"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Cidades, vilas, aldeias, lugares


«Portugal. Começámos por procurar um país com o desejo de o representar. Construímos um corpo de informação que reúne mais de 30 anos de viagens, 750.000 quilómetros percorridos, mais de 1.650.000 fotografias. São todas as cidades, todas as vilas, inúmeras aldeias e paisagens pouco povoadas, da orla marítima, das margens dos rios ao topo das montanhas. Encontramos em Portugal um território de uma grande diversidade, com diferentes modos de expressar a terra, desde tempos imemoriais até ao presente. As formas de mostrar este trabalho são um desafio constante e esta exposição enquadra mais uma tentativa, sempre mais completa, eventualmente mais complexa, que a anterior.»
Duarte Belo

Exposição Fuga. Ar.Co. Lisboa. 2019

«A exposição FUGA - Fazeres de Unidade para a Génese de um Atlas é um conjunto de fotografias, textos, desenhos, mapas e outros elementos gráficos, sobre o processo de mapeamento fotográfico do território. É a descrição extensiva de um caminhar que vai da terra, do demorado contacto com o solo, à palavra. É a geografia de uma construção.»
Duarte Belo



sábado, 30 de março de 2019

Metamorfoses da Humanidade, de Graça Morais



Metamorfoses da Humanidade de Graça Morais
Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado

«Um conjunto de mais de oito dezenas de desenhos e pintura sobre papel compõe a exposição Metamorfoses da Humanidade, da pintora Graça Morais. Reflectindo sobre as múltiplas faces da natureza humana, com as suas fragilidades e as suas aterrorizadoras atitudes predatórias, estes desenhos recentes de Graça Morais (realizados em 2018) oferecem-nos, como num espelho quebrado, os múltiplos reflexos dos nossos muitos medos quotidianos: a guerra, a exclusão, a perda absoluta, a fome, a morte. Em cada um dos trabalhos apresentados, como se em pequenos pedaços de um mundo estilhaçado, reconhecemos emoções que nos são íntimas. A voragem, a capacidade de destruir, a vontade de recusar ao outro a sua humanidade e dignidade, ou o desejo de domínio — tudo isso lá está. Mas não apenas isso. À parte o sofrimento das vítimas, também aí representadas, na sua silenciosa e derradeira resistência, na sua resiliente exigência de dignidade, desponta nestes trabalhos o teimoso caminho para a esperança. A empatia pelas vítimas, a capacidade de dar voz a quem a não tem, sente-se e ouve-se nestes trabalhos que mostram, como com uma lupa, as grandes tensões do nosso tempo, condensadas em imagens perturbadoras e tocantes.»

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«A metamorfose é o que faz de nós "alguma coisa", mesmo quando o traço imemorial da fera parece difícil de ser arrancado ao colectivo.»
Agustina Bessa-Luís, As metamorfoses


sábado, 23 de março de 2019

A descoberta da fotografia de Artur Pastor


Em Évora, na Galeria da Casa de Burgos, até 18 de Abril, a exposição Paisagens Urbanas no Alentejo, com fotografias da autoria de Artur Pastor.



A partir da próxima semana, em Tavira, no Palácio da Galeria/Museu Municipal de Tavira, a exposição Artur Pastor e os Mundos do Sul. com trabalhos entre 1942 e 1974.  



Assim podem ser vistas algumas das obras do enorme acervo deixado por Artur Pastor (1922 - 1999) e que têm vindo a ser objecto de uma maior divulgação, dando a conhecer este grande fotógrafo.

Foi em Tavira, durante a prestação do serviço militar, que Artur Pastor, alentejano de nascimento (Alter do Chão), se iniciou na actividade fotográfica.


Trabalhou durante toda a vida no Ministério da Agricultura, tendo sido o criador do seu arquivo fotográfico. Produziu um vasto corpo de imagens de grande qualidade sobre a agricultura em Portugal, mas não se quedou pela temática agrícola.

Fotografia...
«(…) Arte de toda a gente, a que melhor compreendemos e executamos, a que melhor (…) reproduz a realidade que nos cerca.» 
Artur Pastor, Diário de Noticias (29 de Agosto de 1948)


Após a sua morte, o espólio foi adquirido pelo Arquivo Municipal de Lisboa à família do fotógrafo.

«Comprava incessantemente móveis para arquivar fotografias e algumas divisões da casa pareciam exigir a perícia de uma gincana para serem atravessadas. Dava gosto abrir os armários e ver a forma
meticulosa como tudo estava arrumado.» 
Artur Pastor
(o filho, que tem tido um papel importante na divulgação da obra do pai)

Aos interessados:

Arquivo de Artur Pastor (extraordinário arquivo fotográfico)

A Paisagem de Artur Pastor (documentário)

Catálogo da exposição da obra de Artur Pastor - CML 

Fotógrafo Artur Pastor (no facebook)


domingo, 10 de fevereiro de 2019

10 de Fevereiro e Eça de Queirós

A 10 de Fevereiro de 1867, Eça de Queirós abriu escritório de advogado em Évora, no edifício da sede de redacção do Distrito de Évora, na actual Praça Joaquim António de Aguiar.


Edifício onde funcionou a sede da redacção do Distrito de Évora (foto Google maps)

A 10 de Fevereiro de 1886, Eça de Queirós casou-se com Emília de Castro Pamplona, na capela particular da Quinta de Santo Ovídio (Porto), que pertencia à família da noiva, os Condes de Resende.


Fachada poente e jardins do solar da Quinta de Santo Ovídio
A fachada principal, voltada a nascente, dava para a
Praça da Regeneração, actual Praça da República.
Pintura do jardim primitivo (século XVIII), presumivelmente desenhado por Nasoni.

O casal
«Aqui é um convento, adormecido dentro da sua cerca, ou antes do seu roseiral, porque apenas em Maio tudo são rosas, e tão afastado do mundo e das suas empresas que, quando a sineta do portão, anunciando o correio, quebra este lento silêncio que só costuma ser quebrado pelo cantar dos repuxos, há tanto alvoroço como outrora entre os frades de Tibães ou do Bostelo, ao chegar com grande guizalhada de machos, o estafeta da corte. De manhã passeio na rua dos Loureiros, que é no meio da cerca, sem breviário, mas tão pachorrentamente como se levasse os olhos postos num; e à noite leio genealogias e agiológios.»
Excerto de uma carta de Eça de Queirós para Eduardo Prado (1892)

O solar foi demolido em 1895, para abertura da Rua Álvares Cabral.

Reparei nas datas durante a visita à exposição

Informações sobre Eça comple(men)tadas na Fotobiografia, de A. Campos Matos.
Informações sobre o solar da Quinta de Santo Ovídio (e que tantos nomes foi tendo...) na Fotobiografia e no blog Monumentos Desaparecidos.


domingo, 28 de outubro de 2018

Manta 90/40


Exposição que celebra os 90 anos de idade de João Abel Manta e os 40 anos da publicação do conjunto de desenhos Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar.
A exposição inclui, também, trabalhos em que o autor reflecte sobre Portugal e a sua História, abrangendo o período pós-Salazar e o PREC.

«Nascido em Lisboa em 1928, João Abel Manta alinhou desde cedo pela oposição ao Estado Novo enquanto dividiu a sua vida profissional e artística pela arquitectura, a gravura, o desenho, o cartoon, a cenografia, a ilustração e o design gráfico. Premiado no país e no estrangeiro, os seus desenhos e colagens para a imprensa durante o marcelismo e o período revolucionário de 1974-75 deram-lhe fama duradoura. Deixou-nos uma obra-prima chamada Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar (1978).»







«Um individualista assim, de tamanhas ferocidades contra o fácil e o demagógico; um artista tão trabalhado e paciente como uma pétala de mil nervuras; e sempre que necessário tão directo (às vezes em perfil grosso, sublinhado). A recusa de João Abel às seduções do habitat dos artistas contentados vem daí, do traço natural da sua exigência.»

«(...) em vez da galeria foi-se ao jornal e ao cartaz, em vez do investimento plástico do cheque e da glória à vista, empenhou-se na crítica imediata da nossa realidade de todos (...)»
José Cardoso Pires

Salazar 1926-1968



sábado, 2 de junho de 2018

Um museu do outro mundo

Um "outro mundo" concebido por José de Guimarães para o Museu do Oriente.

Pontos de partida: o espólio do museu e as peças de arte chinesa da colecção do artista.
Oportunidade: a de criar um diálogo, incluindo obras da autoria do próprio José de Guimarães - um multiálogo.

A entrada na "sala branca" é um deslumbramento!... 


«José de Guimarães, no seu trabalho, procurou territórios, investigou realidades, confrontou-se com culturas, coleccionou memórias, apaixonou-se por artefactos, relacionou perspectivas emocionais, numa longa viagem de vida à volta do mundo, de Oriente a Ocidente, sem esquecer a África e a América Latina. Através da sua viagem, o seu trabalho fez o mapeamento de um território íntimo, quase ritualista e místico e ao mesmo tempo universal.»


«A sua pesquisa fala do local versus o global, fala do artesão e da arte, fala do profano e do religioso, fala do lugar e do genérico. A generosidade da obra de José de Guimarães é um respiro humano que nos leva nessa viagem pelos territórios e pelas culturas, às profundidades da nossa existência e das nossas emoções.»



A primeira sala, negra e escura, é construída numa sucessão de espaços oblíquos e intrincados. (…)



«A segunda sala é branca e sem limites. Um mundo que se prolonga pela eternidade ou, mais prosaicamente, pela cidade de forma contínua. (…) As personagens colocadas nesta cidade sem sombras confrontam-se como se tratasse de um diálogo através do vidro, dos reflexos e das transparências. Estão todos ali na sala a olharem para um infinito qualquer, sem um tempo ou um lugar específico.»




«Dentro deste espaço, o visitante perde os seus pontos de referência, a segurança da estabilidade retiniana. No arcano deste labirinto, qual Dédalo, José de Guimarães repensa as relações, as tensões, as forças de atracção e repulsa, os choques, entre objectos de diferentes tempos e diferentes culturas.»



Somos estranhos num lugar distante, “perdidos no labirinto do museu e da história”.



domingo, 22 de abril de 2018

Lisboa W-E, Cidade Triste e Alegre

Farto de estar no aquário, fui procurar Lisboa... exposta em museu.
Encontrei o rio na relva... 

Lisboa W-E - Lisboa vista do rio Tejo, em fotografias de José Manuel Costa Alves.


Um percurso ao longo da Zona Ribeirinha, com os pés no rio, olhando para a cidade. 


E encontrei as pessoas da cidade na época em que nasci...

Lisboa, Cidade Triste e Alegre: Arquitectura de um Livro


Obra da autoria dos arquitectos Victor Palla (1922-2006) e Costa Martins (1922-1996), editada em 1959 e resultado de "um trabalho de três anos em que ambos percorreram as ruas de Lisboa, retratando-a e aos seus habitantes, assim revelando uma cidade escondida, simultaneamente triste e alegre."


Obra apresentada pelos seus autores:

«(...) o retrato da Lisboa humana e viva através dos seus habitantes – de dia, de noite, nos seus bairros, na Baixa, no Tejo – revelação ora alegre ora triste, mas sempre terna e sentida, da vida de uma cidade. Talvez por isso fosse mais adequado chamar-lhe "poema gráfico" - até porque o arranjo das imagens e a própria composição do livro têm, no seu grafismo, o fluir, a alternância de ritmos, as ressonâncias de uma obra poética.»



Voltarei à Cidade Triste e Alegre
porque

Alegre ou triste,
numa cidade como esta
é sempre para os olhos uma festa
Armindo Rodrigues

Museu de Lisboa, Palácio Pimenta (ao Campo Grande)





domingo, 11 de fevereiro de 2018

Arte antes da arte

O caos?
O toque do artista...

Miró
Matthias Schaller, um fotógrafo alemão com projectos na área do património, fotografou paletas de dezenas de grandes pintores dos séculos XIX e XX.
Algumas dessas fotografias estão em exposição no Museu Árpád Szenes - Vieira da Silva.

Matisse
Giorgio de Chirico
Matthias Schaller considera "cada paleta uma revelação e um retrato indirecto do artista, reveladora da sua técnica pictórica".
Van Gogh
Picasso
Cézanne
"A paleta é a paisagem abstracta da produção artística de cada pintor."


Gauguin

Monet
Vieira da Silva

"Uma janela de acesso ao seu génio criativo"