"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

terça-feira, 26 de março de 2013

Azeite Herculano

Em 1867, já com 57 anos, Alexandre Herculano casou-se com D. Mariana Hermínia de Meira, retirando-se para a sua quinta em Vale de Lobos, na Azóia de Baixo, onde se dedicou à agricultura.


Herculano introduziu aí a cultura de beterraba e dedicou-se à produção de azeite de qualidade, construindo um lagar para o efeito. Adoptou a tecnologia italiana e apresentou o primeiro azeite português de marca - o Azeite Herculano.
Escreveu Bulhão Pato: «Azeite de prato, como é notório, era coisa que não se conhecia em Portugal. Foi Herculano quem deu a iniciativa, fabricando o precioso azeite de Vale de Lobos. (...) Sem azeite fino não há maionese, e creio que ninguém duvidará que uma boa maionese vale um bom livro.»

O Azeite Herculano, comercializado em exclusivo pela casa Jerónimo Martins, foi premiado em diversas exposições industriais.
Em 1870, Herculano escrevia a Oliveira Martins:
«V. S.ª reconhece que este país encerra um povo exausto de seiva moral. Não perdeu a liberdade: vinha perdido do papado, e acabam de o perder certas influências francesas de diversas espécies, que não sei se são democráticas (...) Houve tempos em que eu pensava nestas coisas: hoje só penso e devo pensar em questões de trigo, vinho e azeite. Os rapazes que cuidem da pátria.»


Bom apetite!

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