"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jorge Barros (1944 - 2026)

«Jorge correu Portugal fotografando os seus mistérios telúricos, os seus abismos, os rostos e o espanto dos que, neste chão, continuam peregrinando uma espécie de destino ou de penitência»", disse Fernando Alves, no seu programa Sinais de hoje, na TSF.

Correu Portugal e apaixonou-se pelos Açores. 

«O amor para com os outros é o melhor de nós. E é o melhor de nós que encontro no meio deste mar imenso.» 

Foi por causa dos Açores que conheci as suas fotografias.

São elas que acompanham os poemas de Manuel Alegre em Escrito no mar Livro dos Açores (2007). 

Em 2012, editou o texto clássico de Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas, com fotografias suas - falei aqui desse livro, numa magnífica edição. 

O levantamento fotográfico foi feito entre 1988 e 2011.

Ainda sobre os Açores, publicou Romeiros da Fraternidade, sobre os ranchos de romeiros que, na ilha de São Miguel, percorrem trilhos, caminhos e estradas à volta da ilha durante a época da Quaresma. 


Efectuou várias exposições e tem outros trabalhos publicados, nomeadamente em livros da colecção dos CTT.

Jorge Barros, nascido em Alcobaça, faleceu ontem, em Lisboa.

Em breve estará nas livrarias o seu último livro, Espantalhos e Campos, cuja edição especial o autor ainda teve o gosto de ver impressa. 


terça-feira, 9 de setembro de 2014

As ilhas (re)conhecidas

Encontrei as minhas ilhas conhecidas nas notas e paisagens de Raul Brandão e nas fotografias de Jorge Barros.


«Este livro é feito com notas de viagem, quase sem retoques. Apenas ampliei um ou outro quadro, procurando sempre não tirar a frescura às primeiras impressões.»
Raul Brandão (1926)


«Sempre que regresso às ilhas atlânticas trago comigo o livro de Raul Brandão. Descubro na sua leitura sítios e situações - na luz e no silêncio -, coisas que me surpreendem, seduzem, fascinam.
Mas é o convívio humano - olhares, gestos -, e a sua generosa entrega, que me enriquece espiritualmente e que aqui procurei evocar.
O amor para com os outros é o melhor de nós. E é o melhor de nós que encontro no meio deste mar imenso.»
Jorge Barros (2011)


«A nossa última viagem foi aos Açores numa época (1926) em que quase não se falava ainda nesse lindo arquipélago, e Raul Brandão partiu com o carinho que sempre dispensava a qualquer obra que empreendesse (...)
(...) em todas as ilhas ficou um pouco do nosso coração.
Foi talvez esta a última viagem, que tanto nos encantou, a causa do avanço mais rápido da doença de Raul Brandão porque a sua saúde já era precária e o trabalho foi exaustivo, a aproximação constante do mar devia ter influído na depressão tão grande do seu coração.»
Maria Angelina Brandão, Um Coração e uma Vontade. Memórias (1959)