"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

O tempo, esse grande escultor

A agenda da sessão plenária do Parlamento de amanhã, 16 de Abril, contempla o “Projecto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (Cidadãos)” sobre a “Consideração integral do tempo de serviço docente prestado durante as suspensões de contagem anteriores a 2018, para efeitos de progressão e valorização remuneratória”, resultante de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) desenvolvida desde 17 de Abril de 2018.

Um ano - a democracia custa!

Dos resultados... duvido. 
Penso que será uma discussão inconclusiva, semelhante às do Parlamento inglês, a propósito do Brexit.
As responsabilidades serão empurradas, os custos financeiros apresentados pelo PS continuarão sem confirmação, os imbróglios legais arrastarão a situação até...
E vamos todos continuar na mesma, voltando a página da austeridade.

Não se vê nada à frente


sábado, 30 de março de 2019

Meter os pés pelas mãos...



É o resultado das jigajogas, das vias tortuosos por que se metem, das leis engendradas para contornar os custos financeiros que uma correcta solução da contagem do tempo de carreira implicaria.
É verdade que implica verbas elevadas. Mas todos estes caminhos ínvios aumentam as situações de injustiça. E resta saber se as despesas, no final, não serão pouco inferiores.
E vamos de malabarismo em malabarismo, de erro em erro, de injustiça em injustiça. Qual delas a pior...

Mas do Ministério da Educação já esperamos tudo.
Não há trapalhada e justificação caricata que chegue!


sábado, 23 de março de 2019

Manifestação de professores

Cerca de 80 mil docentes* aderiram ao protesto organizado pelas dez estruturas sindicais que, durante mais de um ano, tentaram negociar a recuperação do tempo integral de serviço: nove anos, quatro messe e dois dias.
Foram movidas mais umas peças neste "jogo de xadrez".


A bola está do lado da Assembleia da República.
Os pedidos de apreciação parlamentar, apresentados pelo PCP, BE e PSD ao diploma do Governo que estabelece a recuperação do tempo de serviço, serão debatidos no parlamento, no próximo dia 16 de Abril.
Li que aqueles partidos «dão razão aos professores e esperam “coerência” no parlamento».
Eu é que espero coerência da parte dos seus deputados!
Sobretudo, pelos colegas mais novos. Já nada lucrarei (nem nada perderei) com o que venha a ser aprovado.  


* P.S. - Talvez 50 mil, 40 mil, 60 mil... quem sabe?


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Os rankings das escolas

«Todos os anos as escolas portuguesas são ordenadas pelas classificações médias dos alunos nos exames nacionais. Do ponto de vista técnico, estes rankings são uma fraude. Em termos práticos, produzem efeitos contraproducentes. Não é o seu rigor nem as suas implicações que explicam o destaque que os media lhes dão. Os rankings são visíveis porque são polémicos e uma polémica acesa é sempre motivo de notícia. Mas, além de atraírem audiências, para que servem? 
Quando surgiram em Portugal, em 2001, os rankings das escolas reflectiam uma tendência internacional na condução das políticas públicas. A ideia era simples. Numa sociedade complexa em que a comunicação é tudo, os decisores políticos só dão atenção aos temas que aparecem nos media. Para conquistarem o palco mediático, as mensagens têm de ser simples e curtas. Se puderem ser transmitidas em números, tanto melhor.
(...)
Os rankings das escolas ajudaram de facto a atrair as atenções para o problema da qualidade da educação em Portugal. E mudaram o comportamento dos actores do sistema de ensino (alunos, professores, encarregados de educação, directores escolares). Menos óbvia é a bondade destas transformações.»
Eduardo Paes Mamede, DN



De Paulo Guinote, em O Meu Quintal:
  • Prefiro que exista alguma (ou mais) informação do que nenhuma ou excessiva (o chamado Big Data) por vezes destinada a baralhar tudo.
  • Dados apenas dos exames são redutores, em especial no Ensino Básico quando ficaram reduzidos a duas provas no 9.º ano, pois não permitem qualquer tratamento ao longo do tempo, ao nível da coorte de alunos.
  • Os rankings reflectem apenas uma dimensão do desempenho dos alunos das escolas e devem ser enriquecidos com variáveis de contexto (que as escolas privadas não fornecem) que já são divulgadas há alguns anos, antes deste mandato, com destaque para o trabalho do Público nesse particular.
  • Há no ME informação muito vasta que permite caracterizar de forma adequada a realidade de cada escola de forma estatística, mas não a forma como, internamente, se desenvolvem “micro-políticas de avaliação/sucesso”.

«Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas.»
Mark Twain


Nesta fase, os rankings já "não me aquentam nem me arrefentam"...
Preocupado estou, com o caminho que a educação leva, na esteira daquele que a sociedade segue. 
A realidade escolar não é uniforme - os meios em que as escolas se inserem são múltiplos, mas, numa escola básica da zona metropolitana de Lisboa, consigo antever determinados comportamentos por parte de alunos meus: egocentrismo, desrespeito pelos outros, por princípios e regras fundamentais, violência.

A facilidade de acesso aos meios de informação é confundida com conhecimento. As aulas não lhes agradam, por serem uma forma antiquada de aprendizagem de conteúdos sem interesse - "uma seca", quando eles "já sabem tanto" - têm o mundo nas falangetas! 
Pondo as coisas de forma mais radical, a sensação que tenho, cada vez mais frequentemente ou com um número cada vez maior de alunos, é que estou a pretender que "cavalgaduras" aprendam, o que não é possível, por se considerarem já "puros-sangues". 
Perdoem a linguagem cavalar, quando o desajustado serei eu!...

Escreveu Afonso Cruz, "é muito difícil, senão impossível, explicar a um néscio a importância da cultura, pois ele não tem cultura para perceber a falta dela." 

Talvez por isso, à escola é apontado o caminho da "pedagogia fofinha".
Será o reconhecimento de que não os podemos vencer e, por isso, nos devemos juntar a eles.
Escreveu Daniel Sampaio (JL-Educação, 2 de Janeiro): "Dos jovens 29,6% diz não gostar da escola, a matéria escolar é demasiada para 87,2%, aborrecida para 84,9% e difícil para 82%. Estes dados mostram a necessidade urgente de revisão curricular".
Proponho que sejam os jovens a fazê-la.
Não se esqueçam de chamar aqueles meus alunos que acima referi.
Sejamos inclusivos!


domingo, 3 de fevereiro de 2019

sábado, 19 de janeiro de 2019

Uma questão de confiança e... de juízo!

Estudo feito pela GfK a pedido da organização portuguesa do Global Teacher Prize e da Fundação Galp.
Objectivo do estudo é perceber como a sociedade percepciona os docentes e abrir um debate sobre o papel dos professores.

Os jornalistas, que tantas vezes ajudam ao "bot'abaixo" dos "profs., estão mais abaixo!

Até os banqueiros, que nos levam couro e cabelo, estão acima dos políticos!
Talvez porque os políticos são aqueles que contribuem para pagar aos bancos o que os banqueiros exigem para "salvar os bancos" das asneiras que fizeram. E também fornecem mão-de-obra, fazendo transvases de governantes para as administrações, quando os governos acabam.


Mas, voltando à educação...
O mesmo estudo dá a saber que:


Uma questão de bom senso!


"Matemática revirada do avesso"

De Paulo Guinote, em O Meu Quintal


De mudança em mudança...
Ou, como dizia a minha avó, todos querem largar a sua poia!
Ou duas... já me perdi... 


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

É moda! Depois passa...


Depois virá um novo paradigma.


A censura a Álvaro de Campos

Levantam-se vozes indignadas pela censura ao poema de Álvaro de Campos.

Se o manual trouxesse o poema integral, levantar-se-iam vozes indignadas pelas referências erótico-pedófilas do poema num livro para jovens.

Os levantamentos de vozes são odes triunfais.
Acredito que Álvaro de Campos irá ganhar leitores.

Aliás, controvérsias são uma especialidade de Álvaro de Campos. Em tempos, o próprio se envolveu em controvérsias com Fernando Pessoa.


Álvaro de Campos (caricatura da autoria de Vasco)

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? 
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. 
Assim, como sou, tenham paciência! 
Vão para o diabo sem mim, 
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! 

Para que havemos de ir juntos? 



Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!

Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!»
Lisboa revisited (1923)



A minha edição das Poesias de Álvaro de Campos, da Ática (1980), tem os mesmos versos censurados. Os automóveis só levam os pândegos!



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Lamentável


«O Governo lamenta o facto de os educadores e os professores dos ensinos básico e secundário não poderem ver contabilizados já a partir de 01 de janeiro de 2019 os dois anos, nove meses e 18 dias", previstos no decreto-lei hoje vetado pelo Presidente da República, lê-se num comunicado do gabinete do primeiro-ministro, António Costa.»
(TSF)

Eu lamento a falta de vergonha dos aldrabões que assim mentem.
Lamento a hipocrisia! Dá vontade de dizer "Vão ...!"
Ao menos, não mintam! Sejam sérios - assumam que as prioridades políticas são outras e basta! Fiquem por aí. Escusam de vir com lamentações e discursos da treta!

O diploma governamental que o Presidente vetou não permite, pela sua formulação, a contabilização de qualquer tempo à grande maioria dos educadores e professores... antes de 2021. 
Se este decreto-lei entrar em vigor, serei um daqueles que nunca chegará a beneficiar de um dia que seja!
Por mim, não se incomodem! 

Perante estas aldrabices e outras do mesmo género, estranhem os populismos e os movimentos de protesto daí decorrentes.  


sábado, 22 de dezembro de 2018

Problemas de fraqueza

«Jogadores com excesso de peso, que não treinam de forma adequada… alguns deles são uma vergonha», começou por dizer o antigo médio do United à Radio BBC.

«Não sou o maior fã de Mourinho, mas não posso tolerar jogadores que se escondem atrás de empresários, dos amigos jornalistas – são uma piada», acrescentou, antes de atirar: «Os jogadores "mataram" Mourinho e escaparam. Esconderam-se atrás do treinador e atiraram-no para a frente do autocarro.»

E prosseguiu: «Eu era um jogador da escola antiga, que era uma boa escola. Esta ideia de que os jogadores estão chateados… não acontece apenas no United, é um problema do jogador moderno. Não são apenas jogadores fracos, são também seres humanos fracos. Não se pode dizer-lhes nada.»

«Os jogadores são rápidos a esconder-se atrás da comunicação social, dos seus carros, do cão da namorada, de tudo… Eu tive sorte pelo balneário que integrei. Havia bons homens, bons líderes e pessoas de carácter, mas isso é raro de encontrar no futebol nos dias que correm. Nada disto teria acontecido no nosso balneário. Nada disto seria tolerado», rematou [Roy Keane].

É um problema dos jogadores e dos jovens modernos, para quem estes jogadores são, frequentemente, ídolos.
Meninos mimados!

«Os nossos filhos, hoje em dia, são crianças mimadas. Acho que os miúdos hoje em dia têm uma vida social diferente da nossa e os jogadores têm ao seu redor uma "entourage" pessoal, de pessoas que os rodeiam, que os protegem demasiado, lhes dão mais carinho e mais desculpas. Os jogadores atingem a maturidade mais lentamente.»
José Mourinho


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

As "gordas" do Estado da Educação 2017

Relatório da Comissão Nacional de Educação...


... através das gordas dos jornais (porque ainda agora foi dado a conhecer e tem mais de 400 páginas!)

Conclui-se que o valor do chumbo está a acompanhar os valores do mercado imobiliário.*


A tendência da moda insere-se na corrente: Ao inscrever o seu filho no 1.º ano, oferecemos-lhe de imediato um diploma do 9.º ano! 

Os ignorantes que, ao atingirem o 10.º ano, descobrirem que não vão ser capazes de continuar um percurso escolar "normal", serão mais baratos como mão-de-obra.


sábado, 17 de novembro de 2018

A geração alienada e superficial


«(...) estamos perante uma geração cada vez mais alienada e superficial que pensa cada vez com menor profundidade e que, como consequência, relaciona ideias e conceitos de forma cada vez mais rudimentar.»
Carmo Machado, Visão, 13 de Novembro de 2018


E este estado de alienação cresce a um ritmo louco.
O virtual está a tomar conta da realidade, a realidade vai-se tornando virtual.


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Um chorrilho de falsas promessas

Banha da cobra!


«90 por cento dos docentes, isto é um número que eu queria dar, terão, em 2023, duas ou mais progressões e 32 por cento terão, inclusivamente, mais três progressões no que é a sua progressão remuneratória. E estas progressões irão traduzir-se num aumento do salário médio por docente, de quase 20 por cento. Isto é, daqui até 2023 teremos, com o reposicionamento, com o descongelamento e com a reconstrução da carreira, um aumento de 19% dos salários entre 2019 e 2023. Equivale a um aumento médio de 3,6% ao ano.»
Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação, na Assembleia da República, 2 de Novembro de 2018

MENTIRA!
Os números são atirados para o ar sem qualquer base de verdade.
Nem é possível tanta progressão na carreira, com a actual legislação. É difícil ouvir tanta aldrabice em tão pouco tempo!

Era mais fácil e mais barato, pela certa, contar todo o tempo de serviço - aquele que recusam contar.
As promessas do ministro fariam ultrapassar os ditos 600 milhões de euros que o Governo afirma não poder pagar.

Citando Aníbal Cavaco Silva, "é um verdadeiro artista!".


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Nem prós, nem contras, antes pelo contrário

Discutir a educação, em geral, do básico ao secundário, sendo abordadas questões tão diversificadas e com participantes tão variados... não dá para ir muito longe.

E as realidades escolares variam de local para local, muito em função dos níveis social e cultural dos pais. E os meios mais pequenos têm diferenças significativas em relação aos grandes meios urbanos. Lisboa ou o Porto não são o país e, mesmo dentro destas cidades, há diferenças assinaláveis conforme as zonas. Os subúrbios são outra realidade.
Os jornalistas das televisões têm muita tendência a considerar o meio em que vivem como o modelo universal, também aplicável às escolas portuguesas.

Os convidados são pessoas que, muitas vezes, têm experiências de ensino a nível superior (o que não tem nada a ver com o Básico) ou são pessoas... "bem falantes", dos tais níveis superiores (social e culturalmente falando).
Tive de dar uma gargalhada ao ouvir uma encarregada de educação falar do filho que não gostava de ir à escola, porque em casa aprendia com muito mais gosto, de forma muito mais atractiva e desafiante. Os seus filhos jogam internacionalmente e um deles até quer ir ao Butão ou para o Butão.

Gostaria de ouvir encarregados de educação de alunos da minha escola, daqueles que chegam a casa às tantas, cujos filhos estiveram entregues a si próprios e andaram sabem lá os pais por onde, e não têm as aptidões para ensinarem os filhos - é esse papel que eles esperam que a escola cumpra, na esperança de que os filhos possam ter uma vida melhor do que a deles.
E sabem lá eles que existe um Butão para a banda dos Himalaias - nem sabem que os Himalaias existem! O que é isso?
Ir ao Centro Comercial no fim de semana já é uma festa. E Lisboa ali tão perto!...
Ainda bem que o filho da senhora quer ir ao Butão ou para o Butão.

Cá - faltou dizer, como o D. Carlos, "nesta piolheira" - "os professores não se deixam conhecer" e "não criam relações com os alunos".
Passam os alunos mais tempo na escola com os professores do que em casa com os pais! Há alunos que conhecemos melhor do que os próprios pais. Está a falar de quê? 
Há uns anos, perguntava-me um encarregado de educação: "A minha filha está em que ano?". Estava no 8.º. 
(não estou a dizer que são todos assim!)

Eu também ia ao Butão, se aquilo que dizem que eu ganho fosse verdade!...
Eu até sei localizar os Himalaias no mapa!


E a moderadora também podia ir para lá... de castigo, pela falta do trabalho de casa.
  

domingo, 16 de setembro de 2018

Mau exemplo de jornalismo

Nada altera a opinião do director do Público, Manuel Carvalho.
Por isso escreveu o editorial do passado dia 12.

No dia anterior tinham sido divulgadas as conclusões do relatório anual Education at a Glance, da OCDE.
Verificou-se que dados desse relatório, fornecidos pelo Ministério da Educação (quem mais o poderia ter feito?), são falsos.
Verificou-se que a primeira leitura feita e editada pela comunicação social não só publicitava esses dados de forma acrítica, como fazia uma leitura apressada que distorcia os dados já por si falsos, pervertendo as análises - a comunicação online a isso obriga!

Manuel Carvalho, director do Público, escreveu um editorial sobre o assunto, no dia seguinte: os factos são diferentes, metemos água nas análises (isto não é dito explicitamente)...
«Pode haver de facto alguns erros na informação de base que afectam de forma irremediável as conclusões do estudo, como sindicatos e professores trataram de revelar.»... mas a conclusão é a mesma!

A asneirada jornalística (comum a muitos meios da comunicação social, que nem a reconheceram!) não interessa ao director de um jornal dito de referência.
O que interessa? Fazer vencer a ideia da falta de justeza da luta dos professores pela contagem integral do seu tempo de serviço.
«Ora, os cidadãos terão dificuldade em entender a justeza dessa luta, se souberem que os docentes são relativamente bem pagos e se suspeitarem que as suas exigências são incomportáveis para as finanças públicas.»

A questão concreta da contagem do tempo de serviço é polémica, pelas verbas que envolverá a mais longo prazo, apesar de não acreditar que sejam tantos milhões como os 600 que foram declarados pelo Governo. E nunca se negociou seriamente a medida e os prazos!

Para os professores dos primeiros escalões - que até o relatório e os jornalistas (mesmo os apressados) reconhecem ser os mais mal pagos -, é extremamente injusta a não contagem do tempo: são criadas situações que, não sendo corrigidas ao longo da carreira, limitarão inexoravelmente a vida desses professores - nos vencimentos, na impossibilidade de atingirem os escalões mais altos e nos valores das reformas.
Assim se limitarão, no futuro, os vencimentos dos professores. Existirão vencimentos fictícios, pela não existência de professores nos escalões mais altos.

A opinião, sobre este assunto ou qualquer outro, deve ser livre, mas uma opinião livre deve basear-se em premissas verdadeiras.
Não há verdadeira liberdade de opinião se não houver uma informação livre e verdadeira.
Nos comentários dos media online e nas redes sociais são inúmeros (já o eram antes) aqueles que contestam a luta dos professores e acrescentam comentários de pouco apreço sobre o seu trabalho e os seus (supostos) "privilégios", embora revelem grande desconhecimento - criticam-se, frequentemente, realidades inexistentes - e muitos espíritos ressabiados.

Quando aqueles que deviam informar não se preocupam com a informação que fazem passar... (ao serviço de quem ou de que interesses?) como se costuma dizer: estamos falados!
Como afirmam os nossos (supostos*) críticos "os professores estão velhos, ganham muito dinheiro, trabalham menos que os outros e inventam doenças."
Como afirmava Galileu, "quanto menos alguém entende, mais quer discordar".


* Supostos, na medida em que a maioria dos críticos ignora a realidade sobre a qual se pronuncia. 

P.S. - Ainda serei capaz de assistir à situação da falta de professores... 


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Sou rico e não sabia!... ou Como se abusa dos dados

Ao ver a notícia na televisão, a minha mulher quis saber onde é que eu ando a gastar o dinheiro e insiste em contratar um detective!


Da autoria de Paulo Serra - aqui
O relatório anual Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), afirma que, em comparação com os restantes trabalhadores nacionais que têm cursos superiores, os professores auferem um salário 35% mais elevado. 
Não sei como é que as contas são feitas.
Tratando-se de Docentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário, falar em professores, indistintamente, é falar de professores que tanto podem ter um vencimento bruto de pouco mais de mil euros (1.145€), contratado (licenciado não profissionalizado) com horário completo, como um vencimento bruto de 3.364€, professor no topo da carreira.

São dois níveis muito distintos. O relatório refere esta diferença: "No 2.º e no 3.º ciclo, no início da carreira, os professores portugueses recebem menos 240 euros anuais do que a média dos países da organização."

E dos docentes que estão no início da carreira, a grande maioria não chegará ao topo - poderá, até, ficar longe! 

Porque...
... ao contrário do que geralmente se diz, para os professores progredirem na carreira não basta o tempo de serviço. Para além da avaliação no final de cada escalão, há duas transições de escalão que exigem uma avaliação de Excelente ou de Muito Bom e a possibilidade de atribuição dessas classificações está dependente de quotas muito apertadas.

... a dificuldade de entrada na carreira, a juntar à não contagem de anos de tempo de serviço (os tais 9 anos, 4 meses e 2 dias que estiveram congelados e que o Governo não quer - diz que não pode - contar), não permite que muitos professores, mesmo que com as tais boas classificações na sua avaliação, possam chegar, em "tempo útil" de serviço, ao último escalão.

Outra questão são alguns números do vencimento.
Mesmo que estejam no topo (10.º escalão) e mesmo que recebessem por inteiro o vencimento ilíquido (o que não acontece, porque a chegada ao 10.º escalão só se pôde fazer agora, após o descongelamento das carreiras, e o ordenado ainda não foi reposto na totalidade - só em dezembro de 2019), o total anual nunca chegaria aos 56 mil euros anuais que são referidos no relatório:
"quando os docentes chegam ao topo da carreira: 56.401 euros por ano [dos professores portugueses] contra os 51 mil de média da OCDE."
3.364€ brutos x 14 meses (já contando os subsídios) = 47.096€
Sempre é uma diferença de 9.000€.
São 9.000€ por uma mentira, repetida na comunicação social (como outros valores), onde ninguém confirma a informação. Estão comprados ou são incompetentes?

Pode ser verdade que, em média, os professores ganhem mais do que os outros licenciados - haverá muitos licenciados que são mal pagos e, havendo um elevado número de professores com mais idade (no conjunto de escalões mais elevados), isso criará a discrepância.
Mais do que professores com ordenados altos, haverá, então, licenciados com salários muito baixos!
Mas... caramba! Gestores, juízes, arquitectos, engenheiros, advogados, deputados, professores do ensino superior, médicos, comentadores de televisão, etc. 
35%?!?!

Na comparação com os professores dos outros países, o relatório reconhece que "os professores portugueses ganham menos do que a média dos seus colegas dos outros países que pertencem à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)", situação que se acentua quando se tem em conta o custo médio de vida.

Quanto ao número de horas que os professores passam na escola, não consigo compreender como se chega àqueles números relativos aos professores portugueses (e dos outros não sei).

Mas o relativo baixo número de horas da componente lectiva (vão-se reduzindo a partir dos 50 anos de idade) é mesmo relativo e pela relativa velhice do quadro docente. A diferença é mínima em relação aos dos outros países (42% do horário de trabalho para 44%). Eu, aos 60, já saio muitas vezes de língua de fora! E gostaria muito que as pessoas que dizem que os professores "só dão umas aulinhas" experimentassem o mesmo exercício.
Em compensação, horas de reuniões, elaboração de planos, preenchimento de papéis, redacção de relatórios, etc. não nos faltam! Devemos ser os maiores!...

Quando, no fim disto tudo, penso que a Cristina Ferreira pode ganhar um milhão por ano...
E os outros que dão chutos na bola...


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Os professores, esses malandros!

Os professores só dão despesa.
Acabem já com o ensino público!

Título principal na capa do Correio da Manhã de hoje...
... e outras frases soltas. É uma baralhação de assuntos.
Não sei que contas são, nem quem as fez, nem como as fizeram.
(o jornalista (?) que escreveu também não)