"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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domingo, 14 de abril de 2019

Taiguara - Terra das palmeiras



Esta canção é do disco Imyra, Tayra, Ipy, de Taiguara, músico de origem uruguaia que viveu no Brasil.
Imyra, Tayra, Ipy é um disco com uma história muito atribulada, a qual teve início quando da sua edição, em 1976.
O seu compositor já tinha um historial de perseguição pela censura brasileira. Tinha regressado, pouco tempo antes, do exílio em Inglaterra. Algumas canções que integram o álbum, como Terra das palmeiras, fizeram a censura actuar.
O disco foi proibido e banido das lojas apenas 72 horas após ter sido lançado. 

Ainda bem que o Brasil não teve ditadura militar!...

Como dizem os versos de Outra Cena (uma outra canção do disco):
A grana o gado o ladrão
O pau o podre o país
Amado o medo a matriz
Só não sofreu
Quem não viu
Não entendeu
Quem não quis


domingo, 17 de março de 2019

As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores

O Facebook divulgou que removeu 1,5 milhão de vídeos que mostravam os ataques às mesquitas, na Nova Zelândia, após a transmissão em directo do atentado, e 1,2 milhão terão sido bloqueados ainda antes de serem publicados. 


O "sucesso" e a reprodução dos atentados terroristas passa pela sua divulgação através dos meios de comunicação social (sobretudo as televisões, pelo poder da imagem) das comunidades visadas ou daquelas que são mais sensíveis a esses actos de violência.

E as televisões, salvo excepções, insistem e repetem e repetem e exploram emocional e sadicamente os sentimentos das pessoas.
E fazem o favor de valorizar os atentados e quem os comete - dão-lhes toda a publicidade. Ajudam o terrorismo!

Mas, educadamente, avisam:
"As imagens que se seguem podem ferir a sensibilidade dos espectadores...", perdão, dos "espetadores".


domingo, 3 de março de 2019

A idiotização da sociedade como estratégia de dominação

«As pessoas estão tão comprometidas com o sistema estabelecido, que são incapazes de pensarem em alternativas contrárias aos critérios impostos pelo poder.

Para conseguir isso, o poder se vale do entretenimento a partir do vazio, com o objectivo de aumentar nossa sensibilidade social fazendo com que nos acostumemos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos para alcançarmos uma consciência crítica da realidade.

No entretenimento vazio, o comportamento desagradável e desrespeitoso é considerado positivo, como vemos constantemente na televisão, nos programas que são lixos chamados “do coração”, e nos encontros de espectáculos em que os gritos e a falta de respeito são a norma, o futebol, a forma mais completa e eficiente que o sistema estabeleceu para converter a sociedade.»
Fernando Navarro
Revista Prosa Verso e Arte
Publicado originalmente na revista Al Margen (Valencia)


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

De 9 para 10 de Novembro - sinais contrários na Alemanha

1938
Noite de Cristal

«Circulavam jornais com caricaturas de judeus de monstruosos narizes em cavalete, olhos esbugalhados, cobiçosos, expressão brutal ou lasciva e mãos papudas, carregadas de anéis descomunais. Publicavam-se artigos aterradores sobre o culto religioso nas sinagogas e nas casas judaicas. Chegava a afirmar-se que os judeus matavam crianças na noite de Passah em que esperavam o Messias. Nos carros eléctricos e nos comboios viam-se os passageiros divertirem-se à custa de tais histórias e das gravuras repugnantes que as ilustravam. Talvez não acreditassem no que liam e viam, mas procuravam a excitação e até o arrepio que lhes havia de justificar o pôr a descoberto os seus maus instintos. A falta de trabalho inquietava-os. Jovens e velhos perdiam os empregos e esperavam em bichas nas repartições de trabalho, para o selo e o carimbo nos cartões do seguro social. Os desempregados enchiam as cervejarias e exaltavam Hitler, que lhes prometia trabalho e lhes afirmava serem os judeus os maiores culpados da desgraça económica do país. O nome "judeu" cada vez se tornava mais injurioso.»
Ilse Losa, O mundo em que vivi

1989
Queda do Muro

«Só quem um dia o viu ao natural, eriçado de arame farpado e de metralhadoras, pode avaliar a vergonha e humilhação que ele representava para o espírito humano. Agora, pronto. Já se podem trocar as virtudes, os vícios e as ideias. E olhar livre e fraternalmente em todas as direcções.»
Miguel Torga, Diário XV


Dois presidentes, dois destinos

«Como é público e notório não votei em Marcelo Rebelo de Sousa e fui dos primeiros a colocar dúvidas quanto ao seu estilo excessivamente intervencionista devo, no entanto, admitir que muitas das suas intervenções têm sido extremamente importantes no mundo de cobardes em que vivemos.
Ainda hoje li no jornal Público que Num texto enviado à TSF, para assinalar o Dia Internacional Contra o Fascismo e Antissemitismo, Marcelo usa os verbos "despertar" e "agir" para insistir na mensagem.

"É preciso despertar, também - despertar para os riscos, sempre presentes, dos chauvinismos, das xenofobias, dos racismos, dos chamados populismos, que hoje parecem, tantas vezes, ter substituído o nazismo e o fascismo de há cem anos.
Mas mais do que despertar, é preciso agir - agir enfrentando as crises económicas, as injustiças sociais, as fragilidades dos sistemas de partidos e dos parceiros sociais, a corrupção das pessoas e das instituições, que minam as democracias e fazem florescer os seus inimigos".

Enquanto isso o presidente francês Macron, apesar dos 360 ataques anti-semitas no país desde o início do ano intentou prestar homenagem a Pétain, o presidente da república colaboracionista, que entregou os judeus aos nazis e só foi dissuadido pela forte reacção que despertou. Seguramente, Macron pensara que isso o tiraria dos 20% de apoio que o coloca no caminho de Hollande e a França no de possíveis desgraças.»
Eduardo Paz Ferreira


domingo, 28 de outubro de 2018

Frases ditas...

«Os pobres só têm uma utilidade para o nosso país, votar com diploma de burro no bolso.»
A fazer fé na comunicação social, frase proferida por Jair Bolsonaro, entretanto eleito Presidente da República Federativa do Brasil.

«Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.»
Nelson Rodrigues
Não chamo idiota ao eleito, esse é "chico-esperto", se aproveita dos idiotas. 


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Neo-fascism is on the rise


Mensagem projectada na tela durante o espectáculo de Roger Waters no Allianz Parque, São Paulo.

Resposta: apupos e aplausos.
As posições estão extremadas e a discussão política anda a um nível abaixo de cão - ideias nada!

Acho muito bem que se vá pondo a boca no trombone.
Grande Rogério Águas!




segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Fim da Primavera de Praga


Na noite de 20 de Agosto de 1968, tropas de 5 países do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia.

A invasão pretendia reverter as reformas de liberalização política que este país do bloco de leste experimentava, sob a liderança de Alexander Dubcek - um "socialismo com face humana" - a chamada Primavera de Praga.

As principais cidades checoslovacas foram ocupadas. A população ofereceu resistência à ocupação, mas sem grande sucesso perante a força invasora - algo semelhante à Hungria de 1956.



A orientação política voltou ao alinhamento com Moscovo, no respeito pela denominada Doutrina Brejnev, em que a União Soviética assumia a liberdade de intervenção política e militar nos países que, situando-se no bloco de leste, pusessem em causa a união entre os países e partidos socialistas - “as vitórias do ideal comunista” -, ameaçando sair da órbita do PC soviético.


A ortodoxia venceu. 

As primaveras políticas são apenas primaveras anunciadas. Não me lembro de uma primavera que tenha desaguado num verão...

quarta-feira, 18 de julho de 2018

João Semedo e António Arnaut

No espaço de dois meses, a morte levou estes dois resistentes à ditadura e defensores activos do Serviço Nacional de Saúde.


Fica-nos o exemplo das suas vidas.

«Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante. Segui sempre a minha intuição, nunca me senti a fazer o que não queria. Sim, fui muito feliz, sou e acho que continuarei a ser.»
João Semedo

Fotografia roubada à minha amiga Almerinda


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Com que então libertos, hein?...

Com que então libertos, hein? Falemos de política,
discutamos de política, escrevamos de política,
vivamos quotidianamente o regressar da política à posse de cada um,
essa coisa de cada um que era tratada como propriedade do paizinho.
Tenhamos sempre presente que, em política, os paizinhos
tendem sempre a durar quase cinquenta anos pelo menos.
E aprendamos que, em política, a arte maior é a de exigir a lua
não para tê-la ou ficar numa fúria por não tê-la,
mas como ponto de partida para ganhar-se, do compromisso,
uma boa lâmpada de sala, que ilumine a todos.
(...)
Jorge de Sena



domingo, 8 de abril de 2018

A prisão de Lula da Silva - Desconfianças de um regime

Não posso discutir, por desconhecimento e por falta de formação, as acusações a Lula da Silva, nem as alegações de defesa.
Aquilo que conhecemos pela comunicação social é insuficiente e muita informação já é formatada.
Os comentadores, que, por vezes, também não sabem muito mais, alinham-se pelos prós ou pelos contras, porque, a priori, já eram pró ou contra.

Lula pode ter cometido actos de corrupção, mas a sua detenção, na sequência de todo um conjunto de acções que podem ter tudo menos asseio, tresanda a prisão política.
E o que me espanta é a alegria de tantos brasileiros pela prisão de "um político corrupto", quando é universalmente conhecida a ligação estreita entre os agentes judiciais e o meio político e o nível de corrupção existente nos vários órgãos do poder político, passando pelos deputados, senadores e pelo próprio Presidente da República. É público!
Quando há agentes políticos no activo que usam dessa prerrogativa para evitarem ser ouvidos em processos e são esses mesmos agentes políticos que levaram à condenação de Lula da Silva, ou a apressaram, para o afastarem da vida política, que confiança e que satisfação pode haver num sistema destes?
Exultam quando deviam desconfiar e deviam ter vergonha de um regime que tal permite.
Mas que raio de consciência colectiva!
Quando há ameaças veladas (ou não tão veladas) dos militares... (e a ditadura militar brasileira não foi há tanto tempo assim!)
Quando os novos políticos que se afirmam, tão "puros", deixam adivinhar tendências autoritárias...

Que irão fazer os outros tantos brasileiros pró-Lula ou que, pelo menos, não alinham com estas situações menos dignas de um regime que se pretende democrata?



A canção Menestrel das Alagoas foi um dos hinos da campanha das Diretas-Já
movimento que exigia que o Congresso aprovasse a emenda constitucional 
instituindo a realização da eleição directa para a Presidência da República, 
visando pôr fim ao regime militar. As eleições de 1985, com a vitória de Tancredo Neves, 
foram as últimas por via indirecta, tendo encerrado a ditadura militar.


sábado, 30 de julho de 2016

Papa Francisco em Auschwitz

Post alterado (31.07.2016)



«Com toda a minha alma espero o SENHOR e confio na sua palavra.
A minha alma espera pelo Senhor, mais do que a sentinela pelo romper da aurora.»
(Salmos, 130:5-6)


Mãe, por favor, não chores.
Virgem puríssima, Rainha do Céu,
protege-me sempre.
(oração escrita nas paredes de uma cela na sede da Gestapo, em Zakopane, 
por uma rapariga de 18 anos - Setembro de 1944.
Esta oração foi o ponto de partida do 2.º andamento da 3.ª sinfonia de Górecki)


domingo, 24 de julho de 2016

Lisboa, 24 de Julho de 1833

«Christine,
Escrevo-vos de Lisboa liberta da tirania. Aqui cheguei (...) depois de ter ajudado a derrotar as forças inimigas à beira do Tejo que revejo após quatro anos e meio de ausência. Fomos recebidos com cortejos e aclamações, muitas bandeiras azuis e brancas, as cores da liberdade, e gente que nos cantava hinos de alegria, com perpétuas ao peito, fitas nos chapéus e flâmulas colgadas nas janelas. Houve excessos reprováveis, que a guerra está longe do fim e a lembrança do muito sangue que correu adubou os ressentimentos e os ódios. (...) Há ano e meio que deixei Paris, que calei a esperança de vos ver, de vos estreitar nos braços. Agora, que a liberdade está ao alcance de um derradeiro esforço, todas as grilhetas que me tinham prisioneiro do mundo velho eu as despedaço, com o vigor redobrado da minha razão e com todas as fibras do meu coração que, livre também, pulsa por vós.»
Álvaro Guerra, A guerra civil 



sábado, 23 de julho de 2016

A vida faz-se depressa...

«Pintura? Pintores? Os milhares de pessoas que, de segunda a quarta-feira, discutem no intervalo do trabalho a prova desportiva do domingo anterior e, de quarta-feira a sábado, a prova anunciada para o domingo seguinte; os milhares de pessoas que enchem os cafés e os estádios, que ficam em casa ou vão até à leitaria mais próxima para ouvirem o relato excitante que as emissoras transmitem, e às vezes repetem, pela voz dos locutores de que se conhece a altura, a cor dos olhos e a vida sentimental; os milhares de pessoas que procuram ansiosamente o primeiro cinema com lugares vagos para iludirem por duas ou três horas os amargos da vida ou o tédio mortal do tempo vazio, não sabem da existência de artistas nem dão pela sua falta. A vida faz-se depressa, as horas de ócio são poucas, a distracção é uma primeira necessidade. Há a praia no verão, o cinema, os parques de cavalinhos, as revistas condensadas, o futebol, novamente o cinema, novamente o futebol.»
Mário Dionísio, A Paleta e o Mundo (1956)

E quando Mário Dionísio escrevia esta obra, que quereria antes que fosse "uma longa conversa", não havia sequer televisão.
Mudando as formas de ocupação dos tempos livres e de ilusão dos "amargos de vida ou o tédio mortal do tempo vazio", conhecesse Mário Dionísio os novos (ou a renovação dos velhos) meios de alienação - o futebol mantém-se, e a um nível elevado, mesmo sem os relatos ouvidos na leitaria mais próxima - e a essência do que escreveu manter-se-ia.
Venham as sanções...



sexta-feira, 15 de julho de 2016

Da festa à tempestade - Cartas de Nice

De Bagão Félix, (por acaso) em Nice

«(...)
Um fio, um acaso, uma aragem pode separar-nos do local errado para uns e do local certo para outros. O sentimento de total discricionariedade. A interrogação sobre esta fronteira. A passagem de um mundo de incerteza e de risco para um tempo dos seus graus mais superlativos: a total imprevisibilidade e o medo pelo medo.

Estou a escrever estas breves palavras na manhã depois de um acto que nos faz interrogar sobre a face mais selvagem do ser humano e do horror da incivilidade destrutiva. Agora é o silêncio nesta bela avenida, apenas interrompido pelos aviões na aproximação ao aeroporto e pelas sirenes das ambulâncias.

O que mais retenho na minha mente e no meu coração é imaginar meninas e meninas que observei naquelas horas, tão felizes agora roubadas nas suas vidas de esperança. E, sempre, a inquietude e interrogação sobre o que chamamos o acaso, o destino, o fado. E eu que tenho fé, pergunto-me: porquê, meu Deus?»
(Expresso)

Matisse - Tempestade em Nice

Mon cher André,
Ta lettre m’a fait bien plaisir. Soigne-toi bien. Ecris-moi un mot de temps en temps […] Salue bien Nice de ma part.

Va manger des pâtes chez Guys aux Ponchettes, dans le Vieux Nice, des sanguins à la cave de Falicon, de la daube chez Boutteau, rue Colonna d’Istria, les raviolis à la blette chez la Bicon, au fin fond de la Promenade desAnglais. Dessine et même, si tu as le temps, peins un peu selon ton sentiment une figure entrouverte ou une voile sur la mer.

Carta de Apollinaire a André Rouveyre (1916)

(André Rouveyre, desenhador/pintor/jornalista/ensaísta, amigo de Apollinaire e de Matisse)

Matisse - Festival das Flores

Nas redes sociais, as pessoas recuperaram a bandeira francesa, já guardada no baú desde o último atentado.
Uma desgraça para nos recompor da aversão aos franceses manifestada na última semana.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Manifesto pela Escola Pública

Manifesto pela Escola Pública
(assinado pelos autores de conhecidos blogues sobre educação)

Pela Escola Pública

Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação temos opiniões livres e diversificadas. Porém, a Escola Pública, sendo um pilar social fundamental para a coesão nacional, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.

A Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de actuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva das políticas educativas em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade da resposta da Escola Pública.

Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos:

Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito e estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino – considerando o nível de desigualdade social instalado, importa aprofundar um trajecto de gratuitidade dos manuais escolares e um reforço da acção social escolar.

Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar – dada a importância confirmada do acesso e frequência de educação pré-escolar é fundamental garantir a sua universalização geográfica e economicamente acessível a todas as crianças.

Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo – o ainda baixo nível de qualificação da população activa em Portugal exige uma opção política séria e competente em matéria de educação permanente e de qualificação.

Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística – para que Portugal possa atingir os níveis de qualificação de nível superior definidos no quadro da União Europeia, é fundamental que se assegure uma política em matéria de bolsas de estudo. Portugal é um dos países da União Europeia em que a parte assumida pelas famílias nos custos de frequência de ensino superior é mais elevada.

Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais – a resposta de escolas e agrupamentos às especificidades das comunidades educativas que servem exige um reforço sério da sua autonomia. A centralização burocratizada e um caminho de municipalização que mantenha a falta de autonomia das escolas irá comprometer esse propósito. A autonomia das escolas deve contemplar matéria de natureza curricular, organizacional e de funcionamento escolar, bem como recuperar e reforçar a sua gestão participada e democrática.

Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, sempre que necessário.

Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades.

A promoção de uma Educação verdadeiramente assente em princípios de inclusão exige meios humanos, docentes e técnicos, apoio às famílias, a revisão do quadro legislativo que suporta a presença de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas escolas e uma verdadeira autonomia das escolas e agrupamentos.

Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais e não pedagógicos ou educacionais.

A valorização social e profissional do corpo docente e não docente, em diferentes dimensões, é uma ferramenta imprescindível e a base para um sistema educativo com mais qualidade.

A Escola Pública precisa de mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade para, sendo pública, de todos e a todos acessível, sem outro dono que não o povo português, ter margem para se auto-governar e se adaptar a cada comunidade local, sem se esquecer que existe para cumprir objetivos nacionais fundamentais.

Portugal, 21 de Junho de 2016

Subscrevem (por ordem alfabética):

Alexandre Henriques – ComRegras
Anabela Magalhães – Anabela Magalhães
António Duarte – Escola Portuguesa
Assistente Técnico
Aventar
Blog DeAr Lindo
Duilio Coelho – Primeiro Ciclo
José Morgado – Atenta Inquietude
Luís Braga – Visto da Província
Luís Costa – Bravio
Manuel Cabeça – Coisas das Aulas
Nuno Domingues – Educar a Educação
Paulo Guinote – O Meu Quintal
Paulo Prudêncio – Correntes
Ricardo Montes – Professores Lusos


Um que devia ir parar ao lago...

... com os pés atados a um bloco de cimento.

Novo paradigma de gestão e de formação:



«O coach pediu desculpa num vídeo, dizendo: “Este incidente também me deu uma grande lição, ao lembrar-me de que devo melhorar os meus métodos de ensino”.»
Tanta humildade, meu Deus!...
Tanta anormalidade!


Se um microfone incomoda muita gente...


«(...) quanto à avaliação jurídico-moral do gesto, a doutrina divide-se: há quem ache que esta é a maior ameaça à liberdade de imprensa desde o ataque terrorista ao Charlie Hebdo e há quem ache que o jornalista da CMTV também devia ter ido à água.» (Observador)

Agência Mosca Publicidade

sábado, 4 de junho de 2016

Lembrar Tiananmen



Quase três décadas passadas sobre a repressão na Praça de Tiananmen, o regime chinês continua a proibir que se faça qualquer menção sobre o assunto - o massacre nunca aconteceu...



"As Mães de Tiananmen", uma associação de pais que perderam os seus filhos, foram colocados sob uma apertada vigilância policial.
Vários activistas dos Direitos Humanos estão presos desde quinta-feira, após terem participado numa cerimónia particular comemorativa do 4 de Junho de 1989, acusados de fomentar a agitação e de provocar desacatos.