"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Alves Redol - o rio como metáfora?

«Um dia virá (...) em que o Tejo será racionalmente utilizado (...) Então será um rio de libertação. Então será a nova via que abrirá Portugal ao mundo e que dará ao mundo mais riquezas. E o homem e o rio em conjunto, como dois bons companheiros de estrada, farão um novo romance, o romance de uma época nova, porque o destino de um povo vive no seu sangue e o coração do povo conserva a sua fá na vida e nos destinos do homem. E o povo português tem confiança: ele sabe que merece, - e bem o merece, - tornar-se um povo feliz.»
Alves Redol, conferência pronunciada em Paris, na sede da 
Union Française Universitaire, que editou o texto - Le Roman de Tage - em 1946.

Alves Redol nasceu a 29 de Dezembro de 1911.
O optimismo do seu texto seria o efeito da vitória recente dos Aliados e a crença no fim rápido da ditadura em Portugal.

Mas no início da década de 1960, ainda esta sua mensagem destinada aos jovens seria censurada.

O problema devia ser "estarmos atrasados".

Continuamos hoje com esperanças de sermos um "belo país europeu". Mas como vem hoje no Público on-line, "Num país onde não se sonha, emigrar é natural". O país esvazia-se, de gente nova qualificada e, logo, de sonhos.
Para podermos ser um "belo país europeu" e podermos sonhar - e para merecermos ser um povo feliz - importa saber escolher quem nos governa. E importa não nos demitirmos da nossa acção cívica - não são os outros que vão resolver os nossos problemas.
Importa que saibamos ser rio.
Alves Redol sabia e era um optimista.


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