"Quando todos os cálculos complicados se revelam falsos, quando os próprios filósofos não têm nada mais a dizer-nos, é desculpável que nos voltemos para a chilreada fortuita dos pássaros ou para o longínquo contrapeso dos astros ou para o sorriso das vacas."
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano (revista e acrescentada por Carlos C., segundo Aníbal C. S.)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Elogio do livro


«Entre os anos 3500 e 3000 a. C., sob o sol abrasador da Mesopotâmia, alguns génios sumérios anónimos traçaram sobre o barro os primeiros sinais que, ultrapassando as barreiras temporais e espaciais da voz, conseguiram deixar uma marca duradoura da linguagem. Só no século XX, mais de cinco milénios depois, é que a escrita se converteu numa habilidade estendida, ao alcance da maioria da população — um longo percurso; uma aquisição muito recente.

(...)

A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às árvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionaram multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos.»

Irene Vallejo, O infinito num junco

O Infinito num Junco é um detalhado e fascinante elogio do(s) livro(s).


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