"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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quinta-feira, 21 de março de 2019

J. S. Bach e Poesia

Juntar poesia à música de J. S. Bach, nascido (ao que parece) a 21 de Março.

I
Como se modulando neste espaço-tempo
que se desenha espaço em mero som contínuo
de um tempo trespassado,
a fina imarcescível
dor
é timbre e andamento,
e proporção de altura
a desdobrar-se na serena angústia
de um nada preenchido.

Intensamente.
Quietação.
Vácuo.
Tudo.

II
Canta o impossível.
Que voz humana
sustentaria
esta pressa alegre
ou a tensão suspensa
do lento sonho?

III
Madeiras, cordas, gestos, sopros, tudo
avança imóvel, sem parar, quieto,
a passo irresistível.
Não há que os contenha
senão o inaudível.

IV
Neste silêncio, que ficou, flutua?
O quê?
Nós?
Como tão pouco restaria?

Jorge de Sena, Concerto "Brandenburguês" n.º 1, em Fá maior, de J. S. Bach



Gravação dos idos de 1964, ano próximo ao da escrita do poema (1963).


sábado, 29 de setembro de 2018

Michelangelo Merisi

Michelangelo Merisi, (mais) conhecido como Caravaggio, nasceu a 29 de Setembro de 1571.



Não me ocorreria a música J. S. Bach para acompanhar a pintura de Caravaggio, tão distantes são as suas personalidades.


sábado, 9 de junho de 2018

Uma presença serena



«- Vejo aqui livros da Yourcenar com dedicatórias - conhece-a?
- Sim, conheço-a há muitos anos e gosto muito dela. É uma mulher admirável. Na autora das Memórias de Adriano, a sagesse alia-se à simplicidade , e a elegância não se distingue da naturalidade. É uma presença serena, próxima e distante ao mesmo tempo, como se a fraternidade e a reserva fossem inseparáveis - esquecida da sua grandeza ou demasiado consciente da precariedade dela, passando leve sobre a terra, mas sem contudo perder o contacto com a sua rugosidade.
- Foi ela que aproximou a sua poesia da música de Bach?
- Do Cravo bem Temperado, e dos desenhos de Matisse, sim, foi ela. São imagens que apontam para um rigor que não sufoca o instinto, ou se prefere, imagens de "limpidez no ardor", de que Yourcenar diz conhecer poucos exemplos.»
Do Silêncio à Palavra
entrevista concedida por Eugénio de Andrade a Helena Vaz da Silva
(Expresso, 27 de Maio de 1978)




sábado, 31 de março de 2018

O silêncio do Sábado Santo

«O Sábado Santo não é apenas um dia imenso: é um dia que nos imensa. Aparentemente representa uma espécie de intervalo entre as palavras finais de Jesus pronunciadas na Sexta-feira Santa, "Tudo está consumado", e a Insurreição da vida que, na manhã da Páscoa, Ele mesmo protagoniza. O Sábado tem assim um silêncio que não se sabe bem se é ainda o da pedra colocada sobre o túmulo, ou se é já aquele misterioso silêncio que prepara "o grande levantamento" que a ressurreição significa. Este "intervalo", esta terra de ninguém, este tempo amassado entre derrotas e esperança, esta provação e júbilo, é o da nossa vida. O silêncio do Sábado Santo é o nosso silêncio que Jesus abraça. O silêncio dos impasses, das travessias, dos sofrimentos, das íntimas transformações. Jesus abraça o silêncio desta sôfrega indefinição que somos entre já e ainda não.»

José Tolentino de Mendonça, O Hipopótamo de Deus




sábado, 1 de outubro de 2016

domingo, 29 de maio de 2016

Uma cantata do João Sebastião (para acalmar o ambiente crispado)

A cantata para o primeiro domingo após a Santíssima Trindade - J. S. Bach, Brich dem Hungrigen dein Brot, que é como quem diz "Parte o teu pão para matar a fome".

Interpretação do Collegium Vocale Gent, dirigido por Philippe Herreweghe.



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Penso que gostaria de escrever sobre Bach

«Há o silêncio das paredes, da escuridão; os meus passos no corredor. Ando contigo de um lado para o outro, e canto para ti em voz baixa: Mache dich, mein Herze, rein.
Sempre esta ária da Paixão segundo Mateus. A última ária, para baixo, tão solene e íntima, com as cordas tão doces a envolverem a voz. Não sei o que as palavras querem dizer. Bastaria abrir o caderno que acompanha o CD, ler o texto, as traduções para inglês, para francês, compreender o texto da ária. Mas não procuro o caderno, não o abro; não quero saber o significado das palavras, só cantá-la assim, em voz baixa, verter a melodia desta música sobre o silêncio que nos toma, sobre o teu corpo a adormecer. 
(...)
Mas murmuro sempre, continuo a murmurar para ti, sempre, Mache dich, mein Herze, rein…, como se estas notas de música pudessem proteger-nos, esses pequenos sons, um pouco de calor entre os nossos corpos. Uma breve melodia, no meio da noite, tudo o que temos, tudo o que existe em nós.»
Pedro Eiras, Bach






domingo, 20 de abril de 2014

John Eliot Gardiner

Não era pela Paixão, é pelo aniversário de Sir John Eliot Gardiner. Mas pode ser pelas duas coisas...
John Eliot Gardiner nasceu a 20 de Abril de 1943.


Muitos anos de vida (e ainda muitos discos, para juntar aos inúmeros que já gravou) 


sexta-feira, 28 de março de 2014

Alexandre Herculano de parabéns

Faz(ia) hoje 204 anos.

«Burguês dos quatro costados, liberal ferrenho e proprietário, ainda que pequeno...»
Carta de Herculano a Oliveira Martins (1872)




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mendelssohn, Concerto de violino, op. 64

Mendelssohn, que completaria 205 anos.


«Em boa verdade, Mendelssohn talvez se possa classificar como a mais extraordinária de todas as crianças-prodígio que surgiram na música, mesmo se nos lembrarmos dos casos fenomenais de Mozart, Schubert, Liszt ou Saint-Saëns, por exemplo.
(...)
Mendelssohn era um espírito inconformista e lutador, um homem capaz de organizar, de desenvolver acções, alguém a quem se deve, inclusivamente, a primeira audição pública da Paixão Segundo São Mateus de J. S. Bach, realizada sessenta anos após a morte do genial compositor - que entrara entretanto num quase esquecimento, ultrapassado pela fama dos filhos...»
António Vitorino d'Almeida, Músicas da Minha Vida