"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 14 de abril de 2019
sábado, 31 de março de 2018
O silêncio do Sábado Santo
«O Sábado Santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus pronunciadas na Sexta-feira Santa, "Tudo está consumado", e a Insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, Ele mesmo protagoniza. O Sábado tem assim um silêncio que não se sabe bem se é ainda o da pedra colocada sobre o túmulo, ou se é já aquele misterioso silêncio que prepara "o grande levantamento" que a ressurreição significa. Este "intervalo", esta terra de ninguém, este tempo amassado entre derrotas e esperança, esta provação e júbilo, é o da nossa vida. O silêncio do Sábado Santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»
José Tolentino de Mendonça, O Hipopótamo de Deus
quinta-feira, 29 de março de 2018
Última Ceia
«Quando chegou a altura, Jesus sentou-se à mesa com os apóstolos e disse-lhes: "Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de morrer. Pois afirmo-vos que não voltarei a comê-la até que ela receba o seu significado completo no reino de Deus."»
«É complexa a imagem que temos perante nós. São dois milhares de anos em que os cristianismos, especialmente o católico e o ortodoxo, se cimentaram em torno do que esta cena representa, simboliza e preconiza. Seja um momento especial ou seja a instituição de um rito repetido todos os domingos, seja uma refeição de partilha do pão ou um momento de transfiguração em que os "sagrados elementos" são o próprio corpo e sangue de Cristo, a verdade é que no Ocidente não nos conseguimos compreender a nós mesmos sem reconhecer um peso imenso a este episódio e às suas representações.»
(Lucas, 22:14-16)
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| Ceia ou Instituição da Sagrada Eucaristia Tríptico de Vasco Fernandes (Grão Vasco), Museu de Grão Vasco (Viseu) |
«É complexa a imagem que temos perante nós. São dois milhares de anos em que os cristianismos, especialmente o católico e o ortodoxo, se cimentaram em torno do que esta cena representa, simboliza e preconiza. Seja um momento especial ou seja a instituição de um rito repetido todos os domingos, seja uma refeição de partilha do pão ou um momento de transfiguração em que os "sagrados elementos" são o próprio corpo e sangue de Cristo, a verdade é que no Ocidente não nos conseguimos compreender a nós mesmos sem reconhecer um peso imenso a este episódio e às suas representações.»
Paulo Mendes Pinto, A palavra e a imagem
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Jesus no Monte das Oliveiras
«Jesus saiu para o Monte das Oliveiras, como era seu costume. Os discípulos foram com ele. Quando lá chegou, disse-lhes: "Peçam a Deus para não caírem em tentação." Afastou-se deles a uma curta distância e, pondo-se de joelhos, orava assim: "Pai, se for do teu agrado, livra-me deste cálice de amargura. No entanto, não se faça a minha vontade, mas sim a tua." Nisto apareceu-lhe um anjo do Céu que veio dar-lhe forças. Jesus estava muito angustiado e orava ainda com mais fervor, enquanto o suor lhe caía no chão, como grandes gotas de sangue.
Depois da oração, levantou-se e foi ter com os discípulos, mas encontrou-os abatidos pela tristeza. "Estão a dormir? Levantem-se e orem, para não caírem em tentação", disse-lhes.
Ainda Jesus estava a falar quando chegou uma multidão. À frente vinha Judas (...)»
Na pintura de El Greco, é o anjo que parece oferecer o "cálice de amargura" e Jesus, apesar de "protegido" pelo penedo, será descoberto e preso pelos guardas que se aproximam, conduzidos por Judas. Num plano inferior ao anjo, os três apóstolos que o acompanharam dormem numa concavidade.
Esta é uma das várias versões de El Greco para a mesma cena bíblica. As suas pinturas atingem uma capacidade criativa estranha aos cânones da época, o que levou a que alguns partidários da contra-reforma levantassem a questão de que as cenas de El Greco não estimulariam o desejo de rezar.
Depois da oração, levantou-se e foi ter com os discípulos, mas encontrou-os abatidos pela tristeza. "Estão a dormir? Levantem-se e orem, para não caírem em tentação", disse-lhes.
Ainda Jesus estava a falar quando chegou uma multidão. À frente vinha Judas (...)»
(Lucas, 22:39-47)
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| El Greco, A oração no Monte das Oliveiras |
Esta é uma das várias versões de El Greco para a mesma cena bíblica. As suas pinturas atingem uma capacidade criativa estranha aos cânones da época, o que levou a que alguns partidários da contra-reforma levantassem a questão de que as cenas de El Greco não estimulariam o desejo de rezar.
A última ceia
sábado, 26 de março de 2016
Agnus Dei
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| O Cordeiro Místico no tímpano do portal Sul da Igreja do Divino Salvador (matriz de Bravães) |
O cordeiro de leite, simbolizando a pureza, a inocência e a docilidade, é a vítima sacrificial por excelência de judeus, muçulmanos e cristãos, de que a celebração da Páscoa é o exemplo.
«Deitem fora o fermento velho, a fim de se tornarem massa para um novo pão; um povo que, à semelhança do pão sem fermento da festa da Páscoa,não sofre de impureza alguma pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, já foi morto.» (1 Coríntios, 5:7)
O cordeiro foi a forma simbólica dos primeiros cristãos representarem Cristo e o seu sacrifício.
Um cordeiro com uma cruz com sangue a escorrer do seu lado para um cálice é o Agnus Dei, o Cordeiro de Deus, e simboliza Cristo Crucificado e a Eucaristia.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Lágrimas
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| Rogier van der Weyden, Deposição |
«Entra a Semana Santa, e a Mãe visita com ele as sete igrejas da praxe, todas soturnas de velas que tremeluzem na expectativa da Ressurreição, e com santos nos seus altares, sinistramente tapados por panos roxos de que se desprende o bafio de muitas humidades. E lá por trás, cristalizados em suas teatrais atitudes, derramam eles lágrimas copiosas pela Paixão do Senhor, aguardando o tilintar das campainhas da aleluia. Ajoelha então à beira da Mãe, contrito dos seus pecados de crueldade e desobediência, e o coração do rei que tanto ama a cidade que lho oferece como prova da sua ternura goteja lentamente, coroado como o Divino Mestre por espinhos que se entrelaçam.»
Mário Cláudio, Astronomia
sábado, 4 de abril de 2015
Ressurreição antecipada
Regresso à vida!
Deve ser essa a sensação de quem está condenado à morte e vê a sua pena ser anulada.O que passará pela cabeça de um homem que é condenado à pena de morte estando inocente?
30 anos de vida numa prisão, num caso de falsa acusação, são uma incomensurável injustiça que nada resgatará.
A história
Estados Unidos - Alabama:
Concluiu-se que a arma confiscada não era a mesma que foi utilizada nos roubos e assassinatos de que um homem era acusado.
Uma juíza rejeitou as acusações, por não haver evidências suficientes para vincular esse homem aos crimes de que era acusado.
Os crimes ocorreram em 1985. As últimas conclusões e consequente libertação (ontem) aconteceram 30 anos depois.
Como é possível alguém ser condenado à morte e passar 30 anos no "corredor da morte", sem que se tenha procedido à análise das provas dos crimes?
E o acusado até teria testemunhas de que se encontrava longe dos locais dos crimes nos momentos em que estes ocorreram!
Que confiança se pode ter num sistema de justiça que assim funciona?
Desde 1973, saíram do corredor da morte 152 pessoas.
Quantas terão sido injustamente
Haverá justiça nas condenações à morte?
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| Gregório Lopes - Ressurreição de Cristo |
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Páscoa no Chiado
Marina Tavares Dias apresentou uma interessante imagem do Chiado (Rua Garrett) cheio de gente, no que seria o percurso por 4 igrejas em Sexta-feira Santa (1943).
Três igrejas do Chiado são, declaradamente, a dos Mártires e as duas do Largo do Chiado (antigo Largo das Duas Igrejas), a da Encarnação e a do Loreto.
Quanto à 4.ª, fala de uma igreja na Rua Nova do Almada - seria a da Conceição-a-Nova. Mas, mais próxima do Chiado, existia (e existe) a igreja do Sacramento. Seria o circuito mais alargado?
E não seria a visita na Quinta-feira (comemoração do Lava-pés e da Última Ceia)? Parece-me movimento a mais para um dia em que o país, no período do Estado Novo, ficava reduzido a um triste e temeroso (mais do que religioso) silêncio.
Lembro-me que a maioria dos poucos postos de rádio encerrava a emissão a partir das 15 horas.
Imagino que hoje (e ontem), o Chiado também terá estado cheio de movimento... de turistas.
Os tempos são outros. E a Igreja da Conceição-a-Nova também já não existe, deitada abaixo na década de 50, para ser substituída por um edifício da Caixa Geral de Depósitos (esquina da Rua Nova do Almada com a Rua da Conceição).
Já se adivinhavam os novos tempos e o poder do capital (a exemplo da Igreja de S. Julião, adquirida pelo Banco de Portugal e com o espaço a ser usado como garagem durante vários anos).
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| Igreja da Conceição-a-Nova â direita |
domingo, 29 de março de 2015
Domingo de Ramos
Abertura da Semana Santa.
O Domingo de Ramos comemora a entrada de Jesus em Jerusalém.
«Uma grande multidão estendia as suas capas no caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo chão fora. E tanto as pessoas que iam à frente de Jesus como as que iam atrás exclamavam :
Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam a vender e a comprar. Deitou ao chão as bancas dos que trocavam dinheiro e as mesas dos que vendiam pombas. Depois disse-lhes: "Deus diz na Sagrada Escritura: O meu templo será declarado casa de oração. Mas vocês transformaram-no em caverna de ladrões!»
Cinco dias depois, a multidão que aclamou Cristo na sua entrada triunfal é a mesma que o leva à crucificação.
O Domingo de Ramos comemora a entrada de Jesus em Jerusalém.
«Uma grande multidão estendia as suas capas no caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo chão fora. E tanto as pessoas que iam à frente de Jesus como as que iam atrás exclamavam :
"Glória ao Filho de David!
Bendito seja seja aquele que vem
em nome do senhor!
Glória a Deus nas alturas!"
Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço e perguntavam: "Quem é este?" E da multidão respondiam: "Este é Jesus, o profeta que é de Nazaré da Galileia!"Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali estavam a vender e a comprar. Deitou ao chão as bancas dos que trocavam dinheiro e as mesas dos que vendiam pombas. Depois disse-lhes: "Deus diz na Sagrada Escritura: O meu templo será declarado casa de oração. Mas vocês transformaram-no em caverna de ladrões!»
Mateus 21:8-13
Cinco dias depois, a multidão que aclamou Cristo na sua entrada triunfal é a mesma que o leva à crucificação.
Cristo terá subestimado os mercados.
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