"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Cidades, vilas, aldeias, lugares


«Portugal. Começámos por procurar um país com o desejo de o representar. Construímos um corpo de informação que reúne mais de 30 anos de viagens, 750.000 quilómetros percorridos, mais de 1.650.000 fotografias. São todas as cidades, todas as vilas, inúmeras aldeias e paisagens pouco povoadas, da orla marítima, das margens dos rios ao topo das montanhas. Encontramos em Portugal um território de uma grande diversidade, com diferentes modos de expressar a terra, desde tempos imemoriais até ao presente. As formas de mostrar este trabalho são um desafio constante e esta exposição enquadra mais uma tentativa, sempre mais completa, eventualmente mais complexa, que a anterior.»
Duarte Belo

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

«A exposição FUGA - Fazeres de Unidade para a Génese de um Atlas é um conjunto de fotografias, textos, desenhos, mapas e outros elementos gráficos, sobre o processo de mapeamento fotográfico do território. É a descrição extensiva de um caminhar que vai da terra, do demorado contacto com o solo, à palavra. É a geografia de uma construção.»
Duarte Belo



sábado, 23 de março de 2019

A descoberta da fotografia de Artur Pastor


Em Évora, na Galeria da Casa de Burgos, até 18 de Abril, a exposição Paisagens Urbanas no Alentejo, com fotografias da autoria de Artur Pastor.



A partir da próxima semana, em Tavira, no Palácio da Galeria/Museu Municipal de Tavira, a exposição Artur Pastor e os Mundos do Sul. com trabalhos entre 1942 e 1974.  



Assim podem ser vistas algumas das obras do enorme acervo deixado por Artur Pastor (1922 - 1999) e que têm vindo a ser objecto de uma maior divulgação, dando a conhecer este grande fotógrafo.

Foi em Tavira, durante a prestação do serviço militar, que Artur Pastor, alentejano de nascimento (Alter do Chão), se iniciou na actividade fotográfica.


Trabalhou durante toda a vida no Ministério da Agricultura, tendo sido o criador do seu arquivo fotográfico. Produziu um vasto corpo de imagens de grande qualidade sobre a agricultura em Portugal, mas não se quedou pela temática agrícola.

Fotografia...
«(…) Arte de toda a gente, a que melhor compreendemos e executamos, a que melhor (…) reproduz a realidade que nos cerca.» 
Artur Pastor, Diário de Noticias (29 de Agosto de 1948)


Após a sua morte, o espólio foi adquirido pelo Arquivo Municipal de Lisboa à família do fotógrafo.

«Comprava incessantemente móveis para arquivar fotografias e algumas divisões da casa pareciam exigir a perícia de uma gincana para serem atravessadas. Dava gosto abrir os armários e ver a forma
meticulosa como tudo estava arrumado.» 
Artur Pastor
(o filho, que tem tido um papel importante na divulgação da obra do pai)

Aos interessados:

Arquivo de Artur Pastor (extraordinário arquivo fotográfico)

A Paisagem de Artur Pastor (documentário)

Catálogo da exposição da obra de Artur Pastor - CML 

Fotógrafo Artur Pastor (no facebook)


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Georges Dussaud - homenagem

«La photographie est devenue un prétexte pour aller vers l’autre, vers ceux qui par leur mode de vie simple, communautaire et chaleureux, me sont proches.»
Georges Dussaud


«Trás-os-Montes é muito fotogénico. É teatral. Os interiores são rústicos, com a luz crua da pintura holandesa, como nos interiores de Vermeer. Trás-os-Montes é uma região autêntica. Autêntica, mas não folclórica. Miguel Torga dizia que quando os camponeses saem para o campo com o rebanho parece que levavam uma constelação de estrelas atrás do capote. É isso. É essa poesia.»

(Georges Dussaud, quando da inauguração do Centro de Fotografia com o seu nome, em Bragança)

Georges Dussaud foi homenageado, há dias, em Bragança.
Bem o merece!


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

S. Bartolomeu

24 de Agosto, soprou o vento porque o Diabo andou à solta.

Mirones do Banho Santo, em S. Bartolomeu do Mar (Esposende)
Fotografia de Alfredo Cunha


domingo, 22 de abril de 2018

Lisboa W-E, Cidade Triste e Alegre

Farto de estar no aquário, fui procurar Lisboa... exposta em museu.
Encontrei o rio na relva... 

Lisboa W-E - Lisboa vista do rio Tejo, em fotografias de José Manuel Costa Alves.


Um percurso ao longo da Zona Ribeirinha, com os pés no rio, olhando para a cidade. 


E encontrei as pessoas da cidade na época em que nasci...

Lisboa, Cidade Triste e Alegre: Arquitectura de um Livro


Obra da autoria dos arquitectos Victor Palla (1922-2006) e Costa Martins (1922-1996), editada em 1959 e resultado de "um trabalho de três anos em que ambos percorreram as ruas de Lisboa, retratando-a e aos seus habitantes, assim revelando uma cidade escondida, simultaneamente triste e alegre."


Obra apresentada pelos seus autores:

«(...) o retrato da Lisboa humana e viva através dos seus habitantes – de dia, de noite, nos seus bairros, na Baixa, no Tejo – revelação ora alegre ora triste, mas sempre terna e sentida, da vida de uma cidade. Talvez por isso fosse mais adequado chamar-lhe "poema gráfico" - até porque o arranjo das imagens e a própria composição do livro têm, no seu grafismo, o fluir, a alternância de ritmos, as ressonâncias de uma obra poética.»



Voltarei à Cidade Triste e Alegre
porque

Alegre ou triste,
numa cidade como esta
é sempre para os olhos uma festa
Armindo Rodrigues

Museu de Lisboa, Palácio Pimenta (ao Campo Grande)





sexta-feira, 20 de abril de 2018

Georges Dussaud - fotógrafo do Barroso

Das terras do Barroso são sublimes as fotografias de Georges Dussaud.



«Foi o acaso que trouxe Georges Dussaud a Portugal em 1980; foi também por acaso que a viagem de regresso do Alentejo a França o fez cruzar as estradas de Trás-os-Montes. Mas nenhum acaso explicará a sua fixação num mundo ao qual regressa uma e outra vez, desde então, (...) constituindo um impressionante corpo de trabalho. Não como fotógrafo de passagem, que regista o estranho, o diferente talvez exótico, mas como um viajante que pára e vive os lugares, o quotidiano das gentes, que o abrigam, que o reconhecem como amigo, porque sabem que o seu olhar é amigo: não há nunca intrusão, mas convivência, compreensão das emoções, na justa medida.»
(M. Tereza Siza, 2007)




«O conhecimento que Georges Dussaud tem de Trás-os-Montes e da sociedade rural transmontana - que ele salva em imagens -, permite-nos partilhar os gestos mais humildes e sublimes dos quotidianos destas gentes. Não se esconde o sublime, muitas vezes, no mais humilde quotidiano?»
(José Rodrigues Monteiro)




No "país onde o preto é cor", Georges Dussaud encontra, 
"entre o preto e o branco, uma infinidade de cambiantes 
em que a luz se torna poesia".

Procurem-no!
«Ele é irmão dos grandes poetas.»

(pode ser no facebook, que alguma coisa de bom há no fb)


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A castanha



«Mas o fruto dos frutos, o único que ao mesmo tempo alimenta e simboliza, cai dumas árvores altas, imensas, centenárias, que, puras como vestais, parecem encarnar a virgindade da própria paisagem. Só em Novembro as agita uma inquietação funda, dolorosa, que as faz lançar ao chão lágrimas que são ouriços. Abrindo-as, essas lágrimas eriçadas de espinhos deixam ver numa cama fofa a maravilha singular de que falo, tão desafectada que até no próprio nome é doce e modesta: a castanha. Assada, no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca de pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença...»
Miguel Torga, Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)



Fotografias de Georges Dussaud 
Trás-os-Montes - Montezinho (2013-2014)


domingo, 5 de junho de 2016

Arte poética

É enorme esta fotografia de Duarte Belo, na ilha do Pico

Dentro de cada imagem há outra imagem
e a terra treme ainda que não trema
e até mesmo o silêncio é linguagem
e as pedras são as pedras do poema.

No ar que se respira há um perfume
e a terra é como página já escrita
onde a palavra pulsa e me reúne
para dizer a Ilha nunca dita.

Sabe a primeira vez e a nunca visto
eu olho e não resisto à tentação
há música no ar e o Pico é isto
um poema que está feito e eu passo à mão.
Manuel Alegre, Escrito no mar - Livro dos Açores


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Os Painéis revisitados

Pensar o culto da imagem nos nossos dias...


1.º Prémio de Fotografia do concurso A Minha Escola Adopta um Museu, um Palácio, um Monumento  -  Alunos do 11.º L (Curso Profissional Técnico de Design Gráfico) da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo.

A equipa vencedora partiu do desafio de fazer um remake fotográfico dos célebres Painéis de S. Vicente, criando uma imagem moderna.


terça-feira, 29 de março de 2016

Fotografias do trabalho corticeiro (e notícia de outras muitas mais)

O Observador recordou, hoje, como era o trabalho em Portugal entre os anos 40 e os anos 70 do século XX.
A fonte é o arquivo da Biblioteca de Arte / Art Library Fundação Calouste Gulbenkian, uma base com mais de 17 500 fotos. Há um largo conjunto de fotografias do estúdio de Horácio Novais.
Vale a pena viajar por essas fotografias, organizadas por álbuns temáticos.

Seleccionei as fotos relacionadas com a indústria corticeira, tiradas na fábrica Robinson, em Portalegre, por Luís Pavão, em data desconhecida. 








domingo, 8 de novembro de 2015

Sam Shaw - 60 anos de fotografia


Uma surpresa de exposição, por ter ido - levado, levado sim (felizmente!) - sem antes me ter informado sobre o fotógrafo em questão.
Sam Shaw nasceu em 1912, tendo falecido em 1999. Na vida, entre as muitas variadas coisas que fez, fotografou extraordinariamente durante seis décadas.
O cinema e as suas estrelas foram tema recorrente do seu trabalho, mas também músicos, escritores, pintores, os movimentos anti-apartheid e anti-guerra do Vietname, viagens (nomeadamente, Paris - local de rodagem de filmes de que foi produtor - e Espanha), etc.

É de Sam Shaw a célebre fotografia de Marilyn Monroe sobre o respirador do metropolitano, com as saias esvoaçando... Foto "ensaiada" e usada em O pecado mora ao lado (1954).



As filhas e a neta fundaram o Shaw Family Archives, com o objectivo de preservar e promover a notável colecção das suas fotografias.
O Centro Cultural de Cascais foi o primeiro local na Europa a expor uma selecção de mais de 200 fotografias de Sam Shaw.








sexta-feira, 31 de julho de 2015

Génesis

Génesis - Exposição de Sebastião Salgado na Cordoaria Nacional (Lisboa)


«Que a luz exista!»



«Que exista um firmamento entre as águas, para as separar umas das outras.»



«Que as águas que estão debaixo do céu se juntem num único lugar e que fique à vista a terra firme.»



«Que a terra produza ervas e plantas que dêem fruto, cada uma conforme a sua qualidade e que o fruto contenha a semente própria.»



«Que existam luzeiros no firmamento, para distinguirem o dia e a noite; e que eles sirvam de sinal para marcar as divisões do tempo, os dias e os anos.»



«Que as águas sejam povoadas de seres vivos e que entre a terra e o firmamento haja aves a voar.»



«Que a terra produza toda a espécie de seres vivos: animais domésticos, animais selvagens e todos os bichos, conforme as suas diferentes espécies.»



«Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança.»



«Que Sebastião Salgado possa fotografar 
a história da criação do céu e da terra.»