o nível de som, demasiado alto para os seus ouvidos.
Lembro-me, no último dia, de ter assistido, a encerrar a festa, ao concerto de Carlos do Carmo, ficando a aguardar que o pai de uma colega do liceu me desse a boleia para casa. E bem que aguardei… Enquanto militante, ainda ficou a ajudar nas arrumações finais.
A festa passaria, nos anos seguintes, pelo Jamor, Alto da Ajuda, Loures (onde um
dia, quando consegui chegar à Quinta do Infantado, a festa estava já a
encerrar, tal foi o engarrafamento que apanhei!) e Amora (Quinta da Atalaia) desde 1990.
Apesar da Amora ser território familiar - durante décadas trabalhei na freguesia - foi a partir da mudança da festa para a margem Sul que eu fui deixando de comparecer.
A crise da hérnia discal de 1992 marca a fronteira temporal a partir da qual me começaram a marcar faltas de presença. Os nomes grandes da música internacional, que eram o chamariz, deixaram de ser tão frequentes e passaram a ser vistos mais facilmente noutros eventos. Também a idade foi tirando a disposição: "já não estamos por tudo!"
«Uma Festa como efectivamente Portugal jamais vira, não apenas porque a actividade do Partido Comunista fora forçada à clandestinidade, mas também porque a repressão que forçou o nosso Partido à luta clandestina atingia afinal não apenas os comunistas mas todos os potugueses, a sua liberdade, a sua felicidade - a sua vida em suma.
A Festa do «Avante!», sendo uma Festa organizada pelos comunistas teria de ser uma grande Festa da vida, dessa vida que o fascismo reprimiu e tentou destruir, uma festa popular onde, finalmente liberto, o povo pudesse construir e conhecer a realidade de ser livre.
Esta grande festa da liberdade e do homem que organizámos na FIL correspondeu
inteiramente ao que dela esperávamos.» (Rúben de Carvalho)
«Sempre que vou jantar a casa dos meus pais, saio de lá com a infância atravessada: Benfica mudou, a minha mãe deixou de ter 30 anos, posso fumar sem que ninguém me proíba, quando vem a travessa para a mesa nunca são fatias recheadas, não encontro os meus irmãos de pijama, com os cabelos loiros molhados do banho. A casa dos meus pais não se alterou muito: os quartos dos filhos transformaram-se em salas, mas o cheiro é o mesmo. Há retratos de mortos: os meus avós, alguns tios, algumas tias, mortos que nunca me habituei ao facto de estarem mortos, que não me espantaria se entrassem de repente, pessoas que me fazem uma falta dos diabos e a quem não faço falta nenhuma porque nada agora lhes faz falta quanto mais eu. Sempre que vou jantar a casa dos meus pais saio de lá com a infância atravessada (...)»
António Lobo Antunes, Crónica na revista Visão, 11 de Setembro de 2003
Hoje é o primeiro de Setembro em que António Lobo Antunes já não comemora os seus anos.
(Deveria dizer "o primeiro primeiro de Setembro"?)
![]() |
| Mural num prédio de Benfica, da autoria de Edis One |
A desfazer a ideia de Setembro como princípio do ano, agora que vou deixando de contar o tempo em função de anos lectivos. Desfragmento-o...
... onde hoje se comemora o seu 81.º aniversário.
Recebemos a notícia do falecimento de Narana Coissoró, antigo dirigente do CDS.
Não me prende a este partido qualquer laço de especial afinidade/simpatia política, mas penso que há uma diferença tão grande entre aquilo que eram, em tempos mais recuados, os dirigentes políticos do CDS e aquilo que são os actuais, que não deixo de sentir respeito pelos antigos.
E li o texto emocionado de Isabel Moreira a recordar a sua amizade e consideração para com Narana Coissoró, próximo de seu pai, Adriano Moreira.
Penso que ficámos todos a ganhar...
Foi a primeira vez que Portugal bateu Espanha num jogo oficial.
O currículo da selecção espanhola é de peso! Contando as principais provas:
4 campeonatos da Europa (mais 6 medalhas de prata e 4 de bronze)
2 campeonatos do Mundo
3 medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos Olímpicos
Que a vitória sirva de alento para o resto do apuramento.
O dia 24 de Agosto de 1820 foi decisivo para a construção do Portugal contemporâneo.
Um pacífico pronunciamento militar iniciou o derrube da monarquia absoluta e a edificação de um regime de monarquia constitucional.
As forças militares juntaram-se nas imediações do quartel de artilharia no Campo de Santo Ovídio (actual Praça da República), no Porto.
Dizem que o dia amanheceu radioso.
Hoje, 206 anos depois, no mesmo local, o mau tempo provocou estragos.
Será uma vingança dos espíritos absolutistas?
Eles andam por aí...
Eça de Queiroz, Os Maias
No final do 1.º ano da faculdade (1977-78), à chegada de uma visita de estudo - a única de todo o curso! - ao Castro do Zambujal (Torres Vedras).
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Helder
Fiodor Dostoievski, Os Irmãos Karamazov
Conheci dias duradouros,
o sol tão longo entre manhã e tarde.
Um levantar súbito de luz
por trás da crista das heras no muro velho,
e depois descer no verão entre grades verdes
e para além do portão como a cair no Hades,
no inverno. Não havia tempo
nos dias longos, mas a passagem diária
do sol abençoado.
Fiama Hasse Pais Brandão
... de 1999.
Às 10:51 - hora em Greenwich - ocorreu um eclipse total do Sol, o último do 2.º milénio.
Em Portugal, o eclipse foi visto como parcial, variando a sua magnitude entre 62% em Faro e 77% em Bragança.
27 anos de distância, registados nos óculos homologados e cheios de logótipos (Direcção-Geral da Saúde, Societas Ophtalmológica Lusitânica, Ordem dos Médicos, Associação Nacional das Farmácias e Observatório Astronómico de Lisboa - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).
«Este é o nó górdio da Educação em Portugal: o conhecimento que os alunos têm ou não à entrada do Superior. Ninguém diz o óbvio: os alunos em Portugal nada lêem. Escrevem mal. Pensam mal. Têm pouca linguagem. A ignorância quanto a factos histórico-culturais é profundíssima; não dominam verbos, não entendem o que lhes é pedido que façam em situação de exames. Quem fala disto?
(...)
Todo o estudante, na verdade, sabe que já não é preciso ler-se seja o que for para "entrar" na faculdade. Saber escrever de forma analítica e crítica, aplicar técnicas de análise textual, relacionar conceitos com factos históricos, considerar problemas abstractos com observação de problemas concretos, colocar hipóteses de sentido, comprovar essas hipóteses, citar com propriedade, construir um argumento válido e verdadeiro - tudo isso é o passado e este é o tempo do ChatGPT, do sucesso e da fama nas redes sociais, da IA que tudo resolverá.»
António Carlos Cortez, Visão, 16 de Julho de 2026
Airto Moreira, o insigne percussionista brasileiro, completa hoje 85 anos.
Votos de muita batucada na vida.
Comfortably Numb numa colaboração entre Roger Waters e a artista palestiniana Mona Miari.
Com versos inéditos em inglês e árabe, a canção aborda temas como a deslocação, a memória, a perda e a busca incessante pela justiça e pela dignidade humana.
"Obrigado ao muito respeitado Mohammed VI, rei de Marrocos. Uma tremenda honra! Estou ansioso por percorrer toda a extensão desta Grande Autoestrada um dia, espero que em breve!", são as palavras de Donald Trump publicadas num vídeo promocional do projeto marroquino.
«Vivemos numa época de notável cegueira espiritual e cultural. Um falso pragmatismo convida-nos a cortar as raízes da memória, como se fosse possível inaugurar uma espécie de “nova criação” desligada do passado; mesmo quem invoca grandes princípios morais pode cair neste niilismo histórico, iludindo-se com a ideia de que as atrocidades do século XX não se podem repetir. Na realidade, as mesmas dinâmicas ressurgem sob novas formas. Parece voltar a impor-se a lógica do equilíbrio armado e da dissuasão. Mas, ao contrário do cenário bipolar da Guerra Fria, hoje a multiplicação dos protagonistas e das frentes de conflito torna esta lógica cada vez mais frágil. A conflitualidade exacerbada conduz a guerras assimétricas e “híbridas”, travadas também em âmbito económico, financeiro e informático, com o recurso à desinformação e a campanhas que alimentam o medo para influenciar a opinião pública. Em muitos países, também no Sul Global, o aumento das despesas militares é apresentado como a única resposta a um futuro incerto ou a ameaças pressentidas, enquanto o custo real recai sobre os mais pobres, que assistem à redução dos recursos destinados à saúde, à instrução e aos serviços sociais.»
Carta encíclica Magnifica Humanitas, Padre Leão XIV
A surpresa e a tristeza da notícia da morte de Luís Represas.
Vi-o no passado 21 de Março, na Meo Arena, Viver tudo numa noite. Os colegas saberiam que era a despedida. Não sabíamos nós, na alegria do reencontro.
A voz não podia ser a de há 30 ou 40 atrás, mas era... "aquela voz" e parecia estar bem.
«Tínhamos começado há dois meses, aquilo era ainda muito imberbe, mas tocámos umas quatro ou cinco músicas no palco 1, com 5 mil pessoas à frente. Foi o prenúncio de alguma coisa que estava para vir.» (Luís Represas)
Revi-os, já mais crescidos - a sair da adolescência -, em 13 de Dezembro de 1977, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, num espectáculo promovido pelas Associações de Letras, Medicina e ISCTE.
Foi a época da minha entrada na Faculdade, o meu primeiro acto académico, quase diria, num ano lectivo em que as aulas, com a enchente de alunos, só começaram em Fevereiro-Março.
Depois foi o seguir a carreira, as várias festas do Avante, concertos outros, os discos (vinil e CD).
Em 1989, qual coroa de glória (porque eu estava lá e tive alguma coisa a ver com isso...), o Trovante actuou no campo de jogos da então Escola Preparatória Paulo da Gama (Amora), espectáculo integrado na Semana da Música.
O Trovante (no singular) foi um grupo charneira entre gerações e a música portuguesa seria muito mais pobre sem eles, no colectivo, a solo ou em colaboração com outros.
Sempre valorizei mais a sua actividade artística (tal como a dos outros elementos) no seio do Trovante.
Agora, mais do que nunca, é ouvir e recordar.
Obrigado, Luís!