"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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segunda-feira, 27 de abril de 2026

É ler a legenda...


Da prisão negra em que estavas
a porta abriu-se p'ra rua.
Já sem algemas escravas,
igual à cor que sonhavas,
vais vestida de estar nua.

Liberdade, liberdade,
tem cuidado que te matam.

(...)
Jorge de Sena, Cantiga de Maio (4-06-1974)


Graça Morais - Painel de homenagem aos presos políticos da Prisão de Caxias

domingo, 26 de abril de 2026

Dia 26 - Exílio!


Desta forma sucinta, o último Presidente da ditadura encerrou o caderno Efemérides ligadas à ida para a Presidência da República e à estadia nela, iniciado em 1958.

Afastado do cargo pelo golpe militar de 25 de Abril de 1974, que descreve como «golpe militar-comunista do movimento dos capitães que a ausência de resistência tornou triunfante.», foi levado para a Madeira, de onde seguiria para o Brasil, com a família.

Fim de regime.


26 de Abril de 1974 - A certeza da vitória

26 - Abril (Sexta). Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente I


Foto de Alfredo Cunha



quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O 25 Novembro - perspectivas (José Pacheco Pereira)

Encontrei este vídeo, já com uns anitos, recuperado por alguém a propósito do 25 de Novembro e multipartilhado pelas redes.

Achei interessante, porque a sua interpretação dos acontecimentos do 25 de Novembro se mantém, coerente, com o que afirmou no passado fim de semana, combatendo "a mistificação política associada às comemorações do 25 de Novembro" que se espalhou por aí (Pontos nos ii do 25 de Novembro).



terça-feira, 25 de novembro de 2025

A Guerra das Rosas

Não a inglesa, entre os apoiantes da Casa de Lancaster e os da Casa de York.

A da nossa Assembleia da República, onde a alergia mórbida aos cravos vermelhos redundou, na cerimónia do 25 de Novembro, num mar de rosas... brancas, símbolo da pureza, da paz e da inocência.


Por entre as rosas, um raro momento em que AV foi apanhado com cravos vermelhos na mão (com vontade de os estralhaçar, esclareça-se!). Deve ter-se desinfectado logo de seguida...


25 de Novembro - Final do PREC, sinal do PREC

Os setores da direita, ao fim de 50 anos, sentiram-se institucionalmente com força para, num exercício de revanchismo, celebrarem o 25 de Novembro de 1975 como uma data relevante e minimizarem o 25 de Abril de 1974.

O labroste do Chefe do Governo não esteve para se chatear, lavou as mãos e delegou a festa no Ministro da Defesa, líder do partido menor da coligação.

O Ministro da Defesa, um boçal, encheu o peito de ar e arcou com a organização da gala, estimulando a manipulação da História, de forma a que até parece verdade que da direita tenham partido as acções decisivas do 25 de Novembro ou do processo que a ele conduziu.

O PS, que, na realidade, foi o partido vencedor do golpe ou contra-golpe das forças moderadas de esquerda ou centro-esquerda - destaque para o Grupo dos Nove, o Presidente da República (Gen. Costa Gomes) e Ramalho Eanes - nunca assumiu inteiramente o sucesso da sua acção pró-institucional/democracia liberal e parece ter vergonha da derrota causada à esquerda. Não se afirmou como vencedor e a vitória, agora, é cantada pela direita (que, à boleia, bastante beneficiou, pelo que se compreende a romaria).

As esquerdas à esquerda do PS foram derrotadas, não têm nada a celebrar no 25 de Novembro, a não ser... terem a liberdade de continuar a existir. Esquerdas no plural, porque havia grupos para todos os gostos e diferentes perspectivas. Dizer que, de um lado, havia o PCP e, do outro, havia os "esquerdistas", simplifica, mas há nuances (tal como a direita não era/é toda igual). Mas, para todos eles, o PREC entrou em falência!

As massas ululantes que agora, por vários meios, se manifestam à direita, acham bem que se celebre ardorosamente a data, pois vibram, sobretudo, com a derrota dos Abrilistas/Comunistas/Esquerdistas e outros nomes (esclarecedoramente) atribuídos a uma massa informe aos seus olhos, porque o sectarismo embisga as mentes, não me parece que muitos compreendam (ou queiram, sequer!) a complexidade do contexto histórico (político e militar) em que os acontecimentos se deram e nem me parece que conheçam os próprios acontecimentos. Alguns lamentarão não se ter chegado à interditação do PCP e de outras organizações de esquerda. A vontade de celebração, nestes casos, não se fica pelo 25 de Novembro : chegará ao dia 24 de Abril de 74! É o PREC - Processo Reaccionário em Curso.


Parece-me que ainda há factos no 25 de Novembro que não estão suficientemente claros quanto à sua génese, e duvido que alguma vez isso venha a acontecer: as fontes escritas não deixarão a verdade escarrapachada, o que alguns dos intervenientes contaram não esclarece a 100 por cento e muitos deles já não poderão (re)contar a(s) sua(s) verdade, a(s) qual(is), uns anos depois, também já teriam umas distorções, zinhas ou zonas, conforme os casos.

Há peças difíceis de encaixar no puzzle político-militar da época. As leituras não são uniformes e o quadrante ideológico de quem interpreta ajuda a divergi-las.

Os historiadores podem continuar o seu trabalho, de preferência sem as manipulações que enviesam a realidade.


domingo, 27 de julho de 2025

Os "Índios da Meia Praia"

A morte de Nuno Portas, arquitecto fundador do projecto SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local), relacionado com a construção de habitação social no período do PREC, fez lembrar as acções urbanísticas iniciadas entre 1974 e 1976, ano em que o projecto passou para a alçada das autarquias e perdeu a dinâmica inicial.

No seu âmbito, foram construídos 76 bairros e conseguiu-se o envolvimento de 42 mil famílias. 

Um dos bairros construídos, e que uma canção tornou famoso, foi o Bairro 25 de Abril, em Lagos, mais conhecido pela comunidade dos “Índios da Meia Praia”. 

É a construção desse bairro pela comunidade piscatória que José Afonso canta. 



sábado, 5 de julho de 2025

General Garcia dos Santos (1935-2025)

«Não há nenhuma operação militar que tenha êxito se as transmissões não funcionarem. E felizmente as transmissões funcionaram bem.»

Quem o disse foi o General Garcia dos Santos, Tenente-Coronel à data do 25 de Abril de 1974, acontecimento em que foi o responsável pelas transmissões, a sua área de eleição nas Forças Armadas e de que era professor na Academia Militar.

Garcia dos Santos faleceu ontem, com 89 anos.

Tendo começado a participar nas reuniões do MFA a convite de Fisher Lopes Pires, elaborou o "anexo de transmissões" - todo o plano de transmissões, por telefone e rádio, do posto de comando da Pontinha com todas as forças militares - depois de Otelo Saraiva de Carvalho lhe ter passado a "Ordem de Operações" no dia 15 de Abril.

O seu "anexo de transmissões" foi distribuído, a 23 de Abril, aos oficiais que participaram no golpe.

«Uma das mais importantes acções então adoptadas foi a colocação [em tempo recorde] de um cabo telefónico entre o Regimento de Engenharia na Pontinha, local escolhido para posto de comando e o Serviço de Telecomunicações Militares, o que permitiu aos revoltosos escutar os contactos estabelecidos entre as forças que apoiavam o regime (PIDE/DGS; Legião Portuguesa, GNR; PSP) e as comunicações entre membros do governo e as chefias militares nos dias 24 e 25 de Abril, o que constituiu uma importante mais-valia para o sucesso do golpe.»

Foi um dos "Nove", estando envolvido no plano operacional do 25 de Novembro - novamente as transmissões -, coordenado por Ramalho Eanes, de quem foi chefe da Casa Militar.

Desempenhou ainda vários cargos políticos e militares até ao final do século XX. Demitiu-se do Conselho das Ordens Nacionais, órgão que funciona na dependência do Presidente da República, em ruptura com Cavaco Silva quando este era Chefe do Estado, acusando-o de ser uma "nulidade completa". 


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Eduardo Gageiro (1935 - 2025)


Foi um dos fotógrafos do 25 de Abril de 74 - "a reportagem mais importante da minha vida".
Já antes se tinha destacado pelo seu trabalho, quando fotografava as pessoas humildes, embora o poder preferisse que ele fotografasse as paisagens bonitas. Por isso chegou a ser preso.


O regime também não teria gostado do que fotografou no dia 25 de Abril e nos que se seguiram...



As deposições na sede da PIDE

Obrigado ao Mestre!


domingo, 1 de junho de 2025

Exposição "Venham mais cinco" - Almada


Exposição com 200 imagens, em grande formato, de alguns dos maiores fotógrafos do mundo que retrataram a Revolução Portuguesa (1974-1975).


sexta-feira, 25 de abril de 2025

Há 50 anos: a primeira experiência de sufrágio livre, direto e universal





E que experiência!

Nesta data, ainda eu não tinha direito a votar.
Mas lembro-me do entusiasmo que foi, da campanha eleitoral, do movimento na rua no dia das eleições, da noitada a ouvir os resultados...
Era tudo uma novidade e uma descoberta. Uma aprendizagem.

E, à distância de 50 anos, penso no mérito de quem preparou todo o processo eleitoral - apesar da inexperiência de um acto desta natureza, pouco houve que alterar desde essas eleições - e na qualidade dos deputados eleitos para a Assembleia Constituinte, que ponderaram as experiências históricas dos diferentes regimes políticos contemporâneos portugueses e elaboraram uma Constituição que equilibra harmoniosamente, a meu ver, os diferentes poderes, procurando evitar erros cometidos no passado.


Sempre!









Há vantagem em ser jovem e poder andar às cavalitas!

Muita juventude no desfile, felizmente.
(e não falo dos pequenos que ainda andam às cavalitas)


domingo, 13 de abril de 2025

Carlos Matos Gomes (1946 - 2025)


Morreu Carlos Matos Gomes, um dos mais destacados elementos do Movimento dos Capitães na Guiné, berço do nascimento do espírito que levaria ao 25 de Abril.

Sempre muito interventivo na defesa dos valores por que se bateu mais de cinco décadas, "comando" nas três frentes de guerra (Angola, Moçambique e Guiné), foi um dos militares descartados com o 25 de Novembro.

Seguia-o nas suas análises políticas, argutas, por via de regra em contracorrente, mas, sempre, comprometidamente livres.

Comecei por o conhecer pelo nome de Carlos Vale Ferraz, pseudónimo com que assinou um conjunto de romances em que as questões em torno da guerra colonial são centrais.

Investigou e publicou sobre História Contemporânea de Portugal, nomeadamente Guerra Colonial, com Aniceto Afonso.

Vítima de doença oncológica, fez o deve e haver de uma vida em Geração D (editado em Março de 2024) .

«Esta geração protagonizou a grande mudança da história de Portugal, a que acabou com a ditadura, com a guerra, com as leis da sociedade patriarcal, mas continuou a conviver com a ideia de um glorioso passado em simultâneo com a ilusão de um futuro maravilhoso. É a geração de outros D: da Democracia, da Deserção, da Descolonização, das Doutrinas e do Doutrinar, da Discussão, da Dialéctica, do Desmistificar e do Desmitificar, do Desmobilizar, da Denúncia, da Desobediência, do Divórcio.

A Geração D viveu sob um regime de "doidos do império" e libertou-se dele! Calhou-lhe ser a primeira geração que, pela liberdade e universalidade do voto, foi inteiramente responsável pelo seu presente e pelo seu futuro.

Obedecer ou contestar? Falar ou calar-se? Recordar ou esquecer? Manter os ideais ou renegá-los? Vender-se no mercado ou manter-se fora da montra? Dilemas éticos e morais que têm provocado enjoos.

O D dos Dilemas é também o do Desafio e o do Desprezo pelos Desprezíveis da Geração D.»

Desiludido, mas não Desistente...


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

25 de novembro - 49 anos

A sede de ir ao pote é tão grande, que a promoção da operação militar de 25 de novembro de 1975 a sessão solene evocativa anual na Assembleia da República nem esperou por um aniversário mais "redondo", como seriam os 50 anos. 

Quem assim quer comemorar o 25 de novembro quer fazê-lo por oposição ao 25 de Abril. 

E haverá quem ainda fique saudoso da comemoração do 28 de maio.

Se o 25 de Abril teve este ano mais pompa e circunstância pelo seu 50.º aniversário, era preciso, à nova maioria de direita, contrabalançar e aproveitar o contexto político favorável para apressar a sobreposição de uma nova data fundadora do regime. 

Aguardo por uma nova maioria de esquerda - um Presidente, uma Maioria, um Governo (que hoje parece longínqua!) - para ver se a recente decisão da Assembleia da República será revertida. Assim como assim, essa decisão teria o mesmo valor democrático que aquela que foi aprovada na actual conjuntura. 

Parto do princípio que cada um deve poder ter as posições políticas que entende, de que é legítimo assinalar datas históricas - e o 25 de novembro é-o, dentro da lógica de um processo histórico iniciado com o 25 de Abril e concluído, quiçá, com a aprovação da Constituição (2 de Abril de 76) - mas a arrogância efusiva existente nos discursos da direita dá lugar a narrativas falaciosas das situações vividas, exalta apenas as personalidades que lhe são convenientes e enviesa as interpretações históricas.

Alguns que pouco ou nada fizeram - ou cuja família política pouco ou nada fez - arvoram-se em heróis de um combate político que não os teve como agentes.

Se as interpretações podem ser várias (plurais), os factos são únicos. Não os falsifiquem!

Já basta a notícia de que "algumas zonas da Península Ibérica vão ser atingidas pela depressão Caetano."


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Celeste Caeiro - o acaso do nome da Revolução


«O soldado pediu-me um cigarro. Eu não fumava, nunca fumei. Por segundos, fiquei a pensar como poderia compensar aquele rapaz, ali, em cima daquele carro, a lutar por nós. Estava ali a dar-me uma coisa boa e eu sem nada para lhe dar. Sem pensar, tirei um cravo do ramo que levava e ofereci-lho.
Nunca me passou pela cabeça que, por causa disso, o 25 de Abril viesse a ser conhecido mundialmente como a Revolução dos Cravos.
Nunca se conseguiu encontrar aquele rapaz. Sempre que penso naquele dia choro. Tinha 40 anos, cuidava da minha mãe e da minha filha. Morava no Chiado e adorava a cidade onde nasci. E ainda adoro.
Tenho 90 anos, ouço e vejo muito mal. Comovo-me muito a falar deste dia. Os médicos dizem que me faz mal. Vou pedir à minha neta que lhe conte o resto da história. Viva o 25 de Abril! Se o deixarmos morrer teremos de fazer outro.»
Celeste Caeiro


«Havia sempre nos livros da escola a referência à Revolução dos Cravos. A cada ano, mal recebia os manuais, ia de imediato à procura dessas páginas. Sabia que as professoras, nem que fosse uma vez por ano, haveriam de falar no assunto e que eu, mais uma vez, ficaria em silêncio. Nunca disse na escola que foi a minha avó que deu o nome à revolução. Apesar de todo o orgulho que tenho. Acredito mesmo que aquele gesto foi obra do destino.

A minha avó Celeste é filha de uma espanhola de Badajoz e de pai desconhecido. Com dois irmãos, mais velhos, cresceu na Casa Pia. À minha bisavó custou-lhe até muito deixar ali os filhos, que visitava regularmente. Nunca os abandonou.

A minha avó era a menina favorita da diretora do colégio. Fez o Curso de Enfermagem, mas como tinha problemas pulmonares não pôde exercer. Porém, a menina Celeste foi sempre independente. Nunca se casou com o meu avô. Quando o meu avô se portou mal, tinha a minha mãe 3 anos, separaram-se. Para consolar a minha avó, quis oferecer-lhe um fio de ouro e mais coisas. Mas a minha avó não quis saber dos presentes, nem dele. Sozinha, continuou a cuidar da filha e da mãe.

Em abril de 1974, trabalhava num restaurante. O restaurante fazia um ano no dia 25 de abril. Os cravos eram para dar aos clientes. Com o restaurante fechado, as empregadas ficaram com as flores.
Dá-se então o feliz episódio, no início da Rua do Carmo. Um fotógrafo (Carlos Gil) assistiu à cena. Publicou a fotografia. No dia seguinte a minha avó foi trabalhar. Já os colegas tinham ligado para a Crónica Feminina, que logo a foi entrevistar.

Este ano, esse episódio será reconstituído. A minha avó gostava muito que uma placa assinalasse o local. Algo a dizer que foi ali que nasceu o nome Revolução dos Cravos. Ou até ter ali uma pequena estátua.

Falar do 25 de Abril emociona-a muito. Nestes períodos, fica melancólica. Acreditamos que o AVC que sofreu pouco depois das comemorações dos 25 anos de Abril terá tido a ver com as emoções que sentiu. No entanto, tem sido muito ignorada por todos.

Não há fotografias da minha avó com 40 anos. No incêndio do Chiado, perdeu a casa e todos os pertences. As fotografias arderam. Foram-se todas as recordações. Vive há anos num prédio a cair aos bocados, perto da Avenida da Liberdade. Podia viver com a filha e a neta em Alcobaça. Mas à minha avó, alfacinha de gema, ninguém a consegue tirar de Lisboa.

A minha avó, que continua a prestar muita atenção às notícias, está muito preocupada com o país. Na noite das últimas eleições, ao contrário do que é hábito, foi deitar-se cedo. “Não estou para ver esta miséria.” A mim ensinou-me desde miúda que o valor mais importante é o da liberdade."

Carolina (23 anos, mestre em Direito, quer ser magistrada)

Depoimento recolhido por Alexandra Tavares-Teles, Diário de Notícias, 23/04/2024


Celeste Caeiro faleceu hoje, aos 91 anos.


sábado, 28 de setembro de 2024

28 de Setembro de 1974

Passam hoje 50 anos sobre o 28 de setembro de 1974, data em que os spinolistas projectaram a realização da grande manifestação da "maioria silenciosa", como forma de forçarem a instauração de um regime presidencialista (com a dissolução da Comissão Coordenadora do MFA) e, na sequência, o bloqueio do processo de descolonização (com o apoio da direita civil e militar) e a contenção do processo revolucionário.


De 27 para 28 de Setembro foram organizadas barreiras populares (civis de partidos de esquerda - moderados e radicais -, de sindicatos, de comissões de trabalhadores e de trabalhadores) com a participação de militares, com revista das viaturas que se deslocavam para Lisboa (procurando armas), dificultando a acção dos potenciais manifestantes.



No próprio dia 28, a manifestação seria proibida pela Comissão Coordenadora do MFA e cancelada pelo General Spínola.
Vários elementos associados ao regime ditatorial foram presos, acusados de implicação na "intentona de direita" .
O General Spínola renunciou ao cargo de Presidente da República (30 de Setembro) e verificou-se uma alteração da correlação de forças no aparelho de Estado e nas Forças Armadas - acelerava o PREC.

O General Costa Gomes substituiu Spínola na presidência


sexta-feira, 26 de julho de 2024

Major José Cardoso Fontão (1932 - 2024)

E hoje morreu outro capitão de Abril.


Na madrugada de 25 de Abril, o então Major José Cardoso Fontão comandou as forças do Batalhão de Caçadores 5, com sede na zona de Campolide, na missão de ocupar o Quartel-General do Governo Militar de Lisboa (S. Sebastião da Pedreira) e de estabelecer um perímetro de segurança em torno do Rádio Clube Português, garantindo a sua tomada por um grupo de oficiais da Força Aérea e do Exército.


A Volta a Portugal homenageou Salgueiro Maia

A 2.ª etapa da Volta a Portugal em bicicleta foi uma homenagem a Salgueiro Maia, evocando, de alguma maneira, o percurso feito pelas forças militares por ele comandadas na madrugada de 25 de Abril de 1974.

Os ciclistas partiram de Santarém em direcção a Lisboa, com passagem pela chaimite colocada em Santarém.  

Em Marvila, onde acabou a etapa, foi inaugurado um busto com a figura do capitão de Abril.