"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 14 de abril de 2019

Taiguara - Terra das palmeiras



Esta canção é do disco Imyra, Tayra, Ipy, de Taiguara, músico de origem uruguaia que viveu no Brasil.
Imyra, Tayra, Ipy é um disco com uma história muito atribulada, a qual teve início quando da sua edição, em 1976.
O seu compositor já tinha um historial de perseguição pela censura brasileira. Tinha regressado, pouco tempo antes, do exílio em Inglaterra. Algumas canções que integram o álbum, como Terra das palmeiras, fizeram a censura actuar.
O disco foi proibido e banido das lojas apenas 72 horas após ter sido lançado. 

Ainda bem que o Brasil não teve ditadura militar!...

Como dizem os versos de Outra Cena (uma outra canção do disco):
A grana o gado o ladrão
O pau o podre o país
Amado o medo a matriz
Só não sofreu
Quem não viu
Não entendeu
Quem não quis


Íntima fracção

À memória de Francisco Amaral.

A música que iniciava o Íntima Fracção, num tempo de boas músicas... há já umas décadas.

«Sempre pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir.»



quinta-feira, 21 de março de 2019

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?



E um arrepiozinho quando ouço esta canção!
Memórias...


J. S. Bach e Poesia

Juntar poesia à música de J. S. Bach, nascido (ao que parece) a 21 de Março.

I
Como se modulando neste espaço-tempo
que se desenha espaço em mero som contínuo
de um tempo trespassado,
a fina imarcescível
dor
é timbre e andamento,
e proporção de altura
a desdobrar-se na serena angústia
de um nada preenchido.

Intensamente.
Quietação.
Vácuo.
Tudo.

II
Canta o impossível.
Que voz humana
sustentaria
esta pressa alegre
ou a tensão suspensa
do lento sonho?

III
Madeiras, cordas, gestos, sopros, tudo
avança imóvel, sem parar, quieto,
a passo irresistível.
Não há que os contenha
senão o inaudível.

IV
Neste silêncio, que ficou, flutua?
O quê?
Nós?
Como tão pouco restaria?

Jorge de Sena, Concerto "Brandenburguês" n.º 1, em Fá maior, de J. S. Bach



Gravação dos idos de 1964, ano próximo ao da escrita do poema (1963).