"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

terça-feira, 22 de setembro de 2026

José Viale Moutinho (1945 - 2026)

Mais uma boa alma que parte, neste último dia de Verão.

José Viale Moutinho, escritor, jornalista e mais coisas.
Dedicou uma parte importante do seu trabalho à literatura e às tradições populares, e ao estudo e divulgação da vida e obra de Camilo Castelo Branco.

Não o conhecia como poeta, mas, no dia da sua morte, um amigo recordou este seu poema de 1986. 

PROTESTO
é a voz de sempre que
se afasta mordendo as
mãos e os lábios deste
que vai lendo os livros
sair assim de repente
e a contragosto não é
sequer um direito meu
a penetrar no paraíso
hoje pouco mais direi
nem sequer os silêncios
da amargura do costume
ergo-me devagar alado
o sol é quase tão longe
como estar pela terra



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