"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 14 de abril de 2019

Estão todos doidos!

Em clima pré-eleitoral - um clima mais frequente do que as próprias eleições - e já no último ano da legislatura (não desvendaram mais cedo?), a direita descobriu um filão que colhe junto das ideias feitas: os tachos, tachinhos...
Como dizia Beckett, "os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão."

Foi recordado - por ironia, a partir de uma fonte insuspeita, O Independente de Paulo Portas - que em tempos idos de governos de centro-direita também os familiares de ministros enxameavam os ditos governos. Mas o que lá vai, lá vai... o pessoal foca-se no presente e segue em frente.

E no presente, por possível interferência do tal clima - talvez por influência do aquecimento global (e mental) - as amêndoas são piores do que o cimento.
O Presidente também ajuda à festa e prepara legislação (sabendo e reconhecendo que não é da sua competência, mas é para ajudar e para precaver o futuro...).


E estes delírios são maus conselheiros.
Tudo se quer legislar. Mesmo onde, mais do que questões legais, se colocam questões éticas. Parece-me...
As decisões tomadas a quente, muitas vezes, revelam-se inadequadas.
Voltando a Beckett, "a virtude absoluta mata o ser humano com tanta segurança como o vício absoluto, pela letargia e pomposidade que provocam".

No actual sistema, em que o poder financeiro se sobrepõe ao político, considero mais preocupante os "tachos" e "tachinhos" dos ex-ministros que saltam para as grandes empresas que beneficiam (será impressão minha?) de legislações/decisões políticas.
Contem-se estes casos. Devem ser mais do que os familiares no Governo.

Sobre este tema, escreveu José Pacheco Pereira (Público, 30 de Março):
«A obsessão populista com os “políticos” esquece que a maioria deles não tem qualquer poder significativo e, ao concentrar-se neles, ajuda a permanecer discretos os verdadeiros poderosos. E esses continuam a “mandar” em Portugal. E não estou a falar do DDT mais conhecido, mas no “círculo de confiança” que dos negócios à advocacia, aos lóbis, às empresas, aos think tanks e fundações subsidiados, controlam tudo o que é importante na decisão económica, social e política em Portugal. Há um “círculo” parecido na cultura e nos media, com relações próximas com o que referi antes, mas esse fica para outra altura.

Esse “círculo de confiança” é informal, mas controla escolhas de pessoas, ou nomeando-as para lugares estratégicos ou vetando-as, talvez o mais importante poder que tem, e acumula uma enorme quantidade de informação, pura e dura, sem distracções, que lhe vem da circulação dos seus membros pelos lugares de poder, quer políticos, quer nos conselhos de administração, quer nas comissões de remuneração, quer na pseudo-governance nas empresas, quer nos escritórios de advogados de negócios – sempre os mesmos a serem contratados pelo Estado ou contra o Estado –, quer nas empresas de auditoria ou de consultadoria financeira, nos grandes bancos, no Banco de Portugal, nos clubes desportivos, nas ligações obscuras na União Europeia, etc., etc. Essas é que são as “famílias” perigosas e também estão no governo, como de costume nas áreas mais sensíveis.

Comparado com isto, as “famílias” governamentais e partidárias são chicken feed, excelente expressão inglesa para designar “uma pequena quantidade de alguma coisa”. Não é que não sejam um sintoma, só que não são um sintoma daquilo que se lhes aponta. São um sintoma de um outro problema da democracia, o encolhimento da oligarquia partidária à medida que, cada vez mais, nos grandes partidos, PS e PSD, se implantam carreiras profissionalizadas, desde as “jotas” ao partido adulto, com gente que não tem qualquer experiência das dificuldades da vida a não ser in vitro dentro dos partidos. E é natural que a endogamia cresça, como acontece em todos os grupos que encolhem ou são muito fechados.»


sábado, 30 de março de 2019

Pelo caminho, pelo caminho, pelo caminho...

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.


DN, 29 de Março
Depois querem o quê?

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade


terça-feira, 26 de março de 2019

Como a morte pode melhorar as pessoas

Leio em quase todos os meios de comunicação social on line os maiores elogios às qualidades humanas e profissionais de João Vasconcelos, ex-Secretário de Estado da Energia, hoje falecido.

Recordo-me que abandonou esse cargo na sequência das viagens e idas ao futebol pagas pela Galp (acho que foi isso...), quando nos mesmos meios de comunicação lhe "ladravam às canelas", pondo em causa a sua idoneidade.

Não o conheci.
Só sei que morrer aos 43 anos é muito cedo.


domingo, 17 de março de 2019

As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores

O Facebook divulgou que removeu 1,5 milhão de vídeos que mostravam os ataques às mesquitas, na Nova Zelândia, após a transmissão em directo do atentado, e 1,2 milhão terão sido bloqueados ainda antes de serem publicados. 


O "sucesso" e a reprodução dos atentados terroristas passa pela sua divulgação através dos meios de comunicação social (sobretudo as televisões, pelo poder da imagem) das comunidades visadas ou daquelas que são mais sensíveis a esses actos de violência.

E as televisões, salvo excepções, insistem e repetem e repetem e exploram emocional e sadicamente os sentimentos das pessoas.
E fazem o favor de valorizar os atentados e quem os comete - dão-lhes toda a publicidade. Ajudam o terrorismo!

Mas, educadamente, avisam:
"As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores...", perdão, dos "espetadores".


domingo, 3 de março de 2019

A idiotização da sociedade como estratégia de dominação

«As pessoas estão tão comprometidas com o sistema estabelecido, que são incapazes de pensarem em alternativas contrárias aos critérios impostos pelo poder.

Para conseguir isso, o poder se vale do entretenimento a partir do vazio, com o objectivo de aumentar nossa sensibilidade social fazendo com que nos acostumemos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos para alcançarmos uma consciência crítica da realidade.

No entretenimento vazio, o comportamento desagradável e desrespeitoso é considerado positivo, como vemos constantemente na televisão, nos programas que são lixos chamados “do coração”, e nos encontros de espectáculos em que os gritos e a falta de respeito são a norma, o futebol, a forma mais completa e eficiente que o sistema estabeleceu para converter a sociedade.»
Fernando Navarro
Revista Prosa Verso e Arte
Publicado originalmente na revista Al Margen (Valencia)


Vai ser uma trabalheira!

O juiz Joaquim Neto de Moura, criticado por ter sido o responsável por dois acórdãos em que desvalorizou casos de violência doméstica, anunciou que vai processar todos aqueles que proferiram comentários nos jornais, televisões e redes sociais em que o acusavam de "ser misógino, machista ou incapaz de continuar a exercer a profissão."


Comentário de Bruno Nogueira ao anúncio do juiz Neto de Moura


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Os rankings das escolas

«Todos os anos as escolas portuguesas são ordenadas pelas classificações médias dos alunos nos exames nacionais. Do ponto de vista técnico, estes rankings são uma fraude. Em termos práticos, produzem efeitos contraproducentes. Não é o seu rigor nem as suas implicações que explicam o destaque que os media lhes dão. Os rankings são visíveis porque são polémicos e uma polémica acesa é sempre motivo de notícia. Mas, além de atraírem audiências, para que servem? 
Quando surgiram em Portugal, em 2001, os rankings das escolas reflectiam uma tendência internacional na condução das políticas públicas. A ideia era simples. Numa sociedade complexa em que a comunicação é tudo, os decisores políticos só dão atenção aos temas que aparecem nos media. Para conquistarem o palco mediático, as mensagens têm de ser simples e curtas. Se puderem ser transmitidas em números, tanto melhor.
(...)
Os rankings das escolas ajudaram de facto a atrair as atenções para o problema da qualidade da educação em Portugal. E mudaram o comportamento dos actores do sistema de ensino (alunos, professores, encarregados de educação, directores escolares). Menos óbvia é a bondade destas transformações.»
Eduardo Paes Mamede, DN



De Paulo Guinote, em O Meu Quintal:
  • Prefiro que exista alguma (ou mais) informação do que nenhuma ou excessiva (o chamado Big Data) por vezes destinada a baralhar tudo.
  • Dados apenas dos exames são redutores, em especial no Ensino Básico quando ficaram reduzidos a duas provas no 9.º ano, pois não permitem qualquer tratamento ao longo do tempo, ao nível da coorte de alunos.
  • Os rankings reflectem apenas uma dimensão do desempenho dos alunos das escolas e devem ser enriquecidos com variáveis de contexto (que as escolas privadas não fornecem) que já são divulgadas há alguns anos, antes deste mandato, com destaque para o trabalho do Público nesse particular.
  • Há no ME informação muito vasta que permite caracterizar de forma adequada a realidade de cada escola de forma estatística, mas não a forma como, internamente, se desenvolvem “micro-políticas de avaliação/sucesso”.

«Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas.»
Mark Twain


Nesta fase, os rankings já "não me aquentam nem me arrefentam"...
Preocupado estou, com o caminho que a educação leva, na esteira daquele que a sociedade segue. 
A realidade escolar não é uniforme - os meios em que as escolas se inserem são múltiplos, mas, numa escola básica da zona metropolitana de Lisboa, consigo antever determinados comportamentos por parte de alunos meus: egocentrismo, desrespeito pelos outros, por princípios e regras fundamentais, violência.

A facilidade de acesso aos meios de informação é confundida com conhecimento. As aulas não lhes agradam, por serem uma forma antiquada de aprendizagem de conteúdos sem interesse - "uma seca", quando eles "já sabem tanto" - têm o mundo nas falangetas! 
Pondo as coisas de forma mais radical, a sensação que tenho, cada vez mais frequentemente ou com um número cada vez maior de alunos, é que estou a pretender que "cavalgaduras" aprendam, o que não é possível, por se considerarem já "puros-sangues". 
Perdoem a linguagem cavalar, quando o desajustado serei eu!...

Escreveu Afonso Cruz, "é muito difícil, senão impossível, explicar a um néscio a importância da cultura, pois ele não tem cultura para perceber a falta dela." 

Talvez por isso, à escola é apontado o caminho da "pedagogia fofinha".
Será o reconhecimento de que não os podemos vencer e, por isso, nos devemos juntar a eles.
Escreveu Daniel Sampaio (JL-Educação, 2 de Janeiro): "Dos jovens 29,6% diz não gostar da escola, a matéria escolar é demasiada para 87,2%, aborrecida para 84,9% e difícil para 82%. Estes dados mostram a necessidade urgente de revisão curricular".
Proponho que sejam os jovens a fazê-la.
Não se esqueçam de chamar aqueles meus alunos que acima referi.
Sejamos inclusivos!


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

sábado, 19 de janeiro de 2019

Uma questão de confiança e... de juízo!

Estudo feito pela GfK a pedido da organização portuguesa do Global Teacher Prize e da Fundação Galp.
Objectivo do estudo é perceber como a sociedade percepciona os docentes e abrir um debate sobre o papel dos professores.

Os jornalistas, que tantas vezes ajudam ao "bot'abaixo" dos "profs., estão mais abaixo!

Até os banqueiros, que nos levam couro e cabelo, estão acima dos políticos!
Talvez porque os políticos são aqueles que contribuem para pagar aos bancos o que os banqueiros exigem para "salvar os bancos" das asneiras que fizeram. E também fornecem mão-de-obra, fazendo transvases de governantes para as administrações, quando os governos acabam.


Mas, voltando à educação...
O mesmo estudo dá a saber que:


Uma questão de bom senso!


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Quadrar as mentes

Será substituído por um programa de antevisão da jornada futebolística do fim de semana? 
Ou por um da Cristina Ferreira?

Há que aligeirar a programação.
As mentes são frágeis!


Irá acabar por pressão da maçonaria, depois de Pacheco Pereira ter denunciado a sua "mãozinha" por detrás de Luís Montenegro?


Passemos ao Plano B!

«Listen very carefully, I'll say this only once!»


Parece-me que os britânicos andam um pouco perdidos!...


Sol na eira e chuva no nabal


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Alentejanos na neve


O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (Serpa) está nos EUA, por iniciativa do festival Terras Sem Sombra, que este ano tem como país convidado os Estados Unidos.
O objectivo, segundo o presidente do festival, é "abrir as portas do património cultural e natural do Alentejo".
O cante vai derreter  neve!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Há muitos anos a meter água

DN de hoje

É uma larga experiência!
O processo de concurso público para aquisição dos dois submarinos iniciou-se em 2004, no tempo do Governo presidido por Durão Barroso e de que Paulo Portas era Ministro da Defesa.
O plano de compra vinha, se as fontes estão certas, de 1998, do tempo do Governo de António Guterres.

Eu até vi chegar o primeiro destes submarinos!



sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Desilusão!

Desilusão!

Para os organizadores das manifestações, por motivos óbvios.

Para os jornalistas que cobriram as manifestações... e que deviam ser mais do que os manifestantes.
Bem que puxaram por eles, para ver se "havia sangue"...

Para os chineses... que não conseguiram despachar os coletes amarelos que têm em stock!



Um dia serei admirado e reconhecido pela minha arte


O DN recordou que a pintura Nu deitado (reclinado sobre o lado esquerdo), de Amadeo Modigliani, foi a obra de arte mais cara transaccionada em 2018 - 138,3 milhões de euros.
O quadro foi capa da exposição do Tate Modern com 12 nus do artista (Novembro de 2017 - Abril de 2018). A exposição assinalava os 100 anos da primeira e única exposição a solo de Modigliani, durante a sua vida.


A exposição de 1917, na conceituada galeria de Berthe Weill, galerista e marchande, onde Picasso e Matisse venderam os seus primeiros quadros em Paris, durou... um dia.

Na montra foram expostos dois nus. Em nome dos bons costumes, a polícia foi chamada a intervir.
«Modernismos, vanguardismos e descaramentos sim, mas que se contivessem às enxergas onde dormiam os seus autores! (...) As pessoas de bem que frequentassem nesse dia da exposição, a Rue Victor Massé não tinham de ver tanta imoralidade e indecência. Assim, os bons costumes foram consignados. A polícia mandou retirar os quadros da montra e encerrar as portas da galeria.»

A exposição poderia ter sido o começo da sua consagração como artista. 
«Mas não foi. Foi, sim, o comprovativo da minha consagração como bêbado e devasso impossível de ser satisfeito.»

É a triste ironia vivida por muitos artistas: pouco sucesso durante a sua (curta) vida (Modigliani morreu aos 35 anos), mas... muito sucesso para quem agora negoceia as suas obras.

Já em 2015, Nu deitado, do mesmo pintor, tinha-se transformado na segunda obra mais cara de sempre vendida em leilão - mais de 158 milhões de euros (só superado por um quadro do seu contemporâneo e conhecido - não amigo! - Picasso).


Modigliani tinha razão...
«(...) eu acredito em mim. Com todas as minhas forças. Acredito que um dia serei admirado e reconhecido pela minha arte.»

Citações de Cristina Carvalho, O Olhar e a Alma - Romance de Modigliani.