"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Elogio do livro


«Entre os anos 3500 e 3000 a. C., sob o sol abrasador da Mesopotâmia, alguns génios sumérios anónimos traçaram sobre o barro os primeiros sinais que, ultrapassando as barreiras temporais e espaciais da voz, conseguiram deixar uma marca duradoura da linguagem. Só no século XX, mais de cinco milénios depois, é que a escrita se converteu numa habilidade estendida, ao alcance da maioria da população — um longo percurso; uma aquisição muito recente.

(...)

A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionaram multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos.»

Irene Vallejo, O infinito num junco

O Infinito num Junco é um detalhado e fascinante elogio do(s) livro(s).


terça-feira, 21 de abril de 2026

Sandy Denny, Fotheringay

Fotheringay foi a primeira canção que Sandy Denny gravou com os Fairport Convention, para o álbum What We Did On Our Holidays, lançado em Dezembro de 1968. Tinha 21 anos. 

A sua filha produziu este vídeo sobre Fotheringay, a canção e o castelo em que Maria Stuart sofreu o seu último cativeiro, foi julgada, condenada e executada.

Sandy Denny morreu há 48 anos.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Desculpas esfarrapadas...

Assim são as razões apresentadas para evitar a divulgação dos nomes dos doadores dos partidos e das campanhas eleitorais, o que já se faz há mais de 20 anos em nome da transparência.



57 anos de diferença



O mesmo Alberto Martins e o mesmo dia... com 57 anos de diferença.

No dia 17 de abril de 1969, Alberto Martins, presidente da Associação Académica de Coimbra, na cerimónia de inauguração do Edifício das Matemáticas da Faculdade de Ciências, pediu a palavra, em representação dos estudantes da Universidade de Coimbra, depois do discurso do Presidente da República, Américo Tomás.
A palavra não lhe foi dada e, nessa noite, Alberto Martins foi preso pela PIDE.

Hoje, dia 17 de abril de 2026, Alberto Martins tomou posse como Conselheiro de Estado.
Terá usado da palavra na reunião de Conselho de Estado e não será preso.

A evolução foi muito positiva.
O mundo dá muitas voltas!


terça-feira, 14 de abril de 2026

Morreu Moya Brennan, a voz dos Clannad

Máire (ou Moya) Brennan, vocalista dos Clannad, faleceu ontem, aos 73 anos.

Máire Philomena Ní Bhraonáin, nascida em 1952, era a mais velha de nove irmãos, entre eles Enya, mais reconhecida pela sua carreira a solo.

Na década de 1970, com os seus irmãos Pól e Ciarán, e dois tios gémeos, Noel e Pádraig Ó Dúgáin, formou os Clannad, de que Máire Brennan era a vocalista principal e também compositora e harpista.

O grupo começou por actuar no pub da família, o Leo's Tavern, na aldeia de Meenaleck, antes de alcançar sucesso. 

Os Clannad viriam a divulgar a sua música, com origem na tradição irlandesa, a um público mais global e ganharam renome internacional.

A voz de Máire tornou-se um símbolo da música celta. Gravou 17 álbuns com os Clannad e teve, igualmente, uma carreira a solo. 


"Ela caminhou por este mundo como um anjo." (Bono) 


Não lhe perdoeis, Senhor!


Apesar dele não ter noção do que faz!...

 

É o mesmo que lutar com um porco

«Este debate entre a razão histórica e a arrogância emproada, fruto do atrevimento ignorante e institucionalizado no senso comum, tinha tudo para dar errado. Quando Pacheco Pereira acedeu a confrontar a verdade (do pensamento metódico e construído por milhares de páginas de vida e de história escrita que lhe reconhecemos) contra o arrivismo do tal jovem de "46 anos", formado na escola do senso comum favorável à crítica mal fundamentada e arruaceira, estava a admitir (sem o querer) a sua derrota.»

(Luís Farinha)


Como escreveu Miguel Carvalho, "Não se joga xadrez com quem não respeita sequer o lugar das peças e vira o tabuleiro a cada segundo." (Por dentro do Chega)


sábado, 11 de abril de 2026

Maria Emília Brederode dos Santos (1942 - 2026)

 


Helena Almeida - Razões de um azul

«Uso o azul porque é uma cor espacial. (…) Tem de ser azul. Às vezes ponho vermelho; é uma tinta que tem outros significados, é o peso. Uso-o quando não estou a querer fazer o espaço. Uso o azul para mostrar o espaço; ou quando abro a aboca, aí ponho o azul. É mesmo o espaço, é engolir a pintura. É agarrar na pintura… Tem de ser o azul.»
Helena Almeida


Helena Almeida nasceu a 11 de Abril de 1934.


terça-feira, 7 de abril de 2026

Descoberta da Missão Artemis II

Missão Artemis II: NASA mostrou "pôr da Terra" visto da Lua, captou um eclipse total do sol e...





domingo, 5 de abril de 2026

Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa

«Três cousas há na Índia que são escápulas [esteios] de todo o comércio das mercadorias daquelas partes e chaves principais dela.

A primeira, Malaca (...). A segunda, Adem, que está em vinte e um grau de altura, e na entrada e saída do estreito do mar Roxo (...). A terceira é Ormuz, a qual está em quinze graus, e na entrada e saída do estreito do mar da Pérsia. Esta Ormuz a meu ver é a principal de todas. E se el-Rei de Portugal tivera senhoreado Adem com uma boa fortaleza, como tem Ormuz e Malaca, senhoreando estes três estreitos que tenho dito, pudera-se chamar senhor de todo o Mundo (como fez Alexandre, quando chegou ao Ganges), porque com estas três chaves fechava as portas a tudo.

(...)

Ormuz cousa muito antiga é e por razão do seu comércio e navegação é muito nomeada por todo Mundo (...). Os Mouros hão Ormuz por tamanha cousa, que dizem que o anel é o Mundo, e a pedra Ormuz, e assim deve ser, porque ali vêm todas as mercadorias da Pérsia, Tartária, Turquemana, do reino do Gilan, de Bagdad, Cairo e de todas as partes da Índia; e todas as mercadorias que se podem cuidar se acham em Ormuz. É a mais abastada terra de mantimentos que há naquela parte.»

Comentários do Grande Afonso de Albuquerque Capitão Geral que foi das índias Orientais em tempo do muito poderoso Rei D. Manuel o primeiro deste nome


De Ormuz falava quem sabia. 

O rei local foi tributário do rei de Portugal, no século XVI. Aí foi construído o Forte de Nossa Senhora da Vitória ou da Conceição.

 

Tartária - vasta região da Ásia Central e setentrional
Turquemana - terra dos turquemanos: Anatólia e partes do Azerbaijão
Reino do Gilan - no Norte do actual Irão, na região costeira do mar Cáspio


Easter Sunday


quinta-feira, 2 de abril de 2026

50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa


Celebram-se os 50 anos da aprovação e promulgação da Constituição da República Portuguesa.
Verdade que nem todos celebram, há quem vocifere, mas esse é um direito conferido pela própria Constituição.

Algumas dezenas de deputados constituintes marcaram a sua presença na sessão solene da Assembleia da República.
E podemos aferir que o nível e a dignidade desses deputados eram superiores ao dos actuais, alguns dos quais se quedam pelo nível da estrebaria.
Que uma possível (e oportunista) revisão da Constituição esteja nas mãos destes últimos é bem preocupante.


Celebremos hoje, amanhã não sabemos se o poderemos fazer.