"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Cidades, vilas, aldeias, lugares


«Portugal. Começámos por procurar um país com o desejo de o representar. Construímos um corpo de informação que reúne mais de 30 anos de viagens, 750.000 quilómetros percorridos, mais de 1.650.000 fotografias. São todas as cidades, todas as vilas, inúmeras aldeias e paisagens pouco povoadas, da orla marítima, das margens dos rios ao topo das montanhas. Encontramos em Portugal um território de uma grande diversidade, com diferentes modos de expressar a terra, desde tempos imemoriais até ao presente. As formas de mostrar este trabalho são um desafio constante e esta exposição enquadra mais uma tentativa, sempre mais completa, eventualmente mais complexa, que a anterior.»
Duarte Belo

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

«A exposição FUGA - Fazeres de Unidade para a Génese de um Atlas é um conjunto de fotografias, textos, desenhos, mapas e outros elementos gráficos, sobre o processo de mapeamento fotográfico do território. É a descrição extensiva de um caminhar que vai da terra, do demorado contacto com o solo, à palavra. É a geografia de uma construção.»
Duarte Belo



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Há muitos anos a meter água

DN de hoje

É uma larga experiência!
O processo de concurso público para aquisição dos dois submarinos iniciou-se em 2004, no tempo do Governo presidido por Durão Barroso e de que Paulo Portas era Ministro da Defesa.
O plano de compra vinha, se as fontes estão certas, de 1998, do tempo do Governo de António Guterres.

Eu até vi chegar o primeiro destes submarinos!



sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Pais Natal vs Coletes


Manifestação de Pais Natal, nesta época do ano, teria tido mais sucesso.

Porto, 21 de Dezembro de 2009


Desilusão!

Desilusão!

Para os organizadores das manifestações, por motivos óbvios.

Para os jornalistas que cobriram as manifestações... e que deviam ser mais do que os manifestantes.
Bem que puxaram por eles, para ver se "havia sangue"...

Para os chineses... que não conseguiram despachar os coletes amarelos que têm em stock!



sábado, 1 de dezembro de 2018

Portugal e Islândia: a mesma luta

A 1 de Dezembro de 1918, por acordo firmado com a Dinamarca (país de que fazia parte integrante), a Islândia foi reconhecida como um Estado soberano. Foi o chamado Acto de União - nome que se justifica pelo facto do rei da Dinamarca continuar a ser o da Islândia.
A total independência, com um sistema republicano, seria conseguida em 1944, como resultado de um referendo interno, depois de um período atribulado vivido em consequência da II Guerra Mundial. 


União Ibérica é o nome dado à nossa submissão aos Habsburgos, terminada a 1 de Dezembro de 1640.


Portugal e Islândia, reinos constituintes de monarquias duais, mas que conquistariam (ou reconquistariam) a sua independência. 

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O (nosso) Labirinto da Saudade

Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça esta vida
Que não há nela mais que o que parece.
Luís de Camões


Os 95 anos de Eduardo Lourenço.
40 anos de O Labirinto da Saudade, psicanálise mítica do destino português, o problema da imagem de Portugal ou da imagem que os portugueses têm de Portugal - como nos vemos.

«O nosso caso é outro: tivemos sempre uma vértebra supranumerária, vivemos sempre acima das nossas posses, mas sem problemas de identidade nacional propriamente ditos. A nossa questão é a da nossa imagem enquanto produto e reflexo da nossa existência e projecto históricos ao longo dos séculos e em particular na época moderna em que essa existência foi submetida a duras e temíveis privações.»

A RTP 1 passa um filme sobre Eduardo Lourenço, com o próprio no seu papel de filósofo, e centrado n' O Labirinto da Saudade.
É curta a atenção dada pelos grandes meios de comunicação social (mesmo os públicos - os do serviço público) a pensadores e ensaístas, num "horário nobre".
É bom ouvir quem privilegia o pensamento e o conhecimento como fim, não apenas como um meio.

É bom que a RTP o faça, mesmo sabendo nós que esta homenagem (porque o é) será justificada pela idade do homenageado.
E chega uma altura em que...


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

António Guterres Secretário Geral da ONU

É o que deverá acontecer, dentro de dias.

Parece-me um cargo adequado a António Guterres.
Não se trata de um cargo de grande poder, porque os interesses das grandes potências se sobrepõem.
Não se trata de um cargo de defesa dos interesses nacionais - valores mais altos se levantam (ou deviam levantar).
Não se trata de um cargo especialmente remunerado (de interesse financeiro do próprio).
Mas não deixa de ser um cargo de prestígio, que deveria ser mais valorizado - o papel da própria organização devia ser mais valorizado e respeitado. 
Que António Guterres seja feliz no desempenho das suas novas funções (a confirmar-se a eleição). O país não deixaria de beneficiar com o seu bom desempenho. 



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Demasiado território

Em dois momentos do ano, com as chuvas e com os fogos, discute-se fala-se do ordenamento do território.


Depois esquecemo-nos todos...

Temos de concluir que Portugal tem demasiado território.
Não se sabe o que fazer ao interior.
Vivemos acima das nossas possibilidades.


Incêndios - ir aos arquivos

Porque a História não se repete... mas quase!

Luís Afonso - Cartoon de 2003



«A cíclica consequência dos dramáticos incêndios de Verão tem a ver com (...) aquela estúpida ideia de modernização de Portugal, assente num absurdo conceito de desenvolvimento que nos fez macrocefalizar no litoral e desertificar no interior. (...)

Quem se der ao trabalho de fazer uma análise diacrónica de tais trágicos eventos, comparando os sempiternos discursos ministeriais sobre os repetidos acontecimentos, poderá, sem dúvida, compor mais um desses líricos discursos sobre o nosso amargurado destino, fazendo-os acompanhar com os trinados faduchos da inevitabilidade. (...)

O país continua a arder porque abandonámos, da agricultura, os princípios das projectadas leis de fomento agrário de Joaquim Pedro Oliveira Martins e Ezequiel de Campos, optando pela suicida perspectiva dos desenvolvimentistas que comandaram o processo de integração na CEE.

(... ) enquanto os tecnocratas dos fumos de chaminés, os especialistas em engenharia financeira, os planeadores do betão e os criados das multinacionais nos iam transformando em terra de ninguém, passando dos governos presidenciais para os governos da AD e, destes, para o do Bloco Central, enquanto nos intervalos abichavam tachos em empresas públicas e quase monopolizavam o sistema de consultadoria da integração europeia, do desenvolvimento regional e do apoio às autarquias. (...)

Não reparámos que uma das nossas especificidades tem a ver com o facto de, em termos de mata, sermos o país mais minifundiário da Europa. Com mais de meio milhão de proprietários florestais, e menos de dez por cento do país cadastrado, quase todos nós temos o nosso pedacinho de pinhal lá na santa terrinha, o sustento que serviu para a compra de um andar peri-urbano, bancariamente hipotecado, que se vai saldando com um trabalho burocrático no sector dito dos serviços. Daí que a racionalização da floresta passe pelo conflito com o individualista direito de propriedade, onde só através de um renovado plano de emparcelamentos poderemos permitir a criação de condições para um adequado ataque aos incêndios. E basta recordar como, por ocasião de outros grandes fogos, falharam estrondosamente planos ministeriais europeizados, inadequados às condições sociais. (...)

Outrora, as matas integravam-se num certo ciclo económico que garantia uma exploração mais ou menos racional, quando os padeiros, dos fornos a lenha, até pagavam aos proprietários para limparem as respectivas matas, numa altura em que, nas aldeias e vilas, ainda vivia uma elite nacional e uma população activa que mantinham um certo equilíbrio com a paisagem do Portugal dito profundo. (...)

É esse Portugal de um campesinato livre que continuamos a destruir impunemente, para nos transformarmos num bando de subsidiodependentes que têm que agradecer aos ministros dos reformados, aposentados e medalhados, esses auto-convencidos demagogos, que, distribuindo moedinhas, tentam comprar o voto. Se não optarmos por outro modelo de desenvolvimento, Portugal continuará a arder. (...)

Porque continuam livres os incendiários da mera negligência, incluindo os tais que prometem livros brancos e novos planos para a racionalização das florestas, quando, dentro do actual sistema, todas as promessas de recuperação das matas são economicamente inviáveis. Limpar o espaço de mais de meio milhão de proprietários custaria não sei quantos orçamentos de Estado. Obrigar todos eles ao cumprimento da lei das limpezas, obrigaria a que mobilizássemos para o efeito as próprias forças armadas. Basta fazermos contas ou experimentarmos. (...)»

José Adelino Maltez, (texto escrito em Agosto de 2005)

E "parece" haver intere$$es à volta das madeiras (e de terrenos para elas) e de aviões e helicópteros...
E há os pirómanos...

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Fortalezas abaluartadas na lista indicativa a Património Mundial

As fortalezas abaluartadas de Valença, Almeida, Marvão e Elvas comungam numa lista indicativa da Comissão Nacional da UNESCO a Património Mundial.
A candidatura está ainda aberta à inclusão das fortalezas do lado espanhol, o que me parece tornar ainda mais interessante a candidatura.
Se é certo que se pode falar numa vulgarização destas candidaturas, também não deixa de ser verdade que elas dão a visibilidade aos bens patrimoniais que se candidatam e se transformam numa boa forma de divulgação.
Os quatro municípios onde se localizam as fortalezas criaram uma instituição que terá a missão de fazer “o enquadramento da gestão e preservação dos bens numa lógica de autenticidade e integridade”.



Ambas as fotografias foram retiradas do blog A terceira dimensão - Fotografia aérea.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Marvão

Há terras fotogénicas...









«É verdade. De Marvão vê-se a terra quase toda (...) Compreende-se que neste lugar, do alto da torre de menagem do Castelo de Marvão, o viajante murmure respeitosamente "Que grande é o mundo."»
(José Saramago)


quarta-feira, 9 de março de 2016

So long, farewell, auf wiedersehen, adieu...




Literariamente bem escrito

Miguel Torga em Macau

A 9 de Junho de 1987, na sua visita a Macau, Miguel Torga afirmou, numa conferência no Salão Nobre do Leal Senado:
«Não somos um povo morto, nem sequer esgotado. Temos ainda um grande papel a desempenhar no seio das nações, como a mais ecuménica de todas. O mundo não precisa hoje da nossa insuficiente técnica, nem da nossa precária indústria, nem das nossas escassas matérias-primas. Necessita da nossa cultura e da nossa vocação para o abraçar cordialmente, como se ele fosse o património natural de todos os homens.»
Miguel Torga, Diário XV

Hoje, no seu discurso de tomada de posse, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou este pensamento de Torga (e outros, proferidos na mesma ocasião).
Haja quem os conheça!
Haja um Presidente que os conheça, compreenda e... os incorpore!


Interrogado sobre o discurso do novo Presidente, Paulo Portas afirmou que "Foi bom. Literariamente bem escrito."

Como disse Torga, na referida conferência (não sei se Marcelo o recordou), "A paixão tolda-nos a vista."


domingo, 17 de janeiro de 2016

sábado, 9 de janeiro de 2016

Dizem os cínicos

Pois!...

«Pela primeira vez em mais de quinhentos anos, Portugal tem as mesmas fronteiras geográficas que tinha quando iniciou a sua aventura ultramarina. Mas agora também é parte da União Europeia, essa nova comunidade de mais ou menos regeneradas nações imperiais. Recorde-se que quase todos os países até recentemente nela incluídos tinham sido potências coloniais. E a Comunidade continua a expandir-se, integrando outros países cada vez mais periféricos em relação ao seu núcleo fundador e cuja principal função - dizem os cínicos - é contribuir de modos não totalmente dissimilares aos das antigas colónias para os antigos centros onde reside o poder.»
Hélder Macedo, Sociedade pós-moderna, globalização e europeização do mundo português (2001), 
in Trinta Leituras


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O nosso destino


Será por isso que a governação neo-liberal nos deixou as facturas do BPN, do BES e do Banif para pagarmos?
O liberalismo foi vencido pela realidade ou a realidade serve o liberalismo?
Ou liberalismo e realidade são a mesma coisa?

O Presidente asséptico, isento de ideologia, limpinho, em estado puro, do pensamento único, porque só há um caminho.
Já Salazar era contra a existência de partidos, pois só dividiam a sociedade. Viva a União Nacional!
Com Passos e Portas não havia alternativa.
Com Sócrates, tudo o que ele fazia era aquilo que nós precisávamos, a acção do Governo ia sempre no sentido certo - era o resultado do destino.

«É todo o Portugal que vai na mesma direcção. 
Na hora certa, no momento historicamente pré-determinado, o que era necessário apareceu. Vai-se de discurso em discurso, de prova em prova do valor da política adoptada segundo o bom (e único) sentido da história, e forma-se uma continuidade temporal.»
José Gil, Em busca da identidade




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

À espera...

Quando, 40 anos depois do 25 de Novembro de 1975, se dizia que Cavaco Silva iria "comemorar" o dia com a nomeação de um governo de gestão - um segundo 25 de Novembro - eis que o dia foi de aceitação da proposta de governo apresentada por António Costa.

Espero que seja, de facto, o início de um novo ciclo.
(para melhor),
apesar de todas as dificuldades que terá de enfrentar.
Mas, foguetes...
só no fim!!
Os governos do século XXI têm sido maus demais!...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Estratégias...

«Creio que hoje a preocupação dominante é saber como podemos sobreviver numa conjuntura tão difícil e aparentemente com tão poucas saídas, em vez de procurar a solução para a crise no recurso a um vago "destino português". Teoricamente, a conjuntura devia conduzir à intensificação de todos os tipos de solidariedade, um pouco como quem tenta dar as mãos para ajudar e ser ajudado pelos outros para sobreviver. Mas o uso e abuso das estratégias partidárias, leva a cozer remendos em fatos que não vestem ninguém, ou, até, a empreender lutas que provocam estragos dificilmente reparáveis. A tentativa de esconder ou de fingir resolver os problemas até ao dia das eleições orienta os recursos para objectivos enganadores e produz crispações irreparáveis.
José Mattoso, revista Ler, n.º 137, Março 2015




quinta-feira, 4 de junho de 2015

Povinho e futebol

Entre um programa eleitoral de governo apresentado pela coligação PSD/CDS-PP e a mudança de Jorge Jesus do Benfica para o Sporting... a escolha - do povo e dos meios de comunicação social - é óbvia: o futebol ganhou (mais uma vez)!
Comunicação social também é povinho!