"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

E o aniversariante do dia é... Mário de Carvalho

«Muitos anos, tanta coisa, o real, multiforme, nem sempre aprazível, a fervilhar, por dentro e por fora. Oxalá nos encontremos, caro leitor. No fundo, no fundo - mesmo disfarçado -, é a si que eu busco. Julgo saber o valor deste "si" e optei, deliberadamente, por ele.»

Prefácio a De maneira que é claro...



domingo, 12 de março de 2023

À turba ninguém pedirá responsabilidades

«Mas se o povo é por sua natureza vário e pusilânime, afeito às aparências das coisas e distraído de pensar e prever, compete ao magistrado suprir essas fragilidades de alma, já que à turba ninguém pedirá nunca as responsabilidades que ao magistrado toda a gente pede.»

Mário de Carvalho, Um deus passeando pela brisa da tarde


domingo, 10 de junho de 2018

De barriga cheia!

Feira do Livro...
Um bom dia, apesar de cinzento.
Muita gente.

E o encontro que mais aguardava: Mário Cláudio.
E também João de Melo e Lídia Jorge.
Este ano, já tinha estado com Mário de Carvalho.
A simpatia de cada um...

E lá vieram mais uns livrinhos...

Deana Barroqueiro partiu o braço, deve ter adiado a presença.
Para o ano...
Quando tiver um livro novo.

Tenho de procurar imagens dos livros...


sábado, 26 de maio de 2018

Feirar - os encantos da burguesia



Ir ao vício...
... e encontrar o Mário de Carvalho.

«Em cor, elegância, requinte e expressividade. A sua prosa não tem limites, reinventando-se em cada livro em novas formas de surpreender e cativar o leitor.»

«Diz-se de espírito borboleteante, comandado por uma curiosidade sem preconceitos nem fronteiras. Anda de assunto em assunto, com interesse, às vezes recolhendo material, notas, rabiscos que, mais tarde ou mais cedo, acabam por dar em livro.»
JL, 12 de Outubro de 2016

E prontos... lá veio mais um, porque Burgueses somos nós todos ou ainda menos, dedicado "às minhas pacientes leitoras, aos meus bravos leitores, que me vêm amavelmente distinguindo (...) Fiéis ou infiéis, atentas ou distraídas, doutos ou leves, vagarosas ou apressadas, hipermnésicos ou esquecidos, singelas ou imaginosas, disponíveis ou azafamados, exaustivas ou intermitentes, a vós (...) vós haveis de levar o texto a vastidões que o autor nem vislumbrou. Fareis deste livro o que ele vier a ser."

"A abjecta burguesia, sabe-se lá, poderá, afinal, ter os seus encantos..."


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O livro acabou na hora certa

Anteontem deixei passar a estação da Parede, porque... adormeci no comboio. Ao acordar, verifiquei que a estação estava a ficar para trás.
Aquela sensação de estar a perder qualquer coisa - o tempo certo de saída do comboio.

Hoje, foi por um triz. Mas a razão seria o último livro de Mário de Carvalho.
Liberdade de pátio é um excelente livro de (7) contos. A escrita é magistral.
Vinha a ler o último conto. Quando acabei e fechei o livro estava a chegar à Parede. Não me tinha apercebido da passagem do tempo ou das estações.
Mais uma página... Lá ia eu, outra vez, parar em S. Pedro.

Um bom livro é aquele que nos faz passar a paragem em que devemos sair.
Este é bom, mas acabou a tempo.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues

Uma carta testemunho de amizade e de homenagem, de Mário de Carvalho a Urbano Tavares Rodrigues, por ocasião do último 25 de Abril.

Querido Urbano,

Nos ritmos desencontrados do tempo é difícil encontrar as palavras próprias no momento certo.
Escolho este 25 de Abril para te dizer aquilo que por timidez ou contenção emocional foi recalcado noutras ocasiões.
Lembro-me de ti (e do Manuel da Fonseca) na antecâmara do Tribunal fascista, aonde ias, sempre solidário, abonar o carácter do meu pai. Vi-te em múltiplas - e jamais recusadas - intervenções nos cineclubes, colectividades e associações de estudantes, numa altura em que a exposição pública só te poderia trazer (e trouxe) dissabores. Encontrei-te no processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril, como paradigma de humildade, lucidez e extrema coragem, sem concessões à fadiga e às sobrecargas tarefeiras.
A tua invejável aura, Urbano. O respeito, o afecto, a amizade que todos temos por ti…
Sempre me senti tocado por essa gentileza de maneiras, pelo alcance da curiosidade, a clareza e articulação da exposição, a largueza e arrumação dos conhecimentos, a viva atenção a cada dobrar de página na cadência dos dias. Em múltiplos géneros avivam-se as personagens, os dilemas, as encruzilhadas destes tempos de que fazes a crónica aturada, talentosa e esclarecida.
Posso testemunhar a generosidade com que acolhias e encorajavas os autores mais jovens, os aconselhavas com desafectação, lhes emprestavas livros e davas as indicações que a vastidão dos teus conhecimentos sugeria. E nesta incessante procura do que de melhor havia nos outros, o teu sentido de justiça, de homem isento e indómito, levava-te a deixar de lado ideologias, opções de grupo, escolhas políticas ou famílias literárias.
São estas fugazes palavras uma nota modesta, que está muito longe dos teus méritos e pretende apenas assinalar a data de 25 de Abril de 2013, saudando em ti todos aqueles a quem, pela abnegação, desassombro, coragem e superioridade intelectual, ficámos a dever uma alegria rubra de esperança.



Mário de Carvalho

Urbano Tavares Rodrigues
isboa, 6 de Dezembro de 1923 - 9 de Agosto de 2013