"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Ilha da Civilização

Tem piada esta Ilha da Civilização.

«A Ilha da Civilização é uma monarquia dirigida por um rei em madeira de jacarandá. O rei é operado de forma mecânica e pode assinar até 30 decretos de uma só vez; assina em inglês, numa bela caligrafia. São inúmeras as vantagens deste sistema. Evita todos os problemas suscitados pela sucessão e por mudanças de dinastia. Significa também que os custos da casa real se elevam a apenas 50 francos por ano em óleo e lubrificante. Só o presidente do Conselho de Ministros pode dar corda ao rei.
Os ministros têm pesadas responsabilidades. Cada um deles tem um nó corredio à volta do pescoço e qualquer eleitor pode puxar a corda até o ministro ser estrangulado, se tiver agido contra as obrigações do seu mandato. Todos os deputados são surdo-mudos, o que evita debates intermináveis e reduz significativamente a possibilidade de serem influenciados por argumentos persuasivos. Os debates realizam-se em linguagem gestual.
(...) A ilha é rica e próspera.»
Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Dicionário de lugares imaginários
(com base em Henry-Florent Delmotte, Voyage pittoresque et industriel dans le Paraguay-Roux et la Palingénésie Australe par Triçadé-Nafe-Théobrôme de Kaou't'-Chouk, Gentilhomme Breton, sous-aide à l'établissement des clysopompes, etc. (1835)

Henry-Florent Delmotte


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