"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Graça Morais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Graça Morais. Mostrar todas as mensagens

sábado, 30 de março de 2019

Metamorfoses da Humanidade, de Graça Morais



Metamorfoses da Humanidade de Graça Morais
Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado

«Um conjunto de mais de oito dezenas de desenhos e pintura sobre papel compõe a exposição Metamorfoses da Humanidade, da pintora Graça Morais. Reflectindo sobre as múltiplas faces da natureza humana, com as suas fragilidades e as suas aterrorizadoras atitudes predatórias, estes desenhos recentes de Graça Morais (realizados em 2018) oferecem-nos, como num espelho quebrado, os múltiplos reflexos dos nossos muitos medos quotidianos: a guerra, a exclusão, a perda absoluta, a fome, a morte. Em cada um dos trabalhos apresentados, como se em pequenos pedaços de um mundo estilhaçado, reconhecemos emoções que nos são íntimas. A voragem, a capacidade de destruir, a vontade de recusar ao outro a sua humanidade e dignidade, ou o desejo de domínio — tudo isso lá está. Mas não apenas isso. À parte o sofrimento das vítimas, também aí representadas, na sua silenciosa e derradeira resistência, na sua resiliente exigência de dignidade, desponta nestes trabalhos o teimoso caminho para a esperança. A empatia pelas vítimas, a capacidade de dar voz a quem a não tem, sente-se e ouve-se nestes trabalhos que mostram, como com uma lupa, as grandes tensões do nosso tempo, condensadas em imagens perturbadoras e tocantes.»

------------

«A metamorfose é o que faz de nós "alguma coisa", mesmo quando o traço imemorial da fera parece difícil de ser arrancado ao colectivo.»
Agustina Bessa-Luís, As metamorfoses


domingo, 9 de outubro de 2016

Gente


«É preciso que o homem tenha uma maneira de arder que dê a luz indirecta da arte.»
Agustina Bessa-Luís, Longos dias têm cem anos

Noronha da Costa, sem título

Eduardo Luíz, Relíquia herética

Menez, Jardim

Júlio Resende, Mulheres

Mário Dionísio, O vendedor

Júlio Pomar, Subúrbio I

Júlio Pomar, Subúrbio II

Graça Morais, sem título

A surpresa de hoje ter encontrado tanta gente boa!...

Centro de Arte Manuel de Brito,
Palácio dos Anjos (Algés)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Uma nova história trágico-marítima

Mare Nostrum...
Dos outros não tanto, porque nos são estranhos.
Ainda não há muito que se celebraram quiméricas primaveras por todo o Norte de África. Foguetório. Processo rápido, já ninguém se lembra.
Temos uma nova história trágico-marítima.



terça-feira, 17 de março de 2015

Graça Morais

Graça Morais nasceu a 17 de Março de 1948.



Um quadro é sempre o lugar da minha maior intimidade. Estou lá toda.
Tudo o que absorvo do exterior passa por dentro de mim, 
pelas minhas vísceras, pela minha cabeça. 
E depois sai e fica uma tela.
Graça Morais


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Graça Morais - Cadernos da Montanha


Nova exposição de Graça Morais no Centro de Arte Contemporânea com o seu nome, em Bragança. É uma nova exposição antológica, com trabalhos produzidos em diversos períodos.


A natureza é o denominador comum desta série de trabalhos, através da representação de frutos, flores ou outros produtos. O carácter cíclico da vida rural, a relação ancestral e orgânica das comunidades nordestinas (do Reino Maravilhoso) com a terra - o mundo da artista.

De bom grado voltava agora a Bragança...


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Graça Morais recebe Grande Prémio da Academia de Belas Artes

Graça Morais recebeu, no passado dia 15, o Grande Prémio da Academia de Belas Artes.

Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), 2013

Para além da obra, há muitas características em Graça Morais que me agradam.
Porque outros se calam, mas ela não...

Graça Morais recebe Grande Prémio da Academia de Belas Artes como "resposta luminosa a mundo cheio de sombras" - Cultura - Notícias - RTP



sábado, 1 de junho de 2013

Primaveras, Terra e deuses (1)

Sagração da Primavera (coreografia de Olga Roriz)

As forças subjacentes aos rituais pagãos representados na Sagração da Primavera são os mesmos que estão presentes nas máscaras ibéricas e nas pinturas de Graça Morais. Podem ser (são) rudes, brutais.
São as forças da Terra, da Floresta, do Norte, quer ele seja Ibérico ou Europeu.

Pinturas de Graça Morais - da série Desastres de Guerra e de Um Reino Maravilhoso.

«O eco de uma ordem estranha à sua harmonia interior desliza pela crosta das almas sem as perturbar. (...) Meta-se um cristão por qualquer dos caminhos que levam ao coração geográfico desse mundo encantado.
(...)
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra Quente e Terra Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas.
Nos intervalos, apertados entre os lapedos, rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta aridez. (...)
Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força modelar de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.»
Miguel Torga, Um reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Graça Morais – “Os desastres da guerra”

Pinturas e desenhos recentes de Graça Morais (2011 - 2012) numa exposição temporária no Museu Arpad Szenes e Vieira da Silva, até 14 de Abril.


Inclui as obras das séries Sombras do Medo e A Caminhada do Medo.
Em qualquer delas, Graça Morais parte da realidade vivida directa ou indirectamente, através dos media, para a denúncia "da maldade sem rosto que ensombra a Terra" mas também para a afirmação de esperança na resistência, a recusa da "fatalidade do Medo e da indignidade do Mal".
A "maldade" é bem real, não metafórica, presente no/do nosso quotidiano. Como fonte inspiradora as imagens das múltiplas tragédias que constituem a Tragédia Humana, reveladas pela comunicação social.
«Estas pinturas e desenhos são o meu grito de alerta e de revolta perante um mundo que apreendo através dos jornais, das televisões e dos media e que também sinto no olhar das pessoas com que me cruzo no meu quotidiano, numa cumplicidade de olhares, cheios de dignidade mas também de muito sofrimento.»


Para quem pressentiu Paula Rego nas figuras de Graça Morais agora expostas, entendo que Graça Morais não é Paulo Rego. Da pintura de Graça Morais gosto (posso gostar mais, pode-me ser menos "agradável", mas gosto); ainda não consegui gostar da pintura de Paula Rego.
Por muito que as figuras humanas de GM se transformem em animais com cornos - cabras/bodes - essas figuras têm o condão de ser o lado positivo, redentor dos males - são personagens que resgatam as vítimas, os homens e as mulheres, do Inferno (dos desastres das guerras e das doenças).
Nas personagens desfiguradas de PR vejo o reflexo de fantasmas interiores, pessoais, não o "sobressalto cívico" que assumem as obras de GM, mesmo que sombrias, perante um futuro que nos está a ser roubado.
Contra a fatalidade, apesar das sombras e do medo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tempo de cerejas e papoilas


O título está fora de época, mas é o nome da exposição de Graça Morais na Galeria Ratton.
As obras são de Maio deste ano, quando em Trás-os-Montes há cerejas e papoilas (estas com um cheirinho a Alentejo, mas Alentejo e Trás-os-Montes parecem-me ter muito em comum).


Cores e cheiros da primavera, "um hino à vida", como disse a pintora.






"Na obra de Graça Morais estão sempre presentes e plenas de vigor as forças da terra a que pertencemos."
Júlio Moreira

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A caminhada do medo

A caminhada do medo, uma das últimas obras de Graça Morais (2011)
"Foi um trabalho que me saiu das tripas, a minha forma de reagir a tudo que de negativo hoje se passa"
Graça Morais foi recente vencedora do Prémio de Artes do Casino da Póvoa (6.ª edição).

O prémio homenageia, segundo o júri, “a obra de uma artista que ao longo do tempo construiu uma carreira que a consagra como uma das maiores pintoras contemporâneas. Uma mulher cujo universo cruza a herança do mundo rural, que assume a condição da mulher e da natureza na intuição ligada aos sentimentos e às emoções. (...) [na sua obra] as mulheres são a terra, a razão e a origem do mundo. A sua aldeia, à qual sempre regressa, dá-lhe a memória e as vivências para construir esse mundo de um imaginário de hábitos e costumes que povoam a sua existência, entre o sagrado e o profano, entre o amor e a morte, entre o animal e o humano.”

Graça Morais tem, a partir de hoje, uma exposição na Cooperativa Árvore (Porto), intitulada A caminhada do medo, conjunto de 40 trabalhos já deste ano “que tem a ver com os tempos dramáticos que vivemos, com o mundo que nos cerca e o meu quotidiano.”

Também de Graça Morais, na Galeria Ratton, em Lisboa, está a exposição Tempo de cerejas e papoilas. Trás-os-Montes 2011.

Ainda bem que há quem nos ajuda a viver, a ver a vida por outro prisma que não o do miserabilismo da impotência transformada em prepotência.