"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 28 de março de 2019

Os românticos, pais do escritor moderno português

«É só com a transfusão romântica que o sangue da literatura portuguesa ganha vida outra vez. Desperta com viço desconhecido tanto nas veias afidalgadas de Garrett, como nas plebeias de Herculano. O liberalismo, conquistado nos barracões do desterro e na paixão das batalhas, unira todos os filhos progressivos da nação. E eis que renasce uma literatura rica das mais fundas virtualidades nacionais, máscula, imaginosa, ou grácil, com deliberadas raízes na tradição e altos anseios universais. O folclore é descoberto e estudado, as lendas são recolhidas, o passado é meditado ou dramatizado, e cada motivo leva uma volta original, inesperada e duradoira. Cultores dos vários géneros da expressão escrita, ambos possantes e fecundos, Garrett e Herculano dão ao teatro, ao romance, à poesia e à história uma dignidade e uma beleza há muito desconhecidas. Pela primeira vez surge em Portugal o escritor de ofício, o homem que põe nos seus livros não apenas a vocação, mas também o seu destino social. Em Herculano, sobretudo, onde essa união é mais convincente, joga-se com o brio do artista a própria integridade moral do homem. A arte, agora, é vista como um bem colectivo, património de todos, que é preciso defender e propagar. E tanto o Divino como o futuro Solitário de Vale de Lobos actuam como criadores e clercs. São eles os verdadeiros pais do escritor moderno português.»
Miguel Torga, Panorama da Literatura Portuguesa (1954)

Almeida Garrett e Alexandre Herculano
Pormenor de painel da autoria de Columbano Bordalo Pinheiro,
nos Passos Perdidos do Palácio de S. Bento (Assembleia da República)

Alexandre Herculano nasceu a 28 de Março de 1810.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Almeida Garrett

«Eu passei os primeiros anos da minha vida entre duas quintas, a pequena quinta do Castelo, que era de meu pai, e a grande quinta do Sardão que era, e ainda é, da família do meu avô materno, José Bento Leitão; ambas são ao sul do Douro, ambas perto do Porto, mas tão isoladas e fora do contacto da cidade, que era perfeitamente do campo a vida que ali vivíamos, e que ficou sendo sempre para mim o tipo da vida feliz, da única vida natural neste mundo.»
Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu há 220 anos.



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Almeida Garrett


Quando eu sonhava, era assim
Que nos meus sonhos a via;
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava,
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar.
Agora, que estou desperto,
Agora a vejo fixar...
Para quê? - Quando era vaga,
Uma ideia, um pensamento,
Um raio de estrela incerto
No imenso firmamento,
Uma quimera, um vão sonho,
Eu sonhava - mas vivia:
Prazer não sabia o que era,
Mas dor, não na conhecia...
Folhas caídas



Almeida Garrett nasceu nesta casa (no Porto), a 4 de Fevereiro de 1799.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Almeida Garrett - A Viagem e o Património

O que justificou a ida a Santa Engrácia.


A exposição, evocativa dos 160 anos da morte de Almeida Garrett, sempre está próxima dos seus restos mortais, no Panteão.
O espaço é acanhado - estou a falar do espaço da exposição! - para tanto que haveria a mostrar (como a exposição de Alexandre Herculano no Mosteiro dos Jerónimos). O texto biográfico tem de trepar até a uma altura que não lembra ao careca!
Mas nos tempos que correm, com os mais variados exemplos de falta de memória, mais vale lembrar os bons exemplos de histórica cidadania do que não fazer nada.

«As ruínas do tempo são tristes, mas belas; as que as revoluções trazem ficam marcadas com o cunho solene da História. Mas as brutas degradações e as mais brutas reparações da ignorância, os mesquinhos consertos da arte parasita, esses profanam, tiram todo o prestígio.»


E das janelas de Santa Engrácia e do Terraço sobranceiro vê-se o Tejo.

«As minhas janelas, agora são as primeiras de Lisboa, dão em cheio por todo esse Tejo.»



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014