"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sábado, 23 de março de 2019

Calouste Gulbenkian - 150 anos

Como lembra o DN, celebramos o homem que, 150 anos depois do seu nascimento, pelo seu testamento, "determinou que em Lisboa se criasse uma fundação com o seu nome e que tivesse como propósito fundamental melhorar a qualidade de vida das pessoas através da arte, da beneficência, da ciência e da educação".
Lisboa mudou e a cultura em Portugal também.

A Fundação Calouste Gulbenkian é, de facto e pela sua história, um caso muito particular e... feliz.
Foi um verdadeiro ministério da cultura, no país cinzento anterior ao 25 de Abril. E continuou a sê-lo durante um largo período.
Hoje, esse papel encontra-se esbatido. Bom sinal, pelo crescimento cultural do país (apesar da "pobreza franciscana" dos orçamentos da cultura), não tão bom pelos sinais de maior apagamento da Fundação (saudades do seu Ballet, por exemplo, das longas jornadas de música antiga...).

A Biblioteca, de doce memória dos meus tempos finais do liceu e da faculdade

Integrada nas comemorações do 150.º aniversário de Gulbenkian, uma exposição que pretende mostrar uma vida sem ser uma exposição - Calouste: uma vida, não uma exposição.


sábado, 25 de agosto de 2018

Lisboa - 1988-2018

Há 30 anos ardia a Baixa de Lisboa.



A Baixa ressuscitou das cinzas, literalmente, e reconquistou a centralidade.
São assinaláveis as diferenças, mas não deixa de haver sinais de outras preocupações.


Lisboa é uma cidade que está na moda. O turismo tem sido uma galinha dos ovos de ouro.
Mas caminhar na Baixa não significa, apenas, andar no meio de magotes de turistas, é, também, ter de circundar as vedações e telas das obras de inúmeros imóveis, é ver os imóveis recuperados serem ocupados massivamente por hotéis e hostels, é constatar o desaparecimento das lojas "indígenas" substituídas pelas de marcas multinacionais que copiam as existentes em n cidades europeias tudo uniformizando, é circular por entre montes de lixo acumulados (mesmo próximo de esplanadas - e chamar esplanadas a algumas espeluncas no meio da rua é favor!), é passar por recantos onde o cheiro a mijo enoja, é ter paciência para os desregramentos viários dos tuk tuk...



Nestas condições, o que poderá atrair tantos turistas que não seja o andar em rebanho a ver os outros e sentirem-se todos irmanados?
E alguns adaptam-se tão bem que contribuem igualmente para o lixo público - é ver alguns comportamentos nos comboios da linha de Cascais (estes também com falta de cuidados a nível da higiene por parte da CP).



A lógica, para os proprietários de imóveis e dos espaços de comes & bebes, parece ser a de espremer a galinha. Ganhar muito e rapidamente antes que a moda passe e os turistas sigam para outros destinos que, entretanto, se possam tornar mais atraentes.



A cidade tem condições atributos para atrair o turismo, mas pouco vejo de sustentável.
Podendo ser chamado de "Velho do Restelo", vejo uma cidade cujo núcleo central vai perdendo identidade (patrimonial/cultural e social). E os turistas, se motivam as mudanças, não são os principais responsáveis.

A Baixa de Lisboa resistiu ao incêndio, espero que resista a todo o tipo de oportunismos e de especulações financeiras e à deficiente resposta de serviços públicos (porque quando as pessoas são porcas, é preciso redobrar a acção).



quinta-feira, 28 de junho de 2018

É a bolha!

Dizia a personagem de Fernão Lopes, "Agora se vende Portugal, que tantas cabeças e sangue custou a ganhar, quando foi tomado aos Mouros!".



Espanhóis compram a Suíça e suíços compram o Beato!

Convertidos ao capitalismo.
Tudo se vende e tudo se compra.
Vende quem quer, compra quem pode.
Como nós não podemos...

Da Suíça (e de todo o quarteirão em que a Suíça se integra) resta saber o que irá ser feito.
Mais um hotel, diz-se.
Lisboa, Cidade Hotel!




P.S. - Da Suíça, sinceramente, já nem me lembro quando foi a última vez que lá entrei. Lembro-me do sacrifício (leia-se falta de educação) dos empregados em servirem os clientes. 
Mas é bom que exista respeitinho pelo património.


domingo, 22 de abril de 2018

Eléctrico 24



Será assim (talvez).

P.S. - Encontrei uma velha foto de um eléctrico para Campolide, a passar na Rua das Amoreiras.



Lisboa W-E, Cidade Triste e Alegre

Farto de estar no aquário, fui procurar Lisboa... exposta em museu.
Encontrei o rio na relva... 

Lisboa W-E - Lisboa vista do rio Tejo, em fotografias de José Manuel Costa Alves.


Um percurso ao longo da Zona Ribeirinha, com os pés no rio, olhando para a cidade. 


E encontrei as pessoas da cidade na época em que nasci...

Lisboa, Cidade Triste e Alegre: Arquitectura de um Livro


Obra da autoria dos arquitectos Victor Palla (1922-2006) e Costa Martins (1922-1996), editada em 1959 e resultado de "um trabalho de três anos em que ambos percorreram as ruas de Lisboa, retratando-a e aos seus habitantes, assim revelando uma cidade escondida, simultaneamente triste e alegre."


Obra apresentada pelos seus autores:

«(...) o retrato da Lisboa humana e viva através dos seus habitantes – de dia, de noite, nos seus bairros, na Baixa, no Tejo – revelação ora alegre ora triste, mas sempre terna e sentida, da vida de uma cidade. Talvez por isso fosse mais adequado chamar-lhe "poema gráfico" - até porque o arranjo das imagens e a própria composição do livro têm, no seu grafismo, o fluir, a alternância de ritmos, as ressonâncias de uma obra poética.»



Voltarei à Cidade Triste e Alegre
porque

Alegre ou triste,
numa cidade como esta
é sempre para os olhos uma festa
Armindo Rodrigues

Museu de Lisboa, Palácio Pimenta (ao Campo Grande)





sábado, 7 de abril de 2018

Reabriu o Jardim Botânico de Lisboa

Depois de (mais de) um ano fechado, para obras de requalificação, reabriu hoje.



O Jardim Botânico da Faculdade de Ciências sucedeu ao da Ajuda. 
A iniciativa da sua construção (de 1873 a 1878) remete-nos para o serpense Francisco Manuel de Melo Breyner, 4.º conde de Ficalho, botânico e literato (1837 - 1903).

O jardim, com uma enorme diversidade de espécies (entre 1300 e 1500) de todos os continentes, localiza-se junto aos edifícios do Museu Nacional de História Natural e do Museu da Ciência, instalados na antiga Escola Politécnica.

Foi classificado como Monumento Nacional em 2010, integrando todo o património artístico (esculturas) e edifícios que nele se encontram.


terça-feira, 27 de março de 2018

E vão mais duas!...


Viva a lei do arrendamento!
Vivam os patos bravos dos proprietários!
Viva a política cultural da Câmara de Lisboa!
Que tal a proteção das lojas históricas?


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Procissão do Senhor dos Passos

Com origens no século XVI - celebrou 430 anos em 2017 - a Procissão do Senhor dos Passos é, neste período da Quaresma, a maior manifestação pública de fé da cidade de Lisboa.



Esta procissão, organizada pela Real Irmandade Senhor dos Passos da Graça, retomou há 5 anos o percurso original entre a Igreja de S. Roque e a Igreja da Graça.

Procissão de 2017, junto à Igreja de S. Roque


domingo, 12 de novembro de 2017

O Panteão Nacional... para lá da (actual) polémica

Santa Engrácia viveu ao sabor do tempo, dos sucessivos atrasos da sua construção e dos acasos da sua ocupação/função, nem sempre de acordo com a sua nobreza ("o mais belo dos nossos monumentos do século XVII", segundo Ramalho Ortigão) - quartel, depósito de material de guerra, oficina de calçado...

Santa Engrácia tem uma longa história de tolerância. Um jantar é só um pequeno pormenor, um fait-divers em que somos pródigos.
E essa prodigalidade floresce quando parece que alguém descobre a pólvora e consegue criar um alvoroço que percorre as redes sociais - o agitar de asas da borboleta -, contagia os meios de comunicação social, entidades muito sensíveis a esses bater de asas e... depois, alguém se lembra que a pólvora há muito que foi descoberta. E dá-se o bater de asas de sinal contrário. 
Porque, afinal, jantares e festas já lá houve muitos (por que razão se fizeram tabelas de preços?), tendo passado despercebidos. A memória é curta ou o conhecimento é pouco. 
Mas, pelo menos, tivemos assunto de conversa para o fim de semana e ainda ficam os ecos.

Se não me parece desadequado? Parece!




Por acaso, isto é, levado por Manuel de Arriaga, fui lá ontem, ainda mal informado do jantar de encerramento da (ou do?) Web Summit

Ao acaso de diferentes contextos políticos se tem decidido sobre as personalidades cujos restos mortais aí devem repousar - que critério para juntar Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona? 
Isto a propósito de Presidentes. Porquê estes (ou só estes), dois a dois de "sinais" tão contrários?

E os escritores? Garrett, João de Deus, Junqueiro, Aquilino, Sophia... 
Mas por que não aquele e o outro, Saramago, por exemplo, que foi Nobel, mais oitocentistas - Eça, Herculano, Camilo - ou Torga, Raul Brandão, Pascoaes, Vergílio Ferreira... ou Nemésio, Jorge de Sena, José Rodrigues Miguéis... 

Por que não artistas plásticos? Amadeo, Almada, Vieira da Silva...
E por que não cientistas, filósofos?
Vamo-nos lá lembrar... 

Já lá estão a Amália e o Eusébio, tendo este último animado (involuntariamente, coitado, porque o próprio nem chegou a saber) a discussão sobre os critérios que devem levar à decisão de "pantear" os nossos cidadãos mais ilustres. 
Quem será o próximo? 


Voltemo-nos para o já esquecido sorriso das vacas!
Fiquemos pelas vistas:








A vista do terraço permanecerá.
Independentemente das (ou dos?) Web Summits, dos "tumulados" (e "destumulados") no Panteão, dos cruzeiros, com ou sem terminais..., ou de alguma névoa sobre o rio...


P.S. - De quem se encontra no Panteão, creio que só me faltou referir Humberto Delgado.