"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

O tempo, esse grande escultor

A agenda da sessão plenária do Parlamento de amanhã, 16 de Abril, contempla o “Projecto de Lei n.º 944/XIII/3.ª (Cidadãos)” sobre a “Consideração integral do tempo de serviço docente prestado durante as suspensões de contagem anteriores a 2018, para efeitos de progressão e valorização remuneratória”, resultante de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) desenvolvida desde 17 de Abril de 2018.

Um ano - a democracia custa!

Dos resultados... duvido. 
Penso que será uma discussão inconclusiva, semelhante às do Parlamento inglês, a propósito do Brexit.
As responsabilidades serão empurradas, os custos financeiros apresentados pelo PS continuarão sem confirmação, os imbróglios legais arrastarão a situação até...
E vamos todos continuar na mesma, voltando a página da austeridade.

Não se vê nada à frente


domingo, 14 de abril de 2019

Nem vejo a idade da reforma!

O dinheiro manda!

A sustentabilidade da segurança social... a juntar à da ADSE...
Em período pré-eleitoral, uma nova frente de ataque.
Mais fraquinha, no entanto, do que a já enjoativa nomeação de familiares.
Porque mesmo comentadores como José Gomes Ferreira consideraram, desde logo, que estava em jogo "fazer jeito aos fundos de pensões e às seguradoras".

Será de lembrar que...
... o "isento" coordenador do estudo, Amílcar Moreira, foi Secretário de Estado do Governo de Passos Coelho, época em que se falou do corte de 600 milhões em pensões e o começo da sua privatização - "abrir o mercado ao privado". No fundo é pretender que os privados do sector vivam encostados ao Estado (que nos obrigaria a colocar os nossos rendimentos naquelas instituições).
... o estudo foi encomendado e/ou, pelo menos, pago por quem não prima por bons salários e, logo, ajuda a fracas contribuições para a segurança social.
... quem defende estas políticas tem garantida ou vive de reforma dourada.

Cada vez maior é o problema das políticas de redistribuição - também há estudos que indicam que a percentagem que os trabalhadores recebem relativamente à riqueza produzida tem vindo a diminuir.
E cada vez maior é o problema dos horários de trabalho escravizantes e da perspectiva de reformas indignas (como não serão as dos seus legisladores, do mentor do estudo, de pessoas desta "casta", que acautelaram mui condignamente, com largos cabedais, o seu futuro).

A sustentabilidade do sistema de repartição é uma questão mais política do que económica, financeira ou demográfica. 
Há sempre produção de riqueza e haverá sempre opções a tomar sobre a forma como distribuir essa riqueza.


Estão todos doidos!

Em clima pré-eleitoral - um clima mais frequente do que as próprias eleições - e já no último ano da legislatura (não desvendaram mais cedo?), a direita descobriu um filão que colhe junto das ideias feitas: os tachos, tachinhos...
Como dizia Beckett, "os moralistas são pessoas que coçam onde os outros têm comichão."

Foi recordado - por ironia, a partir de uma fonte insuspeita, O Independente de Paulo Portas - que em tempos idos de governos de centro-direita também os familiares de ministros enxameavam os ditos governos. Mas o que lá vai, lá vai... o pessoal foca-se no presente e segue em frente.

E no presente, por possível interferência do tal clima - talvez por influência do aquecimento global (e mental) - as amêndoas são piores do que o cimento.
O Presidente também ajuda à festa e prepara legislação (sabendo e reconhecendo que não é da sua competência, mas é para ajudar e para precaver o futuro...).


E estes delírios são maus conselheiros.
Tudo se quer legislar. Mesmo onde, mais do que questões legais, se colocam questões éticas. Parece-me...
As decisões tomadas a quente, muitas vezes, revelam-se inadequadas.
Voltando a Beckett, "a virtude absoluta mata o ser humano com tanta segurança como o vício absoluto, pela letargia e pomposidade que provocam".

No actual sistema, em que o poder financeiro se sobrepõe ao político, considero mais preocupante os "tachos" e "tachinhos" dos ex-ministros que saltam para as grandes empresas que beneficiam (será impressão minha?) de legislações/decisões políticas.
Contem-se estes casos. Devem ser mais do que os familiares no Governo.

Sobre este tema, escreveu José Pacheco Pereira (Público, 30 de Março):
«A obsessão populista com os “políticos” esquece que a maioria deles não tem qualquer poder significativo e, ao concentrar-se neles, ajuda a permanecer discretos os verdadeiros poderosos. E esses continuam a “mandar” em Portugal. E não estou a falar do DDT mais conhecido, mas no “círculo de confiança” que dos negócios à advocacia, aos lóbis, às empresas, aos think tanks e fundações subsidiados, controlam tudo o que é importante na decisão económica, social e política em Portugal. Há um “círculo” parecido na cultura e nos media, com relações próximas com o que referi antes, mas esse fica para outra altura.

Esse “círculo de confiança” é informal, mas controla escolhas de pessoas, ou nomeando-as para lugares estratégicos ou vetando-as, talvez o mais importante poder que tem, e acumula uma enorme quantidade de informação, pura e dura, sem distracções, que lhe vem da circulação dos seus membros pelos lugares de poder, quer políticos, quer nos conselhos de administração, quer nas comissões de remuneração, quer na pseudo-governance nas empresas, quer nos escritórios de advogados de negócios – sempre os mesmos a serem contratados pelo Estado ou contra o Estado –, quer nas empresas de auditoria ou de consultadoria financeira, nos grandes bancos, no Banco de Portugal, nos clubes desportivos, nas ligações obscuras na União Europeia, etc., etc. Essas é que são as “famílias” perigosas e também estão no governo, como de costume nas áreas mais sensíveis.

Comparado com isto, as “famílias” governamentais e partidárias são chicken feed, excelente expressão inglesa para designar “uma pequena quantidade de alguma coisa”. Não é que não sejam um sintoma, só que não são um sintoma daquilo que se lhes aponta. São um sintoma de um outro problema da democracia, o encolhimento da oligarquia partidária à medida que, cada vez mais, nos grandes partidos, PS e PSD, se implantam carreiras profissionalizadas, desde as “jotas” ao partido adulto, com gente que não tem qualquer experiência das dificuldades da vida a não ser in vitro dentro dos partidos. E é natural que a endogamia cresça, como acontece em todos os grupos que encolhem ou são muito fechados.»


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Pornografia!

Uma questão de castas.


São gestores topo de gama!

É o seu trabalho árduo que faz avançar as empresas, a economia, o país, a comunidade europeia, a civilização ocidental...

(e muitos devem ser das mesmas famílias, o que é politicamente incorrecto 
segundo os cânones das últimas semanas)


domingo, 7 de abril de 2019

Trabalhos forçados

Que empreitada justifica que, ao Domingo, meia dúzia de trabalhadores tenham de andar a calcetar uma rotunda (e os passeios próximos), debaixo de uma chuva rigorosa?

À hora da fotografia já não chovia


sábado, 30 de março de 2019

Meter os pés pelas mãos...



É o resultado das jigajogas, das vias tortuosos por que se metem, das leis engendradas para contornar os custos financeiros que uma correcta solução da contagem do tempo de carreira implicaria.
É verdade que implica verbas elevadas. Mas todos estes caminhos ínvios aumentam as situações de injustiça. E resta saber se as despesas, no final, não serão pouco inferiores.
E vamos de malabarismo em malabarismo, de erro em erro, de injustiça em injustiça. Qual delas a pior...

Mas do Ministério da Educação já esperamos tudo.
Não há trapalhada e justificação caricata que chegue!


Pelo caminho, pelo caminho, pelo caminho...

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.


DN, 29 de Março
Depois querem o quê?

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade


sábado, 23 de março de 2019

Manifestação de professores

Cerca de 80 mil docentes* aderiram ao protesto organizado pelas dez estruturas sindicais que, durante mais de um ano, tentaram negociar a recuperação do tempo integral de serviço: nove anos, quatro messe e dois dias.
Foram movidas mais umas peças neste "jogo de xadrez".


A bola está do lado da Assembleia da República.
Os pedidos de apreciação parlamentar, apresentados pelo PCP, BE e PSD ao diploma do Governo que estabelece a recuperação do tempo de serviço, serão debatidos no parlamento, no próximo dia 16 de Abril.
Li que aqueles partidos «dão razão aos professores e esperam “coerência” no parlamento».
Eu é que espero coerência da parte dos seus deputados!
Sobretudo, pelos colegas mais novos. Já nada lucrarei (nem nada perderei) com o que venha a ser aprovado.  


* P.S. - Talvez 50 mil, 40 mil, 60 mil... quem sabe?


domingo, 17 de março de 2019

As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores

O Facebook divulgou que removeu 1,5 milhão de vídeos que mostravam os ataques às mesquitas, na Nova Zelândia, após a transmissão em directo do atentado, e 1,2 milhão terão sido bloqueados ainda antes de serem publicados. 


O "sucesso" e a reprodução dos atentados terroristas passa pela sua divulgação através dos meios de comunicação social (sobretudo as televisões, pelo poder da imagem) das comunidades visadas ou daquelas que são mais sensíveis a esses actos de violência.

E as televisões, salvo excepções, insistem e repetem e repetem e exploram emocional e sadicamente os sentimentos das pessoas.
E fazem o favor de valorizar os atentados e quem os comete - dão-lhes toda a publicidade. Ajudam o terrorismo!

Mas, educadamente, avisam:
"As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores...", perdão, dos "espetadores".


domingo, 3 de março de 2019

Vai ser uma trabalheira!

O juiz Joaquim Neto de Moura, criticado por ter sido o responsável por dois acórdãos em que desvalorizou casos de violência doméstica, anunciou que vai processar todos aqueles que proferiram comentários nos jornais, televisões e redes sociais em que o acusavam de "ser misógino, machista ou incapaz de continuar a exercer a profissão."


Comentário de Bruno Nogueira ao anúncio do juiz Neto de Moura


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Lamentável


«O Governo lamenta o facto de os educadores e os professores dos ensinos básico e secundário não poderem ver contabilizados já a partir de 01 de janeiro de 2019 os dois anos, nove meses e 18 dias", previstos no decreto-lei hoje vetado pelo Presidente da República, lê-se num comunicado do gabinete do primeiro-ministro, António Costa.»
(TSF)

Eu lamento a falta de vergonha dos aldrabões que assim mentem.
Lamento a hipocrisia! Dá vontade de dizer "Vão ...!"
Ao menos, não mintam! Sejam sérios - assumam que as prioridades políticas são outras e basta! Fiquem por aí. Escusam de vir com lamentações e discursos da treta!

O diploma governamental que o Presidente vetou não permite, pela sua formulação, a contabilização de qualquer tempo à grande maioria dos educadores e professores... antes de 2021. 
Se este decreto-lei entrar em vigor, serei um daqueles que nunca chegará a beneficiar de um dia que seja!
Por mim, não se incomodem! 

Perante estas aldrabices e outras do mesmo género, estranhem os populismos e os movimentos de protesto daí decorrentes.  


domingo, 2 de dezembro de 2018

Todos ao molho (no sentimento de revolta)

Paris, 1.º de Dezembro

Uma simples manifestação contra a política governativa?


Não parece!

Mas os governos (que deviam ser) democráticos, enquanto se submeterem aos interesses do capital, põem-se a jeito de todos os populismos e das manifestações de revolta mais violentas em que tudo se mistura. 
E as pessoas são tão manipuláveis...


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

De 9 para 10 de Novembro - sinais contrários na Alemanha

1938
Noite de Cristal

«Circulavam jornais com caricaturas de judeus de monstruosos narizes em cavalete, olhos esbugalhados, cobiçosos, expressão brutal ou lasciva e mãos papudas, carregadas de anéis descomunais. Publicavam-se artigos aterradores sobre o culto religioso nas sinagogas e nas casas judaicas. Chegava a afirmar-se que os judeus matavam crianças na noite de Passah em que esperavam o Messias. Nos carros eléctricos e nos comboios viam-se os passageiros divertirem-se à custa de tais histórias e das gravuras repugnantes que as ilustravam. Talvez não acreditassem no que liam e viam, mas procuravam a excitação e até o arrepio que lhes havia de justificar o pôr a descoberto os seus maus instintos. A falta de trabalho inquietava-os. Jovens e velhos perdiam os empregos e esperavam em bichas nas repartições de trabalho, para o selo e o carimbo nos cartões do seguro social. Os desempregados enchiam as cervejarias e exaltavam Hitler, que lhes prometia trabalho e lhes afirmava serem os judeus os maiores culpados da desgraça económica do país. O nome "judeu" cada vez se tornava mais injurioso.»
Ilse Losa, O mundo em que vivi

1989
Queda do Muro

«Só quem um dia o viu ao natural, eriçado de arame farpado e de metralhadoras, pode avaliar a vergonha e humilhação que ele representava para o espírito humano. Agora, pronto. Já se podem trocar as virtudes, os vícios e as ideias. E olhar livre e fraternalmente em todas as direcções.»
Miguel Torga, Diário XV


Dois presidentes, dois destinos

«Como é público e notório não votei em Marcelo Rebelo de Sousa e fui dos primeiros a colocar dúvidas quanto ao seu estilo excessivamente intervencionista devo, no entanto, admitir que muitas das suas intervenções têm sido extremamente importantes no mundo de cobardes em que vivemos.
Ainda hoje li no jornal Público que Num texto enviado à TSF, para assinalar o Dia Internacional Contra o Fascismo e Antissemitismo, Marcelo usa os verbos "despertar" e "agir" para insistir na mensagem.

"É preciso despertar, também - despertar para os riscos, sempre presentes, dos chauvinismos, das xenofobias, dos racismos, dos chamados populismos, que hoje parecem, tantas vezes, ter substituído o nazismo e o fascismo de há cem anos.
Mas mais do que despertar, é preciso agir - agir enfrentando as crises económicas, as injustiças sociais, as fragilidades dos sistemas de partidos e dos parceiros sociais, a corrupção das pessoas e das instituições, que minam as democracias e fazem florescer os seus inimigos".

Enquanto isso o presidente francês Macron, apesar dos 360 ataques anti-semitas no país desde o início do ano intentou prestar homenagem a Pétain, o presidente da república colaboracionista, que entregou os judeus aos nazis e só foi dissuadido pela forte reacção que despertou. Seguramente, Macron pensara que isso o tiraria dos 20% de apoio que o coloca no caminho de Hollande e a França no de possíveis desgraças.»
Eduardo Paz Ferreira


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Inconsciente mas seduzida



Pode alguém inconsciente estar seduzido(a)?

Neste e em outros casos semelhantes, gostava de saber o que diriam os juízes se as vítimas fossem as suas filhas.
Manteriam a opinião de uma "mediana ilicitude" e de "danos físicos sem especial gravidade"?


domingo, 8 de abril de 2018

A prisão de Lula da Silva - Desconfianças de um regime

Não posso discutir, por desconhecimento e por falta de formação, as acusações a Lula da Silva, nem as alegações de defesa.
Aquilo que conhecemos pela comunicação social é insuficiente e muita informação já é formatada.
Os comentadores, que, por vezes, também não sabem muito mais, alinham-se pelos prós ou pelos contras, porque, a priori, já eram pró ou contra.

Lula pode ter cometido actos de corrupção, mas a sua detenção, na sequência de todo um conjunto de acções que podem ter tudo menos asseio, tresanda a prisão política.
E o que me espanta é a alegria de tantos brasileiros pela prisão de "um político corrupto", quando é universalmente conhecida a ligação estreita entre os agentes judiciais e o meio político e o nível de corrupção existente nos vários órgãos do poder político, passando pelos deputados, senadores e pelo próprio Presidente da República. É público!
Quando há agentes políticos no activo que usam dessa prerrogativa para evitarem ser ouvidos em processos e são esses mesmos agentes políticos que levaram à condenação de Lula da Silva, ou a apressaram, para o afastarem da vida política, que confiança e que satisfação pode haver num sistema destes?
Exultam quando deviam desconfiar e deviam ter vergonha de um regime que tal permite.
Mas que raio de consciência colectiva!
Quando há ameaças veladas (ou não tão veladas) dos militares... (e a ditadura militar brasileira não foi há tanto tempo assim!)
Quando os novos políticos que se afirmam, tão "puros", deixam adivinhar tendências autoritárias...

Que irão fazer os outros tantos brasileiros pró-Lula ou que, pelo menos, não alinham com estas situações menos dignas de um regime que se pretende democrata?



A canção Menestrel das Alagoas foi um dos hinos da campanha das Diretas-Já
movimento que exigia que o Congresso aprovasse a emenda constitucional 
instituindo a realização da eleição directa para a Presidência da República, 
visando pôr fim ao regime militar. As eleições de 1985, com a vitória de Tancredo Neves, 
foram as últimas por via indirecta, tendo encerrado a ditadura militar.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Martin Luther King

Martin Luther King, líder do movimento norte-americano de direitos cívicos e Nobel da Paz (1964), foi assassinado há 50 anos, no Tennessee.


Assinalando a data e recordando a sua acção, milhares de pessoas marcharam hoje em silêncio, junto ao memorial em sua honra.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

A maçã podre (e a apologia da censura)


A Time de 22 de Julho de 1946, número censurado em Portugal
(a revista foi proibida, no nosso país, durante seis anos)

«Eu compreendo que a Censura moleste um pouco os jornais (...) mas não há dúvida de que a sua existência tem permitido uma segurança de trabalho e até uma liberdade de acção - o que parece contraditório mas não o é - que não vemos noutros regimes supostamente mais liberais (...). É preciso reconhecer que quem governa tem em relação ao interesse nacional responsabilidades graves que não pode trespassar a outros e nos casos duvidosos tem fatalmente de prevalecer o seu juízo.»
Salazar, discurso proferido na sede da União Nacional, em 1958